D’Ale está de volta! Ídolo é apresentado para o último tango em Porto Alegre

Camisa 10 voltou para casa (Fotos: Ricardo Duarte)

Mais de 12 temporadas defendendo a mesma camisa. Um total de 517 jogos, 95 gols e 113 assistências. 13 títulos, entre eles Copa Libertadores e Sul-Americana. O terceiro jogador que mais vestiu a camisa do Inter, mesmo vindo de fora do país. O ídolo Andrés Nicolás D’Alessandro está de volta ao Clube do Povo para escrever seu capítulo derradeiro como jogador de futebol. O último tango do argentino mais brasileiro do mundo já começou!

Esta quinta-feira, dia 13 de janeiro, entra de imediato para a história colorada. Data que marca o retorno oficial do ídolo, apresentado pela diretoria no Beira-Rio. Ao lado do presidente Alessandro Barcellos, do vice-presidente de futebol Emílio Papaléo Zin e do diretor executivo Paulo Bracks, D’Ale recebeu de volta a sua camisa 10, cedida pelo amigo Taison, que voltou a usar a 7.

Em entrevista coletiva emocionante, o ídolo falou sobre diversos assuntos, esclareceu dúvidas e projetou seus últimos quatro meses como jogador de futebol. Confira abaixo os principais trechos.

Palavra da diretoria

D’Ale é apresentado por Bracks (E), Barcellos (C) e Papaléo (D)

Alessandro Barcellos:
“É um cara irresignado com derrota, gosta de vitória, gosta de título e tem os valores do Internacional no seu dia a dia. Isso é fundamental, com a entrega que ele tem, para um dos grupos mais jovens do Inter nos últimos anos. A presença do D’Alessandro dentro do vestiário vai nos ajudar muito nesse aspecto.”

Emílio Papaléo Zin:
“É muito bom ver o D’Alessandro vestindo novamente a camisa do Internacional. É um craque dentro e fora de campo. Neste começo de ano no Campeonato Gaúcho, que ele participou de sete conquistas, vai nos ajudar muito. Com sua experiência, sua liderança e seu talento, certamente terá uma participação decisiva neste início de temporada onde o Inter está formando seu elenco.”

Paulo Bracks:
“Quando penso no D’Alessandro, penso nele com a camisa do Internacional. Vai ser um orgulho muito grande tê-lo como colega de trabalho e nós contamos muito com ele dentro e fora de campo.”

D’Alessandro

Entrevista longa e emocionante marcou retorno do camisa 10

Volta para casa
“Estou muito orgulhoso e feliz de o Inter ter me aberto as portas novamente. Era um possibilidade que, quando sai no ano passado, pensava, mas não era uma realidade. Em conversa com a diretoria e o presidente a gente conseguiu e hoje estamos aqui. Estou muito feliz de voltar para minha casa.”

Disposição de sobra
“Se o treinador precisar de mim dois minutos, estarei à disposição. Se precisar em 20 minutos, estarei à disposição. Se não precisar de mim dentro, mas fora de campo, também estarei à disposição.”

Como se fosse a primeira vez
“Eu não voltei ao Inter pelo que eu ganhei. Voltei porque a diretoria, o treinador e o grupo estão convencidos de que eu posso contribuir com eles de alguma maneira, seja fora ou dentro. Para mim, vai ser como o primeiro Gauchão que joguei lá em 2009, que vencemos de forma invicta, junto com o Taison.”

Intensidade do novo treinador
“Temos um treinador com ideias novas, com uma característica diferente dos treinador anteriores. Um treinador que gosta de trabalhar, é intenso e não gosta de brincar, já mostrou isso nos primeiros treinos. Não tem outro jeito a não ser trabalhar. Já não se ganha mais no futebol só com a bola no pé, se ganha com intensidade, se doando, tendo comprometimento, esforço e dedicação. É preciso viver para o futebol 24 horas por dia.”

Recado aos críticos
“Existe uma minoria que achava que não poderia treinar e não teria forças. Uma minoria que se incomoda com a minha presença novamente em Porto Alegre. Uma minoria que talvez vista outra cor. Estou aqui muito vivo, com muita força e muito feliz. Ninguém conseguiu ganhar tudo, mas quando falam do D’Alessandro mudam o pensamento e a cobrança. Mas eu sempre matei no peito e, dessa vez, não vai ser diferente. Estou mais forte, estou que nem o vinho. Pode continuar batendo que não tem problema.”

Fim da linha
“É difícil cravar, mas a minha carreira vai terminar. Vou jogar quatro meses, ajudar no que eu puder até 30 de abril, farei 41 anos no dia 15 de abril. Depois disso, vou para a minha casa, descansar, sair de férias. Continuarei ajudando o Inter, comparecendo nos jogos, porque me tornarei torcedor. Já sou um torcedor, mas um atleta torcedor que continua trabalhando no clube.”

Volta à cidade
“Eu tinha muita vontade de voltar a morar em Porto Alegre. Não deixei de morar e voltar aqui como cidadão. Mas queria retornar para ficar e me despedir do futebol. Acho que posso dizer que é justo, eu sinto isso, é o que o torcedor e o clube me passam. É justo eu me despedir com a camisa do Internacional. Não poderia me despedir do futebol e encerrar minha carreira com outra camisa.”

Despedida do torcedor
“Eu preciso do torcedor. O clube precisa do torcedor. Agora vou ser um pouquinho egoísta, preciso me despedir do torcedor. Seja em Bagé, Erechim, Ijuí, ou na cidade que a gente for, mesmo se eu não for jogar, pedirei para viajar e acompanhar o grupo. Eu necessito me despedir do torcedor, ter contato com eles.”

Aposentadoria
“Preparado a gente nunca está. Eu vou pensando no dia a dia que termina uma coisa que é difícil assimilar. O atleta de futebol tem duas vidas dentro de uma. A vida de atleta e depois tem mais 40 ou 50 anos pra viver. Tenho que me preparar para isso.”

Amizade com Taison
“Taison é um amigo. Como atleta, dispensa comentário. Mas, como pessoa, dispensa mais ainda. A gente tem uma amizade muito grande. Ele vai ter que me ajudar, já ajudei muito ele. A gente vai trabalhar junto. Nunca é fácil pra quem sai do Inter e fica longe um tempo. O Inter mexe muito com o sentimento das pessoas, pelo menos a gente que tem um carinho e amor enorme pelo clube. Mexe demais. Quando a gente está longe, quer voltar a ficar aqui.”

Orgulho em vestir o manto
“Ser o terceiro jogador com mais jogos no clube é um orgulho. Hoje em dia, é muito difícil encontrar atletas que fiquem tanto tempo em um clube. Não é um objetivo ser o segundo. Se acontecer, ficarei muito feliz. Mas se não acontecer, posso jogar apenas alguns jogos. Depende de como o treinador quiser me utilizar. Tenho bem claro na minha mente, eu voltei para ficar à disposição, cumprir como um atleta profissional o dia a dia e minhas obrigações com o que o treinador precisar. Seja um minuto, sejam dois. De repente, faço uma ou duas partidas em quatro meses. Isso não vai tirar a minha felicidade por ter voltado, por estar com o grupo, voltar a Porto Alegre, por vestir esse manto colorado, que não é pouca coisa.”


> Assista à entrevista coletiva na íntegra!

Dia do Torcedor Colorado: Charuto, a personificação do Clube do Povo

Enquanto Carlitos, Tesourinha e companhia orquestravam a sinfonia dentro de campo, nas arquibancadas do Eucaliptos havia um irreverente torcedor que dava um show à parte. “Um colorado em estado puro”, como definira Luis Fernando Verissimo. Nesta sexta-feira (17/12), se comemora o Dia do Torcedor Colorado, e nada mais justo do que celebrar a personificação do Clube do Povo: o eterno Charuto.

Figura muito popular em Porto Alegre, Charuto habitou assiduamente o Eucaliptos entre os anos 1930 e 50. Apesar da embriaguez que por vezes o abatia no segundo tempo, torcia fervorosamente enquanto podia: “CO-RO-RA-DO!”, repetia, alheio ao que ocorria no gramado.

Trabalhador humilde e bem quisto entre a torcida, costumava ter sua entrada bancada pelos demais. Quando isso não ocorria, usava de uma técnica avançada para driblar o porteiro e ingressava no estádio de costas, fingindo estar de saída – como se fora o próprio Saci.

O mítico torcedor-símbolo partiu em 1952, mas sua figura atravessa os tempos como um personagem popular do futebol gaúcho e representante folclórico do Clube do Povo – a genuína alegria de seu coração. Salve, eterno Charuto!

Tesourinha, uma centenária lenda colorada

Ídolo (C) marca, no Eucaliptos, um de seus 178 gols pelo Inter

Se você é hoje torcedor colorado e herdou esta paixão centenária, muito se deve a um sujeito chamado Osmar Fortes Barcelos, o lendário Tesourinha. Um legítimo craque, revelado no Celeiro de Ases, que ajudou a catapultar a fama do Rolo Compressor e o nome do Sport Club Internacional pelo Brasil afora. Mais do que isso, um atleta nascido para jogar no Clube do Povo.

No Dia do Torcedor Colorado, celebrado neste 17 de dezembro, vamos relembrar a trajetória do histórico ponta-direita que completaria um século de vida em 2021, mas que permanece eternizado na raiz de cada alvirrubro.

Imagem: Revista Panorama Esportivo

O primeiro capítulo da história entre Inter e Tesourinha foi escrito ainda no nascimento do ídolo, em 3 de outubro de 1921. Osmar Fortes Barcellos viveu sua infância na Ilhota, primeira grande favela de Porto Alegre, marcada pela mistura de futebol e samba, que em 1909 também serviu de berço colorado.

Seu apelido veio de um bloco carnavalesco, chamado ‘Os Tesouras’, do qual ele e familiares faziam parte. Mas poderia também ser referência à maneira como cortava os adversários, em dribles desconcertantes, muito comparado aos de Garrincha.

Bem-humorado, o ídolo divertia-se ao explicar o motivo do apelido: “Por causa de um bloco chamado Os Tesouras, que no final da década de 30 fez misérias na Cidade Baixa (bairro de Porto Alegre). Diziam que eu fazia misérias com os adversários, daí o apelido”.

Tesourinha infernizava os adversários pela ponta-direita

Quando de fato chegou ao Inter, em 1939, ainda era franzino e muito pobre. Assim, ganhou do Clube a autorização especial para pegar diariamente dois litros de leite nos armazéns próximos ao Estádio dos Eucaliptos.

Sua chegada ao Inter culminou com a formação do famoso Rolo Compressor, com o qual foi octacampeão citadino e gaúcho, tornando-se o quinto maior artilheiro da história colorada, com 178 gols. Formou, junto de Carlitos, Adãozinho e Villalba, um dos principais ataques da história do futebol brasileiro. Ajudou o Clube do Povo a se consolidar como maior time do Rio Grande do Sul, além de garantir a vigente supremacia no clássico Gre-Nal, obtida em 1945.


Atingiu feito raro entre os gaúchos na sua época ao ser convocado para a Seleção Brasileira – o primeiro atuando no Inter. Superou a desconfiança da imprensa do eixo Rio-São Paulo e foi igualmente brilhante, sendo eleito por duas vezes o melhor jogador do continente. Entre seus títulos com a Seleção, conquistou a Copa América de 1949 e a Copa Roca, em 1945. Era nome certo para a Copa do Mundo de 1950, no Brasil, mas acabou cortado pelo técnico Flávio Costa por causa de uma grave lesão no joelho.


Na despedida do Estádio dos Eucaliptos, em 1969 – vitória por 4 a 1 sobre o Rio Grande -, foi homenageado ao ingressar em campo no segundo tempo para receber um último aplauso da nação colorada. Como merecida recordação, levou para casa as redes da goleira, tanta vezes balançadas por ele, retirada com uma tesoura – emblemática.

Inter promove ações comemorativas aos 15 anos da conquista do Mundial

Título no Japão será recordado em série de ações (Foto: Ricardo Duarte)

A semana será de emoções para o Inter e sua torcida. Para comemorar os 15 anos da conquista do Mundial, o Clube está programando uma série de atividades alusivas à data, comemorada na próxima sexta-feira (17/12).

O aquecimento começa na quinta-feira (16), onde a Visita Colorada, nos horários das 14h e 15h30, contará com uma presença ilustre: ao final do trajeto, o ídolo Iarley estará no gramado do Estádio Beira-Rio para uma ação de Chute a Gol. O ex-goleiro Hiran também estará presente.

À beira do campo, será posicionada uma goleira para que os visitantes tenham a oportunidade de marcar um gol no Gigante. A atividade é restrita a 30 pessoas por grupo, uma vez que ainda está sendo respeitado o distanciamento social e evitado qualquer tipo de aglomeração. Os colorados também poderão fazer fotos com a taça da conquista de 2006. Neste dia, o Museu do Inter terá gratuidade no ingresso. As ações são válidas para sócios e não sócios.

> Saiba mais sobre a Visita Colorada

Já a sexta-feira (17), reserva uma agenda recheada de atrações. A começar pelo lançamento de uma camisa comemorativa aos 15 anos do maior título da história colorada. Para relembrar o manto branco usado pelos jogadores diante do Barcelona, foi criada uma réplica licenciada com a assinatura do capitão Fernandão.

E o discurso emocionado de F9 antes da partida poderá ser revisto por meio de um QRCode na tag da camiseta que irá direcionar para o vídeo dos bastidores de Yokohama. A camisa estará à venda nas lojas oficiais do Clube por R$ 199,00 para sócios. Além disso, 200 sócios colorados que se mantiveram adimplentes durante a pandemia serão sorteados para receberem a camisa. Ela será revelada ao público na quinta-feira (16).

O Clube também organizou um café da manhã para convidados. Conselheiros, ex-jogadores e ex-funcionários serão recepcionados pelo Conselho de Gestão e pela Mesa do Conselho Deliberativo para um momento de celebração e homenagens.

Entre elas, aos torcedores eméritos Noêmia Martins Fontoura (Vó Noêmia), Sérgio Antônio da Silva Vanacor (Macaco) e Jorge Luís de Oliveira (Nego Beleza), que, ao longo dos anos demonstram seu amor incondicional pelo Inter. O título de Capitão Emérito outorgado a Fernandão será recebido por Fernanda Bizzotto, Enzo e Eloá, esposa e filhos do eterno capitão colorado. Aldo Dias Rosa (in memoriam) será lembrado com a Medalha Irmãos Poppe. Outros dez sócios foram sorteados para participarem do encontro. Ao término do evento, haverá uma queima de fogos.

Na sequência, e ainda em comemoração à data, o Clube irá realizar a sua tradicional festa para os colaboradores, onde todos serão recepcionados para um almoço no CT Parque Gigante.

E para encerrar as atividades, a partir das 18h, a Rádio Colorada colocará no ar um programa especial relembrando a conquista.

“O Célio vai ou estourar essa rede, ou colocar ela na arquibancada!” Relembra Pinga no aniversário de 29 anos da conquista da Copa do Brasil

Há 29 anos, o Inter conquistava a quarta estrela! Em um Beira-Rio completamente lotado, o Clube do Povo superou o Fluminense por 1 a 0, gol de Célio Silva, para erguer a taça da Copa do Brasil de 1992. Zagueiro símbolo da geração campeã nacional, o ídolo Pinga rememorou o título em entrevista concedida para o Programa do Inter, da Rádio Colorada, na noite desta segunda-feira (13/12). Confira a íntegra!

Um século de Carlitos, o maior goleador da história colorada

Ídolo colorado (D) marcou época no Rolo Compressor

Este poderia ser apenas mais um sábado qualquer. Entretanto, para os colorados, tem um sabor especial. Há cem anos, nascia o nosso maior goleador de todos os tempos. Alberto Zolim Filho, popularmente conhecido como Carlitos, é definitivamente um personagem lendário na história do Clube do Povo, com lugar especial reservado na galeria de maiores ídolos. Nada mais justo para quem marcou quase 500 gols defendendo, por toda vida, uma única camisa – a colorada.

Ícone do Rolo Compressor, Carlitos aterrorizou as defesas adversárias por nada menos que 14 temporadas vestindo vermelho e branco, de 1938 a 1951. Com ele em campo, o Inter alcançou a sua primeira era dourada, dominando completamente o futebol do sul do Brasil e alcançando a supremacia, ainda vigente, no clássico Gre-Nal.

Falecido em 2001, aos 79 anos de idade, Carlitos completaria 100 anos neste sábado (27/11), mas suas histórias ficaram eternizadas nas páginas gloriosas do Clube do Povo.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Criado no bairro Tristeza, na zona sul de Porto Alegre, desde cedo o menino ainda franzino empolgava os moradores da região com seu faro de gol e dribles desconcertantes. Com menos de 17 anos, foi levado para o Inter. Inicialmente, em função da forte linha ofensiva colorada formada por nomes como Sylvio Pirillo, Acácio e Castilhos, seria aproveitado como zagueiro. Porém, após alguns treinamentos, conquistou seu espaço na ponta-esquerda, posição de origem do futuro craque.

Com efeito imediato na equipe, não demorou para ser convocado para a Seleção Gaúcha, ainda no mesmo ano. Feito que revelaria ser uma das maiores honras da sua carreira, assim como poder atuar ao lado de ídolos como Risada, Levi, Motorzinho e Osvaldo Brandão no Clube do Povo. Pouco a pouco, o promissor goleador ia se tornando crucial no time do seu coração.


‘La Mano de Dios’ – Carlitos também marcou um icônico gol com a mão. Ao invés dos ingleses, as vítimas foram os catarinenses, quando o ídolo atuava pela Seleção Gaúcha.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Com forte apoio popular, o Clube do Povo crescia a passos largos nesta época. Jovens como ele vinham da várzea e ligas humildes, como a da Canela Preta, para formar um time que marcaria época na década seguinte. Começava a surgir o mítico Rolo Compressor – e aquele guri da zona sul de Porto Alegre seria fundamental.

Ao lado de Tesourinha, Nena, Adãozinho e outros craques, levou o Inter à hegemonia, ainda vigente, no Gre-Nal e no Gauchão – título que conquistou nada menos que 10 vezes. Se tornou ícone de um time lendário que redefiniu o futebol do Sul do Brasil.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Goleador implacável, tornou-se o maior artilheiro do Inter, do Gre-Nal e do futebol gaúcho em todos os tempos – recordes que perduram até hoje. Entre seus 485 gols, reservou 42 deles somente para o clássico, seu jogo preferido. Frio e calculista, jamais desperdiçou um único pênalti em toda sua carreira.

Não faltavam recursos para o artilheiro. Em um clássico com o Cruzeiro-POA, em 1945, o atacante balançou as redes de forma inusitada, no famoso ‘Gol do Plano Inclinado’, desafiando a física e deixando adversários incrédulos. Na ocasião, quando avançava para finalizar, o ídolo acabou passando da bola e, na fome pelo gol, deu um salto para trás, alinhando seu corpo ao horizonte. Praticamente deitado no ar, Carlitos conseguiu o cabeceio consagrador.

Carlitos e o ‘Gol do Plano Inclinado’, retratado em obra de arte

Por vezes, encarnava o próprio Saci. Especialista na arte de provocar defensores e criar armadilhas para os goleiros, Carlitos aprontava as suas peripécias pelo bosque dos Eucaliptos. Em um clássico, antes de um escanteio ser batido, prendeu o calção do desavisado goleiro gremista Júlio em um prego da trave. Quando o arqueiro saltou na direção da bola, a peça do uniforme não o acompanhou, permanecendo pendurada e rasgada na goleira.


Eterno romântico, dedicou uma vida ao Colorado e jamais trocou de time. Seu amor chegou ao ponto de batizar três filhos com a letra inicial do Inter: Ivan, Iran e Irany, o trio da imagem.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Herói e protagonista de um romance sem fim. Homem que viveu um amor autêntico e correspondido, com aroma de Eucaliptos e sabor de gols. Muitos gols. Eterno Carlitos!

“Aos novos que vestem a camiseta do nosso glorioso clube, gostaria de dizer que façam como os de antigamente: o coração rubro em primeiro lugar, amor à camiseta.”

Carlitos

Luto pela morte de Zangão

Lateral que marcou época com a camisa colorada entre a segunda metade da década de 1950 e o início dos anos 1960, Antônio Guites, o Zangão, faleceu na última sexta-feira (12/11). Ídolo bicampeão gaúcho pelo Internacional, dono das taças de 1955 e 1961, a segunda conquistada como capitão, o vigoroso defensor foi laureado pelo Clube do Povo em 1965, quando completou 10 anos vestindo vermelho.

Ao todo, Zangão disputou 334 partidas pelo Inter. Revelado por Teté, o atleta virou titular do Rolinho, inicialmente, em função mais adiantada, escolhido para ser substituto do gigante Salvador. Deslocado para a lateral-direita, fez história a ponto de ser tratado pela crônica como o melhor da posição no Rio Grande do Sul. Convocado para a Seleção, pediu dispensa da Canarinho para casar com sua amada Leila.

O Internacional manifesta profundo pesar pela partida do ídolo, nascido em janeiro de 1936, e se solidariza com a dor dos amigos e familiares. Obrigado por tudo, Zangão!

Adeus, Jaime Schmidt: missa de sétimo dia ocorre neste domingo

Schimidt no Celeiro de Ases (Foto: Dante/Agência RBS)

A manhã deste domingo (31/10) será momento de reverenciar um importante nome da história colorada, um homem apaixonado pelo Inter e que ajudou a lapidar talentos vitoriosos no Clube do Povo. Falecido na última semana, Jaime Schmidt, treinador que marcou a base colorada nos anos 1970, terá sua missa de sétimo dia, a partir das 9h, na Igreja Luterana de Novo Hamburgo – Rua São Carlos, 289.


A primeira passagem de Schimidt no Celeiro de Ases durou quatro anos – 1972 a 1976, entre as categorias infanto e juvenil. Neste período, além do tricampeonato gaúcho conquistado na base, teve papel fundamental na formação de craques que colocaram o Inter no topo do Brasil, ajudando a revelar jogadores como Caçapava, Batista, João Carlos, André Luiz, Gilmar Rinaldi e muitos outros.

Foto: reprodução livro ‘Jaime Schmidt – Lições De Um Mestre’ (editora Melhorpubli – 2015)

Mais tarde, em 1989, retornou como treinador dos juvenis e participou da formação dos laterais Célio Lino e Daniel, campeões da Copa do Brasil pelo Colorado três anos mais tarde. Em 2003, como olheiro, foi um dos responsáveis por levar para o Beira-Rio o zagueiro/lateral Bolivar, multicampeão e capitão da América em 2010.

Em 1980, ainda foi eleito o melhor treinador gaúcho pelo prêmio Leão de Ouro, da Bandeirantes, após ser campeão brasileiro com a Seleção Gaúcha.

Em foto recente, com o filho Nilson Schmidt (E)

Confira abaixo a declaração de carinho deixada pelo lendário treinador colorado Rubens Minelli, bicampeão brasileiro em 1975 e 76, no livro ‘Jaime Schmidt – Lições De Um Mestre’.

“É uma pessoa de quem guardo uma profunda e maravilhosa lembrança. Na época do Inter, tivemos uma ótima relação. Muito diálogo, um trabalho produtivo e ele sempre querendo aprender, um curioso no bom sentido. Jaime era trabalhador, humilde. Não era arrogante, nem omisso. Fez história nas categorias de base. Ele organizou um trabalho profícuo, me ajudando com vários jogadores no time profissional bicampeão brasileiro, como Caçapava, Batista e o goleador Luís Fernando Gaúcho. Olha, uma coisa é certa: Jaime Schmidt mora no meu coração.”

Rubens Minelli – livro ‘Jaime Schmidt – Lições De Um Mestre’ (Eduardo Rodrigues, editora Melhorpubli – 2015)

Tinga, Clemer e Bolívar relembram conquista da Libertadores 2006 de um jeito inédito

Reza a lenda que o dia 16 de agosto de 2006 jamais teve fim. Por algum motivo desconhecido ou não, os astros se cruzaram justo no sublime momento de uma euforia coletiva às margens do Rio Guaíba, eternizando aquele exato instante.

Testemunhas apontam que tudo começou quando um bravo homem alto e de cabelos longos levantou um artefato brilhante sobre a sua cabeça, libertando um grito que ecoa no local até hoje.

Se o dia realmente não teve fim, ninguém confirma, mas também não nega. O fato é que a lenda correu por América Latina afora, virou tradição popular e eternizou os responsáveis pela obra em heróis lendários.

O Canal do Inter reuniu três destes bravos heróis lendários para contar de um jeito inédito a saga da primeira Libertadores colorada. Bolívar, Clemer e Tinga, pilares da conquista, retornaram ao vestiário do Gigante, ou melhor, à casa deles, para uma sessão de cinema e resenha histórica.

Fernandão é o Personagem do Mês do Museu do Inter

Do Gol 1000 em clássicos ao topo do mundo. Das conquistas regionais para os maiores feitos da história do clube. Exemplo dentro e fora de campo. O Personagem do Mês de julho do Museu do Inter é o eterno camisa 9 e capitão colorado: Fernando Lúcio da Costa.

Quando desembarcou em Porto Alegre naquele longínquo 2004, havia esperança. Mas nem o mais otimista dos colorados poderia imaginar o que viria pela frente. Só que o Gol 1000 em clássicos mostrava que tinha algo a mais ali. O camisa 18 daquela partida tinha, na verdade, um 9 tatuado na alma.

Líder dentro e fora dos gramados, Fernandão desbravou os caminhos que nos levaram ao topo da América. Na Copa do Mundo de Clubes, o ídolo, como um grande capitão, foi a testa de sua tropa, combatendo os avanços adversários até o limite de seu corpo. Retirou-se do gramado para a entrada daquele que marcaria o gol da vitória. Até nisso foi predestinado.

Marcou 77 gols nos seus 190 jogos com a camisa rubra. Foi dirigente, técnico e deixou um legado gigante para as gerações futuras de colorados. Em uma fatalidade, perdeu a vida em 2014. Mas jamais deixará nossas memórias e corações. Fernandão é eterno.