Raio-X: No Beira-Rio, Gurias Coloradas recebem o São Paulo pela partida de ida das quartas do Brasileirão A1

Gurias recebem o São Paulo nesta segunda/Foto: Mariana Capra

É Inter contra São Paulo, no Beira-Rio, em um 16 de agosto! A partir das 17h desta segunda-feira (16/08), as Gurias Coloradas recebem o Tricolor pela partida de ida das quartas de final do Brasileirão A1, confronto analisado pela Rádio Colorada em entrevista com a cronista e redatora Bianca Goes. Confira o conteúdo e, na sequência, fique por dentro de tudo sobre o duelo.

Sport Club Internacional · Raio-X #45 | Internacional x São Paulo | 12/08/2021

Transmissão 📻

Se tem Gurias Colorada em campo, tem Rádio Colorada nas tribunas! A emissora oficial do Clube do Povo iniciará a cobertura do duelo às 15h30 desta segunda, e seguirá no ar até as 20h, oferecendo a jornada mais vermelha do mundo. Confira a programação, que pode ser acompanhada via Site e APP do Inter:

AtraçãoPlataformas
0hProgramação musicalInternet e App do Inter
15h30Raio-X
(Internacional x São Paulo –
Quartas de final/Brasileirão A1)
Internet e App do Inter
16hPortões Abertos
(Internacional x São Paulo –
Quartas de final/Brasileirão A1)
Internet e App do Inter
17hJornada Esportiva
(Internacional x São Paulo –
Quartas de final/Brasileirão A1)
Internet e App do Inter
19hVestiário Vermelho
(Internacional x São Paulo –
Quartas de final/Brasileirão A1)
Internet e App do Inter
20hProgramação musicalInternet e App do Inter
Segunda-feira para torcer ligado na Rádio Colorada/Foto: João Callegari

As redes sociais das Gurias Coloradas (@guriascoloradasoficial no Instagram, @GuriasColoradas no Facebook e @ColoradasGurias no Twitter) acompanharão a partida com o tradicional minuto a minuto enriquecido por imagens dos principais lances do confronto. Na TV, o SporTV anuncia transmissão.


Vamo, Gurias! 💪

Gurias trabalharam forte para as quartas do país/Foto: João Callegari

Sem ir a campo desde 24 de junho, quando visitaram o Real Brasília na rodada de encerramento da primeira fase do Brasileirão A1, as Gurias Coloradas realizaram uma verdadeira intertemporada ao longo das últimas semanas. Após reapresentação ocorrida no dia 12 de julho, o elenco feminino do Inter passou mais de um mês em preparação para as quartas de final do país.

As primeiras atividades realizadas após curto período de descanso oferecido ao grupo tiveram como foco a preparação física, e foram organizadas em nome de rápido recondicionamento das atletas coloradas. Durante esse período, que de cara presenciou treinos com bola, as Gurias trabalharam em dois turnos, marcados pelos cotidianos exercícios na academia.

Preparação foi intensa no Sesc/Foto: João Callegari

Caracterizada pela elevada intensidade, a semana de abertura da preparação colorada contou com entrevista exclusiva da zagueira Sorriso para o Canal do Inter. A atleta descreveu, na conversa, os primeiros dias de atividades no Sesc, além de destacar a boa forma com que o elenco retornou aos trabalhos.

“A gente voltou bem fisicamente, mas sempre tem o que melhorar. As primeiras atividades foram bem intensas, e focamos mais na preparação física, trabalhando a física e a técnica. Estamos nos preparando bem para chegar com força total contra o São Paulo!”

Sorriso

Com o correr dos dias, os exercícios táticos passaram a protagonizar a rotina das Gurias Coloradas. Já na segunda semana de trabalhos, atividades de campo reduzido, com foco em marcação e finalização, foram comandadas pelo técnico Maurício Salgado, e analisadas, também em conversa com o Canal do Inter, pela meio-campista Djeni Becker.

“Intensidade é o que mais está sendo cobrado nessas duas semanas de volta, e as expectativas são as melhores possíveis. A preparação vem sendo muito boa, muito forte. Fazemos cada treino pensando no São Paulo, e o pensamento é de ganhar, vencer. Só estamos crescendo com isso.”

Djeni

A proximidade do retorno aos gramados motivou a realização de atividades que oferecessem ritmo de competição ao elenco colorado. Assim, o primeiro mês de trabalhos foi concluído já com a organização de dinâmicas em conjunto à categoria Sub-18, que também nesta segunda retoma a disputa do Brasileirão. Atacante das Gurias, Shashá sublinhou o foco apresentado pelo grupo em cada um desses exercícios.

“A gente vem treinando forte, acertando o que vinha errando. A preparação está pegada, estamos cada vez mais focadas no nosso objetivo, que é classificar. O time está fechado, querendo a vitória, e cada vez mais focado no objetivo de avançar.”

Shashá

A reta final de preparação, que serviu para azeitar os últimos detalhes da luta por vaga nas semifinais, conviveu com expectativa crescente pelo retorno aos gramados. Se avançar de fase, o Inter construirá sua melhor campanha na história do Brasileirão A1, responsabilidade que o grupo está pronto para assumir, como revelou Fabi Simões.

“A expectativa está muito grande, a gente não vê a hora, queremos jogar. Se fosse amanhã, estaríamos prontas. Nos preparamos muito bem para passar pelo São Paulo, chegar na semifinal e fazer história com o Inter. Vamos fazer de tudo para isso.”

Fabi Simões

O caráter nostálgico e sentimental desta segunda-feira também foi abordado pelas guerreiras alvirrubras. No Inter desde 2017, a volante Thessa ressaltou a vontade de entregar uma grande atuação de presente à torcida neste aniversário de 15 anos da primeira Libertadores colorada.

“O time está muito concentrado no que quer e, nessa data especial pra torcida colorada, em que a gente ganhou a primeira Libertadores, contra o São Paulo, dentro do Beira-Rio, se torna ainda mais especial para nós. Queremos fazer com que a torcida se sinta abraçada nesse dia com as Gurias Coloradas!”

Thessa

Vale lembrar que nem todo o elenco passou pela mesma rotina de treinos. Enquanto Bruna Benites foi convocada para as Olimpíadas, atletas mais jovens participaram das disputas do Brasileirão Sub-16 e da primeira fase do Sub-18, esta encerrada na metade de julho. Homogênea no grupo, sem dúvidas, é a obstinação em lutar pela vaga, feito que coroaria um trabalho já consolidado, como Maurício Salgado analisou em recente entrevista para a Rádio Colorada.

“O projeto do Inter é de consolidação. A gente vê muitas equipes que, seja por realizarem apenas um investimento pontual, ou mesmo por as coisas se encaixarem, fazem um bom campeonato. Mas a fórmula de sucesso, de ter resultados duradouros, é estar sempre ali na frente. O fato de o Inter ser uma equipe que pleiteia as finais mostra o sucesso do projeto.”

Maurício Salgado
Maurício Salgado comanda as Gurias desde 2019/Foto: João Callegari

Campanha colorada 📊

As Gurias avançaram para as quartas de final na sexta colocação do Brasileirão A1. Em 15 partidas disputadas no formato de pontos corridos, o Inter somou oito vitórias, três empates e quatro derrotas, além de marcar 19 gols e sofrer 16. A pontuação colorada (27) foi a mesma de Ferroviária, quinta, e Santos, quarto.

Gurias estão nas quartas pelo terceiro ano seguido/Foto: Mariana Capra

Individualmente, Fabi Simões se destaca como a artilheira do Inter no Brasileirão. Dona de seis tentos, ela soma um a mais do que Mileninha, jovem que vive sua temporada de estreia na categoria adulta. Jogadora com mais assistências no elenco vermelho, Leidi já ofereceu três passes para gols, um a mais do que os distribuídos por Mari Pires e Juliana.


Chaveamento 📖

Quem avançar do duelo de Gurias Coloradas e São Paulo enfrentará, nas semifinais, a equipe classificada de embate entre Grêmio e Palmeiras. Disputada no último sábado, em Gravataí (14/08), a abertura do confronto foi encerrada com vitória azul por 2 a 1. Vale lembrar que as eliminatórias nacionais não contam com gol marcado fora de casa como critério de desempate. Confira o chaveamento completo do Brasileirão A1:

Avaí/Kindermann x CorinthiansGrêmio x Palmeiras
VSVS
Ferroviária x SantosInternacional x São Paulo

*Equipes em negrito decidem como mandantes

Inter abre como mandante luta por vaga nas semis/Foto: Mariana Capra

Arbitragem 👨‍⚖️

Rafael Rodrigo Klein apita, auxiliado por Maíra Mastella Moreira e Tiago Augusto Kappes Diel. Quarto árbitro: Andressa Hartmann. Quarteto gaúcho.


Rival 🆚

Rival fechou primeira fase em terceiro/Foto: Gabriela Montesano/São Paulo

Assim como o Inter, o São Paulo também viveu longo período de intertemporada após o final da primeira fase do Brasileirão A1. Enquanto as atletas mais jovens do grupo paulista, com destaque para Lauren e Giovaninha, disputaram o Nacional Sub-18 no último mês de julho, a maior parte do elenco tricolor se reapresentou, depois de breve período de folga, no dia 7 do mês passado.

Formiga em ação durante treino do Tricolor/Foto: Gabriela Montesano/São Paulo

A principal diferença na preparação das duas equipes fica pelo ritmo de jogo. Graças à rodada de abertura do Paulistão, disputada no último meio de semana, o São Paulo chega à partida desta segunda embalado por vitória conquistada na quarta-feira passada (11/08). Em Cotia-SP, as comandadas de Lucas Piccinato superaram o São José-SP por 2 a 0, gols de Naná e Cris.

A principal jogadora tricolor no Brasileirão foi poupada contra o São José. Vice-artilheira da competição com nove gols marcados, Duda brilhou na primeira fase nacional, desempenho recompensado com titularidade na Seleção Olímpica. Se com Pia Sundhage a camisa 10 atuou aberta pela direita, contudo, no São Paulo ela ocupa função mais próxima à de uma ponta-de-lança. Por ali, ofereceu, também, quatro assistências para suas companheiras.

Duda (D) é o grande nome tricolor no Brasileirão/Foto: Rubens Chiri/São Paulo

Terceiro colocado na primeira fase do Brasileirão, o São Paulo, dono de oito vitórias, cinco empates e duas derrotas, não tem na camisa 10 seu único destaque. Melhor atacante do Nacional de 2019, Glaucia é um dos pilares do time paulista, que já marcou 33 gols na temporada. Jogadora de intensa movimentação, ela abre espaços valiosos tanto para Duda quanto para as pontas Jaqueline, Carol e Micaelly, igualmente perigosas na linha de frente.

Sobre Carol, a ponta-direita é um dos desfalques do Tricolor para a partida desta segunda. Suspensa pelo terceiro cartão amarelo, ela integra lista que também conta com Natane, lesionada, e Formiga, que não foi inscrita a tempo na competição. Yayá, por questões contratuais, é dúvida, bem como Carla Nunes, entregue aos cuidados do DM desde o início da temporada.

Carol desfalca o adversário nesta segunda/Foto: Rubens Chiri/São Paulo

Considerados todos os desfalques, o provável São Paulo para esta segunda conta com Carla; Giovana, Lauren, Gislaine e Dani; Maressa e Naná (Cris); Micaelly, Duda e Jaque; Glaucia. Caso Yayá fique disponível, ela tem grandes chances de assumir a segunda função do meio de campo, ao passo que Naná corre por fora na luta pela ponta-direita de ataque.


Retrospecto do confronto ⏱️

Equipes jamais se enfrentaram em Porto Alegre/Foto: Mariana Capra

As Gurias Coloradas jamais enfrentaram o São Paulo como mandantes. Promovido à elite nacional a partir de 2020, o Tricolor recebeu o Inter nos confrontos de primeira fase dos Brasileirões atual e passado. Nestes, as equipes registraram um empate por 2 a 2, em partida disputada em Cotia-SP, e uma vitória paulista por 2 a 0, ocorrida, no último mês de maio, na Arena Barueri.


Fator local 🏟️

Gurias fazem valer o mando no Beira-Rio/Foto: Mariana Capra

O Beira-Rio faz a diferença para as Gurias Coloradas, fato comprovado ao longo de toda a temporada de 2021. Nas duas partidas que já disputaram no número 891 da Padre Cacique neste ano, as atletas do Clube do Povo conquistaram duas vitórias inesquecíveis, gigantes como o palco que lhes serviu de moldura.

Isa (E), Rafa, Mari e Djeni (D) comemoram vitória sobre a Ferroviária/Foto: Mariana Capra

Primeiro, ainda no mês de maio, o Clube do Povo superou a Ferroviária. Mari Pires, Rafa Travalão e Juliana marcaram os gols na vitória de 3 a 1, sucedida, em pouco mais de 30 dias, por triunfo sobre o maior rival. Com tentos de Fabi Simões e Mileninha, as Gurias venceram por 2 a 1 o Gre-Nal da 14ª e penúltima rodada da primeira fase e, com isso, chegaram a 10 clássicos de invencibilidade.

Mileninha festeja segundo gol em cima do Grêmio/Foto: Jota Finkler

Gurias abrem quartas do Brasileirão A1 no Beira-Rio

Gurias abrirão as quartas do Brasil no Gigante/Foto: Jota Finkler

Inter contra São Paulo, no Beira-Rio, em um 16 de agosto. Na próxima segunda-feira (16/08), as Gurias Coloradas iniciam caminhada rumo às semifinais do país em partida que contará com alta dose de nostalgia para a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. Diante do Tricolor do Morumbi, a partir das 17h, o Clube do Povo abre a disputa das quartas de final do Brasileirão A1.

Luta contra o São Paulo envolve times de campanha parecida/Foto: Mariana Capra

O duelo entre Colorado e Tricolor envolve respectivos sexto e terceiro colocados da primeira fase do Brasileirão Feminino. Até aqui, as Gurias já disputaram 15 partidas na atual edição do Campeonato Nacional, com oito vitórias, três empates e quatro derrotas. A campanha, dona de 27 pontos, é bastante parecida à do São Paulo, que também somou oito triunfos, mas registrou cinco igualdades e dois reveses.

O duelo de volta das quartas de final terá como palco o Morumbi, e está marcado para as 11h do domingo dia 22 de agosto. Quem avançar entre Clube do Povo e Tricolor enfrentará, nas semifinais, o classificado do duelo de Grêmio e Palmeiras. A fase eliminatória do Brasileirão A1 não conta com gol marcado fora de casa como critério de desempate.

Inter conta com a força do Beira-Rio para abrir disputa em vantagem/Foto: Mariana Capra

Beira-Rio pode fazer a diferença!

Diante do São Paulo, as Gurias buscam fazer história. Desde que ascendeu à elite do futebol feminino brasileiro, o Inter jamais chegou às semifinais do país. Para conseguir vaga entre as quatro melhores equipes do Brasil, o Clube do Povo conta, afora o significado sentimental da data, com o positivo retrospecto construído no Beira-Rio na atual temporada.

Mileninha marcou em cima do Grêmio/Foto: Jota Finkler

Até aqui em 2021, as Gurias já foram mandantes em duas ocasiões no Beira-Rio. Primeiro, no Gigante, o Clube do Povo superou a Ferroviária, no primeiro dia de maio, por 3 a 1, gols de Mari Pires, Rafa Travalão e Juliana Ferreira. Já no último dia 20 de junho, a vítima foi o Grêmio, superado, através de tentos de Fabi Simões e Mileninha, por 2 a 1.

Fabi também marcou no Gre-Nal passado/Foto: Jota Finkler

O caminho para libertar a América

É CAMPEÃO!/Foto: Jefferson Bernardes

Uma noite que demorou 97 anos para chegar e, desde então, jamais acabou. Data em que libertamos o grito continental que há tanto teimava em engasgar nossas gargantas. Feliz a América, que encontrou em nosso camisa 9 o melhor capitão de sua história. Feliz, também, o povo vermelho, que a partir do Gigante coloriu todo o continente em alvirrubro. Há 14 anos, vivíamos o Dia Sem Fim. Relembre a campanha colorada na Libertadores de 2006!

A maior festa que a América já viu!/Foto: Jefferson Bernardes

Para pegar ritmo

Era grande a expectativa da torcida alvirrubra em relação ao retorno do Inter à Libertadores. Afastado do principal torneio de clubes do continente desde 1993, o Colorado precisaria superar, além da aparente inexperiência na competição, o pessimismo deixado pelo frustrante desempenho de sua última participação, quando foi eliminado nos grupos. Na busca por grandes resultados, todavia, também sobravam motivos para o otimismo.

Dentro de campo, o Inter fizera por merecer o título do Brasileirão de 2005. Além disso, o elenco somava duas participações de destaque nas últimas edições da Sul-Americana. Em 2004, o Colorado chegou a eliminar o Júnior de Barranquilla, nas quartas, e somente foi eliminado, nas semis, para o campeão Boca.

Um ano depois, o Clube do Povo sucumbiria, uma vez mais, para o time xeneize, desta vez lutando por vaga entre as quatro melhores equipes do continente. Cascudos em nível continental, portanto, e embalados por grande fase nacional, os comandados de Abel Braga chegaram ao grupo 6 da Libertadores da América.

Inter e Boca travaram grandes duelos na primeira década do século passado/Foto: Marcelo Campos

O Colorado estreou na Libertadores de 2006 no dia 16 de fevereiro. Diante de 35 mil pessoas, o Clube do Povo enfrentou o Maracaibo, da Venezuela, fora de casa. Ceará, aos três minutos do segundo tempo, abriu o placar em bonito chute da entrada da área. O gol do lateral-direito, inclusive, criaria, em breve, superstição ímpar entre a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. O tento, contudo, não foi o único da noite: já nos últimos instantes, Maldonado empatou para os locais e impediu o triunfo alvirrubro.

A vitória que escapou na estreia chegou na semana seguinte. Apoiado por um Beira-Rio lotado, o Inter deu show para atropelar o Nacional-URU, tricampeão da Libertadores, por 3 a 0. Michel e Fernandão, ainda no primeiro tempo, garantiram boa vantagem para o intervalo, resultado que foi ampliado, já nos últimos minutos da etapa final, por Rubens Cardoso.

Abrindo o mês de março, no dia 8 o Inter viajou até a Cidade do México para encarar o Pumas. Como de costume naquele início de campanha continental, as redes balançaram minutos antes dos 45 – desta vez, da primeira etapa. López, de cabeça, garantiu vitória parcial do time da casa antes do intervalo. Na volta dos vestiários, porém, Rentería mudou radicalmente o cenário da partida e, com um gol e uma assistência, para Fernandão, garantiu o posto de protagonista do confronto. Por 2 a 1, o Clube do Povo vencia e mantinha a liderança do grupo.


Invencibilidade nos grupos

A partida mais emocionante do Inter na fase de grupos ocorreu na noite do dia 22 de março. Tomado por mais de 42 mil pessoas, o Beira-Rio, como de costume, fez a diferença, e brilhou na histórica virada sobre o Pumas. A importância da torcida no triunfo fica clara na súmula da partida, afinal de contas, aos 34 do primeiro tempo o Clube do Povo perdia por 2 a 0.

Fernandão comemora o segundo gol colorado na noite/Foto: Jefferson Bernardes

“Foi fantástico. Ninguém arredou o pé, ninguém parou de incentivar. Os jogadores se sentiram orgulhosos de fazer parte deste clube. O torcedor sentiu que o resultado era injusto e incentivou o tempo todo. Sofremos, mas tivemos a competência necessária para virar o resultado”

Contínuo ao segundo gol dos mexicanos, a torcida respondeu com cantoria ainda mais intensa para o time colorado. Sob tamanho apoio, o Inter descontou, logo aos 36, com Michel, em gol brigado, batalhado e com a cara da Libertadores. Na etapa final, Tinga descolou, aos 7, desarme magnífico, e lançou, na direita, o autor do primeiro tento vermelho. Rasteiro, ele cruzou para Fernandão, que tirou proveito da falha do goleiro para empatar. A virada, merecida, chegou aos 30. Gabiru, recebendo assistência de cabeça do Eterno Capitão, fez explodir, também com a nuca, mas de peixinho, as estruturas do Gigante.

Data em que comemorou 97 anos de vida, no dia 4 de abril de 2006 o Clube do Povo visitou o Nacional, em Montevidéu. Desfalcado de alguns nomes, incluindo Fernandão, o Colorado segurou positivo empate sem gols no Parque Central, resultado que garantiu a manutenção da liderança, agora com 11 pontos, e praticamente assegurou vaga na fase de oitavas de final da América.

Finalizando a fase de grupos, o Inter recebeu, no 18º dia de abril, o Maracaibo. Escalado com novidades, a exemplo de Jorge Wagner, que retomou a titularidade na lateral-esquerda, e Rafael Sobis, devidamente recuperado de lesão, o time de Abel Braga não deu chance aos visitantes. Após Adriano Gabiru marcar o único gol da etapa inicial, Bolívar, Michel e Rentería transformaram a vitória em goleada. Em grande estilo, portanto, o Clube do Povo, dono da segunda melhor campanha da Libertadores, avançou, invicto e com 14 pontos, às oitavas.


Velho conhecido, novo final

Atualmente, os confrontos de oitavas de final da Libertadores são decididos através de sorteio. Em 2006, a lógica era outra. À época, a fase era disputada entre os melhores líderes contra os segundo colocados de pior campanha.

Segundo melhor time da fase de grupos, o Inter, que avançou como líder da chave 6, enfrentou nas oitavas, atendendo ao regulamento, o penúltimo segundo colocado. Curiosamente, o adversário foi o Nacional-URU, time mais do que conhecido. Apesar do positivo retrospecto recente para o Alvirrubro, todavia, o rival despertava grande receio na torcida vermelha

Desbravador gaúcho na Libertadores, o Clube do Povo disputara, exatamente contra o ‘Bolso’, a decisão do torneio em 1980. Derrotado na ocasião, o Colorado encarava, 26 anos depois, excelente oportunidade de vingar o revés passado e superar o fantasma charrua que pairava sobre as caminhadas continentais do escrete oriundo da Padre Cacique.

Iniciada em território uruguaio, a fase de oitavas de final viu brilhar Rentería. Mais colombiano dos sacis, o atacante, que já construíra excelente trajetória na fase de grupos do torneio, foi o grande nome do duelo disputado no Parque Central. Após um primeiro tempo de boas chances para os dois lados, encerrado com o 1 a 1 no placar, empate alcançado pelo Inter já nos instantes finais graças a precisa falta de Jorge Wagner, o dançarino Wason foi alçado a campo, logo no retorno dos vestiários, na vaga de Rafael Sobis. Talismã, precisou de apenas 18 minutos para virar, e o fez com estilo: acionado por Fernandão, aplicou, com a direita, um balãozinho no marcador e, sem deixar a bola cair, soltou um canhotaço, que encobriu o arqueiro Bava. Festejada, a vitória por 2 a 1, somada a empate sem gols na volta, no Beira-Rio, classificou o Inter para as quartas de final!


Uma fase, dois meses

O Clube do Povo teve uma semana de folga entre a classificação para as quartas e a abertura do duelo contra a LDU. Em Quito, capital equatoriana, os comandados de Abel Braga saíram na frente com gol de Jorge Wagner. Na etapa final, porém, a altitude de quase 3.000 metros fez a diferença. Benéfica ao time da casa, desgastou o Colorado e garantiu a virada dos locais. No Beira-Rio seria preciso, no mínimo, vencer por 1 a 0. Difícil, o desafio ficou ainda maior somado à ansiedade que precisaria ser superada, consequência dos mais de dois meses que separavam o revés na ida do embate de volta.

Dia 19 de julho de 2006. Após meses de fé, mobilização e treinos intensos, o Gigante, lotado, sediou a disputa dos últimos 90 minutos por vaga nas semifinais continentais. Obrigado a vencer, o Inter até criou boas oportunidades, mas foi incapaz de vazar as redes rivais no primeiro tempo. De volta do intervalo, porém, o ritmo colorado foi amplificado. Prova da intensidade? O primeiro gol, de Sobis, aos 6. Rentería, já aos 41, ampliou. Clemer, nos acréscimos, brilhou. Estávamos entre os quatro melhores das Américas!


Depois de 26 anos, a final

No Clube do Povo, os anos 1980 não ficaram conhecidos como ‘década de prata’ por acaso. Acostumado ao gosto do ouro, recorrente no início da era Beira-Rio, o Inter sofreu com frequentes batidas na trave, ocorridas também em âmbito continental.

Avassaladora, a campanha alvirrubra na Libertadores de 2006 ofereceu ao Colorado, nas oitavas, a primeira oportunidade de superar um trauma passado. Nas semifinais, surgiu a segunda. Desta vez, contra um adversário distinto, mas dentro de roteiro idêntico.

Em 1989, o Colorado perdera a vaga na decisão continental para os alvinegros paraguaios do Olímpia. Traumático, o episódio retornou à memória da torcida vermelha 17 anos depois. Para chegar à final de 2006 o Inter teria de superar, nas semis, o Libertad. Rival também do Paraguai, também preto e branco e também mandante, na partida de ida, no Defensores del Chaco.

Fora de casa, o Clube do Povo empatou sem gols. No Gigante, 50 mil pessoas empurraram escalação decidida a entrar para a história. Os protagonistas do time, naquela noite, foram Alex e Fernandão, que brilharam em nova etapa final decisiva. Pela segunda vez na história, o gigante da Padre Cacique era finalista da Libertadores.


Uma semana sem fim

Morumbi lotado. Inter, de grande campanha no Brasileirão passado, contra São Paulo, vencedor do último Mundial de Clubes. Duelo gigante, entre os dois atuais líderes do Campeonato Nacional. A final de 2006 foi, sem sombra de dúvidas, uma das maiores da história do principal torneio de clubes da América.

Nos primeiros 90 minutos da decisão, Sobis honrou os libertadores Simón Bolívar e José de San Martín para tomar nosso continente das mãos de seus atuais donos. Com dois gols do camisa 11, o Colorado venceu por 2 a 1 e garantiu, em uma das maiores noites da história do Internacional, a vantagem para o jogo de volta

Uma semana depois, no interminável dia 16 de agosto, Fernandão, o principal capitão da história da América, e Tinga, injustiçado herói, marcaram no empate de 2 a 2. A igualdade, conquistada diante de quase 60 mil pessoas, fez Porto Alegre tremer como nunca em sua história. De uma vez por todas, pela primeira em 97 anos, a América estava livre. Livre, e colorida em vermelho e branco. Inter, campeão do continente!

Escolha o seu gol preferido da história colorada!

O Clube do Povo sempre escreveu suas glórias através de precisas finalizações de cabeça, canhota ou pé direito. Pensando nisso, lançamos a nossa torcida o desafio de escolher o melhor gol, entre os selecionados, da história colorada. Os critérios são os mais subjetivos possíveis: você pode decidir pelo mais bonito, o mais importante, o mais improvável, o mais marcante, ou o que preferir! Disponível em nossas redes sociais, a enquete, organizada em formato de chaveamentos eliminatórios (imagem abaixo), conta com tentos anotados em diferentes décadas, por vários ídolos. Confira-os a seguir:

Falcão x Atlético-MG

Válido pelas semifinais do Brasileirão de 1976, o confronto entre Inter e Atlético-MG brindou o público que lotou o Beira-Rio com duelo do mais alto nível. Após encerrar o primeiro tempo atrás no marcador, o Clube do Povo buscou a igualdade com Batista, aos 33, e passou a pressionar em busca do gol da virada, que saiu aos 46, após tabela inacreditável entre Falcão, Dario e Escurinho. Verdadeira obra de arte, à altura de seu autor e de uma equipe campeã!

Figueroa x Cruzeiro

Coube ao Inter, dono de DNA desbravador e pioneiro, estabelecer o nome do futebol gaúcho em território nacional. Em 1975, o Clube do Povo chegou à decisão do Brasileirão após campanha magnífica, com direito à vitória sobre a ‘Máquina Tricolor’, no Rio, nas semifinais. Disputada contra o Cruzeiro, a finalíssima encontrou em Figueroa, o zagueiro craque, seu único artilheiro, capaz de vencer não apenas a defesa mineira, mas também o céu nublado, para abrir o placar para o Colorado.

Valdomiro x Corinthians

O segundo título nacional do Inter veio na temporada seguinte ao primeiro. Em 1976, o Colorado enfrentou o Corinthians, no Beira-Rio, na final do Brasileirão. A taça, já habituada ao número 891 da Padre Cacique, foi conquistada graças a dois lances de bola parada. No primeiro, Valdomiro acertou a barreira, mas Dadá não perdoou no rebote. Depois, o camisa 7 e ídolo colorado executou mais uma de suas muitas cobranças magistrais. Esta explodiu no travessão antes de vencer a linha fatal e, de uma vez por todas, consagrar o Clube do Povo bicampeão!

Nilson x Grêmio

A maior edição do principal clássico do Brasil aconteceu em fevereiro de 1989. Confronto de volta da semifinal do Brasileirão de 1988, o Gre-Nal do Século foi antecedido por empate sem gols no Olímpico, e exibiu roteiro capaz de invejar qualquer cineasta premiado. Na primeira etapa, vitória parcial dos visitantes e expulsão do lado vermelho. No segundo tempo, dois gols de Nilson, o primeiro de cabeça, e Inter, com um a menos, vitorioso e classificado. Que tarde!

Iarley x Vasco

O gol de bicicleta é uma paixão planetária. O nível de dificuldade exigido para executá-lo, provavelmente, encontra equivalência apenas na plasticidade do lance. Em 2006, poucas semanas após a conquista da América, Iarley começava a dar mostras do protagonismo que exerceria na reta final da temporada anotando pintura rara, inclusive, entre as do estilo. O domínio no peito e a distância da meta vascaína não deixam dúvidas.

Fernandão x Coritiba

Eterno Capitão! As palavras que faltam para definir a importância de Fernandão no Inter também são escassas na tentativa de descrever esta pintura. Pouco mais de um mês depois de estrear pelo Colorado marcando o Gol Mil dos Gre-Nais, o centroavante, inquieto em escrever história, foi autor de mais um feito inesquecível. Sortudo o Beira-Rio por servir de tela à obra de arte do cabeludo artilheiro.

Giuliano x Estudiantes

Atual campeão da América, o Estudiantes julgou estar com a vaga garantida nas semifinais da Libertadores antes do apito final. Em 2010, o ídolo e capitão pincharatta, nos minutos de encerramento, convocou a torcida para festejar com seus sinalizadores. Na fumaça da festa precoce, Giuliano, lançado por Andrezinho, brilhou, e instalou na cancha portenha silêncio sepulcral, quebrado apenas pelo estrondoso celebrar do povo colorado.

Sobis x LDU

A espera foi angustiante. Mais de dois meses entre o revés no Equador, único na campanha, e a volta em Porto Alegre. Para piorar, a etapa inicial em nada diminuiu a tensão. Pelo contrário, truncado, o jogo foi tomando contornos desesperadores até os seis minutos do segundo tempo, quando Rafael Sobis abriu o placar em uma verdadeira pintura. Depois deste, Renteria faria o segundo, e a vaga nas semis estaria garantida.

Tinga x São Paulo

A libertação da América. Numa infindável noite de alegria, 16 de agosto de 2006, Tinga marcou gol inesquecível, o último de nossa campanha campeã continental. O título, depois de 97 aos de espera, era nosso. Vamos, Colorado!

Damião x Chivas

Final de Libertadores. Decisão do principal torneio de clubes do continente. Beira-Rio. Cenário perfeito para um jovem começar sua história de idolatria com a camisa vermelha. Matador, Damião interceptou passe na altura do meio de campo e, em velocidade, marcou o segundo do Inter, garantindo, de uma vez por todas, a reconquista da América.

Claudiomiro x Benfica

Lotado por mais de 100 mil pessoas, o Beira-Rio foi oficialmente inaugurado no dia 6 de abril de 1969, em partida amistosa que envolveu Inter e Benfica. Para estrear a história das redes da casa colorada, obviamente, seria necessária a ação de um legítimo alvirrubro. Ninguém melhor do que o jovem Claudiomiro. Com um testaço, o centroavante abriu o placar, completando grande trama do ataque vermelho.

Gabiru x Barcelona

Pregador de peças, o irônico destino armou a maior das suas no dia 17 de dezembro de 2006. Em Yokohama, o Mundial de Clubes era decidido entre Inter e Barcelona. Combalido, o aplicado capitão Fernandão, com cãibras, deixou o campo para a entrada do contestado Adriano Gabiru. Vestindo a 16, o substituto recebeu de Iarley passe açucarado e finalizou não para o barbante, e sim para a história.

Nilmar x Estudiantes

Para nos sagrarmos o primeiro time brasileiro campeão da Sul-Americana, tivemos de superar caminho turbulento – e o fizemos com excelência. Não bastasse a caminhada repleta de adversários de alto quilate, também nossa decisão foi sofrida, disputada até a prorrogação. No segundo tempo desta, Nilmar, cria do Celeiro, marcou, com um bico salvador, o gol do título.

Alex x Boca

De tão difícil, nas quartas de final a campanha do Inter na Sul-Americana encontrou o atual campeão da América. Derrotado com autoridade no Beira-Rio, também na Bombonera o Boca Juniors precisou se curvar à inesquecível escalação colorada de 2008. Servido por D’Alessandro, Alex marcou, na etapa final, o segundo do Clube do Povo, último da vitória por 2 a 1. Ao eliminar os xeneizes em sua casa, o Alvirrubro repetiu feito até então exclusivo, entre os brasileiros, ao Santos de Pelé.

D’Alessandro x Atlético-MG

Como joga, por favor! Nas oitavas da Libertadores de 2015, o gringo pegou a sobra de bola espirrada pela defesa adversária e, com sua canhota, anotou mais um belo capítulo em sua linda história no Inter. No ângulo, sem chances de defesa, preciso, perfeito. Andrés Nicolás D’Alessandro!

Renteria x Nacional

O mais colombiano dos sacis internacionalizou sua história também no Uruguai. Para exorcizar um fantasma do passado, usou do lençol, não como fantasia, mas artimanha. Com ele, e um arremate fulminante, garantiu vitória importante nas oitavas da Libertadores de 2006. É nós, Renteria. Tipo Colômbia!

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