Bastidores: base campeã

As Gurias Sub-17 são campeãs do Brasil! No último domingo (1º/05), as coloradas superaram o Santos por 2 a 1 e garantiram o título nacional, festejado com o grande público que marcou presença no SESC. O Canal do Inter te apresenta os Bastidores da conquista!

Fotos: Gurias Coloradas campeãs do Brasileirão Sub-17

Campeãs! As Gurias Coloradas da categoria Sub-17 venceram o Santos, na manhã deste domingo (1º/05), por 2 a 1, e conquistaram o título do primeiro Brasileirão Feminino da história. Confira as imagens da partida, disputada no SESC Protásio Alves:

Gurias Coloradas são campeãs do primeiro Brasileirão Sub-17 da história

Gurias Sub-17 são campeãs nacionais/Foto: Ricardo Duarte

É A MELHOR BASE DO BRASIL! Na raça e na bola, com o ataque mais goleador e a defesa menos vazada, contra tudo e todos, as Gurias Coloradas conquistaram, na manhã deste domingo (1º/05), o primeiro Brasileirão Feminino Sub-17 da história. Em um SESC lotado pela Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, o Clube do Povo, que vencera a partida de ida por 1 a 0, bateu o Santos por 2 a 1, com dois gols de Berchon, e garantiu o inédito troféu para a vistosa galeria da base vermelha!

Ouça os gols de Berchon na narração da Rádio Colorada

Gurias dominam o primeiro tempo

Derrotado na Vila Belmiro, o Santos foi a campo interessado em desfazer a desvantagem, e tratou de pressionar nos movimentos de abertura da partida. A blitz paulista, porém, ficou restrita à posse de bola, improdutiva diante da defesa menos vazada do Brasileirão. Sólidas na retaguarda, as Gurias pareciam aguardar um erro das Serias para dar o primeiro golpe da manhã, que chegou no minuto 10.

Priscila foi uma gigante no gramado do SESC/Foto: Ricardo Duarte

Reserva na vitória das Gurias profissionais sobre o Palmeiras, conquistada neste sábado (30/04), a atacante Priscila, que disputou mais de 30 minutos da partida do Canindé, foi a primeira flecha explorada pelo contragolpe colorado. Acionada por Danny, a velocista camisa 25 partiu com fome de gol para cima da marcação, e só foi derrubada, dentro da área. Na cobrança, a capitã Berchon esbanjou categoria, deslocou a goleira Rayssa e partiu para o abraço. No SESC, 1 a 0. No agregado, dois!

A perna direita da craque Berchon estava afiada. Aos 15, a camisa oito cobrou falta venenosa a partir da intermediária de ataque. Por cima da barreira, a bola assoviou o poste santista. Não contente com o sucesso de seus arranques e pedaladas, Priscila também deu trabalho para Rayssa, que teve dificuldades para defender arremate feito pela esquerda da área alvinegra. Satisfeitas com o resultado, as Gurias ainda evitavam se expor com excesso, e sabiam valorizar, entre um escape e outro, a posse de bola que concentravam no meio-de-campo.


Polêmica antes do intervalo

Para além da superioridade colorada, o primeiro tempo também teve como característica o excesso de faltas cometidas pelas duas equipes. Pouco a pouco, a temperatura da partida subia, até atingir seu estopim aos 38. Após Joana cometer falta tática para impedir contra-ataque santista, a adversária Analuyza partiu para cima da defensora alvirrubra, que foi protegida por suas companheiras.

Entre as coloradas que ajudaram Joana estava Danny Teixeira, punida por Andressa Hartmann com o cartão vermelho. Curiosamente, o critério não foi repetido diante de Analuyza, que recebeu apenas o amarelo. Estava, então, atualizada a missão para o segundo tempo: além de proteger a vantagem, as Gurias também precisariam sustentar a inferioridade numérica. Fortes emoções estavam por vir.

União do grupo foi fundamental neste domingo/Foto: Ricardo Duarte

Maturidade contra as adversidades

Logo depois do apito de reinício da partida, as Gurias sofreram o segundo baque do dia. Após cruzamento da direita, a atacante Isa Viana levou a melhor contra a defesa do Inter e finalizou fora do alcance de Bianca. Debaixo das traves, Erica fez as vezes de goleira e espalmou o arremate. Amarelo para a lateral e pênalti para o Santos, que chegou ao empate com Isa.

Berchon marcou um gol em cada tempo/Foto: Ricardo Duarte

A um gol da virada que levaria a decisão para os pênaltis, o Santos esperava crescer a partir do empate. Com uma jogadora a menos, o Inter vislumbrava 35 emocionantes minutos pela frente. As Gurias, contudo, não queriam saber de drama, e responderam ao tento paulista com inacreditável maturidade. Adolescentes na idade, as atletas coloradas foram veteranas para cozinhar o jogo e, na base dos arranques de Priscila, relembrar às Sereias do iminente perigo.

Artilheira do Inter na conquista do Gauchão Feminino de 2021, Priscila voltou a ser caçada dentro da área aos quatro. Mais um pênalti no jogo, mais um pênalti para o Clube do Povo, mais um gol de Berchon. Desta vez, a capitã abriu mão da classe, e apostou na força. De peito de pé, a cobrança, feita no meio do gol, estufou as dançantes redes santistas.


CAMPEÃS!

Diferente do Inter, o Santos sentiu o gol sofrido. Desesperadas para atacar, as visitantes deixaram exposta sua dupla de zaga, que passou a sofrer com os pivôs de Alice. Camisa nove colorada, a artilheira do campeonato (dona dos mesmos seis gols de Clarinha) não errou uma sequer das diversas paredes que fez em cima das adversárias, e acumulou faltas sofridas. Uma delas custou caro às Sereias, que enfim tiveram Analuyza expulsa. Agora, eram 10 para cada lado.

As Gurias mereciam escore maior pelo segundo tempo que fizeram. No lance seguinte à expulsão, Bruna Wink, recém-alçada a campo, carimbou o travessão paulista. Priscila, em novas disparadas pela ponta, também assustou Rayssa, mas não conseguiu marcar gol que faria justiça a sua gigante exibição. Outras substitutas do começo de tarde, Teté, Fridrich, Elô e Karol mativeram o bom nível coletivo, e reforçaram a defesa, que não voltou a ser assustada. Aos 40 minutos da etapa final, o Brasil inteiro já sabia: a base colorada era campeã de novo. Festa no SESC!


Ficha técnica:

Internacional (2): Bianca; Joana (Teté), Carla, Guta e Erica (Elô); Myka (Fridrich), Danny Teixeira e Berchon; Clarinha (Bruna Wink), Alice (Karolayne) e Priscila. Técnico: David da Silva.

Santos (1): Bianca; Raíssa Calheiros, Gi Mazotti, Heloisa (Luana) e Sophia (Barbara); Fran (Vitória Rosa), Marzia, Analuyza, Gi Fernandes e Júlia Delprat (Cury); Isa Viana.

Gols: Berchon, aos 10’/1ºT e aos 4’/2ºT (I). Isa Viana, a 1’/2ºT (S).

Cartões amarelos: Joana, Erica, Myka e Bruna Wink (I). Heloisa, Sophia e Analuyza (S).

Cartões vermelhos: Danny (I). Analuyza (S).

Arbitragem: Andressa Hartmann, auxiliada por Tiago Kappes Diel e Ariela Duarte da Silveira. Quarto árbitro: Anderson Farias.

Estádio: SESC Protásio Alves.

Bastidores da última La Boba

Ao todo, foram 529 jogos, 13 títulos, 97 gols, 113 assistências e o coração da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. Se todo carnaval tem sim, com a La Boba não seria diferente. E que privilégio ter passado por esses 14 anos de pura magia ao teu lado, Cabezón. Os Bastidores da última partida da carreira de D’Alessandro já estão no ar. Emocione-se:

“Eu amo esse Clube!” D’Ale se despede do futebol com festa e vitória

D’Ale foi Inter até o fim/Foto: Ricardo Duarte

Quando chegou a Porto Alegre para iniciar sua terceira passagem pelo Inter, D’Alessandro deixou claro que desejava se despedir do futebol ao lado do povo colorado, mas nem seus sonhos mais otimistas poderiam imaginar as emoções que estavam guardadas para o último jogo de sua carreira. Diante do Fortaleza, neste domingo de páscoa (17/04), o gringo chorou, sorriu, vibrou, reclamou, cantou e, o mais importante, venceu – como o protagonista de sempre.

Autor de um golaço, o de número 97 que marcou com a camisa do Inter, D’Alessandro desfilou à vontade ao longo dos quase 80 minutos em que permaneceu no gramado que lhe consagrou maestro. Depois, do reservado viveu sua primeira experiência na nova posição que ocupa, a de torcedor, com o gol de Alemão, que garantiu os três pontos para o Clube do Povo quando o relógio já se aproximava dos acréscimos da etapa final. Por fim, após o último apito, o ídolo foi tanto apaixonado quanto apaixonante para reger a festa das mais de 36 mil pessoas que não aceitavam a ideia de arredar o pé do Beira-Rio.

O primeiro ato do pós-carreira de D’Ale foi um emocionado abraço no parceiro Taison. Desfalque na segunda rodada do Brasileirão devido a edema muscular, o irmão e aprendiz do gringo apareceu no gramado tão logo o jogo foi encerrado, e fez questão de carregar, em seus braços, a estrela da noite até o centro do campo, onde Andrés recebeu não apenas o delirante sentimento do público, mas também o carinho de seus companheiros, que aos gritos festejaram a vitoriosa carreira do amigo e capitão.

Ensurdecedor, o rugir do Beira-Rio foi silenciado apenas sob às ordens do próprio estádio, que conclamou o povo a assistir uma linda homenagem veiculada em seus telões para o ídolo. Poético e nostálgico, o vídeo de agradecimento apresentado ao público presente no Gigante foi logo sucedido por mais cantoria, que embalou os últimos passos de D’Alessandro no número 891 da Padre Cacique. Diante de um corredor de aplausos, o gringo, acompanhado de seus familiares, ainda confraternizou com amigos e ex-companheiros antes de, enfim, tomar o rumo do túnel de vestiários.

Das chuteiras para os microfones, D’Ale encontrou tempo para conceder sua última entrevista coletiva como jogador de futebol. Irreverente e bem-humorado, o gringo travou mais um inesquecível encontro com a imprensa, ao longo do qual falou a respeito da história que construiu com a camisa colorada, analisou o legado que deixou no Clube do Povo, projetou os próximos passos de sua vida, desabafou sobre a emocionante despedida e, é claro, se declarou ao Inter, paixão que aprendeu a nutrir desde os primeiros dias que passou em Porto Alegre. Confira as principais aspas do ídolo:

Foto: Ricardo Duarte

“Eu nunca achei que era mais do que eu sou. Eu trabalhei para merecer o que aconteceu hoje. Sou mais um em uma história enorme, enorme, de atletas que ganharam muito mais do que eu, de atletas com uma identificação muito maior do que a minha. Mas isso não tira o que eu fiz.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

“A partir de amanhã, eu começo a mandar currículo (risos). Brincadeiras à parte, eu tenho uma dívida muito grande com o Inter. Quem me conhece, sabe o que o Inter representa na minha casa. Representa muito. Muito. Não só para mim, mas para a minha família. Do futuro, ninguém sabe, mas eu sinto que minha história com o Clube não fechou.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

“Legado a gente vai construindo. Tem uma palavra, para mim, que é fundamental: comprometimento. Por mais que tu tenha vontade, se tu não está comprometido com a causa, com a história do clube, com a camisa, não adianta. Tentei fazer tudo pelo lado do exemplo. Nunca cheguei tarde em um treinamento. Comprometido com o horário, com o pessoal que trabalha no Clube. Isso é o mínimo.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

“Para mim, não foi difícil gostar do Inter. Lá atrás, os presidentes, companheiros, colegas, funcionários, treinadores, me ensinaram a gostar do Clube. Eu amo esse Clube. Estou no lugar que eu quero. Na minha vida, River e Inter, em diferentes fases da minha carreira, me ajudaram muito, mas o tempo que eu fiquei aqui é incrível. Fez com que o Inter vire o Clube em que eu queria me aposentar.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

Ninguém é maior que o Clube. O tempo e a história dizem isso. Sempre falo do Índio, por exemplo. O maior vencedor da história do Inter, não é? Passou. O Bolívar passou. Hoje, eu estou passando. Passaram muitos. Muitos que ganharam mais do que eu.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

“O que aconteceu é incrível. Não sei o que falar. Eu sonhava, primeiro, com a vitória. Falei para o grupo, esqueçam da minha despedida. Nós precisávamos ganhar. E, depois, o gol fechou toda uma história que foi perfeita. Sinceramente, a ficha ainda não caiu. Estou meio no ar. Mas tu viu como eu comemorei. Os caras se jogavam em cima de mim, e eu dizia pra ter calma, porque tinha o VAR. Não sabia como comemorar, saí correndo. Graças a Deus foi gol, e a história fechou como eu imaginava.”

D’Alessandro

Inesquecível: assim foi a última La Boba do nosso maestro, que além de despedida, também serviu de recomeço. Nesta segunda-feira (18/04), todos amanheceremos de cabeça erguida, com o ânimo renovado de quem veste uma camisa que não é vermelha por mero acaso. Nossas cores, afinal, são encarnadas. Vibrantes, como D’Alessandro foi até o fim. E como seguirá sendo. Porque D’Ale é Inter. E Inter sempre será D’Ale.

Fotos: Inter 2 x 1 Fortaleza – 2ª rodada/Brasileirão 2022

No Beira-Rio lotado, o Inter venceu o Fortaleza por 2 a 1, na noite deste domingo (17/04), em duelo da segunda rodada do Brasileirão 2022. Os gols do Clube do Povo na partida, última da carreira do ídolo D’Alessandro, foram marcadas pelo próprio D10s, em uma pintura de perna esquerda, e por Alemão, que balançou as redes pela primeira vez com a camisa colorada. Confira as imagens do histórico confronto!

Força aérea resolve: com gols de Lelê e Sorriso, Gurias estreiam com vitória no Brasileirão A1

Gurias venceram na primeira rodada do Brasileirão/Foto: João Callegari

Vitória das Gurias! Em duelo da primeira rodada do Brasileirão A1, o Clube do Povo venceu o Cresspom-DF por 2 a 1, no Sesc Protásio Alves, nesta tarde de sábado (05/03). Lelê e Sorriso marcaram os gols das coloradas, que voltam a campo às 15h do próximo domingo (13/03), diante do Esmac-PA, em Belém.


Trio de ataque brilha

Trio de Lelê (E), Millene e Fabi brilhou no primeiro tempo/Foto: João Callegari

O primeiro tempo foi de domínio completo das Gurias Coloradas. Escalado com postura bastante ofensiva, refletida no sexteto formado por Djeni, Duda Sampaio, Maiara, Fabi Simões, Lelê e Millene, o Inter encurralou desde cedo as visitantes em seu campo defensivo, imprimindo intensa e ininterrupta blitz, reiniciada a cada desarme feito já nas cercanias da área rival. Nesse contexto, a primeira chance do Clube do Povo surgiu aos 11.

Ainda do corredor direito de defesa, Capelinha percebeu Fabi Simões com espaço e lançou a sete, que cruzou bola rasteira e perigosa. Livre, Millene foi inteligente para se desmarcar, mas finalizou, da marca do pênalti, por cima. Pouco depois, a própria Capela decidiu arriscar diante do vazio, e acertou chute forte no travessão. Pelo chão, tudo indicava, a teimosia do destino não ajudaria a tirar o zero do placar. Que se apostasse na bola áerea!

Capelinha acertou bonito chute no travessão/Foto: João Callegari

Já atuando pela ponta esquerda, Fabi investiu contra a marcação e, aos 22, cruzou bola fechada que a goleira espalmou para dentro da grande área. Na segunda trave, Millene assumiu a responsabilidade do rebote, gingou para a perna direita e arrematou com força. No poste! Seis minutos mais tarde, Duda cobrou falta que Belinha, na primeira trave, cabeceou consciente. No chão, a goleira Leticia voou para salvar.

Aos 29, a teimosia da zaga do Cresspom agiu pela última vez. No segundo poste, Lelê levou a melhor sobre a defesa e desviou no contrapé da goleira, que, batida, teve como única reação os festejos ao corte de Nath Pitbull, decisiva para fastar o perigo em cima da linha. A comemoração, no entanto, durou pouco. Seis minutos mais tarde, a camisa nove não deu chance alguma para o azar.

Lelê (C) comemora com Maiara (E) e Djeni (D)/Foto: João Callegari

Envolvente e entrosado, o trio de ataque colorado agiu com harmonia pela esquerda. De costas para o gol, na altura da quina da grande área rival, Millene encontrou lindo passe para Fabi, que sequer dominou antes de cruzar com a canhota. Na segunda trave, Lelê, como se fora um rolo compressor, acertou testaço consciente, embora já estivesse agachada, para estufar as redes. Fim de papo no primeiro tempo, Inter 1 a 0 no placar!

Primeiro tempo foi encerrado com 1 a 0 para o Inter/Foto: João Callegari

Um gol para cada lado

O Cresspom retornou com mudança para a etapa final, a partir da entrada de Keke no lugar de Moara, mas a substituição foi incapaz de surtir efeito antes do segundo gol colorado. No exato instante em que o relógio completou sua primeira volta após o reinício do confronto, Sorriso recebeu cruzamento teleguiado de Duda e mostrou estar atenta aos sinais do jogo para acertar cabeceio fulminante, que explodiu no poste superior antes de quicar dentro do gol brasiliense. Golaço!

Sorriso ampliou no reinício de partida/Foto: João Callegari

A vantagem colorada foi reduzida aos cinco, quando Isa recebeu bom passe de Dani Batista e, da entrada da área, descontou em chute forte e rasteiro. A resposta das Gurias ao gol adversário apareceu segundos após a saída de bola no meio de campo, já que, do grande círculo, Djeni lançou Fabi pela direita, e a ídola acelerou para deixar a marcação para trás antes de cruzar em direção a Lelê. De primeira, a centroavante mandou por cima.

Apesar da chance despediçada pelas Gurias, que poderia arrefecer o ímpeto adversário, a verdade é que o gol serviu de importante estímulo para o Cresspom, que passou a somar crescente posse de bola. Atento ao bom momento visitante, Maurício Salgado tratou de usar o banco de reservas, realizando três trocas de uma só vez. Haas, Zóio e Mileninha deram uma nova cara às Gurias, que passaram a atuar no esquema 3-5-2. Logo depois, Tamara entrou na ala-direita, atualizando de maneira definitiva o novo desenho alvirrubro.

Gol da zagueira garantiu a vitória/Foto: João Callegari

A elevada temperatura registrada na capital gaúcha, onde a sensação térmica superou a casa dos 40ºC, também foi protagonista da segunda etapa, contribuindo para um desenrolar bastante truncado do jogo até a casa dos 20 minutos. Somente aos 25, por exemplo, a partida voltou a conviver com finalizações perigosas, a primeira delas de autoria do Cresspom, que assustou com Keke. Mais tarde, quem teve boa chance foi Millene, mas seu chute, que tirou tinta do poste, não quis morrer nas redes.

Já na reta final de confronto, Tamara justificou o porquê de ser apelidada como Bolt. Diante do visível desgaste da equipe rival, que precisou realizar quatro trocas por exaustão, a camisa 30 descolou dois importantes arranques pelo corredor direito, ambos finalizados por Mileninha, que por pouco não marcou. Já quando tentou decidir, a velocista ala-direita foi travada por milagre da goleira. Duda, na outra chance criada pelo Inter antes do apito final, também levou perigo, mas mandou bonito chute, que buscava o ângulo, pela linha de fundo. Fim de jogo, vitória das Gurias!


Ficha técnica:

Internacional (2): Mayara; Capelinha (Haas), Bruna Benites, Sorriso e Belinha; Djeni, Duda e Maiara (Zóio); Fabi Simões (Tamara), Lelê (Mileninha) e Millene. Técnico: Maurício Salgado.

Cresspom-DF (1): Leticia; Buga, Camila (Silvana), Bruna Amarante e Dy Menor; Nath Pitbull, Patricia (Eliane), Thaynara e Isa (Silvânia); Moara (Keke) e Dani Batista (Michele). Técnico: Robson Marinho.

Gols: Lelê, aos 35’/1ºT, e Sorriso, a 1’/2ºT (I). Isa, aos 5’/2ºT (C).

Cartões amarelos: Zóio e Isabela (I). Dani Batista (C).

Arbitragem: Andressa Hartmann, auxiliada por Luiza Naujorks Reis e Ariela Duarte da Silveira. Quarto árbitro: Francisco Soares Dias.

Estádio: Sesc Protásio Alves.

“A partir daquele gol, tive um divisor de águas”, comenta Nei sobre a pintura marcada na estreia da Libertadores de 2010

Nei comemora gol contra o Emelec

Noticiário esportivo da Rádio Colorada, o Programa do Inter desta quarta-feira (23/02) entrevistou o ídolo Nei, que há 12 anos marcou o primeiro gol do Clube do Povo na campanha que seria campeã da Libertadores de 2010. Confira a íntegra do papo!

Prestes a disputar o torneio pela sétima vez em sua história, o Inter já era campeão e bifinalista da Libertadores. Mesmo assim, um pequeno tabu persistia incômodo à torcida nas vésperas da primeira rodada da edição de 2010. Até então, afinal, o Colorado jamais estreara com vitória no principal torneio de clubes do continente. Muito por isso, as 40 mil pessoas que lotaram o Beira-Rio na noite do dia 23 de fevereiro reconheceram fantasmas do passado quando Quiroz, no início da etapa final, abriu o placar para o Emelec do técnico Jorge Sampaoli. Felizmente, foi nessa hora que Nei apareceu.

“Era um jogo difícil, contra uma equipe de muita força. O Sampaoli é um excelente treinador, já mostrava isso. E a nossa equipe vinha desacreditada. Ninguém esconde que, naquela época, todo mundo achava que o Inter não faria uma boa Libertadores. No intervalo, teve uma conversa, pois o campo estava molhado, e lembro que o Fossati pediu para chutarmos mais, para arriscar. E eu tive a felicidade de acertar um bom chute para empatar naquele momento e respirar um pouco.”

Nei
Torcida lotou o Gigante na estreia da Libertadores de 2010

O Inter que iniciou 2010 sob o comando de Jorge Fossati jogava de maneira bastante diferente daquele que conquistaria a América no mês de agosto. Com o uruguaio na casamata, o Colorado tinha preferência por atuar com três zagueiros, oferecendo maior liberdade para os alas, mecânica que justifica o porquê de o herói improvável ter investido contra a defesa rival diante da desvantagem no placar.

“Nunca escondi que meu estilo de jogo sempre foi muito aguerrido, de muita força. Eu arrastava, era um atleta que tinha a leitura tática muito boa. Nunca fui um cara habilidoso, que estava dentro da área o tempo todo. Mas, naquela época, a gente jogava com três zagueiros, e o Fossati liberava bastante. E eu vivia o que o treinador pedia.”

Nei

Nei marcou seu gol aos sete minutos do segundo tempo. Aberto na intermediária direita de ataque do Inter, o ala recebeu passe de Sandro e, ao perceber que seu marcador armava o bote, fez o drible. Depois da finta, o pé direito do camisa 15 primeiro beijou a bola, engatilhando o arremate, para na sequência acertar chute que figura entre os mais bonitos da história do Beira-Rio. Menos de um mês depois de estrear como atleta colorado, o lateral-direito oferecia um cartão de visitas perfeito para o povo vermelho.

“Aquele gol foi especial porque foi a abertura da Libertadores, foi a minha estreia na Libertadores, e com uma equipe sensacional, como o Inter. Até então, o Nei era desconhecido e desacreditado. A partir daquele gol, tive um divisor de águas. Os olhares ficaram diferentes. E foi meu primeiro gol pelo Inter.”

Nei

O empate, contudo, não dava fim ao jejum colorado em estreias continentais. Para quebrar o tabu, o Inter contou não apenas com a qualidade de seus jogadores, mas também com o som do Gigante, que mesmo com a chuva de verão oferecida pelo clima de Porto Alegre à orla do Guaíba, esteve incendiado por uma multidão pulsante. Como recompensa ao apoio da torcida, o gol da virada, teimoso, saiu aos 41, instante em que Alecsandro finalizou linda jogada de Andrezinho e Walter. Assim, o Beira-Rio, da mesma forma que Nei, oferecia seu cartão de visitas para a Libertadores 2010.

O fator predominante para nós ganharmos a Libertadores de 2010 foi o Beira-Rio. Não perdemos um jogo em casa, ganhamos todos, e a torcida tem 80% de parcela nisso. Vibravam o tempo todo. Quando eu entrava no estádio, brincava que não ía cansar. E isso porque a torcida corria comigo. A torcida do Inter é diferente. As Ruas de Fogo… isso é muito marcante, e você leva para o campo. É um diferencial absurdo. Não tem como você descrever o quanto te ajuda.”

Nei
Alecsandro garantiu a alegria no Beira-Rio

Hoje treinador, Nei revelou, no papo com a Colorada, que ainda leva consigo muitos dos aprendizados que ganhou nos tempos de Inter. Pilar de um sistema defensivo que marcou época, o ex-lateral não poupa elogios a companheiros como Bolívar e Kleber, junto dos quais revela ter atingido entrosamento sem igual na carreira, fato que comprova o encaixe sobrenatural das peças que levaram o Clube do Povo ao Bi da América.

“A liderança que eu tenho hoje, digo que aprendi 80% com o Bolívar. Me ensinou muito. Por sermos amigos, fizemos uma parceria que dava muita confiança. No chão, a bola era minha. No alto, eu não me preocupava. Em todas, ele chegava. Ele era muito firme, o Índio era muito firme. E o Kleber era muito firme. Sobre ele, digo que tive a oportunidade de jogar com meu ídolo e ainda me tornar amigo. Era sensacional, cruzava com a mão, jogava de terno. O melhor lateral-esquerdo com quem eu joguei.”

Campeão da Libertadores e da Recopa com a camisa do Inter, Nei também conquistou dois Gauchões durante os anos que vestiu vermelho. Profundo conhecedor das particularidades do futebol gaúcho, o lateral não deixou passar batida a primeira Semana Gre-Nal de 2022. Forjado nas dificuldades, o ídolo lembrou com carinho dos clássicos que disputou, comentando detalhes da rotina que antecedia cada partida contra o maior rival colorado.

“O Gre-Nal é muito diferente. Só entende quem viveu e quem vive. É um campeonato à parte. Esquece quem está bem ou mal: você tem que ganhar. A cobrança é muito grande, e existem jogadores que vestem a camisa de uma forma que acabam incorporando o torcedor dentro de campo. É uma semana especial, que eu amava, porque sou um cara que gosta de desafios, que me cobrem. Era muito bom, um jogo que durava a semana inteira. Você ía no mercado e o gremista já não olhava na minha cara. Isso é o que o Gre-Nal faz com as pessoas.”

Nei
Nei lembrou dos tempos de protagonismo na rivalidade Gre-Nal

Bastidores da estreia colorada

Com golaços de Mauricio e Yuri, o Clube do Povo venceu na estreia de 2022! No Alfredo Jaconi, o Colorado superou o Juventude por 2 a 1 e garantiu três pontos importantes na largada do Gauchão. Confira os bastidores da partida, que também foi a primeira de Alexander Medina na casamata alvirrubra:

Pós-jogo | “Estou muito orgulhoso”, declara Medina sobre postura do Inter em Caxias

A estreia colorada em 2022 foi extremamente positiva. No Alfredo Jaconi, Mauricio e Yuri Alberto garantiram triunfo de 2 a 1 do Inter sobre o Juventude, resultado válido pela primeira rodada do Gauchão. Após o jogo, Alexander Medina, técnico uruguaio que debutou no comando da casamata alvirrubra, concedeu entrevista coletiva. Confira as principais aspas:

“A avaliação do jogo é boa. A equipe mostrou coisas interessantes, principalmente no segundo tempo, nos primeiros minutos do segundo tempo, quando fizemos os gols. E vamos seguir melhorando com o passar do tempo. Mostramos algumas das facetas que pretendemos. Vamos tranquilos, contentes, e treinando para o que vai vir nesse ano muito duro.”

Alexander Medina

“A equipe teve coisas boas. Na fase defensiva, uma pressão alta sobre o rival, em muitas situações roubando a bola, em outras fazendo o adversário tomar decisões ruins. E jogamos com extremos, com a possibilidade de ter a largura do campo, amplitude, e associações e circuitos entre o ponta, o lateral e os volantes. Esse era o objetivo, e que agora sigamos crescendo, sejamos muito mais intensos do que hoje. A melhor versão do Inter está por vir!”

Alexander Medina

“Temos muita ilusão e interesse pelo Gauchão. Hoje, viemos em busca da vitória, e assim estaremos em todos os campos. O importante é ir com personalidade a cada partida. Estou muito orgulhoso e felicito os jogadores pela atitude e a pré-disposição que tiveram hoje. Nos deixa tranquilos para o que está por vir.”

Alexander Medina

Protagonistas do confronto, Daniel e Mauricio também falaram após a partida, mas de maneira exclusiva para as redes do Inter. Autor do primeiro gol do confronto, o meio-campista dono da camisa 27 destacou a melhora colorada no segundo tempo, comemorou o reencontro particular com as redes, saudou a assistência de Moisés e projetou o duelo do próximo sábado, quando o Clube do Povo receberá, às 19h, o União Frederiquense. Assista:

Já Daniel celebrou a boa atuação que teve em seu retorno aos gramados. Ausente da reta final do Brasileirão passado devido a fissura na costela, o goleiro brilhou no gramado do Jaconi. Dono de defesas providenciais, o mais novo camisa 1 do Clube do Povo também destacou os méritos da equipe na conquista dos três pontos. Veja: