Pós-jogo: colorados repercutem grande vitória no Morumbi

O Inter conquistou grande vitória na 31ª rodada do Brasileirão. Por 5 a 1, com três gols de Yuri Alberto, um de Caio e outro de Cuesta, o Clube do Povo derrotou o São Paulo, no Morumbi, e reassumiu a liderança do Campeonato. Encerrada a partida, diversos representantes colorados repercutiram o importante triunfo conquistado na capital bandeirante. Confira as principais aspas:

“O Abel tem me dado muita confiança. Seja jogando de centroavante, seja jogando de ponta. Ele me passa uma confiança muito grande, me deixa jogando muito leve, e essa vitória foi muito importante para nós pegarmos uma confiança. Agora, é descansar que domingo a gente tem um grande jogo, e vamos em busca de mais três pontos.”

Yuri Alberto

“Nós nos colocamos no bolo, na confusão. Uma coisa é certa: foi uma atuação inteligente. Jogamos muito com a cabeça. A tomada de decisão, em quase todos os lances, foi muito boa. Eu acredito que não é uma atuação de campeão, mas estamos tendo sorte, o que normalmente um campeão tem.”

Abel Braga

Ainda na beira do gramado, Victor Cuesta conversou de maneira exclusiva com a Mídia do Inter. Autor do primeiro gol da noite, o patrão da defesa colorada, acompanhado de Lomba, comemorou a vitória e mandou caloroso abraço para Rodrigo Moledo.

Os guris do Celeiro estão sempre juntos! Na hora de dar entrevista, não poderia ser diferente. Praxedes e Peglow, dupla de grande atuação na noite desta quarta (20/01), analisaram a goleada alvirrubra no Morumbi, resultado construído também por seus pés, como comprova a açucarada assistência de João para Yuri marcar o quarto do Clube do Povo.

Inter dá show no Morumbi e assume a liderança do Brasileirão

Histórico! Em uma atuação de luxo dos comandados de Abel Braga, o Clube do Povo goleou o São Paulo, no Morumbi e conquistou a sétima vitória consecutiva no Brasileirão. Iniciado às 21h30, o clássico nacional, válido pela 31ª rodada do Campeonato, teve como placar final o 5 a 1 colorado, construído através dos gols de Cuesta, Caio e Yuri, este três vezes.

+ Confira as aspas do pós-jogo

+ Assista aos Bastidores da partida

O triunfo leva o Inter à liderança do campeonato com 59 pontos, dois a mais do que o São Paulo. Na próxima rodada, o Clube do Povo volta a campo às 16h de domingo (24/01), no Beira-Rio, para enfrentar o Grêmio no Gre-Nal 429.


Exibição de almanaque

O Internacional construiu primeiro tempo de almanaque no gramado do Morumbi. Com linhas adiantadas, o time de Abel Braga encaixotou os locais e, transcorridos cinco minutos, já somava duas grandes oportunidades. Aos sete, a recompensa para tamanha ousadia chegou: gol de Cuesta após cruzamento de Moisés.

A vantagem permitiu ao Clube do Povo postura mais reservada, mas nem por isso vazia de compromisso. Dono do jogo, o Inter seguiu acumulando oportunidades, especialmente através da inteligentíssima movimentação de Yuri Alberto, sempre à procura das costas da zaga adversária. Aos 24, o camisa 11 recebeu livre e, garçom, acionou Caio, que finalizou com muita tranquilidade para ampliar.

Antes do intervalo, Luciano descontou para os locais. Nem o tento, contudo, alterou o cenário do confronto. Embora dono de maior posse de bola, o São Paulo seguiu preso à defesa colorada, enquanto o Inter, na frente, voltou a criar oportunidades. O placar, porém, seguiu indicando 2 a 1 até o apito final do primeiro tempo.


Para a história

Se o primeiro tempo beirou a perfeição, a etapa final atingiu o feito com maestria. Desesperado para conquistar a igualdade, o São Paulo retornou dos vestiários com postura excessivamente ofensiva. Nos 10 minutos iniciais, até pressionou, mas não levou grande perigo. Logo depois, a maturidade do Inter foi novamente comprovada.

O Clube do Povo adiantou suas linhas e assustou com escapada de Peglow. Tiago Volpi encaixou firme o cruzamento da jovem promessa colorada, mas não contava com a subida das linhas alvirrubras. Na saída de jogo rival, Dourado interceptou e Yuri, frio, começou o show. Inter 3 a 1!

Baqueado, o São Paulo foi às cordas com o tento. O time de Abel Braga percebeu. Lançado por Peglow após grande tabela deste com Edenilson e Praxedes, Yuri saiu de cara com Volpi, driblou o goleiro e, sem olhar, mandou para as redes. Quarto colorado, saiu aos 20.

Dois minutos depois, veio o quinto. Mais uma vez, o dono da 11 foi lançado nas costas da zaga, desta vez por Patrick. Do campo de defesa, o goleador partiu e, já na grande área, mandou cruzado. Volpi resvalou, mas não afetou o rumo da esférica. Inter 5 a 1, três pontos na conta, hat-trick de Yuri e liderança assegurada!


Melhores momentos – primeiro tempo

1min – UH! Inter pressiona no campo ofensivo. Patrick recupera a posse e serve Yuri, que ajeita para a direita e finaliza forte, colocado. Volpi salva.

4min – PRA FOOOOOORA! Jogada ensaiada do Clube do Povo! Praxedes levanta na segunda trave e, pela esquerda da grande área, Dourado escora para Cuesta. O zagueiro chega batendo. Com desvio, ela sai tirando tinta do poste superior.

7min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL DO INTERNACIONAL! É DO CLUBE DO POVO! É COLORADO! É DO COLORADO ALEGRIA DOS NOSSOS CORAÇÕES! CUESTA! CUESTA! CUESTA! Moisés cobra falta pela esquerda da intermediária ofensiva na medida para Victor Cuesta. El Patrón, dono da grande área rival, antecipa-se à zaga e manda um testaço, indefensável para Volpi. Inter em vantagem no Morumbi! Inter jogando muito no Morumbi!

O gol de Cuesta na narração da Rádio Colorada

13min – POR DETALHE! Edenilson vai ao fundo pela direita e cruza rasteira. Caio domina e finaliza mascado. Na sobra, Patrick quase consegue completar para as redes pela esquerda, mas Bruno Alves corta preciso.

15min – PRA FOOOOOOORA! Patrick seve Yuri, que invade a área tricolor pela esquerda e finaliza com o pé direito. Desviada, a bola sai tirando tinta do poste direito de Volpi.

18min – UH! Praxedes faz grande jogada pelo corredor esquerdo, vai ao fundo e cruza rasteiro. Na entrada da área, Yuri domina e solta a canhota. Por cima, por pouco.

23min – Luciano costura da direita para o centro e finaliza rasteiro. Em dois tempos, Lomba salva.

24min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOL! CAIO, CAIO, CAIO, CAIO VIDAL! Inter sai em bola afastada do campo de defesa. Patrick escora de cabeça, Yuri costura para o centro e aciona Caio, que invade a área e, com a perna direita, manda cruzado. Na saída do goleiro, ela morre nas redes. O Inter abre vantagem!

Na voz da emissora do Clube do Povo, o gol de Caio Vidal

28min – AMARELADOS! Caio impede contra-ataque de Brenner com falta. Recebe amarelo, mas o rival, irritado, acerta a cria do Celeiro sem bola e também é advertido com cartão.

31min – PRA FORA! Yuri, de novo lançado pela esquerda, invade a grande área e corta para a direita. Reta, ele finaliza rasteiro e leva perigo.

34min – Escanteio cobrado pela direita recebe escorada na primeira trave e, debaixo da meta, Luciano desconta para o São Paulo.

40min – PRA FOOOORA! Inter escapa em rápido contra-ataque. Praxedes, de carrinho, acha Caio na profundidade. O garoto invade a área, vai ao fundo e cruza buscando Yuri. Volpi corta, mas o rebote é de Patrick, que enche o pé. Tiro de meta para os locais.

43min – SAAAAAALVA, LÉO! Patrick dá grande passe para Yuri, que invade a área, sai de frente com Volpi e finaliza truncado. Que chance teve o Clube do Povo!

45min – Mais três. Vamos a 48.

48min – Encerrada a etapa inicial.


Segundo tempo

0min – Equipes voltam a campo com mudanças. No Inter, entra Peglow na vaga de Caio, que deixa o campo com dores. De parte do São Paulo, Igor Gomes e Vitor Bueno entram, Gabriel Sara e Léo saem.

7min – RODINEI! Vitor Bueno, pela esquerda da grande área, pega a sobra de cruzamento que atravessou o retângulo colorado e enche o pé. Ela explode nas costas do lateral-direito do Clube do Povo.

14min – GOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOL! YURI! YURI! YURI ALBERTO FAZ A FESTA DA TORCIDA COLORADA! Dourado e Peglow dobram a pressão na saída de bola paulista, o meia-atacante bloqueia a saída de jogo rival e a bola sobra limpa com Yuri. De frente para Volpi, o camisa 11 esbanja toda a tranquilidade do mundo para enviar às redes. É O TERCEIRO DO CLUBE DO POVO!

Como a Colorada narrou o primeiro gol de Yuri

17min – Muda o São Paulo. Sai Juanfran, entra Paulinho Bóia.

20min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOOOL DO INTERNACIONAL! É DO CLUBE DO POVO! É GOLEADA! É MAIS UM DE YURI! É MAIS UM COLORADO! É MAIS UM PRA FESTA DA MAIOR E MELHOR TORCIDA DO RIO GRANDE! Edenilson recebe de Praxedes e deixa com Peglow, que vê Yuri nas costas de Luan. O camisa 31 serve o artilheiro, que dribla Volpi e, sem olhar, amplia.

O 4 a 1 pela Mais Vermelha

21min – Muda Abel. Praxedes dá lugar a Lindoso!

22min – Bruno Alves recebe o amarelo por caçar Peglow.

22min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOL! É DO CLUBE DO POVO, É DA ACADEMIA DO POVO, É DO ROLO COMPRESSOR, É DO COLORADO ALEGRIA DOS NOSSOS CORAÇÕES! HOJE ELE PEDE MÚSICA! HOJE ELE É O NOME DO JOGO. HOJE ELE É O HERÓI! YURI! YURI! YURI! Patrick intercepta passe de Tchê Tchê e lança Yuri. Desde o campo de defesa o jovem parte, invade a grande área pela esquerda e finaliza forte. Volpi desvia nela, mas não defende. INTER TEM 5!

A narração do quinto gol, na voz da Rádio Colorada

23min – SAAAAAAAAAAAALVA, VOLPI! Peglow escapa pela direita, invade a área, corta para dentro e finaliza com a canhota. Goleiro tricolor salva.

25min – Dupla troca no Clube do Povo. Entram Johnny e Zé Gabriel, saem Dourado e Cuesta.

29min – Yuri Alberto sai, Leandro Fernández entra. Feitas as cinco trocas no Clube do Povo.

35min – Muda o São Paulo. Tchê Tchê sai, Diego Costa entra.

45min – FIM DE JOGO! GOLEADA COLORADA!


Ficha técnica:

São Paulo (1): Tiago Volpi; Juanfran (Paulinho Bóia), Bruno Alves, Léo (Igor Gomes) e Reinaldo; Luan, Daniel Alves, Tchê Tchê (Diego Costa) e Gabriel Sara (Vitor Bueno); Luciano e Brenner. Técnico: Fernando Diniz.

Internacional (5): Marcelo Lomba; Rodinei, Lucas Ribeiro, Victor Cuesta (Zé Gabriel) e Moisés; Rodrigo Dourado (Johnny) e Edenilson; Caio Vidal (Peglow), Praxedes (Rodrigo Lindoso) e Patrick; Yuri Alberto (Leandro Fernández). Técnico: Abel Braga.

Gols: Victor Cuesta, aos sete, Caio, aos 24 minutos do primeiro tempo, e Yuri Alberto, aos 14, 20 e 22 minutos do segundo tempo (I). Luciano, aos 34 minutos do primeiro tempo (S).

Cartões amarelos: Brenner e Bruno Alves (S). Caio Vidal (I).

Arbitragem: Marcelo de Lima Henrique, auxiliado por Rodrigo Figueiredo Correa e Michael Correia. VAR: Rodrigo Nunes de Sá.

Estádio: Beira-Rio.

A vitoriosa trajetória de Guiñazú pelo Inter

Estádio Defensores del Chaco, 27 de julho de 2006, duelo de ida das semifinais da Libertadores. Transcorridos 34 minutos da etapa inicial, Índio corta cruzamento perigoso do adversário, mas a bola sobra, na entrada da meia-lua, com o camisa 17 do Libertad, que domina no peito e, já dentro da área, chuta com a canhota. Rasteiro, o arremate beija a trave de Clemer e cruza a extensão da meta. Os donos da casa ficam com o rebote e criam nova oportunidade, defendida pelo goleiro colorado. Perigo, definitivamente, afastado. Assim foi o primeiro capítulo da marcante história entre Inter e Guiñazú, o quase algoz vermelho.


A chegada ao Clube do Povo

Alguns meses depois, no dia 14 de junho do ano seguinte, há exatos 13 anos, Clube e atleta tornaram a se cruzar. Desta vez, em episódio feliz para ambos: a apresentação de Pablo Horacio Guiñazú como jogador do Sport Club Internacional. Aos 28 anos, o volante não escondeu a ansiedade em sua primeira fala à imprensa, destacando a vontade de retribuir, o quanto antes, toda a expectativa da torcida para com seu futebol e estrutura disponibilizada a ele pelo Colorado.

Um breve hiato, no entanto, retardou o primeiro ato oficial do novo casamento. Contratado do exterior, Guiñazú só poderia estrear com a camisa do Inter a partir de agosto, quando seria aberta a janela para transferências internacionais. Desta forma, restou ao atleta se preparar para, assim que legalizado, estrear – e como El Cholo se preparou, a ponto de logo adotar Porto Alegre não apenas como residência, mas também lar!

“Estou me sentindo em casa.

Fui muito bem recebido!

O pessoal na rua me reconhece

por causa da minha careca!”

Guiñazú, antes mesmo de estrear pelo inter

“Ele é muito dedicado. Algumas vezes temos até que pedir que pegue um pouco mais leve na intensidade, para que não acabe sofrendo uma lesão. É um atleta exemplar.” Com estas palavras, Flávio Soares, auxiliar de preparação física do Clube do Povo, definiu a intensidade dos treinos do argentino. Guiñazú, inclusive, não era o único sedento por ir a campo, e tinha sua angústia compartilhada pelos igualmente recém-contratados Magrão e Jorge Luís, lateral-esquerdo.

O esperado momento de estreia chegou no dia 5 de agosto, em duelo contra o Cruzeiro, fora de casa. De grande exibição, o argentino, vestindo a 11, sobressaiu-se na região central do campo, mas nem mesmo seu ímpeto foi capaz de conter os mandantes, que atuavam diante de um Mineirão cheio. Escore final, um injusto 3 a 2.

Guiñazú seguiu encantando a torcida ao longo de todo o semestre final de 2007, especialmente a partir da chegada de Abel Braga, no mês de agosto. Treinado pelo comandante vencedor de América e mundo na temporada anterior, El Cholo se provou extremamente polivalente, muitas vezes atuando na ala esquerda do 3-5-2, assim repetindo, com Alex, dobradinha similar à que o ídolo dos chutes precisos fizera, em 2006, com Jorge Wagner. Incansável, caiu como uma luva em engrenagem já existente, assim fascinando o povo vermelho, também por sua indescritível vibração e aguçada qualidade na afiada canhota.

Novos reforços, a exemplo de Nilmar e Sorondo, foram apresentados no Beira-Rio nas semanas seguintes à chegada de Guina, assim encorpando o elenco que se preparava para alcançar grandes feitos em 2008. O ano de estreia de Cholo chegou ao fim com o Inter classificado à Sul-Americana e Pablo Horacio conquistando, de vez, a paixão dos colorados.


A pré-temporada inaugural

Embora sonhasse em colher alegrias, dificilmente Guiñazú imaginava ser tão feliz quanto foi com a camisa do Clube do Povo. Apresentando exatos sete dias após a conquista da Tríplice Coroa, não demorou para levantar sua primeira taça com a camisa colorada. Pelo contrário, o troféu chegou ainda na primeira semana de 2008.

Estou encantado pelo Inter, de coração!

Quero retribuir todo o carinho.

Tenho certeza que ainda serei muito

feliz aqui!

GUIÑAZÚ, EM ENTREVISTA CONCEDIDA NO FINAL DE 2007

Internacionalmente reconhecido e admirado, o Colorado foi convidado para participar, no mês de janeiro, da Dubai Cup, torneio disputado por instituições de grande tradição que integrou a pré-temporada alvirrubra. O período de treinos foi iniciado ainda em 2007, no dia 26 de dezembro, uma semana antes do desembarque nos Emirados Árabes, realizado após viagem de grande estilo, como a imagem abaixo comprova.

A estreia na Copa aconteceu no dia 5 de janeiro, diante do Stuttgart-ALE, e foi encerrada com vitória por 1 a 0, gol de Alex. Apenas 48 horas depois, o Clube do Povo voltou a campo para, contra a Internazionale-ITA, disputar a finalíssima, também vencida pelo Alvirrubro, agora por 2 a 1, golaços de Fernandão e Nilmar. De sua parte, mesmo tendo deixado o campo lesionado, Guiñazú foi eleito, em enquete no site do Inter, o melhor da finalíssima, dando o tom do protagonismo que exerceria no ano que estava por vir.


O primeiro título estadual

Capaz de afastar o motorzinho colorado dos gramados, a contusão não pôde se considerar vencedora na luta contra o abissal preparo físico do argentino. Após breves semanas entregue aos cuidados do departamento médico, Guiñazú retornou à ativa antes do previsto e com sangue nos olhos. Sua primeira exbição depois da injúria, ocorrida no dia 10 de fevereiro, deixava claro o tamanho do problema que aguardava os adversários colorados. Impecável, atuou por 80 minutos na ala-esquerda e foi um dos destaques na goleada alvirrubra por 5 a 0 sobre o Brasil, em Pelotas.

Titular absoluto, Guina voltou aos gramados com a mesma competência que apresentara nos meses anteriores, oferecendo grande contribuição à notória campanha alvirrubra na primeira fase do Gauchão, encerrada com 32 pontos conquistados através de 10 vitórias, duas derrotas e mais um empate. Além do tradicional brilho nos desarmes e passes, contudo, o argentino também tratou de inaugurar, nas primeiras semanas de 2008, um raro instante artilheiro em sua carreira. Ainda em fevereiro, anotou uma pintura de perna direita na goleada de 4 a 0 do Clube do Povo sobre o Nacional-PB, na fase inicial da Copa do Brasil. Já em março, o tento, marcado em um irônico carrinho, teve como vítima o Canoas, em partida de abertura das quartas de final do Estadual.

O alto nível de exibições, é bom lembrar, não ficou restrito a Guiñazú, que teve seu brilho acompanhado por diversos companheiros, fato comprovado nas goleadas aplicadas sobre Paraná, por 5 a 1, na partida de volta das oitavas da Copa do Brasil, e Juventude, derrotado na finalíssima gaúcha por acachapante escore de 8 a 1. Para a decisão contra o Papo, inclusive, Cholo deu nova demonstração de sua obstinação ao ir e campo e atuar durante os 90 minutos somente duas semanas após ser submetido a uma artroscopia! A recompensa para tamanha garra, sempre acompanhada de grande qualidade, foi a inquestionável vaga na seleção do Campeonato. Aos poucos, o que poderia ser uma corriqueira paixão platônica tomava contornos de idolatria.


A mágica formação campeã continental

Um início de Brasileirão claudicante, seguido das saídas de líderes como Fernandão, Iarley e Abel Braga, ameaçou um ano que, desde seu alvorecer, prometia grandes feitos à torcida. Foi então que o Clube do Povo se reforçou, como que anunciando, para quem quisesse ouvir, que o recente campeão de América e mundo seguia buscando taças. Desta vez, com novos nomes. Entre eles, Guiñazú, que tinha seu desempenho reconhecido, inclusive, no principal escalão do futebol mundial.

Estou muito bem no Clube,

todos me tratam maravilhosamente.

Não troco grana nenhuma por isso,

estou muito à vontade e aqui vou ficar!

Guiñazú, ao anunciar sua permanência no inter

No início do segundo semestre, o argentino recebeu propostas do futebol árabe, sedutoras pelos altos valores envolvidos, mas prontamente rechaçadas pelo atleta, que se mostrava decidido a fazer história no Inter. Na mesma época, Guiñazú virou matéria no site da FIFA, sendo definido como ‘a alma do time colorado’. Denominação, diga-se, nada exagerada para o meio-campista, um carregador de piano, como diriam os antigos, mas que exibia qualidade rara para os que costumam ocupar a faixa de campo que lhe servia de casa.

Foi exatamente contando com este aguerrido pulmão argentino que Tite construiu, para o quarto e último trimestre de 2008, um dos maiores esquadrões do Inter neste século. Verdadeira seleção alvirrubra, era escalada com um losango no meio de campo, e encontrava no camisa 5, bem como no parceiro Magrão, alicerce perfeito para o trio ofensivo formado por Alex, D’Alessandro e Nilmar. À leveza dos avantes, o argentino respondia com a dose ideal de imposição física. Era, também, a experiência internacional necessária para um reformulado grupo, bem como o responsável por caprichosos desarmes que protegiam a forte defesa estruturada por Bolívar, Índio, Álvaro e Marcão. Em outras palavras, Guiñazú correspondia a um ingrediente chave na receita da Academia do Povo campeã da Sul-Americana.

No intervalo, vimos que o Guiñazú

estava muito desanimado pela expulsão.

Então, combinamos de dar algo a mais

para vencer por ele!

NILMAR, APÓS A PARTIDA DE IDA DA DECISÃO DA SUL-AMERICANA

Eleito o melhor jogador no Gre-Nal que serviu de estreia para o Colorado no torneio, ‘El Cholo’ esteve praticamente imparável ao longo da competição. Deixou de atuar apenas na partida de ida das oitavas, preservado, e na abertura das quartas de final, lesionado para enfrentar o Boca, no Beira-Rio. Além disso, o volante, que chegou a sofrer uma luxação no cotovelo durante a Sul-Americana, também foi desfalque para a finalíssima, consequência de injusta expulsão que sofrera durante a vitória colorada por 1 a 0 sobre o Estudiantes-ARG, em La Plata. A ausência, entretanto, em nada abalou a paixão da torcida pelo craque, que teve seu nome ovacionado antes do embate que consagrou o Inter campeão.


O capitão do centenário

Mais do que campeão, Guiñazú abriu 2009 como capitão. Posto histórico, em se tratando do ano de centenário do Internacional, que foi assumido pelo infatigável volante com naturalidade, soando como simples desdobramento na caminhada que vinha trilhando desde sua chegada a Porto Alegre, marcada por liderança e exemplo. Mais do que na braçadeira, a imagem de referência exercida pelo argentino podia ser atestada na capa de chuva que usava em todos os treinos realizados no verão, vestida com o único objetivo de aumentar sua resistência física.

Se em 2007 o encaixe entre Inter e Guiñazú fora quase instantâneo, de maneira ainda mais rápida aconteceu a consagração do ídolo como capitão. Quatro meses após empunhar a faixa, levantou a taça do Gauchão, título conquistado de maneira invicta e abrilhantado por gol do argentino na final, disputada contra o Caxias. Cholo anotou o quinto dos oito marcados pelo Clube do Povo, que sofreu apenas um para reeditar o escore da decisão da temporada anterior. Excepcional ao longo do torneio como de costume, foi escolhido, ao lado de outros seis companheiros, para a seleção do Estadual.

O troféu do Rio Grande foi o primeiro dos dois que Guiñazú ergueu na temporada – o outro foi da Copa Suruga. Formando, com Sandro, nova dupla na abertura do meio de campo colorado, encontrou rápido entrosamento com a jovem promessa, e assim foi escolhido o melhor volante do Brasileirão, prova do destaque que alcançou nas campanhas vice-campeãs nacionais em 2009. No campeonato de pontos corridos, ainda marcou, contra o Goiás, seu quarto (e último) gol pelo Clube do Povo.


Campeão da América

Prestes a disputar sua primeira Libertadores com a camisa colorada, Guiñazú iniciou o ano de 2010 sonhando, é claro, mas, principalmente, suando. Na formação de Fossati, o capitão cansou de se sacrificar pela equipe, atuando em diversas funções do meio de campo em decorrência das variações do comandante, que gostava de alternar a formação entre o 4-4-2, quando local, e o 3-6-1, nas partidas disputadas longe do Gigante.

“Sonho todos os dias em

levantar a taça da Libertadores,

mas agora é hora de trabalho.”

GUIÑAZÚ, NA PRÉ-TEMPORADA DE 2010

Classificado para a fase eliminatória do torneio sul-americano na liderança de sua chave, o Inter perdeu a invencibilidade que ostentara ao longo dos grupos logo no primeiro duelo de mata-mata. Dolorido, o revés por 3 a 1 para o Banfield foi respondido, por Guiñazú, com convocação à Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, multidão tida pelo ídolo como capaz de, com sua energia, contaminar os atletas em campo. Ao todo, mais de 35 mil pessoas atenderam ao convite do argentino, lotaram o Beira-Rio e garantiram a vaga nas quartas da América!

A tranquilidade no caminhar de um capitão que objetivava apenas o triunfo

Contra o Estudiantes, Guiñazú teve exibição de luxo no gramado do Beira-Rio, sendo um dos grandes responsáveis pela vitória conquistada já nos minutos finais. Na Argentina, contagiou o elenco com seu espírito imbatível, áurea que foi fundamental para a classificação rumo às semis, conquistada nos minutos derradeiros através do esfumaçado arremate de perna direita desferido por Giuliano.

Se é verdade que o argentino chegou a ceder a faixa de capitão para Bolívar após a Copa do Mundo de 2010, também não se pode contestar o empenho do ídolo, que seguiu entregando tudo de si dentro de campo. Titular nas 14 partidas da campanha campeã, Guiñazú superou até mesmo as expectativas mais otimistas para continuar brilhando nas semis, contra São Paulo, e final, diante do Chivas. No seu melhor estilo de jogador incansável, disputou todas as 14 jornadas do Inter na competição, correndo mais de uma centena de quilômetros em campo, geralmente na luta por cada palmo do gramado, para se converter em um dos principais rostos do elenco bicampeão da América.


Novo ano, nova taça

Temporada na qual completou 200 jogos pelo Inter, 2011 também foi, para Guiñazú, um ano marcado por taças. Multicampeão, o argentino parecia não conceber a mínima possibilidade de passar 365 dias consecutivos sem levantar troféus. Logo em maio, vestiu a faixa de vencedor gaúcho, participando da última volta olímpica do Estádio Olímpico, tradicional casa de nosso rival.

O último time campeão no Estádio Olímpico

Foi em agosto, contudo, que o grande momento da temporada chegou. Lesionado, Guiñazú não disputou a primeira partida da Recopa, realizada no dia 10 de agosto, no Estádio Libertadores da América, contra o Independiente-ARG. Duas semanas depois, entretanto, o ídolo fardou sua camisa 5 e ajudou o Inter a virar o placar, aplicando 3 a 1 no ‘Rojo’ e garantindo o bicampeonato no torneio.

Elenco vencedor da Recopa Sul-Americana

No último trimestre da temporada, Cholo ainda formou, com Tinga, grande dupla de volantes, importante na boa campanha colorada no Brasileirão. Foi a partir deste momento, inclusive, que o argentino se consolidou como responsável pela abertura do meio de campo alvirrubro, exercendo a função de primeiro homem, no passado recente desempenhada por nomes como Edinho, Sandro e Wilson Mathias. Lado a lado, os motorzinhos da Libertadores de 2006 e 2010 garantiram vaga na competição continental da temporada seguinte, finalizando em grande estilo mais um capítulo vitorioso para o Clube do Povo.


O capítulo final

O último ano de ‘Cholo’ no Inter foi marcado por nova conquista, o Gauchão, seu quarto no Clube do Povo. Além disso, líder como sempre, o argentino também ajudou o Colorado a construir campanhas livres de maiores percalços ao longo de período no qual o Beira-Rio passou a acumular cada vez mais setores interditados, fruto da reforma com vistas para a Copa do Mundo do Brasil.

Igualmente em 2012, o ídolo superou a casa dos 250 jogos, aumentando e enriquecendo ainda mais sua vasta biografia com a camisa vermelha. As convocações para a Seleção, já presentes no passado recente, foram multiplicadas a ponto de, no final da temporada, Guina ser indicado, pela primeira vez em sua carreira, ao prêmio ‘Rei das América’. Craque!

Agora o Inter ganha

mais quatro torcedores:

eu, meus filhos e minha esposa!

GUIÑAZÚ, NA COLETIVA DE DESPEDIDA

A trajetória de Pablo Horacio ‘el Cholo’ Guiñazu nas cercanias da Padre Cacique foi encerrada no dia 5 de janeiro de 2013, antes mesmo do início da pré-temporada alvirrubra. Encarando problemas particulares, o ídolo teve seu pedido de desligamento do Clube prontamente atendido, em demonstração de gratidão do Colorado para com seu craque. Icônico camisa 5, o volante finalizou sua história no Inter concedendo emocionante entrevista no CT Parque Gigante.

O momento mais marcante de sua despedida, todavia, aconteceu longe dos microfones, quando foi ovacionado por centenas de colorados e coloradas que o aguardavam para um justo até logo. Somando 282 partidas disputadas, incontáveis milhões de gotas de sangue e suor despejadas, além, é claro, de uma cadeira cativa e perpétua no coração da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande conquistada, Guina, Cholo ou ídolo, chame como quiser, foi preciso ao definir a eterna relação que levará junto ao Clube do Povo por toda sua vida. Paixão, esta, recíproca, compartilhada com uma multidão que jura amor eterno ao argentino que tanto honrou o manto alvirrubro. Salve, Guiñazú!