Um século de Carlitos, o maior goleador da história colorada

Ídolo colorado (D) marcou época no Rolo Compressor

Este poderia ser apenas mais um sábado qualquer. Entretanto, para os colorados, tem um sabor especial. Há cem anos, nascia o nosso maior goleador de todos os tempos. Alberto Zolim Filho, popularmente conhecido como Carlitos, é definitivamente um personagem lendário na história do Clube do Povo, com lugar especial reservado na galeria de maiores ídolos. Nada mais justo para quem marcou quase 500 gols defendendo, por toda vida, uma única camisa – a colorada.

Ícone do Rolo Compressor, Carlitos aterrorizou as defesas adversárias por nada menos que 14 temporadas vestindo vermelho e branco, de 1938 a 1951. Com ele em campo, o Inter alcançou a sua primeira era dourada, dominando completamente o futebol do sul do Brasil e alcançando a supremacia, ainda vigente, no clássico Gre-Nal.

Falecido em 2001, aos 79 anos de idade, Carlitos completaria 100 anos neste sábado (27/11), mas suas histórias ficaram eternizadas nas páginas gloriosas do Clube do Povo.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Criado no bairro Tristeza, na zona sul de Porto Alegre, desde cedo o menino ainda franzino empolgava os moradores da região com seu faro de gol e dribles desconcertantes. Com menos de 17 anos, foi levado para o Inter. Inicialmente, em função da forte linha ofensiva colorada formada por nomes como Sylvio Pirillo, Acácio e Castilhos, seria aproveitado como zagueiro. Porém, após alguns treinamentos, conquistou seu espaço na ponta-esquerda, posição de origem do futuro craque.

Com efeito imediato na equipe, não demorou para ser convocado para a Seleção Gaúcha, ainda no mesmo ano. Feito que revelaria ser uma das maiores honras da sua carreira, assim como poder atuar ao lado de ídolos como Risada, Levi, Motorzinho e Osvaldo Brandão no Clube do Povo. Pouco a pouco, o promissor goleador ia se tornando crucial no time do seu coração.


‘La Mano de Dios’ – Carlitos também marcou um icônico gol com a mão. Ao invés dos ingleses, as vítimas foram os catarinenses, quando o ídolo atuava pela Seleção Gaúcha.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Com forte apoio popular, o Clube do Povo crescia a passos largos nesta época. Jovens como ele vinham da várzea e ligas humildes, como a da Canela Preta, para formar um time que marcaria época na década seguinte. Começava a surgir o mítico Rolo Compressor – e aquele guri da zona sul de Porto Alegre seria fundamental.

Ao lado de Tesourinha, Nena, Adãozinho e outros craques, levou o Inter à hegemonia, ainda vigente, no Gre-Nal e no Gauchão – título que conquistou nada menos que 10 vezes. Se tornou ícone de um time lendário que redefiniu o futebol do Sul do Brasil.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Goleador implacável, tornou-se o maior artilheiro do Inter, do Gre-Nal e do futebol gaúcho em todos os tempos – recordes que perduram até hoje. Entre seus 485 gols, reservou 42 deles somente para o clássico, seu jogo preferido. Frio e calculista, jamais desperdiçou um único pênalti em toda sua carreira.

Não faltavam recursos para o artilheiro. Em um clássico com o Cruzeiro-POA, em 1945, o atacante balançou as redes de forma inusitada, no famoso ‘Gol do Plano Inclinado’, desafiando a física e deixando adversários incrédulos. Na ocasião, quando avançava para finalizar, o ídolo acabou passando da bola e, na fome pelo gol, deu um salto para trás, alinhando seu corpo ao horizonte. Praticamente deitado no ar, Carlitos conseguiu o cabeceio consagrador.

Carlitos e o ‘Gol do Plano Inclinado’, retratado em obra de arte

Por vezes, encarnava o próprio Saci. Especialista na arte de provocar defensores e criar armadilhas para os goleiros, Carlitos aprontava as suas peripécias pelo bosque dos Eucaliptos. Em um clássico, antes de um escanteio ser batido, prendeu o calção do desavisado goleiro gremista Júlio em um prego da trave. Quando o arqueiro saltou na direção da bola, a peça do uniforme não o acompanhou, permanecendo pendurada e rasgada na goleira.


Eterno romântico, dedicou uma vida ao Colorado e jamais trocou de time. Seu amor chegou ao ponto de batizar três filhos com a letra inicial do Inter: Ivan, Iran e Irany, o trio da imagem.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Herói e protagonista de um romance sem fim. Homem que viveu um amor autêntico e correspondido, com aroma de Eucaliptos e sabor de gols. Muitos gols. Eterno Carlitos!

“Aos novos que vestem a camiseta do nosso glorioso clube, gostaria de dizer que façam como os de antigamente: o coração rubro em primeiro lugar, amor à camiseta.”

Carlitos

27x SuperEd: meio-campista assume artilharia do novo Beira-Rio

Edenilson é o artilheiro do novo Beira-Rio/Foto: Ricardo Duarte

Da genialidade de D’Alessandro à infiltração artilheira de Edenilson! A descrição do primeiro gol marcado por SuperEd no Beira-Rio serve de resumo ideal para o feito atingido pelo meio-campista no último sábado (13/11). Ao marcar duas vezes na vitória de 2 a 1 do Inter sobre o Athletico-PR, pela 32ª rodada do Brasileirão, o camisa oito do Clube do Povo chegou a 27 tentos anotados na casa colorada, superou D10s, que soma 25, e assumiu a artilharia isolada do Gigante pós-reabertura.

“As alegrias que vivo nesse Clube são diferentes,

são intensas, são marcantes. Eu amo este clube.

Muito feliz em poder ajudar a equipe e, também, com a honra de

me tornar o artilheiro do novo Beira-Rio!”

Edenilson no Instagram
Edenilson (8) ultrapassou D’Ale na artilharia histórica do novo Beira-Rio/Foto: Ricardo Duarte

Contratado no final de março de 2017, praticamente três anos após a reinaguração do Beira-Rio, Edenilson levou cerca de seis meses para desencantar na casa do povo colorado. Assistido por cruzamento magistral de D’Alessandro, o primeiro encontro do camisa oito com as redes do Gigante ocorreu no dia 27 de setembro, e abriu o placar na vitória do Clube do Povo sobre o América-MG, resultado importante na caminhada que reconduziu o Inter rumo ao seu lugar de direito no futebol nacional.

De cabeça, o gol em cima do Coelho sintetiza com perfeição uma das principais valências apresentadas por Ed ao longo das 246 partidas que o atleta já disputou com a camisa colorada. Dono de rara aceleração, o camisa oito não hesitou em atacar a área rival diante do espaço oferecido pela defesa nas cercanias da marca do pênalti. O jogador, que lê espaços como poucos, somente interrompeu o arranque para chegar às alturas e, delas, acertar o primeiro dos quatro indefensáveis testaços que já desferiu no Gigante.

Primeiro gol de Edenilson foi marcado contra o América-MG/Foto: Ricardo Duarte

Após encerrar sua primeira temporada de vermelho com apenas um gol no Beira-Rio, Ed reencontrou as redes da Padre Cacique logo no início de março de 2020. Contra o Cianorte, pela Copa do Brasil, o atleta marcou, de perna canhota, o segundo de vitória em cima dos paranaenses. Já o terceiro tento do craque no Gigante foi, também, o único do Gre-Nal 417, disputado diante de mais de 44 mil colorados e coloradas. Dois meses mais tarde, o camisa oito fecharia o ano com mais uma bola nas redes do América-MG.

A estreia de Edenilson nas súmulas continentais chegou em 2019. Nos grupos da Libertadores, o camisa oito transformou o gramado do Beira-Rio em pista de atletismo e, da defesa ao ataque, levou poucos segundos para fazer o Beira-Rio explodir com o segundo do Inter em cima do River. Temporada que seria a mais artilheira do meio-campista como local até então, o ano ainda contaria com tento em semifinal de Copa do Brasil e golaços contra CSA, Avaí e Botafogo, no Brasileirão.

Edenilson vazou o River na Libertadores de 2019/Foto: Ricardo Duarte

O gol 10 de Edenilson no Beira-Rio contou com o garçom ideal. Mais uma vez servido pelo arco D’Alessandro, o camisa oito foi flecha para invadir a área do Pelotas e fazer o Gigante festejar pela primeira vez um gol seu em Gauchão. Ano dos golaços, predicado justificado pelas pinturas que o meio-campista fez contra Santos e Vasco, 2020 ainda reservaria mais uma irônica coincidência entre SuperEd e D10s. Diante do Palmeiras, em partida que marcou a despedida do ídolo argentino do Clube do Povo, o gaúcho de Porto Alegre abriu o escore do confronto no exato instante em que o décimo minuto era atingido nos cronômetros.

Também pela temporada de 2020, mas já em 2021, Ed apresentou outro recurso que logo seria tomado como especialidade pela Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. Nas respectivas rodadas 32 e 33 do Brasileirão passado, o meio-campista decretou as vitórias do Inter sobre Grêmio e Bragantino através de irrepreensíveis cobranças de pênalti. Agora craque da marca do cal, o veloz leitor de espaços se tornava, cada vez mais, artilheiro da confiança do povo vermelho.

Especialidade em pênaltis começou na temporada passada/Foto: Ricardo Duarte

Temporada alguma foi tão artilheira para Ed no Beira-Rio quanto 2021. Primeiro, no Gauchão, o camisa oito balançou as redes de nossa casa em três ocasiões, duas delas em cobranças de pênalti, expediente também usado para vazar o Olimpia-PAR na fase de grupos da Libertadores. Eleito melhor volante do Brasileirão de 2020, Edenilson abriu o Nacional de 2021 com 20 gols marcados no número 891 da Padre Cacique, número ampliado já na primeira rodada, quando nova penalidade virou tento, este celebrado contra o Sport.

A regularidade de Edenilson no Brasileirão, torneio no qual ocupa a vice-artilharia, impressiona. No início da competição, quando o Inter oscilou, o camisa oito garantiu importantes pontos para a equipe, como na partida contra o Ceará, quando fez, de pênalti, o gol do empate colorado no Gigante. Na retomada alvirrubra, o craque seguiu protagonista. Diante do Fluminense, por exemplo, SuperEd marcou duas vezes, ambas de cabeça, no triunfo de 4 a 2.

Os cliques do gol 25 de Ed/Fotos: Ricardo Duarte

Edenilson igualou D’Alessandro na artilharia do novo Beira-Rio no último dia 19 de setembro. Em partida da segunda rodada do returno, o meio-campista foi decisivo para chegar ao gol 25 no Gigante. Nos acréscimos, a segundos do apito final, ele recebeu assistência de Yuri para, a dribles, conquistar a área do Fortaleza e garantir o 1 a 0 do Clube do Povo. Faltava um para SuperEd assumir o posto de goleador da casa vermelha, e o tento precisava sair diante da torcida alvirrubra.

No sexto embate consecutivo disputado pelo Clube do Povo com presença de público no Beira-Rio, Edenilson foi protagonista para os presentes no Gigante. Na etapa inicial, o camisa oito empatou o jogo com chute rasteiro que Santos não defendeu, e Pedro Henrique, embora insistente, não impediu de encontrar as redes. Já no segundo tempo, o SuperEd esteve ainda mais demais! Cara a cara com o goleiro, ele reagiu ao descontrole da retaguarda do Athletico-PR com a sutileza das estrelas. De cobertura, mansamente, o Inter chegava ao 2 a 1.

Ed viveu noite especial contra o Furacão/Foto: Ricardo Duarte

Embalado pelos dois gols que marcou contra o Furacão, Edenilson disputará, nesta terça-feira (16/11), o primeiro superclássico de seleções de sua carreira. Convocado pela terceira vez consecutiva para a Seleção Brasileira, o meio-campista enfrentará a Argentina, fora de casa, em partida das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2022. Encerrado o duelo continental, o craque se incorporará ao elenco colorado que, amanhã, visita o Cuiabá, a partir das 19h, pela 33ª rodada do Brasileirão. Pra cima, Ed!

Estamos contigo, Ed!/Foto: Ricardo Duarte

Guerrero completa dois anos de Inter em grande estilo

Brabo, artilheiro, gringo ou matador, não faltam adjetivos para descrever Paolo Guerrero. Independente do apelido que você escolha para o peruano, unânime é o reconhecimento à grande fase que o centroavante vive com o manto vermelho. Um dia após completar dois anos de Inter, o camisa 9 colorado deu show nesta quinta-feira (13/08) de vitória do Clube do Povo sobre o Santos. De cabeça, abriu o placar no início da etapa final. Depois, já no encerramento da partida, serviu linda assistência de calcanhar para o gol de Edenilson.

Anunciado pelo Inter em pleno Dia dos Pais, 12 de agosto de 2018, o peruano foi oficialmente apresentado três dias depois, data de seu desembarque em Porto Alegre. Recepcionado com festa ainda no Aeroporto Salgado Filho, o centroavante foi igualmente ovacionado nas arquibancadas do Beira-Rio, que receberam milhares de colorados e coloradas dispostos a dar boas-vindas ao artilheiro.

A estreia de Guerrero com a camisa colorada ocorreu no ano seguinte, em nova data especial. Dia em que o Beira-Rio completou 50 anos de história, o 6 de abril de 2019 também ficou marcado pela primeira partida do peruano no Inter. Disposto a recompensar as mais de 30 mil pessoas que ignoraram a chuva para lotar o Gigante, o craque teve grande atuação no tapete verde da Padre Cacique, e inclusive marcou, logo na etapa inicial, bonito gol de cabeça, tento de número um dos 20 que anotaria na temporada passada.

O artilheiro segue vivendo boa fase em 2020. Após encerrar seu primeiro ano de Inter com média aproximada de meio gol por jogo, na atual temporada Guerrero já mandou nove bolas para as redes em apenas 14 exibições.

Responsável por marcar, sobre o Tolima, gol que classificou o Inter à fase de grupos da Libertadores, o craque soma mais outros dois tentos na principal competição das Américas, ambos anotados contra a Universidade Católica-CHI. As estatísticas também foram positivas no Gauchão, campeonato no qual Guerrero balançou as redes em quatro ocasiões. No Brasileiro, por fim, o peruano já fez a torcida colorada sorrir em duas oportunidades, assim figurando entre os artilheiros do torneio.

“Felicidade de ter dois anos em um Clube tão grande como é o Inter. Tomara que venham muitos anos, estou muito feliz aqui, fazendo o meu trabalho, fazendo gols, que é o mais importante. Tomara que esse ano seja abençoado, estamos trabalhando muito, bem concentrados, para que tudo dê certo e a gente possa comemorar um título!”

Guerrero sobre atingir o feito

Dono de 29 gols marcados em 55 partidas disputadas pelo Inter, Guerrero está em casa no Beira-Rio. Prova irrefutável é a simpatia do craque por balançar as redes do Gigante, palco que já presenciou 21 tentos do artilheiro. Na lista dos principais goleadores do Estádio pós-reforma, o peruano ocupa a terceira colocação, a três gols de distância de Nico López, segundo, e cinco do ídolo D’Alessandro, líder da nominata.

A frieza dos números, porém, não retrata com precisão a excelência da trajetória que Guerrero vem construindo com o manto vermelho. Jogador diferenciado, o artilheiro reúne todas as características fundamentais para um centroavante matador. Fatal no jogo aéreo e carrasco com a perna direita, raramente desperdiça uma oportunidade de superar o arqueiro rival. Dono de técnica refinada, encanta a torcida a cada domínio no peito ou pivô que executa em cima da zaga adversária. Perito em finalizações de qualquer distância, já se mostrou, também, um ás nas cobranças de falta.

Para além dos tentos, o inteligente atleta sabe, igualmente, ser garçom, como comprovam as duas assistências que já ofereceu no ano. Consciente da responsabilidade de carregar a camisa 9 do Inter, é, ainda, um líder do grupo, a ponto de já ter empunhado a faixa de capitão em algumas oportunidades. Sem exagero nenhum, Guerrero faz por merecer o rótulo de centroavante completo. Exatamente desta forma é tratado pela Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, a quem tanto já fez sorrir. Dale, Paolo!

Ídolo, Príncipe Jajá completa 67 anos

Gaúcho da capital, Jair Gonçalves Prates completa, neste sábado (11/07), 67 anos de idade. Em comemoração, o ídolo concedeu entrevista para o programa Velhas Súmulas, da Rádio Colorada. Emocionado, lembrou dos tempos de Beira-Rio com grande orgulho, destacando o carinho que sente pelo Clube do Povo. Confira a íntegra da conversa abaixo ou nos nossos perfis em Spotify e SoundCloud!

“Quando um jogador veste essa camiseta, ele tem que colocar a alma. Você precisa se doar até a morte e ganhar a partida. O Internacional é alma, é dedicação, superação e, eu considero, é a minha casa. Eu me criei aí dentro. Cada cantinho, cada tijolo, eu vi surgindo no Beira-Rio, na época que a torcida levava um tijolo cada um. É uma honra muito grande fazer parte dessa história.”

Sport Club Internacional · Rádio Colorada | Entrevista com ex-jogador Jair, “príncipe Jajá” | 11/07/2020

A trajetória rumo à realeza colorada

Camisa 8 às costas, avança pela direita do gramado do Gigante em velocidade, tramando com Valdomiro. Do companheiro, recebe bom passe, que domina colocando na frente. Um, dois, três passos depois, diminui o ritmo das passadas e engatilha a perna direita. Ato contínuo, manda uma bomba – como sempre, indefensável. Gol do Inter! Gol de Jajá, o Príncipe, que comemora mais uma de suas 117 pinturas com a camisa colorada.

Nascido em 1953, o ídolo colorado carrega, desde o berço, o futebol em seu DNA. Filho de Laerte III, também jogador, ao longo da infância Jair perambulou por Brasil e América acompanhando a carreira do pai. Crescido no meio da bola, conviveu, ao longo de toda a infância, com grandes nomes do esporte, a exemplo de Garrincha, Quarentinha e Manga, goleiro de quem seria companheiro de equipe no futuro.

De volta a Porto Alegre, Jair realizou, na segunda metade da década de 60, teste para a base do Internacional. Aprovado, passou a integrar geração que contava com craques a exemplo de Falcão, Escurinho e Batista. Com o Celeiro, conquistou a Taça São Paulo de Juniores de 1974, primeiro dos cinco títulos colorados na competição. No mesmo ano, chamou a atenção de Rubens Minelli, que alçou o jovem ao grupo principal.

Time de juniores do Inter com Falcão, o último em pé da direita para a esquerda, e Jair, o segundo agachado

Dedicado e polivalente, o futuro Príncipe conquistou a estima do técnico bicampeão nacional pelo Inter. Dono de grande qualidade, o meia-direita também atuava como volante, ponta e lateral, convertendo-se, assim, em um verdadeiro coringa, que soube aproveitar o período de treinos com os craques colorados para abstrair todos os ensinamentos possíveis. Já adaptado ao ambiente profissional, começou a cavar seu espaço no time em 1975, durante excursão do Clube do Povo pela Europa, realizada entre os meses de fevereiro e março, e encerrada com 13 vitórias e uma igualdade em 14 partidas disputadas

Jair marcou o gol do Clube do Povo na vitória por 1 a 0 sobre o Cesena, da Itália. Realizada no dia 6 de março, a partida, quarta da excursão, foi a primeira disputada contra um time ‘forte’ da Europa, equipe que encerraria o Calcio daquele ano classificada para a Copa da UEFA. Saído do banco, Jajá entrou no lugar de Valdomiro para decidir o jogo e atrair todos os holofotes em sua direção. Melhor em campo, despertou o interesse de equipes do país da bota, mas todas as sondagens foram prontamente rechaçadas pelo Inter, que sabia da importância que o jovem assumiria, em breve, no elenco alvirrubro.

“A excursão ajudou o Internacional a pegar experiência, deu o conjunto necessário para o Inter! Ficamos 45 dias juntos, jogamos contra todas equipes imagináveis. Enfrentamos o time do Didi (Fenerbahçe, atual campeão turco) que, na época, falou que a gente tinha que ter cuidado, pois seríamos goleados. No intervalo, ele foi no nosso vestiário e pediu calma, estava 4 a 0. Esta experiência deu muita base, especialmente para os jovens. Com ela, o grupo se uniu mais ainda.

O mesmo fascínio provocado por Jair nos italianos foi visto no restante da imprensa europeia em relação aos comandados de Minelli, que foram apelidados como ‘o novo Ajax’, time holandês que no início da década 70 conquistara, com o brilho de Cruijff, Neeskens e companhia, três Liga dos Campeões consecutivas. Passados mais de 45 anos da excursão, como o depoimento de Jajá revela, é possível afirmar que a viagem foi fundamental para dar corpo a um elenco que, muito em breve, faria história.

O Inter retornou para Porto Alegre em ritmo alucinante, pronto para conquistar o heptacampeonato gaúcho, que veio em agosto, e o primeiro Brasileirão de sua história, levantado no dia 14 dezembro graças ao Gol Iluminado de Figueroa, contra o Cruzeiro. Na semifinal nacional, diante da ‘Máquina Tricolor’, foi Jajá quem serviu boa assistência para Carpegiani marcar, em lance de pura genialidade, o segundo tento alvirrubro na vitória por 2 a 0 sobre o Fluminense, no Maracanã.

Amadurecido e com o refino técnico de sempre, em 1976 o ex-meia recebeu uma sequência maior no time. Como consequência, demonstrou ainda mais seu futebol de altíssimo nível, disputando quase todas as 23 partidas da campanha do Bicampeonato brasileiro, onde marcou oito gols. Entre suas vítimas, é claro, esteve o Grêmio, que, no único Gre-Nal válido pelo torneio, realizado no Beira-Rio, sofreu um tento do ídolo.

Igualmente suas assistências fizeram sorrir a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, e valeram-lhe apelido que até hoje acompanha o ídolo. Na decisão do Gauchão, foi de Jair a assistência para o gol do título, marcado por Dario, o “Rei Dadá”, e que garantiu ao Inter o inédito e jamais igualado Octa estadual. Na entrevista pós-jogo, o requisitado artilheiro revelou que, se ele era o monarca, Jajá merecia ser Príncipe, assim formando a realeza colorada.


Ídolo continental

Após um 1977 marcado pela ausência de títulos, Inter e Jair reencontraram o caminho das taças na temporada seguinte, com a conquista do Gauchão. Na decisão, disputada no Olímpico, o Clube do Povo superou os donos da casa por 2 a 1, gols de Valdomiro para o Colorado, o último completando, de cabeça, cruzamento açucarado do Príncipe.

Foi em 1979, porém, mais especificamente no segundo semestre, que Jair viveu seu auge com a camisa colorada. Titular absoluto, formou, com Falcão e Batista, o trio de meio-campistas do Inter no Brasileirão daquele ano, muitas vezes acompanhado, na armação, por Mário Sérgio, que atuava na esquerda do ataque. À frente dos craques, Valdomiro, pela direita, e Bira, centroavante, aterrorizavam qualquer rival, assim como a defesa, intransponível, que contava com João Carlos e Cláudio Mineiro nas laterais, e os Mauros Galvão e Pastor no miolo de zaga.

Comandado por Ênio Andrade, Jajá exalou elegância no Time que Nunca Perdeu. Ainda durante a fase de pontos corridos, por exemplo, marcou o gol da vitória no Gre-Nal 251. Disputado no dia 6 de outubro, no Beira-Rio, o clássico foi definido graças a um foguete do camisa 8, que mandou cobrança de falta direto na bochecha da rede do goleiro Manga, ex-companheiro de Inter e amigo de seu pai.

A estrela de Jair reluziu como nunca nos confrontos eliminatórios do Nacional. Na abertura das semifinais, em São Paulo, o camisa 8 marcou, após venenoso arremate de fora da área, que ainda quicou na frente de Gilmar antes de morrer nas redes alviverdes, o primeiro gol da gigante vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras.

No jogo de volta, disputado diante de um Beira-Rio completamente lotado, o Príncipe abriu o placar para o Clube do Povo, também na etapa final, em lindo chute da entrada do grande retângulo palestrino. O tento foi o único do Colorado no duelo, encerrado em 1 a 1, placar que classificou o Inter para a decisão.

Todos os anos de empenho e dedicação de Jair com a camisa alvirrubra, bem como o Brasileirão de excelência que o meio-campista realizava pelo Clube do Povo, foram recompensados no dia 23 de dezembro de 1979. Apoiado por dezenas de milhares de colorados e coloradas que, empolgados com a vitória por 2 a 0 na ida, no Maracanã, coloriram o Beira-Rio em clima de carnaval que honrou a biografia popular do Internacional, Jajá entrou para a história do futebol brasileiro aos pontuais 41 minutos do primeiro tempo.

Acionado por Bira, exibiu excelente posicionamento para, nas costas da zaga do Vasco, disparar em velocidade e dominar livre, cara a cara com Leão. Já na matada, cortou o goleiro, abrindo para a perna direita e invadindo a área. Com o gol aberto, tocou rasteiro para as redes e partiu em direção ao abraço. O Tri ficava ainda mais próximo, e seria confirmado, no segundo tempo, após triunfo por 2 a 1, que ainda contou com gol de Falcão.

Jair seguiu brilhando pelo Inter na temporada de 1980. Vice-campeão da Libertadores e terceiro colocado no Brasileirão, acumulou cartaz continental suficiente para, no ano seguinte, após breve passagem pelo Cruzeiro, ser negociado com o Peñarol. Na equipe carbonera, vestindo a 10, ganhou Uruguai, América e mundo, assim se eternizando, também, como ídolo aurinegro. Na sequência, em 1984, Jajá retornou, por alguns meses, para o Clube do Povo.

Muito mais breve do que a anterior, a segunda passagem de Jair pelo Inter ficaria marcada pelas conquistas do Torneio Heleno Nunes, competição nacional, e da japonesa Copa Kirin. Também no ano de 1984, Jajá marcaria os últimos de seus 117 gols com a camisa colorada, números que o colocam, atualmente, na nona posição da lista de maiores artilheiros da rica história do Internacional.

“Há pouco eu fiquei sabendo que estou como o nono goleador da história do Clube, entre os 10 goleadores da história do Sport Club Internacional, o que muito me honra! Eu era um meia-direita e estou fazendo parte dos goleadores do Clube! Pra mim, foi muito importante. Massageia o ego da pessoa, lógico, mas pelo trabalho que teve, e foi um trabalho bem árduo – e bem feito.”

Definitivamente, Jajá foi um atleta paradoxal. Meio-campista clássico, da pompa de cabeça erguida e passadas largadas, oferecia às equipes que defendeu um dinamismo muito à frente de seu tempo. Diamante lapidado no Celeiro de Ases, já era vencedor antes de chegar ao profissional colorado, onde, de fato, fez história. Multicampeão, exibe na prateleira pessoal inúmeros troféus alvirrubros – e muitos outros charruas. Feitos relevantes, mas que não se comparam ao tamanho do espaço que conquistou no coração da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. Com o camisa 8, o povo se identificava. Por ele, torcida. Graças a ele, vibrava. E como vibrou. Obrigado por tudo, Jair. Feliz aniversário, eterno Príncipe!

Eufórica, a Coreia ovaciona o Príncipe do povo colorado/Foto: Divulgação

Há dois anos, Damião marcava seu 100º gol pelo Inter

O relógio indica 31 minutos de partida quando Iago é lançado na esquerda da grande área santista. Em boas condições, a jovem promessa alvirrubra só não consegue o domínio por conta de forte empurrão do zagueiro adversário. Pênalti, que Damião recolhe a bola para bater. Invicto há seis partidas no Brasileirão, o Clube do Povo busca os três pontos no litoral paulista para colar de vez na luta pelo G-4, razão pela qual a cobrança toma grandiosos contornos. A expectativa em torno do gol, todavia, não se justifica apenas pela importância de tomar a dianteira no marcador.

Após encerrar sua primeira passagem pelo Beira-Rio, compreendida entre os anos de 2010 e 2013, com 89 gols marcados em 179 exibições, Leandro Damião perseguia a centésima vibração com a camisa vermelha. De volta ao Clube do Povo desde 2017, quando iniciou sua segunda trajetória no número 891 da Avenida Padre Cacique, o centroavante já somara, até aquele dia 10 de junho de 2018, outros 10 tentos pelo alvirrubro. Converter a penalidade, portanto, significava chegar a casa das 100 bolas na rede como atleta do Internacional. Feito que atingiu com tranquilidade contrastante à magnitude de sua marca, e comentado, nesta quarta-feira (10/06), em especial da Rádio Colorada!

Sport Club Internacional · Especial 100 gols de Leandro Damião
O 100º gol de Damião pelo Inter/Imagem: SporTV

Ao completar 100 gols com a camisa colorada, o ídolo alcançou feito não apenas notório, mas também raro na rica biografia do Clube do Povo; afinal de contas, desde a década de 80, quando Jajá registrou sua centena, nem um outro atleta havia atingido a marca. Tento que também foi o terceiro de Damião em 2018, seria acompanhado, até o fim da temporada, por outros oito no currículo do centroavante, que assim atingiria outro feito histórico: entrar na lista dos 10 maiores artilheiros alvirrubros.

Ao lado de Adãozinho, lendário atacante do Rolo Compressor, Leandro Damião é o 10º maior artilheiro da história colorada, com 108 gols marcados. A dupla acompanha, no seleto rol de goleadores, nomes como o próprio Príncipe Jajá, que soma 117 tentos, Ivo Diogo, integrante do Rolinho, com 118, Villalba, companheiro de Adão, dono de 153 bolas na rede, Larry, o Cerebral, com 176, Tesourinha, 178, Valdomiro, 191, Claudiomiro, 210, Bodinho, 235, além, é claro, do maior de todos, Carlitos, responsável por oferecer incríveis 485 celebrações à Maior e Melhor Torcida do Rio Grande.


Confira lista com todos os gols de Leandro Damião pelo Colorado:

2010: 12 gols na temporada

17/01/2010 – Inter 4 x 2 Ypiranga – Gauchão – Dois gols;
20/01/2010 – Porto Alegre 0 x 1 Inter – Gauchão – Um gol;
03/02/2010 – Novo Hamburgo 1 x 3 Inter – Gauchão – Um gol (primeiro com o grupo principal, antes vinha atuando com o Inter B);
18/08/2010 – Inter 3 x 2 Chivas – Libertadores – Um gol;

22/08/2010 – Inter 1 x 1 Atlético-GO – Brasileirão – Um gol;
28/08/2010 – Inter 1 x 0 Botafogo – Brasileirão – Um gol;
05/09/2010 – Inter 2 x 0 Grêmio Prudente – Brasileirão – Um gol
16/09/2010 – São Paulo 1 x 3 Inter – Brasileirão – Um gol;

30/10/2010 – Inter 1 x 1 Santos – Brasileirão – Um gol;
06/11/2010 – Atlético-GO 2 x 2 Inter – Brasileirão – Um gol;
14/11/2010 – Inter 2 x 3 Avaí – Brasileirão – Um gol


2011 – 40 gols na temporada – maior goleador do país!

03/02/2011 – Inter 3 x 1 Juventude – Gauchão – Um gol;
06/02/2011 – Veranópolis 2 x 1 Inter – Gauchão – Um gol;
13/02/2011 – Inter 3 x 2 Pelotas – Gauchão – Três gols;
23/02/2011 – Inter 4 x 0 Jaguares – Libertadores – Um gol;
10/03/2011 – Inter 4 x 0 Ypiranga – Gauchão – Três gols;

13/03/2011 – Caxias 3 x 3 Inter – Gauchão – Três gols;
16/03/2011 – Jorge Wilstermann 1 x 4 Inter – Libertadores – Um gol;
02/04/2011 – Lajeadense 1 x 1 Inter – Gauchão – Um gol;
10/04/2011 – Inter 6 x 2 Canoas – Gauhão – Um gol;
16/04/2011 – Inter 1 x 0 Santa Cruz – Gauchão – Um gol;

19/04/2011 – Inter 2 x 0 Emelec – Libertadores – Um gol;
28/04/2011 – Peñarol 1 x 1 Inter – Libertadores – Um gol;
01/05/2011 – Inter 1 x 1 Grêmio – Gauchão – Um gol;
08/05/2011 – Inter 2 x 3 Grêmio – Gauchão – Um gol;
15/05/2011 – Grêmio 2 x 3 Inter – Gauchão – Um gol;

12/06/2011 – Inter 2 x 2 Palmeiras – Brasileirão – Um gol;
26/06/2011 – Inter 4 x 1 Figueirense – Brasileirão – Um gol;
30/06/2011 – Atlético-MG 0 x 4 Inter – Brasileirão – Um gol;
21/07/2011 – Avaí 1 x 3 Inter – Brasileirão – Um gol;
26/07/2011 – Inter 2 x 2 Barcelona – Copa Audi – Um gol;
27/07/2011 – Inter 2 x 2 Milan – Copa Audi – Um gol;

07/08/2011 – Inter 3 x 2 Cruzeiro – Brasileirão – Um gol;
10/08/2011 – Independiente 2 x 1 Inter – Recopa – Um gol;
14/08/2011 – Bahia 1 x 1 Inter – Brasileirão – Um gol;
17/08/2011 – Inter 1 x 0 Botafogo – Brasileirão – Um gol;
21/08/2011 – Inter 2 x 2 Flamengo – Brasileirão – Um gol;
24/08/2011 – Inter 3 x 1 Independiente – Recopa – Dois gols;

31/08/2011 – Inter 3 x 3 Santos – Brasileirão – Um gol;
07/09/2011 – Inter 4 x 2 América-MG – Brasileirão – Um gol;
11/09/2011 – Inter 3 x 0 Palmeiras – Brasileirão – Três gols;
20/11/2011 – Inter 1 x 0 Botafogo – Brasileirão – Um gol;


2012 – 24 gols na temporada

25/01/2012 – Inter 1 x 0 Once Caldas – Libertadores – Um gol;
22/02/2012 – Inter 1 x 2 Grêmio – Gauchão – Um gol;
03/03/2012 – Inter 2 x 1 Ypiranga – Gauchão – Um gol;
07/03/2012 – Santos 3 x 1 Inter – Libertadores – Um gol;

10/03/2012 – Santa Cruz 1 x 2 Inter – Gauchão – Um gol;
13/03/2012 – Inter 5 x 0 The Strongest – Libertadores – Três gols;
17/03/2012 – Inter 7 x 0 Juventude – Gauchão – Dois gols;
25/03/2012 – Inter 3 x 0 São José-POA – Gauchão – Dois gols;
01/04/2012 – Inter 1 x 0 Canoas – Gauchão – Um gol;

14/04/2012 – Inter 3 x 0 Cerâmica – Gauchão – Um gol;
22/04/2012 – Inter 4 x 0 Veranópolis – Gauchão – Um gol;
10/05/2012 – Fluminense 2 x 1 Inter – Libertadores – Um gol;
13/05/2012 – Inter 2 x 1 Caxias – Gauchão – Um gol;

20/05/2012 – Inter 2 x 0 Coritiba – Brasileirão – Um gol;
24/06/2012 – Sport 0 x 2 Inter – Brasileirão – Um gol;

07/07/2012 – Inter 2 x 1 Cruzeiro – Brasileirão – Um gol;
02/09/2012 – Inter 4 x 1 Flamengo – Brasileirão – Um gol;
13/09/2012 – Botafogo 1 x 1 Inter – Brasileirão – Um gol;
16/09/2012 – Inter 2 x 2 Sport – Brasileirão – Um gol;
23/09/2012 – Inter 3 x 1 Bahia – Brasileirão – Um gol;


2013 – 13 gols na temporada

03/02/2013 – Internacional 2 x 1 Grêmio – Gauchão – Um gol;
13/02/2013 – Caxias 0 x 2 Inter – Gauchão – Um gol;
17/02/2013 – Cruzeiro 1 x 1 Inter – Gauchão – Um gol;
10/03/2013 – São Luiz 0 x 5 Inter – Gauchão – Dois gols;

17/03/2013 – Canoas 1 x 3 Inter – Gauchão – Um gol;
21/03/2013 – Inter 2 x 1 São Luiz – Gauchão – Um gol;
14/04/2013 – Inter 4 x 1 Juventude – Gauchão – Um gol;
24/07/2013 – São Paulo 0 x 1 Inter – Brasileirão – Um gol;

04/08/2013 – Grêmio 1 x 1 Inter – Brasileirão – Um gol;
25/08/2013 – Inter 3 x 3 Goiás – Brasileirão – Um gol;
06/10/2013 – Inter 1 x 0 Fluminense – Brasileirão – Um gol;
27/10/2013 – Inter 2 x 3 São Paulo – Brasileirão – Um gol;


2017 – 8 gols na temporada

01/08/2017 – Inter 3 x 0 Goiás – Brasileirão – Um gol;
25/08/2017 – Inter 3 x 2 Paysandu – Brasileirão – Dois gols;
16/09/2017 – Inter 3 x 0 Figueirense – Brasileirão – Um gol;

23/09/2017 – Náutico 0 x 1 Inter – Brasileirão – Um gol;
09/10/2017 – Inter 1 x 0 Brasil-PEL – Brasileirão – Um gol;
06/11/2017 – Luverdense 2 x 2 Inter – Brasileirão – Dois gols;


2018 – 11 gols na temporada

21/02/2018 – Remo 1 x 2 Inter – Copa do Brasil – Um gol;
27/05/2018 – Inter 2 x 1 Corinthians – Brasileirão – Um gol;
10/06/2018 – Santos 1 x 2 Inter – Brasileirão – Um gol;
29/07/2018 – Inter 3 x 0 Botafogo – Brasileirão – Um gol;

23/09/2018 – Corinthians 1 x 1 Inter – Brasileirão – Um gol;
30/09/2018 – Inter 2 x 1 Vitória – Brasileirão – Um gol;
14/10/2018 – Inter 3 x 1 São Paulo – Brasileirão – Dois gols;

22/10/2018 – Inter 2 x 2 Santos – Brasileirão – Um gol;
11/11/2018 – Ceará 1 x 1 Inter – Brasileirão – Um gol;
15/11/2018 – Inter 2 x 0 América-MG – Brasileirão – Um gol;