Celeiro de Ases é campeão gaúcho juvenil!

Festa da gurizada no CT Alvorada (Fotos: Jota Finkler)

Os guris do juvenil colorado são os novos donos do Rio Grande do Sul! O Celeiro de Ases garantiu mais uma taça na tarde desta quarta-feira (15/12), ao golear o Progresso por 4 a 0 na decisão do Campeonato Gaúcho Sub-17. Após vitória por 1 a 0 no primeiro jogo, em Pelotas, Leonardo (2x), Carlison e Vinícius Cortês marcaram no duelo de volta, em Alvorada, ampliando para cinco gols de vantagem no placar agregado.

Desta maneira, o Colorado confirmou a sua superioridade e o favoritismo. Afinal, a equipe teve o melhor ataque da competição (58 gols), o artilheiro Leonardo, que anotou um total de 15 gols, além de uma campanha impecável: 11 vitórias, dois empates e apenas uma derrota. No próximo ano, o Celeiro de Ases voltará a disputar a Copa do Brasil Sub-17.


Assim como no primeiro jogo, o domínio colorado foi total na partida. Desta vez, a superioridade também foi traduzida em gols. Muitos gols. Logo aos 14 minutos do primeiro tempo, Carlison foi à linha de fundo pela direita e cruzou rasteiro para o meio da área. Leonardo, bem posicionado, bateu de primeira com a perna canhota, no contrapé do goleiro: Inter 1 a 0!

O resultado já era confortável para garantir a taça em Alvorada. Mesmo assim, o Celeiro de Ases partiu pra cima no segundo tempo e liquidou a fatura. Aos 12 minutos, Adriel fez linda jogada pela direita, ganhou no pé de ferro do primeiro marcador, aplicou uma caneta no segundo e chutou rasteiro. O goleiro defendeu parcialmente, mas Carlison estava atento no rebote e mandou para as redes.

No agregado, a vantagem já estava em três gols, mas subiria ainda mais. Aos 34 minutos, Ghíven avançou em velocidade pela esquerda, deixou a marcação para trás e cruzou no segundo poste. Lá estava ele, Leonardo. O tiro falhou na primeira tentativa, mas não na segunda. Bola na rede e artilharia mais do que isolada do camisa 9.

Camisa 10 Ghíven avança pela ponta (Foto: Jota Finkler)

Ainda dava tempo para mais um – e que golaço! Para fechar com chave de ouro, aos 38min do segundo tempo, Vinícius Cortês recebeu na entrada da área, girou de letra sobre a marcação e bateu de canhota, com muita categoria, no cantinho: 4 a 0 para o Inter e festa nas arquibancadas do CT Alvorada.

O treinador Ariel Lanzini escalou a seguinte equipe na partida: Gabriel Raulino; Guilherme Varjão (José Adilson), Samuel, Tiago Guth e Rangel; Lukayan, Lucas Farias (Júnior), Ghíven (Carlos Eduardo) e Adriel (Vinícius Côrtes); Carlison (João Carlos) e Leonardo (Sarjani).

Na hora da premiação, um momento especial. Bráulio, o “Garoto de Ouro”, histórico meia colorado nos anos 1960/70, formado no Celeiro de Ases, foi o responsável por entregar as medalhas para os meninos dourados do Internacional. Emblemático!

> Assista à final na íntegra!

Grupo juvenil colorado celebra o título (Foto: Jota Finkler)

“Tivemos muitas adversidades desde o começo do ano com a pandemia. Mesmo assim, conseguimos dar um passo à frente, evoluir muito a equipe. Tivemos o melhor ataque da competição, o goleador (Leonardo), que chegou como volante, mas detectamos que poderia render como centroavante. A equipe inteira trabalhou demais e merece esse título.”

Ariel Lanzini, treinador da equipe

“A ideia é gerar um crescimento constante. Desde o começo, a gente sempre diz que o importante é formar. Se vier com título, melhor. Estamos conseguindo as duas coisas. Teremos muitas caras deste time na Copa São Paulo, dando espaço para eles se desenvolverem.”

Felipe de Oliveira, diretor geral das categorias de base
Autor de 15 gols, Leonardo foi o artilheiro do torneio (Foto: Jota Finkler)

Números da campanha

Jogos: 14
Vitórias: 11
Empates: 2
Derrotas: 1
Gols marcados: 58
Gols sofridos: 9

> Confira a campanha completa!

Inter é tricampeão do Brasileiro Sub-20!

Colorado superou o São Paulo na decisão (Foto: Renata Lutfi)

É campeão! Ou melhor, tricampeão! O Celeiro de Ases garantiu a sua terceira taça do Campeonato Brasileiro Sub-20 ao superar o São Paulo, no placar agregado, neste domingo (28/11). A equipe colorada levou para o Morumbi a vantagem de dois gols obtidos no Beira-Rio, na semana anterior, e bastou um empate em 1 a 1 para garantir o caneco.

Ao todo, agora são três títulos nacionais, o primeiro no formato mais recente, organizado pela CBF. O primeiro aconteceu em 2006, ano de estreia da competição, com vitória no clássico Gre-Nal. O bicampeonato veio em 2013, ao vencer o Palmeiras na decisão. O Clube do Povo ainda bateu duas vezes na trave, em 2007 e 2012, sendo superado pelo Cruzeiro em ambas.


Campanha histórica

Foi uma trajetória para ficar guardada na memória da torcida e da gurizada do Celeiro de Ases, que demonstrou toda sua determinação, poder de reação e qualidade do grupo. Além disso, coroa o trabalho feito na base do Clube, que, mesmo perdendo o treinador da categoria no meio do caminho, soube se reinventar com João Miguel e Leonardo Martins na casamata.

Grupo celebra no vestiário do Morumbi (Foto: Wanderson Alves)

Após um começo oscilante, quando a classificação à segunda fase foi obtida somente na última rodada, a equipe cresceu nos confrontos eliminatórios e bateu três dos quatro melhores times da primeira fase: Palmeiras (quartas de final), Atlético-MG (semifinal) e São Paulo (final). Além disso, encerrou a competição com uma invencibilidade 12 jogos.

Na grande decisão, o Colorado teve pela frente o atual campeão da Copinha, torneio vencido pelo Colorado no ano anterior. Em Porto Alegre, Matheus Cadorini e Juan Cuesta marcaram na vitória por 2 a 0 dentro do Beira-Rio. No Morumbi, Matheus Dias anotou o seu no empate em 1 a 1, suficiente para trazer a taça para o Rio Grande do Sul.

Branco, coordenador de base da Seleção, e Alessandro Barcellos, presidente do Inter, entregam o troféu para o capitão Lucas Vital (Foto: Marco Galvão/CBF)

A finalíssima

Com a vantagem obtida em casa, o Celeiro de Ases pôde jogar com mais tranquilidade a segunda partida. A primeira grande chance do jogo ocorreu com Nicolas, aos 24min. O atacante foi lançado em profundidade e bateu rasteiro para a defesa de Felipe. A marcação paulista afastou parcialmente e a bola voltou para o camisa 9, que voltou a finalizar, desta vez no travessão.

O gol veio justamente em uma jogada muito utilizada ao longo da campanha: a bola parada com Thauan Lara. Aos 28min, o camisa 6 bateu escanteio pela direita, João Pedro fez o desvio no primeiro poste e Matheus Dias completou no segundo, levantando a torcida colorada, que fez muito barulho no Morumbi.

O São Paulo ainda chegou ao empate com Pablo, em chute venenoso de fora da área aos 40 minutos da etapa inicial. Apesar de os paulistas tentarem impor pressão até o final, o jogo estava controlado pelo Celeiro de Ases, que ainda levou perigo em investidas de contragolpe. No fim do jogo, uma pequeno confusão resultou nas expulsões de Beraldo, zagueiro adversário, e Lucca, atacante colorado que entrou na reta final.


Artilharia:

Matheus Cadorini – 9 gols
Juan Cuesta – 5 gols
Allison – 5 gols
Matheus Dias – 4 gols
Thauan Lara – 3 gols
Vinícius Mello – 3 gols
Nicolas – 3 gols

Assistências:

Juan Cuesta – 4 passes
Cléberson – 4 passes
Thauan Lara – 3 passes


FICHA TÉCNICA:

São Paulo (1): Felipe; Moreira, Beraldo, Luizão (Pagé) e Belém (Thales Vander); Pablo (João Adriano), Léo (Negrucci) e Talles Costa (Cauê); Caio, Vitinho (Palmberg) e Facundo. Téc: Alex de Souza

Internacional (1): Anthoni; Bernardo (Vinicius Tobias), João Pedro, João Felix e Thauan Lara (Adriel); Lucas Vital, Matheus Dias (Igor), Allison (Jonathan), Estêvão (Cazzetta) e Gustavo; Nicolas (Lucca). Téc: João Miguel/Leonardo Martins

Gols: Matheus Dias, aos 28min/1T (I); Pablo, aos 40min/1T (S)

Local: Morumbi, em São Paulo-SP

Arbitragem: Alexandre Vargas Tavares de Jesus, auxiliado por Thiago Rosa de Oliveira e Thayse Marques Fonseca (trio do RJ).

Uma conquista absoluta

De novo, a América era nossa. De novo, ela pertencia ao povo colorado. Absoluto, o título consagrou time cascudo, talhado para fazer história como legítimo campeão. Em casa, fomos impecáveis. Longe dela, letais. Caminhada brilhante, teve seu último capítulo escrito há 10 anos. Relembre, abaixo, a vitória colorada por 3 a 2 sobre o Chivas, na finalíssima da Libertadores de 2010!


O dia 18 de agosto de 2010 amanheceu ensolarado na capital gaúcha. Para a torcida colorada, porém, o sol era mais do que dispensável. Todos torciam, inclusive, pelo seu pôr. Esperado crepúsculo, significaria, para muitos, o fim do expediente – ou mesmo da classe. Com ele, estariam livres para, enfim, somarem-se aos milhares que desde o início da tarde ocuparam o Beira-Rio. Juntos, travariam a mais bela das batalhas. Lado a lado, precisariam libertar a América!

O movimento na Padre Cacique, registre-se, começou cedo. Internamente, o gramado do Gigante, renomado tapete continental, estava pronto. Do lado de fora, a torcida chegava aos montes, colorindo em vermelho e branco o cimento formador do pátio do Beira-Rio. Nem mesmo o verde dos campos suplementares resistiu à força da maré alvirrubra, que transformou cada centímetro em concentração e, é claro, churrasco.

Juntos dos mais de 53 mil torcedores e torcedoras anônimos, ilustres nomes do passado alvirrubro também decidiram saudar o presente, que diz tudo. Ao mesmo tempo em que o povo tomava as arquibancadas e cadeiras do Gigante, ídolos da história colorada se fizeram presentes nos camarotes e suítes do Beira-Rio. Valdomiro, Rentería e Gamarra foram alguns dos heróis que, fundamentais como sempre, jogaram a final desta vez fora do campo, usando da voz no lugar das chuteiras.

Em vantagem no duelo após conquistar, no dia 11 de agosto, triunfo de 2 a 1 sobre o Chivas, fora de casa, o Clube do Povo tinha em Alecsandro, lesionado, o único desfalque para a finalíssima. Em seu lugar, Celso Roth escolheu Rafael Sobis, que ficou encarregado do comando do ataque. Atrás do camisa 23, D’Alessandro, pela direita, Tinga, no centro, e Taison, pela esquerda, formavam exímia linha de três meio-campistas.

Despedindo-se do Inter, o volante Sandro, dono da 8, formou, uma vez mais, dupla de volantes com o ídolo Guiñazú, sempre responsável por empunhar o número 5. A defesa, por fim, contou com Nei e Kleber, nas laterais, e Índio e Bolívar, zagueiros. Renan, goleiro, completou a nominata. Do outro lado, José Luiz Leal escalou Michel; Magallón, De Luna, Reynoso e Ponce; Araújo, Baéz, Fabián e Bautista; Arellano e Omar Bravo.

Os heróis do Bicampeonato

“Foi difícil ficar de fora desta final. Mas valeu que o grupo mostrou que tem bons jogadores. É demais saber que fiz parte disso!”

Alecsandro

Os minutos iniciais transcorreram de maneira eletrizante, com cada centímetro do gramado sendo disputado com máxima energia pelos jogadores. Não faltaram lances ríspidos, principal aposta dos mexicanos para conter a troca de passes do Inter no campo de ataque. Como de costume sob o comando de Roth, o Colorado contava com grande movimentação de D’Ale e Tinga, responsáveis por constantes combinações entre direita e centro. Na esquerda, Taison abria espaços para a subida de Kleber, e ainda acompanhava o parceiro Sobis.

Buscando gol que tornaria o cenário ainda mais positivo, o Clube do Povo tratou de criar blitz ofensiva tão logo soprou o primeiro apito. Aos três, Kleber cruzou bola que, após desviar na zaga, tomou muita altura e superou a cabeça de Sobis. Inteligente, Tinga infiltrou e, pela direita, a centímetros da pequena área, emendou buscando o camisa 23. No último instante, a defesa conseguiu cortar. Pouco depois, aos nove, D’Ale bateu, da intermediária, falta com venenosa curva. Inicialmente aberta, a bola encontrou, na altura da marca do pênalti, a testa de Sandro, que exigiu defesa em dois tempos do arqueiro rival.

Após breve respiro, o Inter voltou a pressionar na terceira dezena de minutos da partida. Aos 21, Taison, caindo pela direita, foi lançado em profundidade. Salvador, Michel deixou a área para fazer o corte. Pelo mesmo lado, Tinga avançou dois minutos depois. Preciso, o camisa 16 cruzou rasteiro para Sobis, que fez o corta-luz. A bola chegou na medida para o 7, que finalizou colocado para milagre do goleiro.

Novo córner foi cavado pelo Inter aos 25. Da direita, próximo à área, D’Ale cobrou falta perigosíssima, que desviou na barreira antes de fazer vento no travessão. Na sequência do lance, após cobrança do escanteio, Bolívar ficou com a sobra de corte parcial e, como um centroavante, arriscou lindo giro de canhota. A redonda picou ao lado da trave esquerda mexicana, assustando o time visitante e empolgando o Beira-Rio.

Tinga e D’Alessandro pareciam ser, de fato, o melhor caminho para o gol. Aos 37, o argentino avançou pela direita, aplicou o La Boba na marcação e, com espaço, cruzou rasteiro. Por centímetros seu parceiro não completou para as redes, e Magallán, providencial, impediu que a sobra fosse de Sobis. Passados cinco minutos, todavia, tudo mudou.

“Time bom e forte ganha partida, mas um grupo forte ganha campeonatos. O individual vai aparecer quando o coletivo é forte. Já fui premiado com gols, passes, assim como o Giuliano. Hoje, foi a vez do Damião. Isso comprova que o elenco é forte, formado por homens e profissionais.”

Andrezinho

Pedindo licença para o poeta Vinícius de Moraes, é possível afirmar que, assim como o samba, a Libertadores, para ser vivida com beleza, precisa de um bocado de tristeza. Afinal de contas, conquistar a mais desejada copa do continente não é piada. São necessárias, para erguer o principal troféu da América, algumas formas de oração. Praticamente todas puderam ser ouvidas no Beira-Rio quando, a exemplo do que ocorrera em Guadalajara, a instantes do intervalo o Chivas abriu o placar. Quem marcou, em bonito voleio, foi Fabián.

Fundamental para o Colorado nas fases de oitavas, quartas e semis, o gol fora de casa não servia como critério de desempate na decisão da Libertadores de 2010. Assim, o tento marcado pelo Chivas demovia do Inter qualquer vantagem, igualava o placar agregado e conduzia à final para a prorrogação. Ao Clube do Povo, portanto, restava pressionar.

“Mostramos dentro de campo que temos qualidade. Não tem como descrever a sensação; estamos onde todo jogador queria estar.”

Nei

A torcida, é claro, sabia disso. Já enérgico nos primeiros 45 minutos, na etapa final o Beira-Rio se transformou em um verdadeiro caldeirão latino. Completamente trepidante, o Estádio, que vencera as seis jornadas continentais já disputadas em seu território, vibrou, decidido a buscar seu sétimo triunfo, em sincronia aos avanços de cada ídolo. Pobres dos mexicanos, que descobriram, da pior maneira possível, o poderio de nossa casa, endereço dos mais temidos de toda a América.

GIGANTE/Foto: Ricardo Duarte

Taison criou, já no minuto de abertura do segundo tempo, a primeira oportunidade da etapa final. Pelo centro, arrancou em velocidade e chutou forte, de bico, para defesa de Michel, que quase soltou a bola nos pés de Sobis. O camisa 23, inclusive, exigiria nova intervenção do arqueiro, também em dois tempos, aos três de jogo.

Surgia, aos poucos, uma rivalidade, aumentada depois, aos oito, quando o camisa 23 recebeu passe em profundidade de Kleber e tentou driblar o goleiro. Desta vez, o rival se saiu bem, e conseguiu tomar a bola dos pés do ídolo colorado. Felizmente, o Inter precisava de apenas um triunfo de Sobis contra Michel.

Foto: Ricardo Duarte

Eu sou colorado, estou sendo campeão de algo grandioso, e eu passei muita coisa. Fiquei oito meses, nove meses sem jogar por duas cirurgias, e hoje, graças a Deus, meu joelho está bom. Só vou comemorar agora.”

Sobis

A vitória do ídolo, habituado a triunfar em decisões de Libertadores, não custou a chegar. O primeiro atleta colorado a tocar na bola no 16º minuto de partida foi D’Alessandro. Acionado por Bolívar, o camisa 10 colorado prendeu a atenção de dois marcadores, abrindo espaço para infiltração de Guiñazú. Com a bola, El Cholo tentou costurar do centro para a direita, mas, pressionado pelo zagueiro rival, que abandonou a retaguarda, quase teve a posse tomada. Guerreiro, lutou no chão e garantiu a sobra para Taison, que recolocou D’Ale no lance.

Bagunçada, a defesa do Chivas pecou ao oferecer espaço para D’Alessandro. De frente para a área rival, o craque tinha Sobis e Tinga em condições de investir no mano a mano. Preferiu servir o camisa 16, que fez a parede e abriu com Kleber. Pela esquerda, o lateral, anjo da perna canhota, cruzou bola viva. Brigando com a zaga mexicana estavam dois reconhecidos artilheiros continentais. Forte para o autor do gol do título da Libertadores de 2006, a bola chegou na medida para o atacante que calara o Morumbi na decisão de quatro anos atrás.

Rafael Augusto, sobrenome Sobis, apelido campeão, projetou-se na direção da bola e empurrou, com o pé direito, a redonda para as redes. Gol, que o talismã latino comemorou combalido, lesionado do ombro que lhe servira de amortecedor após choque com o goleiro rival. Aos 16 minutos, tudo estava igual no Beira-Rio, mas o Inter na frente do agregado!

O gol embalou o Inter, que por pouco não virou logo aos 24, em chute forte do gênio D’Alessandro. Espalmada por Michel, a bola quase sobrou limpa para Sobis, mas o camisa 23, ainda com dores, não conseguiu dominar o rebote. Na sequência do lance, quem brilhou foi Renan, reconhecido com aplausos da torcida.

“Estava fora da América, e que bom voltar para um clube como o Inter. Este título é para retribuir a confiança”

D’Alessandro

Roth respondeu ao susto mexicano realizando sua segunda troca na partida. Antes, já retirara Taison de campo, colocando Giuliano no lugar. Aos 27, Sobis deixou o gramado. Quem entrou no ataque? Leandro Damião, jovem oriundo das categorias de base, que renovou a tradição cancheira ostentada por aqueles que carregam o DNA do Celeiro de Ases.

O passar de minutos que sucedeu o gol de Sobis obrigou o Chivas a tomar postura ofensiva como ainda não ocorrera no duelo. Maduro o Inter, que fechou os espaços para forçar o erro de um rival igualmente pressionado por vaia do Beira-Rio. Historicamente bem-sucedida no ataque, a soma entre time e torcida também se provou decisiva na defesa. Com fôlego, Damião interceptou passe mexicano e, ainda do campo de defesa, disparou dando belíssimo drible da vaca no último homem adversário.

Com campo livre, o garoto esticou a bola em apenas outros dois toques e, já dentro da área rival, absoluto no lance, saiu de frente com o goleiro. Michel decidiu transformar o duelo em embate de futsal, abafando o arremate com as pernas. Leandro provou que também entendia dos fundamentos do futebol de salão, e finalizou com o bico da chuteira. Forte, o arremate até resvalou no arqueiro, mas não teve sua direção desviada. O destino, é claro, foi a meta mexicana. Gol da virada!

“Essa torcida nos apoiou bastante. Eu tô muito feliz com esse título, meu primeiro título profissional. Há dois anos atrás, eu nunca imaginaria estar aqui.”

Leandro Damião

Foto: Ricardo Duarte

À frente no marcador, tanto da partida quanto no agregado, o Clube do Povo renovou o ânimo não do ataque, e sim da defesa. Na vaga de Tinga, entrou Wilson Mathias. Simultaneamente, o Gigante, doidão, embebedava-se nas alegres lágrimas do povo que mais um título festejava. Reconhecido companheiro de sentimento, Sobis também se provou um parceiro de choro, e do banco de reservas não escondeu a felicidade que sentia. Gaúcho e colorado, colorado e gaúcho, o ídolo logo ficaria ainda mais emocionado.

Com um a mais dentro de campo, consequência da expulsão de Arellano, que com violento carrinho tentou quebrar a perna de D’Alessandro, o Clube do Povo ganhou diversos espaços para explorar. E que erro era ceder lacunas para um time que contava com um camisa 11 como Giuliano. Dono de cinco gols na campanha colorada, até então o atleta já provara, inúmeras vezes, sua vocação imperdoável.

De fato, a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande estava ansiosa naquela quarta-feira de agosto. Após passar a data torcendo pela chegada da noite, a partir dos 40 minutos o povo vermelho começou a anunciar o raiar do dia. A hora, enfim, estava chegando. Antes dela, contudo, brilhou Giuliano. Após receber bom passe de Wilson Mathias, o camisa 11 partiu para cima de dois marcadores, na altura da meia-lua. À hesitação da dupla rival, reagiu com ganchinho maravilhoso. Dentro da área, deu novo toque embaixo da bola, este para superar o goleiro. Chorosa, ela entrou. Gol de campeão! Gol de título! Gol de Libertadores!

“É o Inter cada vez mais e mais grande. Momento especial que todos querem participar, a oportunidade única. Fico sem palavras por participar desta festa de novo. Vamos comemorar!”

Bolívar

O tento de Giuliano saiu aos 44. A confirmação de dois minutos de acréscimos, aos 45, mesmo instante em que Bravo cavou falta na meia-lua da grande área. Cobrada na trave por Bautista, a bola parada reboteou na medida para Araujo descontar. Não havia, porém, tempo para mais nada – nem mesmo para a comemoração mexicana.

Sem sequer permitir o reinício da partida, o árbitro Óscar Ruiz encerrou o duelo e permitiu que fosse cravada nova placa do Inter na mais cobiçada taça do continente. América, de novo, vermelha. Clube do Povo, uma vez mais, campeão da Libertadores. Festa, costumeira, do povo colorado!

A coroa continental completa 13 anos

Felizes somos por ter nossa biografia escrita em vermelho. Rubro tom usado pelos guerreiros antes de uma batalha, a cor se confunde à vida do Inter, legítimo combatente que jamais se permite iniciar um duelo derrotado. Gigante Colorado das glórias, cansou de reverter situações difíceis apostando no apoio da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, que é também a mais obstinada nação de nossas terras. Com esta persistência, por exemplo, conquistamos, no dia 07 de junho de 2007, a Recopa Sul-Americana.


Pré-jogo de mobilização

É fato: o século XXI alimentou nossa determinação em lutar até o último centímetro de grama. Por diversas vezes corremos a ponto de metamorfosear sangue e barro, meião e pele, chuteira e encouraçado da bola.

Cancheiro como poucos, o Clube do Povo encerrou os primeiros 90 minutos da decisão contra o Pachuca em dívida no escore. Havíamos marcado um, pelos pés de Pato, contra dois dos mexicanos, e a virada, portanto, convertia-se em uma indigesta obrigação. Por sorte, o Inter conta com o privilégio de ver sua mística, uma das maiores do continente, crescer ainda mais em partidas eliminatórias.

O gol de Pato/Imagem: SporTV

“Devemos isso à torcida,

que nos ajudou até o final.”

ALEXANDRE PATO, APÓS O JOGO

Sabendo que a soma de campo e cimento nos faz mais fortes, a torcida vermelha adotou postura exemplar já no desembarque do elenco, marcado por recepção calorosa no Aeroporto Salgado Filho. Poucos dias depois, o povo formou, assim que iniciada a comercialização de ingressos, filas quilométricas no pátio do Beira-Rio. Embora considerável, contudo, a multidão, formada pelos milhares que peregrinaram à Padre Cacique em busca de uma entrada, tornou-se pequena quando comparada à presente no Gigante na noite da finalíssima.

Verdadeiro caldeirão, mais apimentado do que qualquer chili mexicano, nosso templo esteve tomado das cadeiras à inferior, embebedado por atmosfera capaz de contagiar o elenco alvirrubro e engolir qualquer obstáculo. Caso conquistada, a taça continental se somaria aos troféus de Mundial e Liberdadores, consagrando a tão desejada Tríplice Coroa colorada.

Escalado por Gallo, o Inter foi a campo com Clemer no gol; Ceará, Índio, Sidnei e Rubens Cardoso na defesa; Edinho, Wellington Monteiro, Alex e Pinga no meio; Iarley e Pato no ataque. Desfalcado de seu capitão, mais do que um 12º jogador o Colorado buscava, nas arquibancadas do Gigante, um sinal de protagonismo, uma demonstração de que, a despeito do tempo em que a desvantagem resistisse no placar, teria a torcida ao seu lado. Conscientes de tamanha responsabilidade, os mais de 51 mil colorados e coloradas presentes no Beira-Rio fizeram questão de, no momento da entrada dos times em campo, liquidar todas as dúvidas.

Após convocar, nome a nome, cada um dos atletas, a multidão comprovou, da melhor maneira possível, que, naquela noite, Clube e Povo seriam campeões. Apitado o início do confronto, um ensurdecedor ‘Vamo, Vamo Inter’ tomou conta da capital gaúcha.


A tensa etapa inicial

Enquanto o Gigante balançava de maneira ininterrupta, as redes custavam a ser estufadas. Não por culpa do Inter, que antes dos 15 minutos já acumulava oportunidades desperdiçadas, e sim do irônico destino, que parecia interceder nos rumos da partida, reservando boas doses de tensão ao Clube do Povo. Como desdobramento, nosso primeiro respiro aliviado chegou apenas aos 29 minutos.

“Só com o sacrifício e com o apoio

é que se consegue conquistar!”

ALEX, NA FESTA DO TÍTULO

Após passar quase um quarto de hora sem conseguir furar a defesa visitante, o Colorado chegou ao ataque em rápida tabela de Iarley e Pato. Lançado pelo jovem, o camisa 10 do Mundial foi derrubado por Pinto. Falta, dentro da área, assinalada pela arbitragem.

Alex converteu pênalti que, ao mesmo tempo em que nos aproximava do título, em nada afugentou o risco de uma escapada rival. Coube, então, ao Gigante, que antes fora atacante, começar a defender, impossibilitando qualquer princípio de troca de passes mexicana.

A canhota de Alex que fez explodir o Beira-Rio/Imagem: SporTV

Uma atuação de Rei para garantir a coroa

Logo na volta do intervalo, Pinga serviu de gasolina ao incendiário Beira-Rio, acendendo não a torcida, já efervescente, mas o clima de carnaval, digno de um título continental conquistado por brasileiro. O meio-campista recebeu grande passe de Wellington Monteiro e, de primeira, finalizou cruzado, com efeito, direto na bocheca da rede mexicana.

Ao Pachuca, não restou alternativa senão abandonar a retranca e tentar encurralar o Inter. Não contavam os mexicanos, no entanto, que pouco mais de 10 minutos após o segundo, chegaria o terceiro. Lançado pela esquerda, Pato provou o quão embalado estava pela arquibancada e, de frente para a marcação, decidiu sambar. Pobre da coluna do adversário que, entortada, viu o Beira-Rio explodir e Alexandre, de frente para a torcida, reger a festa. Golaço da jovem promessa!

Já na reta final da partida, quem decidiu entrar na roda foi Mosquera. Representando toda a América, o zagueiro se curvou à euforia colorada e, ao desviar contra o próprio patrimônio cruzamento vindo de Pinga, salsou à brasileira. Quarto gol vermelho, e jogo encerrado.

Mosquera impediu o gol de Pato, mas não a goleada alvirrubra

“Três títulos importantes,

todos estão de parabéns!

A conquista é o fechamento de 2006!”

Fernandão, depois de levantar a taça

Contínuo ao apito final, teve início uma verdadeira apoteose no gramado do Beira-Rio, com direito a invasão de torcedores que puderam, aos abraços e reverências, festejar com os atletas colorados. O relógio já se aproximava da primeira meia hora do dia 8 quando, ladeado por Fernandão e Clemer, Iarley ergueu a taça continental. Inter, campeão da Recopa e dono não apenas do continente, mas também da Coroa. Tríplice.

É CAMPEÃO!