Um século de Carlitos, o maior goleador da história colorada

Ídolo colorado (D) marcou época no Rolo Compressor

Este poderia ser apenas mais um sábado qualquer. Entretanto, para os colorados, tem um sabor especial. Há cem anos, nascia o nosso maior goleador de todos os tempos. Alberto Zolim Filho, popularmente conhecido como Carlitos, é definitivamente um personagem lendário na história do Clube do Povo, com lugar especial reservado na galeria de maiores ídolos. Nada mais justo para quem marcou quase 500 gols defendendo, por toda vida, uma única camisa – a colorada.

Ícone do Rolo Compressor, Carlitos aterrorizou as defesas adversárias por nada menos que 14 temporadas vestindo vermelho e branco, de 1938 a 1951. Com ele em campo, o Inter alcançou a sua primeira era dourada, dominando completamente o futebol do sul do Brasil e alcançando a supremacia, ainda vigente, no clássico Gre-Nal.

Falecido em 2001, aos 79 anos de idade, Carlitos completaria 100 anos neste sábado (27/11), mas suas histórias ficaram eternizadas nas páginas gloriosas do Clube do Povo.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Criado no bairro Tristeza, na zona sul de Porto Alegre, desde cedo o menino ainda franzino empolgava os moradores da região com seu faro de gol e dribles desconcertantes. Com menos de 17 anos, foi levado para o Inter. Inicialmente, em função da forte linha ofensiva colorada formada por nomes como Sylvio Pirillo, Acácio e Castilhos, seria aproveitado como zagueiro. Porém, após alguns treinamentos, conquistou seu espaço na ponta-esquerda, posição de origem do futuro craque.

Com efeito imediato na equipe, não demorou para ser convocado para a Seleção Gaúcha, ainda no mesmo ano. Feito que revelaria ser uma das maiores honras da sua carreira, assim como poder atuar ao lado de ídolos como Risada, Levi, Motorzinho e Osvaldo Brandão no Clube do Povo. Pouco a pouco, o promissor goleador ia se tornando crucial no time do seu coração.


‘La Mano de Dios’ – Carlitos também marcou um icônico gol com a mão. Ao invés dos ingleses, as vítimas foram os catarinenses, quando o ídolo atuava pela Seleção Gaúcha.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Com forte apoio popular, o Clube do Povo crescia a passos largos nesta época. Jovens como ele vinham da várzea e ligas humildes, como a da Canela Preta, para formar um time que marcaria época na década seguinte. Começava a surgir o mítico Rolo Compressor – e aquele guri da zona sul de Porto Alegre seria fundamental.

Ao lado de Tesourinha, Nena, Adãozinho e outros craques, levou o Inter à hegemonia, ainda vigente, no Gre-Nal e no Gauchão – título que conquistou nada menos que 10 vezes. Se tornou ícone de um time lendário que redefiniu o futebol do Sul do Brasil.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Goleador implacável, tornou-se o maior artilheiro do Inter, do Gre-Nal e do futebol gaúcho em todos os tempos – recordes que perduram até hoje. Entre seus 485 gols, reservou 42 deles somente para o clássico, seu jogo preferido. Frio e calculista, jamais desperdiçou um único pênalti em toda sua carreira.

Não faltavam recursos para o artilheiro. Em um clássico com o Cruzeiro-POA, em 1945, o atacante balançou as redes de forma inusitada, no famoso ‘Gol do Plano Inclinado’, desafiando a física e deixando adversários incrédulos. Na ocasião, quando avançava para finalizar, o ídolo acabou passando da bola e, na fome pelo gol, deu um salto para trás, alinhando seu corpo ao horizonte. Praticamente deitado no ar, Carlitos conseguiu o cabeceio consagrador.

Carlitos e o ‘Gol do Plano Inclinado’, retratado em obra de arte

Por vezes, encarnava o próprio Saci. Especialista na arte de provocar defensores e criar armadilhas para os goleiros, Carlitos aprontava as suas peripécias pelo bosque dos Eucaliptos. Em um clássico, antes de um escanteio ser batido, prendeu o calção do desavisado goleiro gremista Júlio em um prego da trave. Quando o arqueiro saltou na direção da bola, a peça do uniforme não o acompanhou, permanecendo pendurada e rasgada na goleira.


Eterno romântico, dedicou uma vida ao Colorado e jamais trocou de time. Seu amor chegou ao ponto de batizar três filhos com a letra inicial do Inter: Ivan, Iran e Irany, o trio da imagem.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Herói e protagonista de um romance sem fim. Homem que viveu um amor autêntico e correspondido, com aroma de Eucaliptos e sabor de gols. Muitos gols. Eterno Carlitos!

“Aos novos que vestem a camiseta do nosso glorioso clube, gostaria de dizer que façam como os de antigamente: o coração rubro em primeiro lugar, amor à camiseta.”

Carlitos

Vídeo: arte colorada no viaduto da Conceição

Está finalizada a revitalização das pilastras da elevada da Conceição. Ao longo da última semana, o Inter convocou o artista Alan Vieira para grafitar a região com artes que retratam a história dos Eucaliptos, do antigo Beira-Rio e do atual Gigante. O trabalho ainda conta com homenagens aos ídolos Carlitos, Tesourinha e Falcão. Te liga no resultado final!

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A estreia de uma lenda: há 82 anos surgia Carlitos

Há 82 anos iniciava uma das mais belas histórias de amor do futebol gaúcho. Pela primeira vez, a lenda Carlitos entrava em campo pelo Clube do Povo. Simplesmente o maior artilheiro colorado de todos os tempos e, também, do Rio Grande do Sul, fez sua estreia no dia 22 de maio de 1938, iniciando uma saga que marcaria o futebol gaúcho para sempre.

Seria apenas mais um amistoso, caso não fosse a estreia de uma das maiores lendas coloradas. Em partida disputada no Campo da Montanha, onde hoje está o Hospital Militar, no alto da Avenida Cristóvão Colombo, bairro Floresta, o Inter goleou o São José-POA por 4 a 0 – gols de Levi, Sylvio Pirillo e Miguel (2x).

O técnico Abrahão Fernandes Bouças mandou a campo uma equipe com Júlio Petersen; Pércio e Risada; Giordani, Osvaldo Brandão e Levi; Benjamin, Rui Motorzinho, Sylvio Pirillo, Miguel e Castillo. No segundo tempo, ingressaram Plass, Quaixa, Acácio e ele, Carlitos. O jovem porto-alegrense vivia o sonho de estrear pelo time do seu coração.

Com forte apoio popular, o Clube do Povo crescia a passos largos nesta época. Jovens como ele vinham da várzea e ligas humildes, como a da Canela Preta, para formar um time que faria história na década seguinte. Começava a surgir o mítico Rolo Compressor! E aquele guri da zona sul seria decisivo.

Goleador implacável, tornou-se o maior artilheiro do Inter, do Gre-Nal e do futebol gaúcho de todos os tempos – recorde que perdura até hoje. Entre seus 485 gols, reservou 42 deles só para o clássico, seu jogo preferido. Frio e calculista, marcou 101 gols a mais do que o número de jogos que disputou e jamais desperdiçou um único pênalti.

Ao lado de Tesourinha, Nena, Adãozinho e outros craques, levou o Inter à hegemonia, ainda vigente, no Gre-Nal e no Gauchão – título que conquistou nada menos que 10 vezes. Se tornou ícone de um time lendário que redefiniu o futebol do Sul do Brasil: o famoso Rolo Compressor.

Eterno romântico, dedicou uma vida ao Colorado e jamais trocou de time, se mantendo no Clube do Povo do começo ao fim de sua carreira. Seu amor chegou ao ponto de batizar três filhos com a letra inicial do Inter: Ivan, Iran e Irany. Ao mesmo tempo, foi um especialista na arte de provocar defensores e armadilhas para os goleiros adversários.

Herói e protagonista de um romance sem fim. Homem que viveu um amor autêntico e correspondido, com aroma de Eucaliptos e sabor de gol. Muitos gols. Carlitos, o ‘Homem-Goal’, terá seu lugar eternamente marcado na história colorada.