Não se vive um D’Alessandro todos os dias

Há quem diga que o craque é responsável por fazer time jogar e torcida se empolgar. Para outros, é exatamente a massa das arquibancadas quem contagia e dá ritmo aos ataques de seus heróis. Aparentemente condenadas à eterna separação, as figuras de atleta e fã encontraram, no Inter, um argentino denominador comum. Torcedor que joga, jogador que torce, D’Alessandro soube personificar como poucos a essência colorada dentro de campo.

Também pudera; a relação entre Inter e Andrés transcorreu intensa desde seu alvorecer. O primeiro capítulo, como todo bom filme clichê, foi do amor à primeira vista, com direito a encontro na pista de aeroporto. Enérgica, a paixão foi também efêmera, e logo evoluiu para sentimento muito mais intenso, alicerçado na cintilância dos dourados sorrisos que decoram o rosto de um campeão.

O par viveu momentos de instabilidade, é fato, mas nada que uma visita emocionada de um à casa do outro não resolvesse. Houve também espaço para a saudade, igualmente superada com nova reafirmação do casamento, matrimônio que sempre provou sua força quando necessário. Quem de nós nunca correu os olhos na direção do camisa 10 à espera de uma dose de magia como resposta para a frieza da pessimista objetividade de resultados negativos? D’Ale sempre esteve lá. E assim continuará.

Passados 12 anos, ídolo e Colorado já se encontram condenados à perpétua metamorfose de camisa e pele, que impossibilita qualquer separação. Fisicamente a distância pode até existir, mas os laços entre Clube e craque superam qualquer porém. No Clube que pertence ao Povo, D’Alessandro deixa de viver os gramados, mas segue vivo e atuante na história.

A partir de hoje, Andrés não veste vermelho, e isso dói. Mas D’Ale estará sempre situado no número 891 da Padre Cacique. Cada assistência de meia canhoto passará pela anuência da mais argentina de nossas divindades. Toda cobrança de falta contará com o empurrão do pé que inaugurou as redes de nossa reformada casa. Drible nenhum será dado sem evocar a estonteante La Boba, e festa alguma ocorrerá sem a regência do legítimo maestro do Gigante.

Com o tempo, as lágrimas que hoje nos correm tristes servirão de elixir para festejos tão alegres quanto todos que já vivemos com El Cabezón. Depois de mais de uma década dividindo um irmão de sentimento com o campo, o povo colorado enfim poderá afirmar que Andrés é seu. Só seu. E aqui, conosco, ele será eterno. Pois não se vive um D’Alessandro todos os dias. Cabe a nós, portanto, perpetuá-lo em nossa doutrina.

D’Ale Para Sempre: documentário sobre ídolo colorado

Não é fácil se despedir de um dos maiores jogadores da história centenária de um clube, da mesma forma, não é simples contar como foram mais de 12 anos de idolatria, amor e conquistas. D’Ale Para Sempre será um documentário que mostrará imagens únicas e exclusivas de um camisa 10 que ficará eternizado na memória e no coração de todos os colorados.

Da sua chegada em julho de 2008, passando pela conquista inédita da Sul-Americana, o bicampeonato da Libertadores da América, o título da Recopa Sul-Americana, os diversos Campeonatos Gaúchos, o homem Gre-Nal, o gol histórico da reinauguração do Beira-Rio, o dia do Fico, a primeira despedida, o retorno, os recordes individuais até chegar em dezembro de 2020, a despedida.

Vídeos, entrevistas, fotos. Uma história contada pelo seu protagonista. Andrés Nicolás D’Alessandro abre o seu coração, a sua casa e deixa um legado incalculável. Argentino, canhoto, camisa 10, que representou dentro e fora de campo milhares de pessoas. Que se tornou brasileiro, com filho gaúcho e cidadão de Porto Alegre. Um gigante das causas sociais, um exemplo para todos que acreditam num mundo melhor.

Dia 10 de janeiro (não há número melhor para isso), exclusivo nos canais oficias do Inter, um documentário que deixará registrado todos esses anos de paixão, de um matrimônio, de algo que ficará para a eternidade: D’Ale Para Sempre.

Foi pra ti, D10s: com direito a gol no minuto 10 e pintura nos minutos finais, Inter derrota Palmeiras na despedida de D’Alessandro

Colorado algum esperava por este dia, mas ele transcorreu à altura de seu protagonista. Na despedida de D’Alessandro, o Inter marcou seu primeiro gol no minuto 10, o segundo em pintura armada ao gosto de Cabezón, e derrotou o Palmeiras, no Beira-Rio, por 2 a 0. Edenilson e Yuri Alberto marcaram no triunfo integrante da 26ª rodada, que alça o Clube do Povo ao G4. Obrigado por absolutamente cada segundo que vivemos juntos, D10s. Você é único.

+ Confira as aspas no pós-jogo

+ Assista aos Bastidores da partida

O resultado alça o Inter à quarta colocação do Brasileiro, com 44 pontos. No próximo domingo (27/12), às 16h, o Clube do Povo visita o Bahia, em Salvador, para a disputa de partida da 27ª rodada do torneio.


Primeiro tempo impecável

Coeso, cascudo, encaixado e competitivo. Assim o Internacional disputou o primeiro tempo do duelo contra o Palmeiras, marcado por grande exibição do Clube do Povo. Cientes da velocidade que somavam pelas pontas, ocupadas por Caio e Patrick, os comandados de Abel Braga não hesitaram em explorar as diagonais de cada um para incomodar a zaga rival.

Exatamente a partir de um facão de Caio surgiu o escanteio que originou o único gol dos primeiros 45 minutos. Da esquerda, Moisés cruzou, Dourado escorou, Weverton salvou mas, no rebote, Edenilson não perdoou. No dia da despedida de D’Alessandro, um dos maiores camisas 10 da história alvirrubra, o Colorado assumia, aos 10 minutos, a vantagem no escore!

O Palmeiras nada criou após o tento colorado. Tentou, é verdade, mas esbarrou em excelente atuação do meio de campo colorado. Em frente aos quatro defensores, soberano como de costume, esteve Dourado, acompanhado de quarteto formado por Caio, na direita, Edenilson, Praxedes e Patrick, esquerda. Ao Clube do Povo, faltaram, especialmente a partir da segunda metade do tempo, bons contra-ataques, muito pela excelente contribuição defensiva que ofereceu Thiago Galhardo.


Quem não faz…

As duas equipes retornaram com mudanças no segundo tempo, que seguiu bastante truncado em seus movimentos iniciais. A inércia no desenrolar da partida motivou Abel Ferreira a conduzir três trocas na casa dos 15 minutos, novidades que valeram ao Palmeiras seu melhor momento no jogo.

O instante, porém, não foi devidamente aproveitado pelos visitantes que, de tanto se lançarem ao ataque, ofereceram espaços na defesa. Edenilson os percebeu e, emulando D’Alessandro, serviu Yuri, que também em homenagem ao ídolo esbanjou qualidade para, em lindo toque de cobertura, anotar o segundo.

Pouco depois do tento de Yuri, o momento chegou. D’Alessandro, lenda colorada, foi alçado a campo pelo técnico Abel Braga na casa dos 41 minutos. Participativo como sempre, o ídolo alvirrubro disputou até a última das bolas. Encerrado o duelo, Andrés foi devidamente celebrado por seus companheiros, assistiu a um belíssimo vídeo produzido em sua homenagem e, em lágrimas, deixou, pela última vez, o campo do Beira-Rio. O povo vermelho te ama, Cabezón. Gracias por todo!


Melhores momentos – primeiro tempo

8min – NADA? Caio Vidal invade a área palmeirense e, no momento de engatar o arremate, o jovem é desarmado por Marcos Rocha. Lateral usou da sola para desarmar, mas, por hora, a arbitragem assinala apenas impedimento.

10min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL DO INTERNACIONAL! É DO CLUBE DO POVO! DA ACADEMIA DO POVO! DO COLORADO ALEGRIA DOS NOSSOS CORAÇÕES! ED, ED, ED, EDENILSON! Moisés cobra escanteio açucarado pelo lado esquerdo. Na primeira trave, Dourado desvia consciente e exige milagre raro de Weverton. No rebote, porém, não houve chance para defesa: Edenilson completou direto para as redes abertas. Inter na frente. Na despedida de D’Ale, o gol sai aos 10!

16min – Defende, Weverton! Patrick costura pela esquerda e cruza na segunda trave. Caio Vidal sobe mais do que Viña e cabeceia no meio do gol, exigindo segura intervenção do goleiro rival.

23min – Uh! Moledão faz fila a partir da linha central e estica com Heitor pela direita. O lateral, da quina da grande área, suspende na segunda trave, açucarada para o testaço de Galhardo. Por pouco, por cima!

24min – Caio Vidal é amarelado por falta em Gustavo Gómez.

24min – Willian acerta um cotovelaço em Moledo. Cartão amarelo apresentado.

26min – Abriram a caixa de ferramentas no gramado do Beira-Rio. Gabriel Menino acerta uma tesoura em Praxedes e recebe o amarelo.

27min – UH! Caio Vidal deixa Viña comendo poeira, vai ao fundo e cruza. Gustavo Gómez corta de qualquer maneira. Inter tem escanteio!

33min – Patrick! Lucas Lima invade a área colorada pela direita, engatilha o chute mas, quando estava de frente para Lomba, sofreu o corte por baixo.

45min – Vamos a 48. Mais três minutos!

48min – Fim de papo. Etapa inicial de vitória colorada!


Segundo tempo

0min – Inter retorna com mudança. Entra Yuri Alberto, sai Praxedes. No Palmeiras, a novidade é Breno Lopes, substituto de Raphael Veiga.

7min – SAAAAALVA, WEVERTON! Caio Vidal aciona Galhardo, que invade a área palmeirense pela direita e, com força, solta o canhão. Goleiro palmeirense espalma em escanteio, mas arbitragem paralisa lance por – duvidoso – impedimento de Thiagol na origem do lance.

12min – Viña recebe na intermediária de ataque e solta a bomba de canhota. Por cima do gol de Lomba, que tem tiro de meta para cobrar.

13min – Tripla troca no Palmeiras. Zé Rafael, Mayke e Gabriel Veron entram, Danilo, Marcos Rocha e Viña saem.

14min – UH! Galhardo leva a melhor em dividida com a zaga adversária. Pela esquerda, o camisa 17 recupera, parte em disparada e cruza rasteiro, de canhota. Weverton deixa o gol e, providencialmente, encaixa assistência que chegaria açucarada até Caio.

17min – ESCANTEEEEEIO! Galhardo tenta uma bicicleta, a zaga corta e Edenilson, ligado, fica com a sobra. O camisa 8 cruza duas vezes, a segunda com endereço, na medida para testaço de Thiagol. Espirrada na defesa, ela sai tirando tinta da meta alviverde. Corner alvirrubro!

21min – Mayke invade a área colorada e, pela direita, cruza rasteiro. Cuesta corta de carrinho, ela explode no travessão e sai em escanteio.

24min – Duas novas trocas no Clube do Povo. Marcos Guilherme entra, Caio Vidal sai. Galhardo deixa o campo (e recebe amarelo), Lindoso vem. Patrick volta para a ponta-esquerda, Lindoso passa a atuar alinhado com Dourado e Marcos assume o corredor direito.

30min – Após confusão na grande área colorada, Willian pega a sobra na ponta-direita e finaliza. Forte demais, ela sai em tiro de meta para o Clube do Povo.

31min – No Palmeiras, Lucas Lima deixa o campo. Entra Gabriel Silva.

36min – Amarelo para Rodrigo Moledo.

37min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! É GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! YURI, YURI, YURI! QUE JOGADA, QUE GOLAÇO! Do campo de defesa, Edenilson lança Yuri, que dispara do campo de defesa, toma a frente de Gómez e, cara a cara com Weverton, toca por cobertura. Weverton, batido, apenas assiste à genialidade digna de quem convive com D’Alessandro.

41min – Chegou a hora que colorado algum esperava vivenciar. D’Alessandro, pela última vez em sua carreira, vem a campo com a camisa do Clube do Povo. Sai Patrick.

41min – Também entrou Lucas Ribeiro. O sacado foi Rodrigo Dourado.

45min – Partida vai até os 50.

50min – Este apito jamais deveria chegar, mas ele chegou. Acaba o jogo, o Inter vence e D’Alessandro, único, se despede.


Ficha técnica:

Internacional (2): Marcelo Lomba; Heitor, Rodrigo Moledo, Victor Cuesta e Moisés; Rodrigo Dourado (Lucas Ribeiro), Edenilson, Caio Vidal (Marcos Guilherme), Bruno Praxedes (Yuri Alberto) e Patrick (Andrés D’Alessandro); Thiago Galhardo (Rodrigo Lindoso). Técnico: Abel Braga.

Palmeiras (0): Weverton; Marcos Rocha (Mayke), Luan, Gustavo Gómez e Matías Viña (Gabriel Veron); Danilo (Zé Rafael), Gabriel Menino, Lucas Limas (Gabriel Silva), Raphael Veiga (Breno Lopes) e Gustavo Scarpa; Willian. Técnico: Abel Ferreira.

Gols: Edenilson, aos 10 minutos do primeiro tempo, e Yuri Alberto, aos 37 miutos do segundo tempo (I).

Cartões amarelos: Caio Vidal, Rodrigo Moledo e Thiago Galhardo (I). Willian e Gabriel Menino (P).

Arbitragem: Sávio Pereira Sampaio (DF), auxiliado por Daniel Henrique da Silva Andrade (DF) e José Reinaldo Nascimento Júnior (DF). Quarto árbitro: Daniel Nobre Bins (RS). Árbitro de Vídeo (VAR): Wágner Reway. Auxiliares do VAR: Mariélson Alves da Silva (BA) e Ciro Chaban Junqueira (DF).

Estádio: Beira-Rio, Porto Alegre (RS).

D’Alessandro recebe homenagem pelos 500 jogos

Ídolo colorado e dono de diversas marcas históricas com a camisa do Inter, Andrés Nicolás D’Alessandro recebeu mais uma grande homenagem. O jogador completou 500 jogos vestindo vermelho e branco, alcançando uma marcar singular na história centenária do Clube e foi homenageado pelo feito. O camisa 10 recebeu das mãos do presidente Marcelo Medeiros uma placa e um quadro com uma camisa especial.

D’Alessandro é o terceiro jogador da história colorada em número de partidas. Apenas Valdomiro e Bibiano Pontes têm mais jogos que o argentino. Há 12 anos no Clube, são várias conquistas no currículo do capitão: Copa Libertadores da América, Copa Sul-Americana, Recopa Sul-Americana, Campeonatos Gaúchos, Recopa Gaúcha, entre outras.

“Queremos voltar da maneira que paramos”, fala D’Ale sobre a preparação especial

Dando continuidade a conteúdos especiais neste momento que vivemos, a comunicação de futebol do Clube organizou, nesta quarta-feira (10/06), uma entrevista coletiva com o meio-campista D’Alessandro. Repórteres do Brasil e também da Argentina enviaram perguntas por vídeo para o camisa 10 colorado.

Entre as indagações, o capitão da equipe respondeu sobre o momento atual do futebol gaúcho e brasileiro, projetou a retomada das partidas para o futuro e destacou os cuidados que cada pessoa deve ter. Além disso, o ídolo colorado se emocionou a falar sobre seu futuro como atleta. Assista!

D’Alessandro completa 20 anos de carreira

À época, Américo Rubén Gallego não devia imaginar, mas, ao alçar o jovem Andrés Nicolás D’Alessandro a campo na partida contra o Unión Santa Fé, válida pelo campeonato argentino, o então técnico do River Plate escreveu seu nome em uma das mais ricas e vitoriosas narrativas já vistas no esporte sul-americano. Disputado há exatos 20 anos, o duelo foi o primeiro da carreira profissional de D’Ale.

“Eu precisava do Inter,

e o Inter apareceu!”

D’Alessandro sobre a chegada ao clube do povo

Já tricampeão nacional e somando importantes exibições nos gramados latino-americanos, o ídolo partiu, em 2003, rumo ao velho continente, onde atuou com as cores de Wolfsburg-ALE, Portsmouth-ING e Zaragoza-ESP. Ao mesmo tempo, D’Ale acumulou exibições pela Seleção de seu país, inclusive conquistando a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atenas, disputadas na temporada seguinte à de sua negociação com o futebol europeu.

D’Ale retornou da Península Ibérica, por breve semestre, em 2008, emprestado ao San Lorenzo. Vestindo azulgrana atraiu a atenção do Inter, iniciando negociação que encontrou seu final feliz já no último dia de julho, quando o craque desembarcou na capital gaúcha e deu início a sua história no Clube do Povo. Casamento inaugurado, inclusive, na hora certa, como define o próprio ídolo. “Eu precisava do Inter, e o Inter apareceu!”

No Beira-Rio o craque virou lenda, que a cada quarta e domingo enriquece, pela afinada canhota, sua mística temida por adversários e reverenciada por colorados e coloradas. Aqui, tornou-se o argentino com mais partidas disputadas em Libertadores e viveu quase 12 de seus 20 anos de carreira, todos repletos de magia, La Boba, assistências, golaços, emoções e, principalmente, títulos.

Andrés Nicolás D’Alessandro

Campeão de Libertadores, Sul-Americana, Recopa e Suruga pelo Clube do Povo, após o treino desta quinta-feira (28/05) o atleta, que ainda soma seis taças Estaduais e duas da Recopa Gaúcha, concedeu entrevista especial para o Canal do Inter. Orgulhoso por completar duas décadas de carreira profissional, D’Ale aproveitou a ocasião para eleger os três momentos mais marcantes de sua vitoriosa biografia, destacar o protagonismo exercido pelo Colorado em seu currículo, comemorar mais um feito relevante que alcança enquanto atleta e comentar o atual momento que vive como jogador. Confira a íntegra na abertura da matéria. Parabéns, capitão!

Jogador que torcer, torcedor que joga, eternizado em nossa história

No dia em que o ídolo completa 39 anos, saiba mais sobre as primeiras temporadas da carreira de D’Alessandro

Hoje, o Inter está em festa. É dia de uma divindade colorada, amada por tudo que construiu com nossa camisa, dona de posto no mais prestigiado degrau do panteão alvirrubro. Nesta quarta-feira (15/04), completa 39 anos Andrés Nicolás D’Alessandro. Um jogador que torce, e um torcedor que joga. Craque nas duas funções. Passional como todo apaixonado pelo Clube do Povo, genial como apenas sua ‘boba’ canhota permite ser.

Unanimemente consagrado pela Maior e Melhor Torcida do Rio Grande como um dos maiores da mais do que centenária biografia do Internacional, pela primeira vez em sua vida D’Alessandro soma mais anos como atleta profissional do que em qualquer outra etapa de sua história. Das 39 primaveras que ostenta, 20 foram respiradas como jogador. As outras 19, verdade seja dita, também tiveram a bola como protagonista, afinal, ‘El Cabezón’ sempre foi um apaixonado pelo esporte. Dificilmente, contudo, possa ter imaginado, na infância ou adolescência, que sua contribuição para o futebol chegaria na proporção da atualidade. D’Ale exibe currículo raro, vitorioso desde sua alvorada, que também merece grande reconhecimento. Saiba mais sobre os primeiros anos de carreira de Andrés Nicolás D’Alessandro!


Os primeiros anos como profissional

Foi no River Plate que D’Alessandro surgiu para o futebol. Sua estreia aconteceu em 28 de maio de 2000, aos 19 anos, durante partida dos Millonarios contra o Unión Santa Fé. À época, a equipe, treinada por Américo Rubén Gallego, passava por uma transformação após as saídas de atletas importantes como Sorín e Astrada, e do antigo técnico, Ramón Díaz. A reformulação deu espaço para jovens, como D’Ale, e foi consagrada com o título do Clausura argentino de 2000.

Na temporada seguinte, a presença de D’Alessandro nos gramados argentinos se tornou cada vez mais frequente, em especial a partir do segundo semestre, com a disputa do Apertura, quando Ramón Díaz, campeão da América na casamata millonária em 1996, retornou ao River Plate. Titular absoluto com o novo comandante, o, à época, camisa 11 passou a somar cada vez mais assistências, marcou seus primeiros gols, o inaugural anotado contra o Estudiantes, e conquistou de vez o encanto dos hermanos com a genialidade de seu La Boba. Insinuante, não tardou a ocupar posição de destaque no time Millonario, que encerrou o torneio na segunda colocação, a apenas um ponto do campeão Racing.

Frustrante, o resultado serviu de motivação no Clausura, campeonato que abriu o ano de 2002 e foi vencido pelos alvirrubros com o protagonismo de ‘El Cabezón’. A partida que garantiu o título, inclusive, serve como prova irrefutável da magnificência das exibições de D’Ale. Disputada contra o Argentinos Jrs. e encerrada com vitória, de virada, por 5 a 1, a jornada, penúltima do certame, teve três de seus cinco tentos construídos pela perna canhota do atual craque colorado. A consequência de tanto brilho? A camisa 10, envergada a partir do Apertura seguinte, encerrado na terceira colocação.

O primeiro semestre de 2003 foi, também, o último de D’Alessandro no River Plate. Cobiçado por gigantes europeus, o ídolo aumentava o interesse de equipes do velho continente a cada quarta ou domingo de exibição, fosse em partidas do Clausura ou disputando a Libertadores. No torneio continental, inclusive, marcou seus quatro primeiro gols. Influente no elenco, D’Ale ainda começou a dar as primeiras mostras do líder que se tornaria, usando a faixa de capitão em algumas partidas. Sua aptidão para perturbar torcidas rivais foi igualmente ampliada, ao fazer de vítima a Bombonera, templo que silenciou com uma de suas tantas obras primas. Assim, sob a batuta de Manuel Pellegrini, encerrou o ano eliminado nas quartas da América, e campeão da Argentina. Com mais esta faixa, despontava pronto para ir à Europa.


Brilho na seleção

A primeira grande taça conquistada por D’Ale com as cores de seu país foi o Mundial Sub-20, vencido em 2001. Jogando em casa, os hermanos estiveram arrasadores no certame, graças à extremamente promissora geração de nomes como Javier Saviola, Maxi Rodríguez, Leonardo Ponzio e, é claro, ‘El Cabezón’, que teve o alto nível de suas exibições recompensado com o prêmio de segundo melhor jogador do torneio.

Logo na estreia, nossos vizinhos justificaram o favoritismo que lhes vinha sendo dado com uma vitória tranquila sobre a Finlândia, por 2 a 0, construída a partir dos golaços de Maxi Rodríguez e D’Alessandro. Aos 20 anos de idade, o meio-campista do River Plate balançou as redes após receber grande passe de Saviola, na entrada da área, pela esquerda, e soltar bomba indefensável. No torneio, D’Ale usou a camisa 15, mesmo número que empunharia durante sua primeira temporada no Clube do Povo.

Os hermanos encerraram a fase de grupos com duas goleadas. Na segunda partida, contra o Egito, o escore foi fechado com um sonoro 7 a 1, sucedido por massacre sobre os jamaicanos, desta vez por 5 a 1. Contra os caribenhos, D’Alessandro deu show, oferecendo assistência milimétrica para o primeiro gol, sofrendo o pênalti do quinto e, ainda, criando as jogadas dos segundo e terceiro tentos.

Nas oitavas de final, contra a China, a vaga foi conquistada através de sofrido triunfo por 2 a 1, com o gol da vitória saindo apenas a dez minutos do fim. Já nas quartas, diante da França, outra equipe tida como favorita, o placar de 3 a 1 transpareceu falsa tranquilidade, uma vez que até os 37 da segunda etapa a vantagem hermana seguia mínima. Foi somente a partir das semifinais que a campanha deixou de ser dramática, análoga a um tango, para se tornar leve e festiva como uma Cumbia – comandada pelo ritmo da canhota de D’Alessandro.

Nas semifinais, ‘El Cabezón’ esteve sublime. Participou da jogada do primeiro gol, repetiu o protagonismo no segundo tento, anotou o quarto, um dos mais bonitos da história das Copas, e ainda deu início ao lance do quinto, desfilando seu tradicional ‘La Boba’. Despachado o Paraguai, através de triunfo por 5 a 0, era chegada a grande final, a ser disputada contra a seleção de Gana, que nas semifinais eliminara o Brasil.

Realizada no dia 8 de junho de 2001, a decisão foi acompanhada por mais de 30 mil pessoas, que lotaram as arquibancadas do estádio José Amalfitani incendiando a equipe da casa e intimidando os adversários africanos. Ofensiva desde o primeiro minuto, a Argentina abriu o placar logo aos seis, em cabeceio de Diego Colotto, completando falta que fora sofrida por D’Ale. Menos de dez minutos depois, ‘El Cabezón’ cruzou na medida para Saviola ampliar. Já na etapa final, aos 28, D’Alessandro exibiu visão de jogo que o acompanha até os dias de hoje, deixando Maxi Rodríguez na cara do gol para dar números finais à partida. Argentina 3 a 0, e o tetracampeonato mundial da categoria estava garantido, muito graças à canhota abençoada de seu camisa 15.

Três anos depois de colocar a primeira faixa no peito, o segundo título chegou. Praticamente um mês após o vice da Copa América, a Argentina se sagrou campeã das Olimpíadas de Atenas no dia 28 de agosto de 2004. Os hermanos abriram a fase de grupos com vitória maiúscula, por 6 a 0, sobre a seleção de Sérvia. Titular, D’Alessandro deu assistência para o segundo gol. Na rodada seguinte, contra a Tunísia, novo triunfo, desta vez por 2 a 0, encaminhou a classificação para as eliminatórias, que foi confirmada após 1 a 0 sobre a Áustria, partida que teve ‘El Cabezón’ como goleador solitário.

Nas quartas de final, os comandados de Marcelo Bielsa não deram chance à Costa Rica, vencendo por 4 a 0. Novo passeio nas semis,este diante da seleção italiana e orquestrado por Tévez, D’Alessandro, Lucho González e Mariano González, garantiu aos hermanos triunfo por 3 a 0 sobre a Azzurra. Por fim, na decisão, a Seleção Argentina superou o Paraguai pelo placar mínimo, gol de Tévez.


A transferência para a Alemanha

Somando 22 anos, D’Alesandro foi negociado com o Wolfsburg no segundo semestre de 2003. Chegou aos alemães credenciado pelo recente título do Clausura argentino, e assumiu a titularidade logo de cara. Ao todo, D’Ale passou três temporadas na Alemanha, tendo disputado mais de 70 jogos pelo clube.

Em território germânico, o argentino enfrentou grandes esquadrões, adaptou-se a um estilo de jogo mais truncado e de grande aposta na composição física dos atletas e, ainda, fez história, construindo algumas das melhores campanhas da equipe na elite alemã até então. Individualmente, também incorporou a sua trajetória golaços inesquecíveis, como comprova o compilado abaixo, publica pelo Wolfsburg em suas redes sociais:

Progatonismo na Inglaterra

Após três anos vestindo a camisa alviverde do Wolfsburg, D’Alessandro foi emprestado para o Portsmouth no início de 2006. Brigando para não cair, a equipe britânica tratou de encorpar o elenco para a disputa do segundo turno da Premier League, e percebeu na canhota do argentino recurso capaz de afastar qualquer fantasma do descenso. O casamento deu certo e, presente em quase todas as partidas da reta final do torneio – em muitas vestindo a camisa 4, acredite se quiser -, D’Ale foi fundamental para a permanência do ‘Pompey’ na elite inglesa, feito alcançado com uma rodada de antecedência, fora de casa.

Na Inglaterra, D’Ale seguiu internacionalizando a La Boba, drible capaz, inclusive, de ajudá-lo a marcar uma pintura contra o Charlton, equipe que contava com o zagueiro uruguaio Gonzalo Sorondo. Também na terra da rainha, Andrés atestou sua qualidade diante de grandes adversários, como o Arsenal, de Henry e companhia, que por culpa de uma assistência de El Cabezón cedeu empate prejudicial na corrida pelo título, conquistado pelo Chelsea.

Hermanos espanhóis

Destacadas, suas atenções despertaram o interesse do Zaragoza. Formando um grande elenco, os espanhóis apostaram em valores argentinos para fazer bonito na La Liga de 2006. Desta forma, ao lado de D’Ale, que atuou em 36 das 38 rodadas do torneio, estiveram nomes como Diego e Gabriel Milito, Pablo Aimar, Leonardo Ponzio e Roberto Ayala, todos fundamentais na construção de histórica campanha, encerrada com a sexta colocação na tabela e vaga na Copa da Uefa. Apoteótico, o maestro, que voltava a vestir a 10, foi então comprado pelos espanhóis, onde passaria mais uma temporada.

Individualmente, pelo time espanhol o craque viveu, ainda em seus primeiros meses, curiosa coincidência com a história colorada. No dia 12 de novembro de 2006, pouco mais de um mês antes de o Clube do Povo enfrentar o Barcelona na decisão do Mundial de Clubes, D’Alessandro duelou contra os catalães em partida da 10ª rodada do Campeonato Nacional. É verdade que o final nada teve de feliz para o Zaragoza, derrotado por 3 a 1 após show de Ronaldinho, mas a equipe chegou a sentir o gosto do triunfo quando, aos 17 minutos, Gabriel Milito inaugurou o escore, após cobrança de escanteio vinda da esquerda. O responsável pela assistência? D’Alessandro, que, com a 10 às costas, oferecia ao destino sugestão de caminho para ser seguido pelo Inter, algumas dezenas de dias depois, em Yokohama.

O retorno à Argentina

Ano em que chegou ao Inter, o 2008 de D’Alessandro esteve marcado, no primeiro semestre, por passagem pelo San Lorenzo, equipe que defendeu na Libertadores. Completando cem anos de história na ocasião, os Cuervos investiram alto na compra de parte do passe de Andrés, esperando colher frutos em data tão especial. Toda a expectativa, verdade seja dita, foi recompensada nas oitavas de final do torneio continental, quando a cria millonaria teve de encarar seu ex-time.

Após vitória por 2 a 1 no jogo de ida, o San Lorenzo se viu, transcorridos 15 minutos da segunda etapa, com dois a menos em campo e derrotado, parcialmente, por 2 a 0. A eliminação parecia inevitável para todos, menos aos visitantes que, embora encarando um Monumental de Núñez lotado e o poderio ofensivo dos Millonários treinados por Diego Simeone e estrelados por Falcão Garcia e Loco Abreu, buscaram o empate. E o fizeram maestrados pela canhota de D’Ale, que serviu Bergessio, autor dos dois tentos, no momento deste anotar o segundo. Na fase seguinte, para a tristeza de Cabezón, uma infeliz eliminação para a futura campeã LDU, nos pênaltis, abreviou o sonho da taça, inédita tanto para craque, quanto instituição.

Mal sabia D’Ale, contudo, que poucos meses depois, ao tomar como morada a mais meridional capital brasileira, começaria a colocar a Améria sob seus pés. De craque e ídolo, o argentino passava a trilhar, a passos largos, roteiro rumo à eternidade alvirrubra. Narrativa, esta, iniciada em 31 de junho de 2008, quando tocou o solo do Salgado Filho e ouviu, no lugar do intenso zunido das turbinas de aeronaves, som ainda mais estrondoso, proferido pela torcida colorada que, a plenos pulmões, alternava do ‘Vamo, Inter!’ ao Dale, D’Alessandro!