D’Ale Para Sempre – documentário inédito

Não é fácil se despedir de um dos maiores jogadores da história centenária de um clube, da mesma forma, não é simples contar como foram mais de 12 anos de idolatria, amor e conquistas. D’Ale Para Sempre é um documentário que mostra imagens únicas e exclusivas de um camisa 10 que ficou eternizado na memória e no coração de todos os colorados.

Da sua chegada em julho de 2008, passando pela conquista inédita da Sul-Americana, o bicampeonato da Libertadores da América, o título da Recopa Sul-Americana, os diversos Campeonatos Gaúchos, o homem Gre-Nal, o gol histórico da reinauguração do Beira-Rio, o dia do Fico, a primeira despedida, o retorno, os recordes individuais até chegar em dezembro de 2020, a despedida.

Vídeos, entrevistas, fotos. Uma história contada pelo seu protagonista. Andrés Nicolás D’Alessandro abre o seu coração, a sua casa e deixa um legado incalculável. Argentino, canhoto, camisa 10, que representou dentro e fora de campo milhares de pessoas. Que se tornou brasileiro, com filho gaúcho e cidadão de Porto Alegre. Um gigante das causas sociais, um exemplo para todos que acreditam num mundo melhor.

Um documentário que deixa registrado todos esses anos de paixão, de um matrimônio, de algo que ficará para a eternidade: D’Ale Para Sempre.

Os números de D’Alessandro

Incapazes de retratar com máxima fidedignidade o significado que D’Alessandro exerce junto ao povo vermelho, os números não deixam de ser aliados importantes na ingrata tentativa de resumir o gigantismo do gringo na biografia alvirrubra. Único pela simbiótica relação que construiu com o Inter, Andrés já seria fato raro se desconsiderássemos o sentimento. Afinal, os feitos atingidos pelo buenairense também justificam porquê Andrés é tratado como D10S nas bandas da Padre Cacique.

Terceiro jogador que mais vezes vestiu a camisa colorada na história, D’Alessandro levantou 13 taças ao longo das 517 partidas que disputou pelo Clube do Povo. Protagonista em absolutamente todas as conquistas, o argentino levou apenas quatro meses para erguer seu primeiro troféu como atleta do Inter. Iniciada com a Sul-Americana, a lista de títulos logo ganhou os acréscimos de Gauchão, torneio que venceria sete vezes, Recopa Gaúcha, duas, Copa Suruga, Recopa Sul-Americana e, é claro, Copa Libertadores.

O brilho de D’Alessandro não rendeu apenas feitos coletivos, como também individuais ao atleta. Rei da América no ano de 2010, o gringo também foi escolhido para a Seleção do continente no ano de 2008. Terceiro melhor jogador do Mundial de 2010, Andrés ainda recebeu, ao fim da temporada 2013, o Prêmio EFE, entregue ao melhor estrangeiro do Brasileirão.

Último camisa 10 genuinamente latino, D’Alessandro sempre foi um tipo raro no futebol mundial. Sanguíneo e libertador, o ídolo carrega gene exclusivo aos mais letais armadores. Capaz de transformar centímetro em latifúndio, segundo em eternidade, El Cabezón tem no terror das retaguardas rivais o nutriente perfeito para afinar seus movimentos, todos meticulosamente planejados para gerar ganho ao Clube do Povo.

Dono de 113 assistências com a camisa colorada, número que constrói média superior a uma a cada cinco jogos, o hermano maestro do Beira-Rio também sabe reger palcos hostis, independente de torneio ou perna utilizada. Confira os números de seus passes para gol:

Assistências
Total113
Mandante86
Visitante25
Campo neutro2
Brasileirão59
Gauchão27
Copa do Brasil13
Libertadores10
Sul-Americana3
Mundial1
Bola rolando82
Bola parada31 (16 faltas/15 escanteios)
Perna canhota101
Perna direita12
Fora da área98
Dentro da área15

Vértice superior em losango de meio-campistas, ponta-direita no 4-2-3-1, armador em esquemas com três zagueiros, integrante de tripé formado por meias, ponta de cima de triângulo construtor e segundo atacante. Estas são apenas algumas das posições que D’Ale já ocupou ao longo de sua trajetória no Beira-Rio. Polivalente como todo craque, respondeu às muitas variações com a regularidade de sempre.

Habituado ao terço final do campo, o argentino jamais abriu mão da letalidade que o acompanha. Ao todo, El Cabezón marcou 95 gols com a camisa colorada. Os tentos, que revelam a facilidade de Andrés para pisar na área adversária, foram, cada um deles, comemorados a reverências pelo povo alvirrubro. Relembre os detalhes de cada um:

Gols
Total95
Mandante69
Visitante22
Campo neutro4
Brasileirão45
Gauchão26
Copa do Brasil9
Libertadores7
Amistosos3
Sul-Americana2
Mundial1
Copa Audi1
Florida Cup1
Bola parada49 (35 pênaltis/14 faltas)
Bola rolando46
Perna canhota80
Perna direita15
Dentro da área66
Fora da área29

Homem Gre-Nal

São muitos os fatores que justificam a consagração de um jogador em ídolo. Para virar divindade, então, o atleta precisa exibir caminhada praticamente impecável com as cores de sua equipe. Quanto maior a instituição, mais elevado o sarrafo de exigências impostas ao craque. Ocupar degrau de prestígio no panteão alvirrubro, portanto, é uma missão praticamente impossível. Exigente, a tarefa foi completada com excelência por El Cabezón.

Apaixonado pelo Internacional, D’Alessandro virou eufemismo no Beira-Rio, nome dado àqueles que personificam a essência do coloradismo, característica comprovada na simpatia de Andrés por brilhar em grandes confrontos. No maior clássico do país, então, o camisa 10 virou carrasco como poucos na história, acima de qualquer outro no século. Conheças as principais vítimas de D10S:

GolsAdversário
9Grêmio
5Atlético-MG
4América-MG, Vitória e Náutico
3Avaí, Santa Cruz-PE, Caxias, Pelotas, São Luiz e Ulbra/Canoas
2Sport, Athletico Paranaense, Santos, Vasco, Peñarol, Chivas, Juventude, Palmeiras
1Botafogo, Novo Hamburgo, Once Caldas, Cerâmica, São Paulo, Santa Cruz-RS, Esportivo, Fluminense, Salgueiro, Goiás, Corinthians, Ponte Preta, Veranópolis, Seongnam, Jorge Wilstermann, Milan, Cruzeiro, Cruzeiro-POA, Metropolitano, Flamengo, Figueirense, Criciúma, Coritiba, The Strongest, Universidad de Chile, Ypiranga, Tigres, Bayer, Sampaio Correa, Londrina, ABC, São José-POA, Cianorte, Universidad Católica e Bahia
AssistênciasRival
7Grêmio
5Juventude
4Pelotas, Flamengo, América-MG, Palmeiras, Guarani e Cruzeiro
3Atlético-MG, Fluminense, Figueirense, Paysandu, São José-POA, Botafogo, Caxias, Náutico, Vasco e Corinthians
2Goiás, Brasil de Pelotas, Londrina, Princesa de Solimões, Emelec, Vitória, Criciúma, Bahia, Veranópolis, Once Caldas, Universidade/Canoas, Deportivo Quito e Boca Juniors
1Tolima-COL, Nacional-URU, Aimoré, Sport, Boavista-RJ, Novo Hamburgo, Sampaio Corrêa, Joinville, Atlético-PR, Santos, Cuiabá, Cruzeiro-POA, Ponte Preta, Esportivo, Avaí, Seongnam, São Paulo, Ceará, Universidad de Chile, Sapucaiense e União Rondonópolis

Parceiro de craques

A cada 10 colorados e coloradas questionados, 11 escalam D’Alessandro na seleção dos maiores craques da história do Clube do Povo. Presente em muitas das melhores gerações que já defenderam o Inter, Andrés evoca alegres nostalgias na memória coletiva da torcida vermelha, a qual prontamente revisita, instigada pelas lembranças de seu craque, inúmeras formações campeãs de estado e continente.

Como lembrar da chegada do gringo ao Gigante sem falar de Bolívar, Magrão, Guiñazú, Nilmar e Alex? De que forma poderíamos esquecer figuras como Índio, Andrezinho, Taison, Alecsandro, Sobis e Damião quando discorrendo sobre a Libertadores de 2010? Os anos últimos do craque pelo Inter se confundem ao entrosamento que atingiu ao lado de Guerrero, Patrick e Edenilson, enquanto sua representatividade para o futebol sul-americano é validada nas dobradinhas estrangeiras que estabeleceu junto dos selecionáveis Aránguiz, Nico e Forlán.

Em linhas gerais, foram muitos os garçons que serviram D’Alessandro ao longo dos anos que Cabezón passou no Beira-Rio. Relembre os números de cada um:

Garçom
4Oscar
3Damião e Sobis
2Jorge Henrique, Patrick e Rafael Moura
1Andrezinho, Zé Roberto, Alex, Guiñazú, Taison, Kleber, Alecsandro, Fred, Caio, Airton, Fabrício, Forlán, Alan Patrick, Sasha, Uendel, Edenilson, Pottker e Camilo

Por fim, ainda mais variados são os companheiros assistidos por D’Alessandro. De Damião a Magrão, a nominata contempla mais de 50 nomes. Conheça todos:

Companheiro
9Damião
8Alex
7Nico López
6Forlán
5Guerrero e Alecsandro
4Índio
3Valdívia, Nilmar, Aránguiz, Fabrício, Rafael Moura, Kleber e Bolívar
2Edenilson, Moledo, Cuesta, Brenner, Otávio, Oscar, Tinga, Bolatti, Edu e Taison
1Lindoso, Sarrafiore, Dourado, Iago, Patrick, Pottker, Klaus, Fabinho, Roberson, Vitinho, Nilton, Sasha, Taiberson, Paulão, Cláudio Winck, Jackson, Juan, Scoco, Maurides, Fred, Willians, Caio, Sobis, Glaydson, Giuliano, Andrezinho, Marcelo Cordeiro e Magrão

#DAleParaSempre: confira tudo que vivemos após o último apito deste sábado

Anote na agenda: o sábado 19 de dezembro de 2020 jamais será esquecido por todos que vivem e reverenciam a gigante história do Sport Club Internacional. Quando já se encaminhava para ser encerrada, a data teve o privilégio de receber a última partida de Andrés Nicolás D’Alessandro com a camisa colorada, disputada contra o Palmeiras e encerrada com vitória de 2 a 0 do Clube do Povo.

Assim que encerrado o duelo, El Cabezón foi prontamente saudado por seus companheiros de grupo, que após os devidos cumprimentos trataram de alçar o jogador às alturas. O festejo, inicialmente embalado pelo eterno grito de “Dale, D’Alessandro”, logo contou com vídeo especial formado por agradecimentos de ex-companheiros e amigos do argentino, grupo seleto que com suas palavras simbolizou os milhões de obrigados que foram ditos nesta noite por colorados e coloradas.

Encerrado o vídeo, D’Alessandro discursou no centro do campo. O ídolo tratou de comemorar a importante vitória conquistada neste sábado, agradecer seus atuais companheiros, destacar o papel ocupado pelas demais lideranças do grupo e elogiar Abel Braga, técnico que, desde 2014, também é amigo pessoal do gringo.

Jogador que torce, torcedor que joga, na saída de campo D’Ale viveu novo momento especial. Abraçado em sua esposa, Erica, e nos filhos Martina, Gonzalo e Santio, o camisa 10 atravessou um corredor formado pelos colegas de elenco, que mais uma vez aplaudiram um dos maiores craques do futebol sul-americano.

Antes de cruzar pela última vez o túnel dos vestiários do Gigante, D’Alessandro também recebeu uma faixa confeccionada em sua homenagem. O trapo eterniza Andrés em seu melhor estilo: sorridente e eufórico, carregando um bumbo nos braços, regendo a festa do povo que tantas fezes fez tremer as arquibancadas do Beira-Rio,

O relógio indicava 23h53 quando D’Ale desceu do campo, as derradeiras luzes do Beira-Rio foram apagadas e o último tango do gênio, infelizmente, findado. Equivocaram-se, porém, aqueles que julgaram como final o ponto escrito no gramado.

Na sala de coletivas do Beira-Rio, D10s concedeu entrevista para a imprensa e, com suas falas, voltou a trazer lágrimas para nossas faces. Confira as principais aspas de Andrés:

“Fico feliz pela entrega do time, pelo jogo que fez o grupo. Pessoalmente, sentimento de gratidão, agradecimento, por tudo que têm demonstrado os jogadores e funcionários do Clube nos últimos dias. Vai ser difícil quando cair a ficha. É uma situação de tristeza muito grande mas, quando olho para trás, uma felicidade muito grande também.”

D’Ale, sobre a partida

“Para a torcida, a palavra é de gratidão. Pelo apoio, pois me aguentaram em momentos que extrapolei, que cobrei e fui cobrado. É uma relação de empatia. Se poderia falar alguma coisa para o torcedor, é pedir desculpas. Gostaria de ter entregado mais. Sempre tentamos fazer o melhor, mas fica um gostinho porque não me conformo, não sou conformista.”

Humilde como os gigantes

“O Beira-Rio foi a minha casa por 12 anos. Tive o privilégio e a sorte de conhecer o antigo, vivi essa época e a época do novo Beira-Rio. Épocas totalmente diferentes. Gostaria que muitos jovens que estão hoje e que tiveram a chance de aparecer nas suas carreiras no novo, tivessem conhecido o antigo para poder ver como a gente se puxava, para conhecer os valores que a gente tinha lá atrás, quando tinha muito menos do que tem hoje.

A nostalgia dos tempos de chegada

“Sobre o legado, eu volto a repetir, o futebol é um esporte coletivo. O que eu conquistei, foi porque fui parte de grupos vencedores, com companheiros vitoriosos, que me ajudaram muito. Hoje eu saio com 13 títulos e com o carinho do torcedor, que para mim é importantíssimo, mas isso não quero deixar como legado. Isso é uma consequência do trabalho, do profissionalismo, que são o verdadeiro legado.”

O legado deixado por D10s

“Quero que meus companheiros me lembrem como uma pessoa do bem, maluco em alguns momentos, louco, chato, mas esse é o jeito de fazer as coisas andarem. Aprendi assim e irei até o último dia assim.”

Uma vez capitão, sempre capitão

Já vivíamos o infeliz domingo 20 de dezembro, dia um sem Andrés, quando o Clube aqueceu o coração de seu povo. No lugar das lágrimas, veio a ansiedade, pois no próximo 10 de janeiro, a única data possível, o Inter publicará, em seus canais oficiais, documentário especial sobre a trajetória do gigante D’Alessandro no Beira-Rio.

Clique aqui para saber mais sobre o documentário D’Ale para sempre

Embora tenha sido D’Alessandro o dono dos holofotes, o gringo não foi o único a falar depois do jogo. Alexandre Chaves Barcellos, segundo vice-presidente de Futebol, Abel Braga, técnico colorado, e Yuri Alberto, autor de pintura na noite deste sábado, também falaram ao público após o triunfo diante do Palmeiras. O assunto, é claro, foi a despedida de Cabezón. Confira as aspas:

“É muito, muito raro um jogador, durante 12 anos, conquistar a torcida, ter o respeito de todos, em um país que não é o dele. Ele foi muito bem recebido aqui no Inter, e soube retribuir todo esse carinho. Ele sabe o quanto admiro o lado profissional dele, o grande jogador que é e, acima de tudo, o grande caráter. Neste momento histórico, me sinto orgulhoso de ter participado mais uma vez.”

Abel Braga

“Essa noite teve uma simbologia muito especial para todos nós colorados. Agradecer por tudo que o D’Alessandro fez ao Internacional, são 12 anos de uma dedicação, de uma entrega, de uma liderança como eu nunca tinha visto de um atleta em relação a um clube. Acho que é algo que vai ser muito difícil que possamos repetir, provavelmente até mesmo na história do futebol brasileiro.”

Alexandre Chaves Barcellos

“Tenho pouco tempo de Clube,

mas aprendi muito

com ele”

Yuri Alberto