Gurias se despedem do Brasileirão A1

Fotos: DVG/CBF

As Gurias Coloradas disputaram a partida de volta das semifinais do Brasileirão A1 na manhã deste domingo (05/09), no Allianz Parque, diante do Palmeiras. Superadas por 1 a 0 na ida, as atletas do Clube do Povo saíram em desvantagem em São Paulo, chegaram ao gol de empate, mas, após expulsão aos 17 do segundo tempo, sucumbiram pelo placar de 4 a 1.

Com o resultado, as Gurias encerram a melhor campanha da história do Rio Grande do Sul no Brasileirão Feminino. Semifinalista de maneira inédita, o Clube do Povo garantiu vaga na Supercopa do Brasil, que será disputada pela primeira vez na próxima temporada. O retorno aos gramados, porém, ocorre muito antes. No dia 19 de setembro, o Inter estreia no Gauchão de 2021!


Duro golpe no começo

Os primeiros cinco minutos de jogo apresentaram roteiro promissor para as Gurias, que encaixavam uma agressiva pressão no campo ofensivo, capaz de causar desconforto à saída de bola palestrina. Assim que armou um escape, porém, o time da casa abriu o placar. Aos seis, Bianchi lançou Chú, que tirou o zero do escore em duro golpe para as pretensões coloradas.

O jogo correu com domínio rival até os 30 minutos, quando Djeni recolocou o Inter na partida. Da altura da meia-lua, a camisa oito cobrou falta com enorme violência, e só não empatou devido à milagre de Jully. Logo depois, quem assustou foi Ximena, também parada pela goleira, importante para garantir a manutenção da vantagem paulista até o intervalo.


Gurias lutam, mas vaga escapa

As Gurias retornaram melhores do vestiário. A partir das entradas de Fabi Simões e Mileninha, o Clube do Povo recuperou o protagonismo do jogo e voltou a martelar o Palmeiras. O bom momento era merecedor do empate, que chegou aos 15, quando Milena recebeu lindo passe de Shashá e finalizou sem problemas na saída de Jully.

O gol foi um divisor de águas no roteiro da partida. Infelizmente, não como a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande esperava. Logo depois do tento, Sorriso precisou impedir que Chú invadisse a área em velocidade, e recebeu o vermelho por isso. Em desvantagem, as Gurias não abdicaram de jogar, mas passaram a oferecer mais espaços, devidamente aproveitados pelo Palmeiras, que marcaria mais três antes do apito final.


Primeiro tempo

0min – UUUUUUH! Leidi escapa pelo corredor direito e cruza aberto. Wendy, entre as zagueiras, desvia tentando encobrir Jully, mas a goleira encaixa.

6min – Chú é lançada na direita da grande área colorada e, em velocidade, finaliza na saída de Vivi. Palmeiras na frente.

18min – Palmeiras escapa pela ponta direita. Calderan levanta na segunda trave para Carol Baiana, que desvia de cabeça. A bola explode nas costas de Leidi e retorna para a área, onde Bianchi tenta o arremate, mas é travada por Sorriso.

27min – Isa leva o amarelo por falta no campo ofensivo.

31min – UUUUUUUUUUH! Djeni, na meia-lua da área adversária, cobra falta com enorme veneno. A bola desvia em Leidi e toma o endereço do ângulo, mas Jully voa para espalmar.

33min – Encaixa, Jully! Ximena fica com a sobra de bate-rebate na área palestrina e emenda de primeira. Goleira rival defende sem rebote.

36min – MILAAAAAAAAGRE! Maria Alves recebe na direita da área colorada, corta a marcação e finaliza rasteiro, de canhota. Vivi espalma.

45min – Mais dois. Vamos a 47!

47min – Intervalo no Allianz.


Segundo tempo

0min – Gurias retornam com mudanças. Fabi entra, Mari sai, Mileninha vem, Ximena vai.

3min – QUAAAAAASE! Shashá percebe Fabi com espaço pela direita, a camisa sete vai ao fundo e cruza rasteiro. Antes de Mileninha, Jully defende.

5min – UH! Wendy cruza da direita. Na segunda trave, Mileninha cabeceia na direção do contrapé de Jully, mas a goleira defende.

10min – ENCAIXA, JULLY! Mileninha escapa, agora pela esquerda, e invade a área rival em velocidade. Com a canhota, a cria finaliza forte para boa defesa da goleira.

11min – PRESSÃO! Mileninha recebe de Shashá, muito bem servida por Isa. Atacante tenta o cruzamento, mas é bloqueada pela zaga. Escanteio!

15min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! É GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! É GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! É DAS GURIIIIIIIIIIIIIIAS! É DAS COLORAAADAS! MILENINHA! MILENINHA! MILENINHA! MILENIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIINHA! Palmeiras sai mal do campo de defesa e a bola sobra com Shashá, que percebe Mileninha com enorme liberdade nas costas da zaga. Atacante colorada, cara a cara com Jully, finaliza sem chance de defesa para a goleira. Tudo igual no Allianz!

16min – Muda o Palmeiras: Rafa Andrade por Camilinha.

17min – Sorriso expulsa por falta em Chú.

18min – Amarelo para Carol Baiana.

23min – Maria Alves recoloca o time da casa em vantagem.

29min – Thessa por Ari. Troca o Clube do Povo!

30min – Carol Baiana serve Chú, que amplia.

31min – Shashá deixa o campo com dores. Vem Duda Flores.

34min – Ottilia é a novidade no time de Belli. Chú deixa o campo.

37min – Katrine, de pênalti, marca o quarto.

39min – Dandara e Tainara entram, Duda Santos e Julia Bianchi saem.

43min – Maranhão entra para fazer sua estreia como profissional. Wendy deixa o campo.

45min – Mais cinco. Vamos a 50!

50min – Fim de jogo no Allianz.


Ficha técnica:

Palmeiras (4): Jully; Bruna Calderan, Agustina, Thaís e Camilinha (Rafa Andrade); Julia Bianchi (Tainara), Duda Santos (Dandara) e Katrine; Chú (Ottilia), Carol Baiana e Maria Alves. Técnico: Ricardo Belli.

Internacional (1): Vivi; Leidi, Bruna Benites, Sorriso e Ari (Thessa); Mari Pires (Mileninha), Djeni, Isa Haas e Shashá (Duda Flores); Ximena (Fabi Simões) e Wendy (Maranhão). Técnico: Maurício Salgado.

Gols: Chú, aos 6’/1ºT e 30’/2ºT, Maria Alves, aos 23’/2ºT, e Katrine, aos 37’/2ºT (P). Mileninha, aos 15’/2ºT (I).

Cartões amarelos: Isa Haas (I). Carol Baiana (P).

Cartão vermelho: Sorriso (I).

Arbitragem: Charly Wendy Deretti, auxiliada por Gizeli Casaril e Deise Genoefa Bellaver. Quarta árbitra: Adeli Mara Monteiro. VAR: Rodrigo Dalonso Ferreira.

Estádio: Allianz Parque-SP.

Não se vive um D’Alessandro todos os dias

Há quem diga que o craque é responsável por fazer time jogar e torcida se empolgar. Para outros, é exatamente a massa das arquibancadas quem contagia e dá ritmo aos ataques de seus heróis. Aparentemente condenadas à eterna separação, as figuras de atleta e fã encontraram, no Inter, um argentino denominador comum. Torcedor que joga, jogador que torce, D’Alessandro soube personificar como poucos a essência colorada dentro de campo.

Também pudera; a relação entre Inter e Andrés transcorreu intensa desde seu alvorecer. O primeiro capítulo, como todo bom filme clichê, foi do amor à primeira vista, com direito a encontro na pista de aeroporto. Enérgica, a paixão foi também efêmera, e logo evoluiu para sentimento muito mais intenso, alicerçado na cintilância dos dourados sorrisos que decoram o rosto de um campeão.

O par viveu momentos de instabilidade, é fato, mas nada que uma visita emocionada de um à casa do outro não resolvesse. Houve também espaço para a saudade, igualmente superada com nova reafirmação do casamento, matrimônio que sempre provou sua força quando necessário. Quem de nós nunca correu os olhos na direção do camisa 10 à espera de uma dose de magia como resposta para a frieza da pessimista objetividade de resultados negativos? D’Ale sempre esteve lá. E assim continuará.

Passados 12 anos, ídolo e Colorado já se encontram condenados à perpétua metamorfose de camisa e pele, que impossibilita qualquer separação. Fisicamente a distância pode até existir, mas os laços entre Clube e craque superam qualquer porém. No Clube que pertence ao Povo, D’Alessandro deixa de viver os gramados, mas segue vivo e atuante na história.

A partir de hoje, Andrés não veste vermelho, e isso dói. Mas D’Ale estará sempre situado no número 891 da Padre Cacique. Cada assistência de meia canhoto passará pela anuência da mais argentina de nossas divindades. Toda cobrança de falta contará com o empurrão do pé que inaugurou as redes de nossa reformada casa. Drible nenhum será dado sem evocar a estonteante La Boba, e festa alguma ocorrerá sem a regência do legítimo maestro do Gigante.

Com o tempo, as lágrimas que hoje nos correm tristes servirão de elixir para festejos tão alegres quanto todos que já vivemos com El Cabezón. Depois de mais de uma década dividindo um irmão de sentimento com o campo, o povo colorado enfim poderá afirmar que Andrés é seu. Só seu. E aqui, conosco, ele será eterno. Pois não se vive um D’Alessandro todos os dias. Cabe a nós, portanto, perpetuá-lo em nossa doutrina.

#DAleParaSempre: confira tudo que vivemos após o último apito deste sábado

Anote na agenda: o sábado 19 de dezembro de 2020 jamais será esquecido por todos que vivem e reverenciam a gigante história do Sport Club Internacional. Quando já se encaminhava para ser encerrada, a data teve o privilégio de receber a última partida de Andrés Nicolás D’Alessandro com a camisa colorada, disputada contra o Palmeiras e encerrada com vitória de 2 a 0 do Clube do Povo.

Assim que encerrado o duelo, El Cabezón foi prontamente saudado por seus companheiros de grupo, que após os devidos cumprimentos trataram de alçar o jogador às alturas. O festejo, inicialmente embalado pelo eterno grito de “Dale, D’Alessandro”, logo contou com vídeo especial formado por agradecimentos de ex-companheiros e amigos do argentino, grupo seleto que com suas palavras simbolizou os milhões de obrigados que foram ditos nesta noite por colorados e coloradas.

Encerrado o vídeo, D’Alessandro discursou no centro do campo. O ídolo tratou de comemorar a importante vitória conquistada neste sábado, agradecer seus atuais companheiros, destacar o papel ocupado pelas demais lideranças do grupo e elogiar Abel Braga, técnico que, desde 2014, também é amigo pessoal do gringo.

Jogador que torce, torcedor que joga, na saída de campo D’Ale viveu novo momento especial. Abraçado em sua esposa, Erica, e nos filhos Martina, Gonzalo e Santio, o camisa 10 atravessou um corredor formado pelos colegas de elenco, que mais uma vez aplaudiram um dos maiores craques do futebol sul-americano.

Antes de cruzar pela última vez o túnel dos vestiários do Gigante, D’Alessandro também recebeu uma faixa confeccionada em sua homenagem. O trapo eterniza Andrés em seu melhor estilo: sorridente e eufórico, carregando um bumbo nos braços, regendo a festa do povo que tantas fezes fez tremer as arquibancadas do Beira-Rio,

O relógio indicava 23h53 quando D’Ale desceu do campo, as derradeiras luzes do Beira-Rio foram apagadas e o último tango do gênio, infelizmente, findado. Equivocaram-se, porém, aqueles que julgaram como final o ponto escrito no gramado.

Na sala de coletivas do Beira-Rio, D10s concedeu entrevista para a imprensa e, com suas falas, voltou a trazer lágrimas para nossas faces. Confira as principais aspas de Andrés:

“Fico feliz pela entrega do time, pelo jogo que fez o grupo. Pessoalmente, sentimento de gratidão, agradecimento, por tudo que têm demonstrado os jogadores e funcionários do Clube nos últimos dias. Vai ser difícil quando cair a ficha. É uma situação de tristeza muito grande mas, quando olho para trás, uma felicidade muito grande também.”

D’Ale, sobre a partida

“Para a torcida, a palavra é de gratidão. Pelo apoio, pois me aguentaram em momentos que extrapolei, que cobrei e fui cobrado. É uma relação de empatia. Se poderia falar alguma coisa para o torcedor, é pedir desculpas. Gostaria de ter entregado mais. Sempre tentamos fazer o melhor, mas fica um gostinho porque não me conformo, não sou conformista.”

Humilde como os gigantes

“O Beira-Rio foi a minha casa por 12 anos. Tive o privilégio e a sorte de conhecer o antigo, vivi essa época e a época do novo Beira-Rio. Épocas totalmente diferentes. Gostaria que muitos jovens que estão hoje e que tiveram a chance de aparecer nas suas carreiras no novo, tivessem conhecido o antigo para poder ver como a gente se puxava, para conhecer os valores que a gente tinha lá atrás, quando tinha muito menos do que tem hoje.

A nostalgia dos tempos de chegada

“Sobre o legado, eu volto a repetir, o futebol é um esporte coletivo. O que eu conquistei, foi porque fui parte de grupos vencedores, com companheiros vitoriosos, que me ajudaram muito. Hoje eu saio com 13 títulos e com o carinho do torcedor, que para mim é importantíssimo, mas isso não quero deixar como legado. Isso é uma consequência do trabalho, do profissionalismo, que são o verdadeiro legado.”

O legado deixado por D10s

“Quero que meus companheiros me lembrem como uma pessoa do bem, maluco em alguns momentos, louco, chato, mas esse é o jeito de fazer as coisas andarem. Aprendi assim e irei até o último dia assim.”

Uma vez capitão, sempre capitão

Já vivíamos o infeliz domingo 20 de dezembro, dia um sem Andrés, quando o Clube aqueceu o coração de seu povo. No lugar das lágrimas, veio a ansiedade, pois no próximo 10 de janeiro, a única data possível, o Inter publicará, em seus canais oficiais, documentário especial sobre a trajetória do gigante D’Alessandro no Beira-Rio.

Clique aqui para saber mais sobre o documentário D’Ale para sempre

Embora tenha sido D’Alessandro o dono dos holofotes, o gringo não foi o único a falar depois do jogo. Alexandre Chaves Barcellos, segundo vice-presidente de Futebol, Abel Braga, técnico colorado, e Yuri Alberto, autor de pintura na noite deste sábado, também falaram ao público após o triunfo diante do Palmeiras. O assunto, é claro, foi a despedida de Cabezón. Confira as aspas:

“É muito, muito raro um jogador, durante 12 anos, conquistar a torcida, ter o respeito de todos, em um país que não é o dele. Ele foi muito bem recebido aqui no Inter, e soube retribuir todo esse carinho. Ele sabe o quanto admiro o lado profissional dele, o grande jogador que é e, acima de tudo, o grande caráter. Neste momento histórico, me sinto orgulhoso de ter participado mais uma vez.”

Abel Braga

“Essa noite teve uma simbologia muito especial para todos nós colorados. Agradecer por tudo que o D’Alessandro fez ao Internacional, são 12 anos de uma dedicação, de uma entrega, de uma liderança como eu nunca tinha visto de um atleta em relação a um clube. Acho que é algo que vai ser muito difícil que possamos repetir, provavelmente até mesmo na história do futebol brasileiro.”

Alexandre Chaves Barcellos

“Tenho pouco tempo de Clube,

mas aprendi muito

com ele”

Yuri Alberto

Fotos: Inter 2×0 Palmeiras – Brasileirão/26ª rodada

Colorado recebeu o Palmeiras no Gigante