Vídeo: arte colorada no viaduto da Conceição

Está finalizada a revitalização das pilastras da elevada da Conceição. Ao longo da última semana, o Inter convocou o artista Alan Vieira para grafitar a região com artes que retratam a história dos Eucaliptos, do antigo Beira-Rio e do atual Gigante. O trabalho ainda conta com homenagens aos ídolos Carlitos, Tesourinha e Falcão. Te liga no resultado final!

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Estivemos, estamos e estaremos contigo. Seja sócio, seja sócia!

A união está em nossa gênese. Não é por acaso que nascemos ‘Internacional’, acolhendo pessoas de diferentes lugares. Construímos esse clube juntos, de tijolo em tijolo – literalmente. Mesmo longe do grande eixo, nos tornamos gigantes. E isso é fruto de muita paixão e mobilização.

Não faltam capítulos que comprovam isso em nossa história. A conturbada década de 1920 afetou a todos, e o Inter não escapou disso, quase fechando as portas quando teve que deixar a antiga Chácara. Mas clube e torcida juntaram forças e batalharam por uma casa própria. Foram colocados à venda 500 títulos de um banco da cidade para financiar as obras, vendidos rapidamente junto aos colorados, dois anos antes do prazo.

Assim nasceu o lendário Estádios dos Eucaliptos. Inaugurado em 1931, serviu de palco para o mítico Rolo Compressor, o sucessor Rolinho, e uma implacável senda de vitórias. Naquele gramado, brilharam craques como Tesourinha, Carlitos, Salvador, Nena, Bodinho e o Inter virou, de uma vez por todas, o Clube do Povo.

Com o tempo, ele ficou pequeno para nossas ambições. Então, onde existia nada, fizemos tudo. Das águas do Guaíba erguemos, juntos, o maior templo colorado. De todo canto, eram trazidos materiais que sustentam a estrutura do Gigante até hoje. O período de construção do Estádio foi marcado por muita mobilização da torcida, seja pelas Campanhas do Tijolo e do Cimento, ou de maneira voluntária.

Não demorou muito para brilharmos nele. Logo no ano de sua inauguração, 1969, iniciamos a sequência do até hoje inigualado octacampeonato gaúcho. Nos anos seguintes, o Colorado faria história com um time que dominou o Brasil nos anos 1970, se tornando tricampeão nacional.

Mais tarde, na virada do século, os clubes brasileiros tentavam se reinventar após a criação da Lei Pelé. Foi então que uma pioneira campanha de sócios elevou o Clube a outro nível, de estrutura e investimento. Apoiado no maior quadro social do país, que passou a marca de 100 mil membros no ano de centenário, o Clube do Povo voltou a revolucionar o futebol brasileiro.

O resultado da mobilização colorada foi visto por América e Mundo. Lado a lado, time e torcida conquistaram praticamente todos os títulos possíveis internacionalmente. Uma época dourada que só se tornou realidade graças ao engajamento e mobilização dos sócios.

No momento atual, vivemos um desafio diferente. Encarar um adversário invisível, de impacto profundo na vida de todos. Mas, mesmo de longe, podemos fazer a diferença mais uma vez. Estivemos, estamos e estaremos contigo, Colorado!

Seja sócio, seja sócia.

No dia do aniversário do Beira-Rio, relembre a história das primeiras casas coloradas

Casa do povo colorado, o Beira-Rio completa, nesta segunda-feira (06/04), 51 anos. Endereço dos mais tradicionais do futebol sul-americano, serve de morada ao Internacional desde que o Clube tinha 60 anos. Palco de conquistas históricas, viu o Colorado se sagrar, entre outros feitos, tricampeão brasileiro e bicampeão da América. Antes de sua inauguração, contudo, o Inter já estava nacionalmente consagrado e devidamente profissionalizado, muito graças a outros templos que lhe serviram de residência. Relembre, agora, a história das primeiras casas alvirrubras!

O berço

Nosso primeiro campo foi o nostálgico Ground da Rua Arlindo, localizado na Ilhota, região marginal, habitada por negros e operários. Zona popular e carnavalesca. Berço de muitos anônimos, e também de Tesourinha e Lupicínio Rodrigues. Atualmente, a região equivale ao terreno que se estende da Praça Garibaldi até a Avenida Ipiranga, passando pelas Avenidas General Lima e Silva e Getúlio Vargas.

A Ilhota, nos arredores da Rua Arlindo

De sua parte, o campo pode ser rememorado no terreno vizinho ao Hospital de Porto Alegre, onde hoje se encontra a Praça Sport Club Internacional. Sobre o relvado, verdade seja dita, os grandes embates ali sediados foram disputados pelos próprios moradores da região. Constantemente alagado, recebeu apenas treinos, mas nunca jogos do Inter. Assim, foram os habitantes locais que, afastados das principais ligas da capital, protagonizaram naquele enlameado gramado campeonatos de altíssimo nível, hoje reduzidos ao pejorativo nome de Liga da Canela Preta.

Visão aérea do ‘Ground’

A brevidade da Ilhota em nossa história, contudo, não torna a região parte de um capítulo insignificante na biografia do Inter. Mais do que uma lembrança já centenária, a região segue viva no imaginário de nossa torcida, que jamais esquecerá do endereço que serviu de boêmio e operário berço colorado.

Palco dos primeiros prélios

O Campo da Várzea foi o primeiro a receber nossas partidas. Localizado em frente ao Colégio Militar, no Parque da Redenção, sediou nossa primeira vitória, diante de mais de mil pessoas. Era 10 de outubro de 1909, e nossa torcida já mostrava que era quem melhor entendia de torcer, mesmo que os contemporâneos não gostassem. Ou não entendessem.

Imagem aérea do Campo da Várzea

Na Várzea, uma vez mais ocupamos região popular. Desta vez, a Colônia Africana, formada por ex-escravizados que viam naquela zona bucólica uma chance de constituir comunidade, de começar uma vida que sempre lhes fora privada. A esperança recaia justamente sobre o futebol, um ambiente até então restrito à aristocracia da capital. Em 1912, entretanto, fomos obrigados a deixar este endereço tão entusiasta. Ficava evidente que o Inter precisava ter uma casa – se não comprada, ao menos alugada, mas não mais emprestada.

A Chácara dos Eucaliptos

Foi na Azenha, de frente para a José de Alencar, que levantamos nossa primeira taça, o Campeonato Metropolitano de 1913. Durante os 18 anos que por lá vivemos, também conquistamos, pela primeira vez, o Rio Grande, em 1927. Mais populares do que nunca, ali ainda recebemos nosso primeiro jogador negro, Dirceu Alves.

Afirmado como um clube vencedor, consolidado e prestigiado, o Colorado alugava o terreno de um Asilo local. O passar dos anos, todavia, tornou intensos os desentedimentos entre Inter e proprietários, levando o Clube a alimentar o sonho de possuir uma casa própria. Até que Ildo Meneghetti não se contentou com a simples fantasia.

Da Chácara, nosso eterno patrono levou o Clube, seu povo e algumas mudas de Eucaliptos para a Rua Silveiro. Não sabia na época, mas este grande passo estava também nos elevando de um patamar estadual para o posto de protagonista nacional – e anfitrião mundial.

O Estádio dos Eucaliptos

A estrutura que formava o Estádio dos Eucaliptos

A maioridade. Símbolo de uma vida autogovernada, independente, conquistada a partir da casa própria. Utopia de quase todos jovens adultos e adolescentes, compartilhada pelo Inter nos idos anos 20, e que virou realidade, graças à ajuda de nossa torcida, em 1931. Multidão vermelha, que ainda hoje pode ser escutada por ouvidos mais atentos que circulam entre as Ruas Silveiro, Dona Augusta, Barão do Cerro Largo e Barão do Guaíba.

Em um primeiro momento, como não poderia deixar de ser, quem pela região caminha afirma ouvir o espocar de foguetes no ar. Provavelmente sejam os fogos estourados pelo Departamento de Cooperação e Propaganda (DCP), projetado por Vicente Rao, no momento da entrada dos times em campo, fazendo a festa no apoio ao Clube do Povo.

Torcida colorada nos Eucaliptos

Conforme o pedestre avança na direção da zona sul, consegue compartilhar a tensão que antecedia cada um dos milagres de Ivo Winck e Milton Vergara, ou os precisos desarmes de Nena, Alfeu, Oreco e Florindo. Todos estes, é claro, acompanhados dos inconfundíveis e indecifráveis bravejos de Charuto, apoiando o seu Colorado até o último dos apitos, mesmo que ele venha depois do último gole.

Na sequência, o ar fica rarefeito, como se milhares prendessem a respiração subitamente, esperando pela assistência genial de Salvador, Odorico, Assis, Ávila e Abigail. Logo depois, a charanga sobe o som, ditando o ritmo da dança que Tesourinha, Russinho e Luizinho impunham aos infelizes adversários antes de, em um toque de mágica, lançarem Bodinho, Carlitos e Larry.

Povo colorado, sempre com o Inter, tomando as arquibancadas do antigo estádio

O trio domina no mesmo momento que a rua chega ao fim. Curiosamente, neste instante ela treme. Ruge. Explode. É gol do Inter, de Rolo Compressor e de Rolinho, que conquistam qualquer um de seus quinze estaduais vencidos ao longo dos 38 anos da era Eucaliptos.

Atravessando para a próxima quadra, o distraído andarilho se pergunta o porquê de um endereço com tanta história e tão alvirrubro ter sido deixado pelo Clube do Povo. A dúvida, contudo, não dura muito tempo. Poucos metros à frente, o Beira-Rio domina a mais bonita das paisagens de Porto Alegre e serve de justificativa. Por maior que fosse, percebe, o Estádio dos Eucaliptos ainda não era um Gigante.


Conheça a história de Vicente Rao, torcedor símbolo da essência popular colorada e que completaria hoje 112 anos

O futebol é muito mais do que um jogo. O Inter, mais do que um time – quem vive o Colorado sabe. Neste dia 4, data em que o Clube do Povo completa 111 anos de história, relembramos, com justiça, os muitos feitos relevantes que, através de gols e milagres, nos transformaram em uma glória do desporto nacional. Não paramos, no entanto, por aí. A data, nostálgica como costumam ser os aniversários, também nos permite evocar todo o significado social que nosso alvirrubro tom ostenta. Significado, este, que o irônico destino parecia saber que assumiríamos ainda antes de sermos fundados. Afinal de contas, também no quarto dia de abril, mas de 1908, nasceu torcedor que serviria de símbolo perfeito para a essência popular e plural que marca o Internacional. Seu nome? Vicente Rao.

Sócio do Inter a desde 1931, mesma temporada na qual o Estádio dos Eucaliptos fora fundado, Rao sempre foi muito famoso em Porto Alegre, especialmente nas comunidades festivas e efervescentes. Rei Momo de nossa capital por 22 anos, desenvolveu seu coloradismo ao longo de toda a década de 20. Nesta época, seu primeiro contato mais intenso com o Clube do Povo se deu como jogador, lutando por uma vaga entre os titulares, posição que jamais alcançou.

Felizmente, o brilho que faltava em seus pés para chutes sobrava no momento de sambar, e a frustração futebolística em nada afetou sua paixão pelo Alvirrubro. Assim, em 1940 levou, em definitivo, sua experiência dos bailes e desfiles carnavalescos para as arquibancadas coloradas, criando a primeira torcida organizada do Internacional, o Departamento de Cooperação e Propaganda, famoso DCP.

Acima de tudo um colorado fervoroso, Rao sempre traçou comparações entre Clube do Povo e Carnaval. Para ele, as duas instituições possuíam grande vocação pioneira e popular, além de um inegável compromisso social. Como revelou em entrevista para a Revista do Inter em 1958, Vicente entendia que Colorado e samba uniam as pessoas na mesma medida. “Escolhi o Inter por muitas razões, entre as quais por ser o Clube mais democrático do Brasil. Ele é o autêntico Clube do Povo, dos grandes e dos pequenos, dos humildes e dos poderosos, pouco importa a condição social de cada um. Ele tem um poder extraordinário, pois nos aproxima, fazendo-nos membros de uma só e grandiosa família, que é, sem dúvida, a inigualável Família Colorada. Tanto faz ser Governador como simples engraxate, todos, indistintamente, lutam lado a lado, como um só homem, ao redor de sua gloriosa bandeira. Como é grande o Internacional em tudo e por tudo. Salve ele!”

Inicialmente ridicularizado, depois imitado, o DCP prontamente se transformou em um décimo segundo jogador dos esquadrões colorados, sempre encarregado da trilha sonora que embalou cada um dos atropelos promovidos por Rolo e Rolinho no Estádio dos Eucaliptos, melodia tradicionalmente acompanhada dos espocos de foguetes, serpentinas e confetes. Bem-sucedida, a iniciativa do Departamento consagrou, com perfeição equiparável apenas à canhota de D’Alessandro, aos cabeceios de Fernandão, aos desarmes de Figueroa e aos voleios de Falcão, a popularidade do Internacional, característica ampliada na era do Beira-Rio.

Último em pé à direita, Vicente Rao veste a faixa de “Jogador número 12”

De Coreia às arquibancadas, o Gigante surgiu ainda mais efusivo e eufórico do que seu predecessor. Sempre tomado pelo povo colorado, historicamente ritmado por bumbos, surdos, repiniques e metais, o número 891 da Padre Cacique se converteu, ao longo de seus quase 51 anos de história, no palco ideal para a mais alvirrubra das festas, constantemente convertida, a cada quarta e domingo, em pressão sobre os adversários. Um legítimo templo do futebol, mas também de alegria e samba, feitos por todos, sem qualquer discriminação, como sonhara Rao.

A contribuição de Vicente não ficou restrita ao cimento da arquibancada. Em 1947, juntamente com o professor Jofre Funchal e o descobridor de talentos Abilio dos Reis, Rao criou as Escolinhas de Futebol do Inter, atual Escola Rubra. Assim, além de reforçar o caráter de um Colorado do povo, também catapultou nossa tradição enquanto instituição de Ases Celeiro. Mundialmente reconhecida pelas dezenas de astros que já ofereceu ao futebol, a base alvirrubra foi revolucionada pelo trabalho do trio, que também ajudou a rejuvenescer nossa torcida, conquistando novos jovens apaixonados pelo Inter.

Inter é Rao, e Rao, por óbvio, é Inter. Inter é dominar o Rio Grande, conquistar o Brasil, libertar a América e, contra tudo e todos, conseguir se impor sobre o mundo todo. É ser referência no futebol desde sempre. Com esquadrões memoráveis, desde Rolo e Rolinho, passando por Academia do Povo, até os mais internacionais. É ser anfitrião de de Copa do Mundo, em 50 e 2014. Mas Inter também é Povo. Alegria, juventude, malemolência, festa. ‘Loucurada’, como diriam hoje. É dos humildes e dos poderosos, como dizia Rao. Quem veste nossa camisa conhece essa história, e sabe que ela não tolera o ódio. Nosso Clube é da alegria. É da efervescência. É de gigantes, sejam eles jogadores, e destes não faltam ídolos, ou torcedores. Como Vicente.

Vicente Rao, rodeado de jovens, em dia de inscrições para a Escolinha Colorada