Tinga, Clemer e Bolívar relembram conquista da Libertadores 2006 de um jeito inédito

Reza a lenda que o dia 16 de agosto de 2006 jamais teve fim. Por algum motivo desconhecido ou não, os astros se cruzaram justo no sublime momento de uma euforia coletiva às margens do Rio Guaíba, eternizando aquele exato instante.

Testemunhas apontam que tudo começou quando um bravo homem alto e de cabelos longos levantou um artefato brilhante sobre a sua cabeça, libertando um grito que ecoa no local até hoje.

Se o dia realmente não teve fim, ninguém confirma, mas também não nega. O fato é que a lenda correu por América Latina afora, virou tradição popular e eternizou os responsáveis pela obra em heróis lendários.

O Canal do Inter reuniu três destes bravos heróis lendários para contar de um jeito inédito a saga da primeira Libertadores colorada. Bolívar, Clemer e Tinga, pilares da conquista, retornaram ao vestiário do Gigante, ou melhor, à casa deles, para uma sessão de cinema e resenha histórica.

Canal do Inter: Feliz Dia dos Pais

Um dia para reverenciar nossos primeiros ídolos, quem nos acompanhou desde os primeiros passos rumo ao Gigante e colocou as cores do Clube do Povo em nossa vida. A união inabalável de um pai com seus filhos muitas vezes é eternizada em um abraço de gol, naquele milésimo de segundo em que o mundo parece pequeno perante o nosso amor.

Feliz Dia dos Pais!

Raio-X: Inter recebe o Juventude na 12ª rodada do Brasileirão

Inter recebe o Juventude no Gigante/Foto: Ricardo Duarte

Dia de clássico estadual no Beira-Rio! O Clube do Povo recebe o Juventude, a partir das 20h30 deste domingo (18/07), pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro. Confira entrevista da Rádio Colorada com Bruno Mucke, repórter da Rádio Caxias, projetando o duelo. Abaixo, você encontra todas as informações do confronto.

Sport Club Internacional · Raio-X #40 | Internacional x Juventude | 18/07/2021

Transmissão 📻

A cobertura da 12ª rodada do Brasileirão será apenas uma das atrações da Rádio Colorada para este domingo. Emissora oficial do Clube do Povo, a Mais Vermelha, que viverá tarde de jornada dupla, estará ao vivo, direto do Beira-Rio, a partir das 19h30. Confira a programação completa, que pode ser acompanhada via Site e APP do Inter:

As redes sociais do Inter (@scinternacional no TwitterInstagram Facebook) cobrirão a partida com o tradicional minuto a minuto enriquecido por imagens dos melhores momentos do confronto. Na TV, o Premiere anuncia transmissão.


Vamo, Inter! 💪

Aguirre comandou atividades na véspera de partida/Foto: Ricardo Duarte

A preparação colorada para o clássico estadual foi curta. Iniciada ainda no Paraguai na manhã da última sexta-feira (16/07), dia seguinte a empate sem gols diante do Olimpia-PAR pela partida de ida das oitavas da Libertadores, ela chegou ao fim já na tarde deste sábado, que contou com atividades no CT Parque Gigante.

Diego Aguirre e comissão técnica aproveitaram a véspera de confronto para realizar atividades técnicas e táticas com o grupo. Os exercícios encaminharam o time que irá a campo para encerrar jejum de cinco rodadas sem vitórias, além de buscar o primeiro triunfo do Inter como mandante neste Brasileirão.

Patrick foi titular nas últimas duas partidas do Inter no Brasileirão/Foto: Ricardo Duarte

No Gigante, o Clube do Povo precisará superar, além do adversário, lista considerável de desfalques. Saravia e Mauricio recentemente se juntaram a Guerrero e Zé Gabriel na nominata de lesionados, e, além do quarteto, Taison, com entorse no tornozelo direito, tem passado por avaliações diárias junto ao DM colorado.

De contrato renovado, Daniel participou das atividades deste sábado/Foto: Ricardo Duarte

O Inter abriu a 12ª rodada na 15ª posição do Campeonato Brasileiro. Até aqui, os comandados de Diego Aguirre somam 11 pontos, conquistados através de duas vitórias e cinco empates. Após o Juventude, o Clube do Povo voltará a campo pela Libertadores, torneio pelo qual enfrenta o Olimpia, no Beira-Rio, às 21h30 da próxima quinta-feira (22/07).

Inter vai em busca de três pontos importantes/Foto: Ricardo Duarte

Arbitragem 👨‍⚖️

Rodolpho Toski Marques apita, auxiliado por Ivan Carlos Bohn e Sidmar dos Santos Meurer. Trio paranaense. Quarto árbitro: Rafael Rodrigo Klein, do Rio Grande do Sul. VAR: Pablo Ramon Pinheiro, do Rio Grande do Norte.


Rival 🆚

Rival começou o Brasileirão com segurança/Foto: Fernando Alves, Juventude

De volta à Série A após 13 anos, o Juventude apresentou desempenho competitivo e seguro nas primeiras 11 partidas do Brasileirão. Com 13 pontos, o Papo abre a 12ª rodada no 13º lugar, situação que, como revela Bruno Mucke, agrada a torcida jaconera, que já começa a sonhar com voos mais altos.

“O time vive um momento bom, agradável, na Série A. O Juventude tem um orçamento reduzido, talvez o menor do Brasileirão, mas tem uma competição, até aqui, segura. Esse Campeonato está sendo bom para o Juventude, que está vendendo caro os resultados, podendo brigar por uma competição sul-americana.”

Bruno Mucke
Marquinhos Santos é o técnico alviverde/Foto: Fernando Alves, Juventude

Individualmente, o grande nome alviverde é Matheus Peixoto. Vice-artilheiro do Brasileirão com seis gols marcados, o atacante é o goleador da temporada do Juventude. Oriundo do Red Bull Bragantino, ele tem oferecido consistência que esfria a busca do Papo, que há poucas semanas quase contratou o argentino Nicolás Blandi, por um novo camisa nove.

“O Juventude tem interesse em contratar um nove. Acertou com o Blandi, mas ele colocou algumas questões que o impediram de ser anunciado. Assim, deu espaço para o Matheus Peixoto, que está em um momento iluminado. A bola bate nele e entra. Quando se trouxe esse atleta, já existia a convicção de que poderia ajudar.”

Bruno Mucke
Matheus Peixoto vive bem momento/Foto: Fernando Alves, Juventude

A boa fase alviverde passa, também, pelo encaixe do time de Marquinhos Santos. Frequentemente atuando com um tripé de meio-campistas, que pode variar entre o 4-4-2 losango e o 4-1-4-1, o Papo dispõe de uma série de atletas que desempenham com naturalidade o jogo de imposição e velocidade cobrado pelo treinador.

“No começo da competição, o Marquinhos demorou para encaixar o time titular. Vinha jogando num 4-2-3-1, mas se encaixou no 4-1-4-1. O Juventude joga muito na transição. Por isso, a importância dos volantes, do Castilho, do Jesus, do Jadson. São pilares importantes tanto para o sistema defensivo quanto na construção de jogadas.”

Bruno Mucke
Guilherme Castilho é um dos bons nomes do Papo/Foto: Fernando Alves, Juventude

Diante do Inter, o atacante Roberson tem chances de fazer sua reestreia pelo Papo. Mesmo se estiver disponível, porém, o atleta, que inicia sua quarta passagem pelo Juventude, deve ser reserva no time de Marquinhos Santos, que tem os seguintes nomes como prováveis titulares: Carné; Michel, Vítor Mendes, Rafael Forster e William Matheus; Elton, Castilho, Jadson e Wescley; Paulinho e Peixoto.


Para voltar a vencer em casa 🔙

Inter quer vencer mais uma sobre o Papo/Foto: Ricardo Duarte

A última vitória do Inter no Beira-Rio ocorreu no dia 8 de maio, há mais de dois meses. O adversário da ocasião? Foi o Juventude. Superado por 1 a 0 em Bento Gonçalves, o Colorado recebeu o Papo para a disputa da partida de volta da semifinal do Gauchão de 2021, e sofreu para furar a retranca serrana, que permaneceu praticamente impenetrável até o minuto 42.

Yuri marcou o primeiro/Foto: Ricardo Duarte

Neste instante, após escanteio cobrado pelo adversário, o Inter arrancou em altíssima velocidade através de Yuri Alberto, que tabelou com Thiago Galhardo antes de receber, com a meta aberta, assistência açucarada para empatar o escore agregado. Quatro minutos depois, Edenilson serviu Mauricio, que marcou o segundo em cima do rival estonteado.

Mauricio ampliou a conta/Foto: Ricardo Duarte

Na etapa final, foi o próprio Edenilson quem tornou a situação mais cômoda. Tranquilo e preciso como sempre, ele marcou o terceiro, aos 15, após excelente cobrança de pênalti. Também da marca da cal, Peixoto descontou seis minutos mais tarde, mas Rodinei, em rebote de chute de Caio, encerrou a conta no minuto 33.


Show de Fernandão em 2007 ❤️

Inter e Juventude não se enfrentam pela Série A do Brasil desde 2007, quando, no dia 21 de outubro, o Beira-Rio sediou duelo válido pela 32ª rodada do Brasileirão. Mais de 35 mil colorados e coloradas apoiaram o Clube do Povo, que lutava por vaga na Sul-Americana da temporada seguinte, e foram recompensados com espetáculo de seu capitão.

Comandado por Abel Braga, o Inter foi a campo com Clemer; Wellington Monteiro, Índio, Orozco e Marcão; Edinho, Guiñazú, Magrão e Alex; Gil e Fernandão. Aos 23 minutos, Monteiro finalizou de longe e exigiu milagre de Michel Alves. Dono do rebote, o Eterno Capitão tabelou com Gil e, pela esquerda da grande área, serviu Magrão, que girou como um centroavante antes de finalizar no cantinho.

Há 13 anos, Magrão abriu a conta/Foto: Alexandre Lops

O segundo do jogo saiu aos 31. Pela primeira vez em sua vitoriosa carreira, Fernandão marcou de falta, e o fez com estilo restrito a poucos. Em frente à área alviverde, o dono da 9 cobrou rasteira, por baixo da barreira, sem chances para Michel Alves, e fez explodir o Beira-Rio, que testemunhava o gol 64 do Capitão com a camisa colorada.

Fernandão encerrou o primeiro tempo com um golaço e uma assistência/Foto: DVG, Zero Hora

Senhor do jogo, o Inter controlou o segundo tempo, que presenciou verdadeiro espetáculo nas arquibancadas, embaladas pelos gritos de olé da torcida colorada. Decidido a retribuir seu povo, Fernandão fechou a conta aos 43, em lindo testaço após cruzamento de Marcão. Goleada no Beira-Rio!

Fernandão é o Personagem do Mês do Museu do Inter

Do Gol 1000 em clássicos ao topo do mundo. Das conquistas regionais para os maiores feitos da história do clube. Exemplo dentro e fora de campo. O Personagem do Mês de julho do Museu do Inter é o eterno camisa 9 e capitão colorado: Fernando Lúcio da Costa.

Quando desembarcou em Porto Alegre naquele longínquo 2004, havia esperança. Mas nem o mais otimista dos colorados poderia imaginar o que viria pela frente. Só que o Gol 1000 em clássicos mostrava que tinha algo a mais ali. O camisa 18 daquela partida tinha, na verdade, um 9 tatuado na alma.

Líder dentro e fora dos gramados, Fernandão desbravou os caminhos que nos levaram ao topo da América. Na Copa do Mundo de Clubes, o ídolo, como um grande capitão, foi a testa de sua tropa, combatendo os avanços adversários até o limite de seu corpo. Retirou-se do gramado para a entrada daquele que marcaria o gol da vitória. Até nisso foi predestinado.

Marcou 77 gols nos seus 190 jogos com a camisa rubra. Foi dirigente, técnico e deixou um legado gigante para as gerações futuras de colorados. Em uma fatalidade, perdeu a vida em 2014. Mas jamais deixará nossas memórias e corações. Fernandão é eterno.

Raio-X: Na Arena, Inter disputa Gre-Nal 433

Dia de Gre-Nal! A partir das 16h30 deste sábado (10/07), o Clube do Povo visita o Grêmio, na Arena, pela 11ª rodada do Brasileirão 2021. Confira entrevista da Rádio Colorada com Gabriel Corrêa, jornalista coordenador de conteúdo do Footure, projetando o duelo. Abaixo, você encontra todas as informações sobre o 433º clássico da história!

Sport Club Internacional · Raio-X #38 | Internacional x Grêmio | 10/07/2021

Transmissão 📻

O sábado será especial na Rádio Colorada, que iniciará a cobertura do clássico às 12h. A emissora oficial do Clube do Povo estará ao vivo a partir das 14h55, primeiro com a transmissão da etapa inicial de duelo entre Celeiro de Ases e Palmeiras, válido pela quarta rodada do Brasileirão Sub-20, e, depois, com a apresentação do Gre-Nal 433. Confira a programação, que pode ser acompanhada via Site e APP do Inter!

As redes sociais do Inter (@scinternacional no TwitterInstagram Facebook) acompanharão a partida com completo minuto a minuto, enriquecido pelas imagens dos principais lances do confronto. Na TV, o SporTV, com abrangência nacional, à exceção do território gaúcho, o Premiere, para todo o país, e a RBS anunciam transmissão.


Vamo, Colorado! 💪

Aguirre comandou atividades nesta sexta/Foto: Ricardo Duarte

Realizada em apenas dois dias, a preparação do Inter para o Gre-Nal 433 foi encerrada na tarde desta sexta-feira (09/07). Diego Aguirre e comissão técnica comandaram, no gramado do CT Parque Gigante, atividades técnicas e táticas com foco na movimentação e no posicionamento dos atletas que irão a campo diante do maior rival colorado.

Na Arena, Aguirre contará com os retornos de Victor Cuesta e Edenilson, dupla que esteve suspensa na rodada passada. O meio-campista, vale lembrar, é o artilheiro do Inter na atual edição do Brasileiro, com cinco gols marcados. Pendurados com dois cartões amarelos estão Moisés, Thiago Galhardo, Yuri Alberto e Leo Borges.

SuperEd está de volta!/Foto: Ricardo Duarte

O Inter abre a rodada de número 11 do Brasileirão em 14º lugar. Dono de 10 pontos até aqui, o Clube do Povo soma 10 gols marcados e 16 sofridos. Em caso de vitória sobre o Grêmio, o Colorado pode subir três posições, ultrapassando Corinthians, Juventude e Flamengo.

Grupo buscará vitória importante na Arena/Foto: Ricardo Duarte

A véspera de Gre-Nal contou com entrevista coletiva de Renzo Saravia no lado do Inter. Perguntado sobre o clássico, o lateral argentino, que recentemente retornou aos trabalhos após período afastado por Covid-19, revelou toda a motivação do grupo para a partida deste sábado.

“Me sinto em forma para jogar. O Gre-Nal é um jogo muito importante, todos querem atuar. Ter a ilusão, vontade e a motivação de vestir esta camiseta é o mais importante. Vamos todos preparados e, quem jogar, tem a confiança de todos nós. É um clássico, e vamos tratar de buscar uma vitória”

Renzo Saravia

Saravia também comentou como o Clube do Povo espera se portar diante do rival. De acordo com o argentino, a postura colorada será condizente ao peso da camisa vermelha, ainda mais em um momento no qual os três pontos assumem contornos tão importantes para as pretensões do Inter no Brasileirão.

“Amanhã buscaremos, desde o primeiro minuto, a vitória. Trataremos de ser intensos, de jogar no campo adversário e ser protagonistas. Esta camiseta pede isso. Somos uma equipe grande, e temos que trazer os três pontos para o Beira-Rio. Vamos com muita confiança e entusiasmados.”

Renzo Saravia

Arbitragem 👨‍⚖️

Flávio Rodrigues de Souza apita, auxiliado por Daniel Paulo Ziolli e Daniel Luis Marques, trio de São Paulo. Quarto árbitro: Anderson da Silva Farias, do Rio Grande do Sul. VAR: Márcio Henrique Gois, também paulista.


Rival 🆚

Felipão e Aguirre voltarão a se enfrentar/Foto: Alexandre Lops

Lanterna do Brasileirão, o Grêmio conquistou apenas dois pontos nas oito rodadas que já disputou. O mal desempenho motivou troca na casamata tricolor, que será comandada, a partir deste sábado, por Felipão. Na visão de Gabriel Corrêa, a escolha por Scolari encontra no aspecto anímico sua principal justificativa.

“Existem coisas que, às vezes, nem são do campo. Não são técnicas, táticas, físicas. Simplesmente, a gente vê que tem algo acontecendo. Então, o contexto não poderia ser outro, de um cara que chegou para ser bombeiro, para a questão do vestiário. Talvez, só ele consiga recuperar esse anímico.

Gabriel Corrêa
Brenno (24) desfalca o Grêmio no clássico 433/Foto: Ricardo Duarte

Diante do Inter, Felipão, que teve apenas um dia de trabalho junto a seus atletas, precisará superar baixas de peso. Além de Thiago Santos e Maicon, lesionados, o Grêmio também não poderá contar com Brenno, goleiro, e Matheus Henrique, volante, desfalques geram dúvidas para o meio de campo do rival colorado.

“Perder o Matheus e o Thiago Santos, os principais jogadores, é um grande problema. Não sei se vai o Darlan, porque o foco está em não perder, e o Lucas Silva te dá uma sustentação e a bola aérea. Se for Darlan com Bobsin, vai me causar uma surpresa. Todos os times do Felipão têm um primeiro volante.”

Gabriel Corrêa
Darlan (15) corre por fora na luta por vaga entre os titulares/Foto: Ricardo Duarte

Outra grande interrogação do lado gremista para o clássico reside nas laterais. Contratado no início da temporada, Rafinha tem atuado como titular pela direita, enquanto Diogo Barbosa é a peça mais recorrente na esquerda. Suas presenças, porém, são incertas, como indica Gabriel.

“A informação é que o Guilherme Guedes vai ganhar a vaga do Cortez, e o Diogo Barbosa não vai ser o lateral-esquerdo. E o Vanderson não ser titular do Grêmio, pra mim, é um absurdo. O Tiago nem tinha pedido o Rafinha. Acho que essas são as primeiras respostas que o Felipão vai dar à torcida.”

Gabriel Corrêa
Vanderson (35) pode assumir a titularidade contra o Inter/Foto: Ricardo Duarte

A brevidade do trabalho de Felipão multiplica as incertezas acerca da escalão gremista para o clássico. O time mais provável, armado com três zagueiros, conta com Guilherme Chapecó no gol; Ruan, Geromel e Kannemann na zaga; Vanderson (Rafinha), Bobsin, Darlan (Lucas Silva) e Guilherme Guedes na primeira linha de meias; Ferreira e Douglas Costa mais à frente, e Diego Souza no comando do ataque.


Palco 🏟️

Arena recebe o jogo deste sábado/Foto: Ricardo Duarte

Inaugurada em dezembro de 2012, a Arena conta com capacidade para 55.662 pessoas. Localizado na Zona Norte de Porto Alegre, o palco do clássico deste sábado fica às margens da Free-Way (BR-290), entre a BR-116 e a Rodovia do Parque (BR-448).


Em outro 10 de julho… ❤️

Fernandão comemora o Gol Mil/Foto: Mauro Vieira, Agência RBS

Há exatos 17 anos, Fernandão marcava o Gol Mil dos Gre-Nais. Partida que serviu de estreia para o Eterno Capitão com a camisa colorada, o clássico 360 foi disputado no dia 10 de julho de 2004, no Beira-Rio, e teve seu placar inaugurado apenas na etapa final.

Aos oito minutos, Vinícius marcou o 999º gol da história do clássico. Melhor em campo após o intervalo, o Inter retornara dos vestiários com a entrada de Fernando, recém-contratado, no lugar de Wilson, lesionado. Com a troca, Joel Santana desfazia o esquema de três zagueiros. Ao mesmo tempo, e disso ele não sabia, o comandante acenava para o destino.

História das mais belas já registrada no futebol, o amor entre Inter e Fernandão começou a ser escrito no minuto 34 da etapa final. Pela direita, Granja levantou bola açucarada. Na segunda trave, nosso futuro capitão subiu como apenas ele conseguia. Soberano, testou para baixo. Testou para as redes. Às 17h41 daquele gélido sábado de 2004, o Gol Mil dos Gre-Nais era marcado.

O Gol Mil/Imagem: RBS TV

Retrospecto 📊

À frente no histórico dos Gre-Nais desde 1945, o Inter já venceu 157 clássicos, 19 a mais do que o rival. Ao todo, o Clube do Povo, vazado em 562 ocasiões, já marcou 590 gols na equipe da Zona Norte de Porto Alegre. São, ainda, 137 as igualdades já registradas até hoje.

D’Alessandro comemora vitória em 2015/Foto: Alexandre Lops

Aguirre x Felipão 🔙

O último encontro de Diego Aguirre e Felipão em um Gre-Nal contou com final feliz para o povo colorado. Válido pela finalíssima do Gauchão de 2015, o clássico 406 foi disputado, no dia 3 de maio, diante de mais de 41 mil pessoas, público que lotou o Beira-Rio.

Beira-Rio jogou junto na luta pelo Penta/Foto: Alexandre Lops

Após empate sem gols na ida, o Clube do Povo precisava da vitória para conquistar o Penta do Rio Grande no tempo normal. Conscientes de sua responsabilidade, os comandados de Diego Aguirre encurralaram o rival desde o primeiro apito, e precisaram de apenas seis minutos para abrir o placar com Nilmar.

Nilmar (7) e Aránguiz (20) comemoram o primeiro gol do Inter/Foto: Alexandre Lops

O Inter cobrou mais 12 minutos para ampliar. Após grande jogada pelo corredor direito, Nilmar, que até meia-lua aplicara em Fellipe Bastos, deixou Valdívia com o gol aberto para marcar. Nos acréscimos do primeiro tempo, o Grêmio até descontou, mas foi incapaz de buscar o empate na etapa final. Inter, pela 44ª vez na história, campeão gaúcho!

Nilmar brilhou no último Gre-Nal disputado pelos atuais técnicos da dupla/Foto: Alexandre Lops

Nova camisa II celebra 15 anos do título mundial

A histórica conquista no Japão está representada na camisa II para a temporada 2021/22, lançada nesta sexta-feira (21/5) por Inter e adidas. Totalmente branca, assim como há 15 anos na antológica final contra o Barcelona, a camisa carrega o escudo do Clube do Povo, o logo adidas e as três listras em vermelho, além de um sign-off, na nuca, da cidade e do ano em que o Colorado alcançou a taça: Yokohama/2006.

COMO ADQUIRIR:

Sexta (21/5), sábado (22) e domingo (23): Venda exclusiva para sócios do Inter!

– Nas lojas físicas do Inter (clique aqui para conferir a relação de lojas) mediante apresentação da carteirinha de sócio.

– On-line: acessando a Área de Sócios – faça seu login com matrícula/senha e clique no banner da camisa.

De 24 a 27 de maio: Venda para a torcida em geral exclusivamente nas lojas do Inter (internet e lojas físicas)!


Com falas inéditas de Fernandão, reconstruídas por meio de tecnologia, lançamento homenageia o título mundial de 2006

A campanha da camisa II buscou símbolos importantes na história colorada e resgatou a voz do eterno capitão Fernandão, a taça levantada, a torcida e seu amor pelo Clube e a estrela, que representa a conquista máxima do Inter em seus 112 anos.

Inter e a adidas recriaram a voz de Fernandão – capitão do time de 2006 – para presentear a torcida com um vídeo recheado de imagens da partida, embaladas pela voz deste que é um dos maiores ídolos da história do Inter.

O material aproxima ainda mais a trajetória do time à paixão de quem o impulsionou até a vitória ao trazer também depoimentos de sócios torcedores. Dos que cruzaram o mundo e viram de perto a vitória aos que nasceram à época e cresceram orgulhosos do time do coração, o vídeo traz relatos dos colorados que viveram esse momento inesquecível à sua maneira, e que tiveram histórias de vida cruzadas com a conquista. O manifesto convida o torcedor a reviver os momentos marcantes e celebrar essa vitória que move a apaixonada nação colorada.

Raio-X: tudo sobre o duelo contra o Fortaleza

Dia de Inter! O Clube do Povo enfrenta o Fortaleza, a partir das 20h30 deste domingo (17/01), em partida da 30ª rodada do Brasileirão. No Beira-Rio, o Inter busca a sexta vitória consecutiva no Campeonato. Confira todas as informações sobre o confronto!


Transmissão


A Rádio Colorada abre transmissão para o duelo deste domingo a partir das 19h30, com a apresentação do Portões Abertos. A Jornada Esportiva começa às 20h15, e será sucedida, ao soar do último apito, pelo Vestiário Vermelho. A atração pós-jogo repercute todos os detalhes do confronto recém-encerrado, com direito a entrevistas exclusivas e também coletivas. Acompanhe no FM 95,5 ou via Site e App do Inter!

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Vamo, Colorado!


Semana foi intensa no Parque Gigante

Abel Braga teve a semana livre para preparar a equipe. Após superar o Goiás, no último domingo (10/01), o grupo colorado recebeu folga na segunda passada. A partir de terça, cinco dias recheados de atividades encaminharam os 11 iniciais que buscarão a vitória diante do Fortaleza.

Contra o Leão do Pici, Edenilson e Yuri Alberto retornam à equipe, enquanto Moledo e Galhardo, lesionados, são desfalques. A lista de pendurados conta com Rodrigo Lindoso, Caio Vidal, Rodrigo Dourado, Marcos Guilherme, Boschilia, Matheus Jussa, Abel Hernández e Leandro Fernández.

Abel busca a sexta vitória seguida no Brasileirão

Abelão encerrou os preparativos, na chuvosa tarde deste sábado (16/01), com atividade tática no CT Parque Gigante. Após o treino, Rodinei, dono da assistência para o gol de Praxedes na rodada passada, concedeu entrevista exclusiva para a Mídia do Inter. Confira:

Quem também falou durante a semana foi Victor Cuesta. Dono da camisa 15 do Clube do Povo, El Patrón concedeu entrevista coletiva na tarde da última sexta. O atleta comemorou a sequência positiva do time de Abel Braga, reforçou a torcida pela pronta recuperação do companheiro Rodrigo Moledo e projetou o próximo confronto. Assista:

Um dia da lateral-direita, outro para a esquerda. Titular absoluto sob o comando de Abel Braga, protagonista nos gols colorados sobre Boca Juniors, Botafogo e Palmeiras – os primeiros tentos contra os dois últimos -, Moisés destacou a preparação realizada ao longo da semana. Veja:

No início da semana, a palavra foi do artilheiro da última vitória. Bruno Praxedes comemorou o primeiro gol como profissional, destacou a grande presença de jovens da base no grupo principal, elogiou os trabalhos de Abel Braga e repercutiu a fase vermelha. Não perde:


Arbitragem


Rodrigo Dalonso Ferreira apita, auxiliado por Alex dos Santos e Éder Alexandre, trio de Santa Catarina. VAR: Wagner Reway, da Paraíba.


Rival


Unido, grupo tricolor tenta reverter fase recente/Foto: Bruno Oliveira, Fortaleza

O Fortaleza vive momento delicado no Brasileirão. Após iniciar a temporada sob o comando de Rogério Ceni – e com o técnico conquistar o bicampeonato cearense -, o Leão perdeu o comandante, contratado pelo Flamengo, no início do último mês de novembro. Desde então, a equipe disputou 11 partidas, sofreu cinco derrotas, somou cinco empates e conquistou uma única vitória.

Time trabalha para continuar na Série A/Foto: Karim Georges, Fortaleza

Comandado pelo interino Marconne Montenegro na primeira partida após a saída de Ceni – derrota de 2 a 1 para o Bahia -, o Fortaleza anunciou Marcelo Chamusca em 12 novembro, menos de três dias depois da perda de Rogério. Oriundo do Cuiabá, o novo comandante venceu apenas um dos nove jogos que passou na casamata tricolor e, somando mais quatro derrotas e quatro empates, despediu-se com revés para o Sport, em Recife.

Ato contínuo à demissão de Chamusca, Enderson Moreira foi contratado até o final de 2021. O trabalho é o quarto do treinador na atual temporada, que conta com passagens recentes por Goiás e Cruzeiro, além do rival Ceará. O profissional, inclusive, já estreou no Tricolor: empatou sem gols com o Grêmio, no Castelão, em partida da 29ª rodada do Brasileiro.

Enderson Moreira (E) e Marcelo Paz (D), presidente do Leão/Foto: Leonardo Moreira, Fortaleza

A sequência de insucessos dentro de campo teve como consequência perigosa aproximação do Z4. O Fortaleza chega para a rodada com 32 pontos, três a mais do que o Bahia, 17º e primeiro na zona de rebaixamento. Momentaneamente na 16ª colocação, o Leão do Pici corre risco de, perdendo para o Inter, ficar ao alcance dos baianos, que só vão a campo na quinta-feira 28 de janeiro, diante do Corinthians, em Salvador.

Cria da base, zagueiro Wanderson é um ponto positivo no Leão/Foto: Leonardo Moreira, Fortaleza

Diante do Clube do Povo, Enderson Moreira deve mandar a campo Felipe Alves; Gabriel Dias, Paulão, Wanderson e Carlinhos; Felipe e Juninho; Osvaldo, Romarinho e David; Wellington Paulista. Existe a possibilidade de Gabriel, ex-Inter, ser deslocado para o meio de campo. Assim, Tinga entraria na lateral-direita, resultando em formação mais reativa nos visitantes deste domingo.


Estatísticas


Colorado vive boa fase no Brasileirão

Se o Inter chega para o duelo deste domingo embalado pelas cinco vitórias consecutivas que soma no Brasileirão, o Fortaleza tenta, no Beira-Rio, dar fim a dois jejuns indigestos. Há sete rodadas sem vencer, o rival colorado não marcou gols nas últimas quatro partidas que disputou.

Os números negativos do Fortaleza encontram justificativa quando analisados mais a fundo. De acordo com o SofaScore, O Leão do Pici é a terceira equipe que mais precisa tocar na bola para marcar um gol, total de 713 vezes. O Inter, quarto melhor ataque do Brasileirão, é terceiro no critério: necessita de apenas 420 toques.

De Rodinei para Praxedes: o gol do Inter sobre o Goiás

Os contrastes também existem dentro do contexto do duelo deste domingo. Enquanto o Inter é o segundo melhor mandante do Brasileirão, com 74% de aproveitamento, o Fortaleza ocupa a 15ª colocação entre visitantes, somando duas vitórias, cinco empates e sete reveses longe do Castelão.

Eficiente, o ataque colorado é o quinto melhor de mandantes, e precisa de apenas 6,8 finalizações para mandar uma às redes visitantes. Por outro lado, o Fortaleza tem a sexta defensa entre as equipes que atuam longe de casa, média de 1,14 gol sofrido por jogo. Ao todo, de acordo com o ge.com, Leão oferece 13,9 arremates, a cada partida, para seus adversários.

Inter quer manter o bom momento no Beira-Rio

A provável volta de David aos titulares é uma notícia boa para o Fortaleza. Vice-artilheiro do time na temporada com 10 gols marcados, atrás apenas de Wellington Paulista, ele já deu duas assistências neste Brasileirão. O atleta é, ainda, o líder em finalizações certas do Leão no Campeonato, embora seja o terceiro com arremates menos precisos.

No primeiro turno, David persegue Moledo

Situação de tabela


O Inter pode encerrar a 30ª rodada na liderança do Brasileirão! Para tanto, além de ganhar do Fortaleza, o Colorado precisaria de vitória do Athletico Paranaense em cima do líder São Paulo. O confronto ocorre a partir das 16h de domingo, em Curitiba. Neste cenário, Clube do Povo e Tricolor somariam os mesmos 56 pontos. Caberia ao time de Abel, ainda, tirar uma diferença de quatro gols de saldo.

Edenilson é retorno importante para o time de Abel

Independente do resultado do líder, fato é que o Inter, atual segundo colocado com 53 pontos, manterá a posição em caso de vitória sobre o Fortaleza. Empate também deixa os comandados de Abel fora do alcance de seus perseguidores, mas um vitorioso Atlético-MG, terceiro com 50, poderia encerrar a rodada com um ponto a menos e uma partida atrasada por disputar.

A volta de Yuri é outra notícia positiva para o Inter

O Galo é a única equipe capaz de ultrapassar o Clube do Povo, desde que vença o Atlético-GO, às 18h15, no Mineirão. Para isso, o Inter precisaria, por óbvio, ser derrotado. Confira os oito primeiros classificados:

PJVEDGPGCSG
1 – São Paulo56291685492722
2 – Internacional53291586442618
3 – Atlético-MG50281558483612
4 – Grêmio502912143382414
5 – Flamengo4928147747398
6 – Palmeiras48281396392613
7 – Fluminense46301371040373
8 – Corinthians4228119835303
Pra cima, Colorado!

Retrospecto colorado


O Clube do Povo já enfrentou o Fortaleza em 17 ocasiões até hoje. À frente no retrospecto, o Inter soma oito vitórias, três a mais do que o rival. Ocorreram, também, quatro empates, números construídos através de 19 gols marcados e 14 sofridos.

Edenilson em ação contra o Fortaleza no Brasileirão passado/Foto: Ricardo Duarte

Vitória e recorde


Já com as atenções voltadas para o Mundial, o Inter contou com uma grande novidade para o duelo contra o Fortaleza na 35ª rodada do Brasileirão. Após um mês afastado por lesão, Fernandão retornou à equipe titular e formou ataque com Iarley, camisa 10 que abriu o placar aos 30 da etapa inicial.

Menos de 10 minutos depois, nova bola na rede. Alex cobrou falta da esquerda que Índio, artilheiro como sempre, completou para as redes. No jogo, o segundo. Do zagueiro, quinto no Campeonato. De garçom para artilheiro, o homem da canhota de bomba seria o responsável pelo terceiro

Servido por Fernandão, Alex dominou na entrada da área e mandou no canto esquerdo. Festa no Gigante, que comemorou a vitória e também recorde de Renan, que completou oito jogos sem sofrer gols e se tornou o goleiro colorado com maior invencibilidade na história dos Brasileirões.

O caminho para libertar a América

É CAMPEÃO!/Foto: Jefferson Bernardes

Uma noite que demorou 97 anos para chegar e, desde então, jamais acabou. Data em que libertamos o grito continental que há tanto teimava em engasgar nossas gargantas. Feliz a América, que encontrou em nosso camisa 9 o melhor capitão de sua história. Feliz, também, o povo vermelho, que a partir do Gigante coloriu todo o continente em alvirrubro. Há 14 anos, vivíamos o Dia Sem Fim. Relembre a campanha colorada na Libertadores de 2006!

A maior festa que a América já viu!/Foto: Jefferson Bernardes

Para pegar ritmo

Era grande a expectativa da torcida alvirrubra em relação ao retorno do Inter à Libertadores. Afastado do principal torneio de clubes do continente desde 1993, o Colorado precisaria superar, além da aparente inexperiência na competição, o pessimismo deixado pelo frustrante desempenho de sua última participação, quando foi eliminado nos grupos. Na busca por grandes resultados, todavia, também sobravam motivos para o otimismo.

Dentro de campo, o Inter fizera por merecer o título do Brasileirão de 2005. Além disso, o elenco somava duas participações de destaque nas últimas edições da Sul-Americana. Em 2004, o Colorado chegou a eliminar o Júnior de Barranquilla, nas quartas, e somente foi eliminado, nas semis, para o campeão Boca.

Um ano depois, o Clube do Povo sucumbiria, uma vez mais, para o time xeneize, desta vez lutando por vaga entre as quatro melhores equipes do continente. Cascudos em nível continental, portanto, e embalados por grande fase nacional, os comandados de Abel Braga chegaram ao grupo 6 da Libertadores da América.

Inter e Boca travaram grandes duelos na primeira década do século passado/Foto: Marcelo Campos

O Colorado estreou na Libertadores de 2006 no dia 16 de fevereiro. Diante de 35 mil pessoas, o Clube do Povo enfrentou o Maracaibo, da Venezuela, fora de casa. Ceará, aos três minutos do segundo tempo, abriu o placar em bonito chute da entrada da área. O gol do lateral-direito, inclusive, criaria, em breve, superstição ímpar entre a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. O tento, contudo, não foi o único da noite: já nos últimos instantes, Maldonado empatou para os locais e impediu o triunfo alvirrubro.

A vitória que escapou na estreia chegou na semana seguinte. Apoiado por um Beira-Rio lotado, o Inter deu show para atropelar o Nacional-URU, tricampeão da Libertadores, por 3 a 0. Michel e Fernandão, ainda no primeiro tempo, garantiram boa vantagem para o intervalo, resultado que foi ampliado, já nos últimos minutos da etapa final, por Rubens Cardoso.

Abrindo o mês de março, no dia 8 o Inter viajou até a Cidade do México para encarar o Pumas. Como de costume naquele início de campanha continental, as redes balançaram minutos antes dos 45 – desta vez, da primeira etapa. López, de cabeça, garantiu vitória parcial do time da casa antes do intervalo. Na volta dos vestiários, porém, Rentería mudou radicalmente o cenário da partida e, com um gol e uma assistência, para Fernandão, garantiu o posto de protagonista do confronto. Por 2 a 1, o Clube do Povo vencia e mantinha a liderança do grupo.


Invencibilidade nos grupos

A partida mais emocionante do Inter na fase de grupos ocorreu na noite do dia 22 de março. Tomado por mais de 42 mil pessoas, o Beira-Rio, como de costume, fez a diferença, e brilhou na histórica virada sobre o Pumas. A importância da torcida no triunfo fica clara na súmula da partida, afinal de contas, aos 34 do primeiro tempo o Clube do Povo perdia por 2 a 0.

Fernandão comemora o segundo gol colorado na noite/Foto: Jefferson Bernardes

“Foi fantástico. Ninguém arredou o pé, ninguém parou de incentivar. Os jogadores se sentiram orgulhosos de fazer parte deste clube. O torcedor sentiu que o resultado era injusto e incentivou o tempo todo. Sofremos, mas tivemos a competência necessária para virar o resultado”

Contínuo ao segundo gol dos mexicanos, a torcida respondeu com cantoria ainda mais intensa para o time colorado. Sob tamanho apoio, o Inter descontou, logo aos 36, com Michel, em gol brigado, batalhado e com a cara da Libertadores. Na etapa final, Tinga descolou, aos 7, desarme magnífico, e lançou, na direita, o autor do primeiro tento vermelho. Rasteiro, ele cruzou para Fernandão, que tirou proveito da falha do goleiro para empatar. A virada, merecida, chegou aos 30. Gabiru, recebendo assistência de cabeça do Eterno Capitão, fez explodir, também com a nuca, mas de peixinho, as estruturas do Gigante.

Data em que comemorou 97 anos de vida, no dia 4 de abril de 2006 o Clube do Povo visitou o Nacional, em Montevidéu. Desfalcado de alguns nomes, incluindo Fernandão, o Colorado segurou positivo empate sem gols no Parque Central, resultado que garantiu a manutenção da liderança, agora com 11 pontos, e praticamente assegurou vaga na fase de oitavas de final da América.

Finalizando a fase de grupos, o Inter recebeu, no 18º dia de abril, o Maracaibo. Escalado com novidades, a exemplo de Jorge Wagner, que retomou a titularidade na lateral-esquerda, e Rafael Sobis, devidamente recuperado de lesão, o time de Abel Braga não deu chance aos visitantes. Após Adriano Gabiru marcar o único gol da etapa inicial, Bolívar, Michel e Rentería transformaram a vitória em goleada. Em grande estilo, portanto, o Clube do Povo, dono da segunda melhor campanha da Libertadores, avançou, invicto e com 14 pontos, às oitavas.


Velho conhecido, novo final

Atualmente, os confrontos de oitavas de final da Libertadores são decididos através de sorteio. Em 2006, a lógica era outra. À época, a fase era disputada entre os melhores líderes contra os segundo colocados de pior campanha.

Segundo melhor time da fase de grupos, o Inter, que avançou como líder da chave 6, enfrentou nas oitavas, atendendo ao regulamento, o penúltimo segundo colocado. Curiosamente, o adversário foi o Nacional-URU, time mais do que conhecido. Apesar do positivo retrospecto recente para o Alvirrubro, todavia, o rival despertava grande receio na torcida vermelha

Desbravador gaúcho na Libertadores, o Clube do Povo disputara, exatamente contra o ‘Bolso’, a decisão do torneio em 1980. Derrotado na ocasião, o Colorado encarava, 26 anos depois, excelente oportunidade de vingar o revés passado e superar o fantasma charrua que pairava sobre as caminhadas continentais do escrete oriundo da Padre Cacique.

Iniciada em território uruguaio, a fase de oitavas de final viu brilhar Rentería. Mais colombiano dos sacis, o atacante, que já construíra excelente trajetória na fase de grupos do torneio, foi o grande nome do duelo disputado no Parque Central. Após um primeiro tempo de boas chances para os dois lados, encerrado com o 1 a 1 no placar, empate alcançado pelo Inter já nos instantes finais graças a precisa falta de Jorge Wagner, o dançarino Wason foi alçado a campo, logo no retorno dos vestiários, na vaga de Rafael Sobis. Talismã, precisou de apenas 18 minutos para virar, e o fez com estilo: acionado por Fernandão, aplicou, com a direita, um balãozinho no marcador e, sem deixar a bola cair, soltou um canhotaço, que encobriu o arqueiro Bava. Festejada, a vitória por 2 a 1, somada a empate sem gols na volta, no Beira-Rio, classificou o Inter para as quartas de final!


Uma fase, dois meses

O Clube do Povo teve uma semana de folga entre a classificação para as quartas e a abertura do duelo contra a LDU. Em Quito, capital equatoriana, os comandados de Abel Braga saíram na frente com gol de Jorge Wagner. Na etapa final, porém, a altitude de quase 3.000 metros fez a diferença. Benéfica ao time da casa, desgastou o Colorado e garantiu a virada dos locais. No Beira-Rio seria preciso, no mínimo, vencer por 1 a 0. Difícil, o desafio ficou ainda maior somado à ansiedade que precisaria ser superada, consequência dos mais de dois meses que separavam o revés na ida do embate de volta.

Dia 19 de julho de 2006. Após meses de fé, mobilização e treinos intensos, o Gigante, lotado, sediou a disputa dos últimos 90 minutos por vaga nas semifinais continentais. Obrigado a vencer, o Inter até criou boas oportunidades, mas foi incapaz de vazar as redes rivais no primeiro tempo. De volta do intervalo, porém, o ritmo colorado foi amplificado. Prova da intensidade? O primeiro gol, de Sobis, aos 6. Rentería, já aos 41, ampliou. Clemer, nos acréscimos, brilhou. Estávamos entre os quatro melhores das Américas!


Depois de 26 anos, a final

No Clube do Povo, os anos 1980 não ficaram conhecidos como ‘década de prata’ por acaso. Acostumado ao gosto do ouro, recorrente no início da era Beira-Rio, o Inter sofreu com frequentes batidas na trave, ocorridas também em âmbito continental.

Avassaladora, a campanha alvirrubra na Libertadores de 2006 ofereceu ao Colorado, nas oitavas, a primeira oportunidade de superar um trauma passado. Nas semifinais, surgiu a segunda. Desta vez, contra um adversário distinto, mas dentro de roteiro idêntico.

Em 1989, o Colorado perdera a vaga na decisão continental para os alvinegros paraguaios do Olímpia. Traumático, o episódio retornou à memória da torcida vermelha 17 anos depois. Para chegar à final de 2006 o Inter teria de superar, nas semis, o Libertad. Rival também do Paraguai, também preto e branco e também mandante, na partida de ida, no Defensores del Chaco.

Fora de casa, o Clube do Povo empatou sem gols. No Gigante, 50 mil pessoas empurraram escalação decidida a entrar para a história. Os protagonistas do time, naquela noite, foram Alex e Fernandão, que brilharam em nova etapa final decisiva. Pela segunda vez na história, o gigante da Padre Cacique era finalista da Libertadores.


Uma semana sem fim

Morumbi lotado. Inter, de grande campanha no Brasileirão passado, contra São Paulo, vencedor do último Mundial de Clubes. Duelo gigante, entre os dois atuais líderes do Campeonato Nacional. A final de 2006 foi, sem sombra de dúvidas, uma das maiores da história do principal torneio de clubes da América.

Nos primeiros 90 minutos da decisão, Sobis honrou os libertadores Simón Bolívar e José de San Martín para tomar nosso continente das mãos de seus atuais donos. Com dois gols do camisa 11, o Colorado venceu por 2 a 1 e garantiu, em uma das maiores noites da história do Internacional, a vantagem para o jogo de volta

Uma semana depois, no interminável dia 16 de agosto, Fernandão, o principal capitão da história da América, e Tinga, injustiçado herói, marcaram no empate de 2 a 2. A igualdade, conquistada diante de quase 60 mil pessoas, fez Porto Alegre tremer como nunca em sua história. De uma vez por todas, pela primeira em 97 anos, a América estava livre. Livre, e colorida em vermelho e branco. Inter, campeão do continente!

Veias libertas da América Latina

Morumbi lotado. Cerca de 70 mil pessoas apoiando o time da casa, atual campeão do mundo, e que sonhava com o bicampeonato consecutivo da América. Duelo de duas das melhores campanhas da Libertadores. Confronto dos atuais líderes do Brasileirão. Os ingredientes, não se pode questionar, estavam postos para uma noite memorável. Tolos? Somente os que esperavam cozinhar o Inter no caldeirão paulista. Há 14 anos, vivíamos uma das maiores noites de nossa história.

Pula que é gol do Sobis, só pode ser o Sobis/Foto: Jefferson Bernardes


Duelo grandioso


De fato, o adversário exigia respeito. Tricampeão da Libertadores, em 2006 o São Paulo fechou a primeira fase com a quarta melhor campanha do torneio. Nas oitavas, superou o Palmeiras com o agregado de 3 a 2. Logo em seguida, eliminou, no Morumbi, os argentinos do Estudiantes. A classificação para as semis veio nas cobranças de pênaltis, após vitória por 1 a 0 no tempo normal.

Para chegar à finalíssima, o Tricolor, que contava com a estrelada geração de Rogério Ceni, Lugano, Josué, Mineiro, Aloísio e Ricardo Oliveira, ainda bateu o Chivas de Guadalajara. Na casamata, a equipe paulista tinha o comando de Muricy Ramalho, técnico colorado na temporada anterior e, portanto, grande conhecedor do elenco alvirrubro.

Em dezembro, São Paulo conquistaria o Brasil/Foto: Site São Paulo

“Com todo o respeito ao São Paulo, o Inter também é uma grande equipe!”

Bolívar, classificado para a final

O reconhecimento ao bom momento rival, todavia, não significava pessimismo. Muito menos covardia. Dono da segunda melhor campanha da fase de grupos da Libertadores, o Clube do Povo construiu caminhada maiúscula no torneio continental, à altura do que cobra o manto vermelho. Diante do Nacional-URU, equipe que derrotara o Inter na decisão do campeonato em 1980, o Colorado exorcizou seu primeiro fantasma na escalada rumo ao título.

Após eliminar os uruguaios do Parque Central em confronto marcado por pintura inesquecível de Rentería, o Inter encarou, nas quartas de final, duplo desafio. Dentro de campo, a LDU, base da Seleção do Equador, buscava fazer história a nível continental. Fora das quatro linhas, a ansiedade tirava o sono do povo colorado. Entre a partida de ida, vencida pelos locais, em Quito, e o duelo de volta, disputado no Beira-Rio, mais de dois meses, e uma Copa do Mundo, foram vividos. Obstáculos grandiosos, mas inferiores ao Gigante, que garantiu a classificação para as semis. O último rival no caminho até a decisão foi o Libertad, derrotado, depois de empate sem gols no Paraguai, por 2 a 0 no templo da Padre Cacique.

“A história não está feita ainda. Temos que buscar o título”

Fernandão após vitória sobre o Libertad

Pré-jogo de mistério


O Colorado embarcou para São Paulo no sábado 5 de agosto, véspera de confronto contra o Santos, válido pela 15ª rodada do Brasileirão. Disputada apenas quatro dias após o Inter garantir vaga na final da Libertadores, a jornada em terras paulistas contou com uma escalação alternativa do Clube do Povo, que abriu o placar com Iarley, mas sofreu a virada, apesar de boa atuação, nos instantes finais do segundo tempo. O grande ponto positivo do embate foi o retorno de Tinga, recuperado de lesão sofrida no dia 19 de julho, data do duelo de volta contra a LDU. O meio-campista, inclusive, criou a jogada do tento vermelho.

“A gente foi minado com muitas faltas na frente da área, mas não quero me apegar nisso, porque temos uma situação muito importante na quarta-feira. Fico triste pela derrota, mas feliz porque consegui me movimentar bem e posso jogar na quarta-feira.”

Tinga após o duelo contra o Santos

A Baixada Santista seguiu como casa do Colorado nos dias seguintes ao duelo. No CT do Santos, Abel Braga comandou duas atividades fechadas para a imprensa, rodeada de mistérios. Se o retorno de Tinga era provável, por outro lado Alex, com dores no púbis, era dúvida. Autor do primeiro gol marcado pelo Inter na partida decisiva contra o Libertad, o camisa 24 desempenhava papel fundamental no time alvirrubro, alternando com Jorge Wagner entre a ala-esquerda e a armação. Élder Granja, com lesão muscular, também integrava a delegação, mas sua presença dentro de campo era tida como ainda mais complicada.

Eram muitas, assim, as dúvidas que rodeavam a nominata alvirrubra. Na direita, Ceará, que já vinha atuando no lugar de Granja, correspondia à maior certeza. Alex, ao mesmo tempo, passava longe de ter substituto definido. Caso Abel optasse por formação mais conservadora, poderia escolher Índio para o lugar do meio-campista, armando a equipe com três zagueiros e oferecendo maior liberdade a Tinga.

Inter, de Sobis, ajeitou os últimos detalhes no CT do Santos/Foto: Jefferson Bernardes

Outra alternativa residia em Iarley, camisa 10 que vinha somando grandes exibições no Brasileirão. A vocação ofensiva do comandante vermelho também suscitava expectativas acerca da escalação de Michel ou Rentería, avantes que poderiam formar o ataque com Sobis, passando Fernandão para o meio. Com a cabeça repleta de pequenas interrogações, ínfimas se comparadas à enorme motivação que carregavam, cerca de 3,5 mil colorados e coloradas encararam os 1109 quilômetros que separam as capitais de Rio Grande e São Paulo.

Era hora de fazer história. Era hora de soltar o libertador grito que estava preso há 97 anos em nossas gargantas.

Uh, Fernandão!/Foto: Jefferson Bernardes


Nenhum gol, duas expulsões


Entender as escalações que representaram Inter e São Paulo no Morumbi exige voltar mais quatro anos no tempo. Pentacampeão mundial em 2002, o Brasil do técnico Felipão surpreendeu a crítica esportiva, que muito desacreditava a Seleção Brasileira, na Copa do Mundo disputada em Japão e Coréia do Sul.

Armada no esquema 3-5-2, a Canarinho contava com os recuos dos alas Cafu e Roberto Carlos para ter segurança defensiva e máximo apoio pelos flancos. A formação marcou época e, como de costume em Copas do Mundo, ditou novas regras para o futebol. A decisão da Libertadores, é claro, comprova.

A seleção do Penta/Foto: Wilson Carvalho, CBF

Muricy escalou Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos; Souza, Mineiro, Josué, Danilo e Júnior; Leandro e Ricardo Oliveira. O desenho, é claro, reproduzia o 3-5-2. Contra o escrete paulista, Abel apostou no 4-4-2. Clemer, há quatro jogos sem sofrer gols na Libertadores, defendia a meta alvirrubra. Na defesa estiveram, Ceará, na direita, Bolívar e Fabiano Eller, na zaga, e Jorge Wagner, na esquerda. À frente, Tinga e Alex armavam. Fabinho e Edinho, também – mas ainda somavam obrigações defensivas. Completando a nominata, Sobis e Fernandão reeditavam, uma vez mais, poética dupla que marcou época no ataque colorado.

O clima no luxuoso bairro paulista era de festa. Com foguetes, sinalizadores e bandeiras, a torcida da casa empurrou o São Paulo nos instantes iniciais, apostando que um precoce gol poderia bagunçar a estratégia de Abel. Logo no primeiro minuto, Leandro foi lançado na área colorada e chutou cruzado. Mascada pela zaga, a bola morreu segura nas mãos de Clemer. O Inter respondeu pouco depois com Ceará. Aos 3, o lateral escapou em velocidade pela direita e cruzou fechado buscando Sobis. Antes dele, Ceni cortou em escanteio. O camisa 11 colorado teve boa chance na continuidade do lance, partindo, sobre a linha da grande área, da esquerda para o centro. Cruzado, o arremate explodiu na rede, por fora.

Sobis era, de fato, o mais insinuante colorado em campo. Estonteante nas cercanias da grande área, não hesitava em buscar jogo no campo defensivo, irritando a selecionável dupla de volantes paulistas. Josué, estressado, descontou sua indignação muito cedo, e acertou cotovelaço no jovem atacante alvirrubro. Com 9 minutos de partida, o São Paulo já tinha um a menos.

Numérica, a superioridade colorada também foi vista nas ações do campo. Entregue a escassos contra-ataques, o São Paulo apostava o pouco que tinha em Souza, ala-direita. Esperto, Abel respondeu dando liberdade para Jorge Wagner, que muito se somou a Alex na construção de jogadas pelo flanco canhoto. Livre, o lateral-esquerdo colorado recebeu passe milimétrico de Edinho, que tabelara com Sobis, e, de cara com Rogério, finalizou rasteiro. O relógio marcava 17 minutos, e o Inter tinha a primeira grande chance da noite!

Cedo na partida, Jorge Wagner assustou os paulistas/Foto: Divulgação

A resposta tricolor chegou aos 23. Ricardo Oliveira interceptou troca de passes do Inter na intermediária ofensiva colorada e escapou em velocidade. Pela esquerda, colocou na frente e, antes do bote de Bolívar, cruzou com curva. Pouco depois da marca do pênalti, Leandro dominou, deixou correr e, quando Clemer já caía no chão, finalizou. Fabinho, salvador, travou em carrinho milimétrico. Que início de final!

Dono da posse de bola, o Inter voltou a assustar aos 34. Da mesma posição que partira para marcar o primeiro contra o Libertad, Alex recebeu passe de Bolívar. Com espaço, colocou na frente e dispensou a necessidade de um segundo toque na bola. Viva, com efeito, a finalização de canhota levou muito perigo. Três minutos depois, Fabinho acertou Souza por cima e também recebeu o vermelho.

Dono dos holofotes, o camisa 21 do Tricolor teve boa chance após cavar a expulsão do volante alvirrubro, mas esbarrou em Clemer. Por fim, Jorge Wagner encerrou os melhores momentos de uma agitada etapa inicial aos 44, quando cobrou falta por cima do gol de Ceni. O branco do placar, embora não refletisse o ritmo intenso do primeiro tempo, era bem recebido pelo time de Abel Braga, confiante na possibilidade de, no jogo de volta, exercer a tradicional força colorada no Beira-Rio.


Para a história


Até 2006, a maioria dos colorados e coloradas lembrava do Morumbi como palco da maior exibição da história do Inter como visitante. Abrindo a disputa da semifinal do Brasileirão de 1979, o Clube do Povo esteve perfeito para atropelar o Palmeiras e, através de vitória por 3 a 2, trazer a vantagem para o Beira-Rio. Na ocasião, Falcão, cabeludo craque revelado pelo Celeiro de Ases, brilhou balançando as redes paulistas em duas ocasiões. Passados 27 anos, o povo vermelho seria brindado com nova exibição impecável no gigante templo do São Paulo Futebol Clube.

A tranquilidade exibida pela equipe colorada na noite de 9 de agosto de 2006 contrastava com o turbilhão de emoções encarado pelos presentes no Morumbi. Seguro, o time de Abel jogava empurrado por rica biografia, e já construía, durante o zero a zero, atuação que despertava orgulho no povo vermelho. Seguindo à rica este roteiro, o Clube do Povo saiu de trás com tranquilidade aos 8 minutos da etapa final, quando Bolívar acionou Edinho.

Cabeça erguida, o volante progrediu firme para invadir a intermediária rival. Com passadas largas, venceu os dois primeiros marcadores na velocidade. Livre, lançou Sobis quando sentiu a aproximação de Lugano, descontrolado. Ingênuo, o uruguaio deixou espaço na retaguarda tricolor, já esvaziada graças à genialidade de Fernandão. Aberto na direita, o camisa 9 prendeu Edcarlos e criou espaço para a infiltração de seu parceiro de ataque. Como uma orquestra afinada, tudo corria bem na escapada colorada.

Cabeludo craque revelado pelo Celeiro de Ases (um salve às coincidências), Sobis partiu para o mano a mano contra Fabão. Em velocidade, dominou com a direita e, usando da mesma perna, conduziu em linha reta. Para a esquerda, gingou o corpo, levando junto o zagueiro. Ganhava, então, ainda mais espaço para sua melhor perna.

O drible custou o equilíbrio do atacante, que por pouco não caiu. Genial, todavia, ele, que acabara de costurar no gramado as veias do continente que estava prestes a libertar, manteve-se de pé para invadir a área. Dentro dela, finalizou cruzado. Rasteiro. Para a eternidade. Inter na frente, e o setor visitante do Morumbi conhecia o DNA carnavalesco do povo colorado.

Gaúcho e colorado, colorado e gaúcho/Imagens: Rede Globo

Logo depois do gol, Abel mandou Wellington Monteiro a campo, sacando Ceará. Mantido o desenho, a troca deu ainda mais liberdade para a infernal dupla Alex e Jorge Wagner, uma vez que o substituto pela direita, habituado a atuar também como volante, tinha no comportamento defensivo um de seus melhores valores. Em dívida no marcador, o São Paulo precisaria se jogar ainda mais para o campo ofensivo, e estava claro qual corredor ofereceria ao Inter seus melhores contra-ataques.

Infiltrando pela esquerda, Tinga recebeu ótimo passe de Alex que, posicionado pela direita, cobria o avanço do companheiro. Livre, o camisa 7 dominou no momento do pique, mas Rogério, inteligente, deixou o gol para ficar com ela antes do cabeceio do meia colorado. Chance perdida para alguns, caminho indicado para outros. Três minutos depois, Eller desarmou Ricardo Oliveira e deixou ela com Jorge Wagner, que escapou em velocidade.

O camisa 23 cruzou a linha do centro do campo e acionou Fernandão. Posicionado como um volante após ter empreendido intensa perseguição a Ricardo Oliveira, o Eterno Capitão colorado esperou o aproximação de Mineiro e devolveu em Jorge. Fazendo as vezes de meio-campista, ele deixou, em profundidade, para Alex, então exercendo a função de ala.

Alex cruzou linda bola na segunda trave, com efeito, direcionada à nuca de Fernandão, que infiltrou em velocidade. Nas costas da marcação, o camisa 9 colorado testou para a frente, onde estava Tinga, pisando na pequena área. O meio-campista mandou, também de cabeça, arremate certeiro e forte, que explodiu no travessão. Exatamente em cima da marca do pênalti, Rafael Sobis impediu o picar da bola no rebote e finalizou colocado em direção às redes abertas. Pobre Ceni, bem que tentou, mas a noite não era dele. Era de Sobis, que marcava o segundo do Inter.

O segundo do menino de Erechim/Imagens: Rede Globo

Os dois gols de vantagem conquistados em 16 minutos de etapa final criaram um portal na cidade de São Paulo. A partida, antes disputada no Morumbi, passou a ocorrer no gramado do Beira-Rio. O som ambiente não deixava dúvidas.

Tomado pelo povo vermelho, o estádio via ecoar estridente “Vamo, Vamo Inter”. Dona dos mais altos decibéis, a torcida colorada construiu festa poucas vezes vista no sudeste brasileiro. A noite, indubitavelmente, entrava para a história.

Festa da torcida colorada/Foto: Divulgação

Os elogios tecidos ao São Paulo no alvorecer desta matéria não se fizeram presentes por acaso. Treinado por um gênio, o time da casa respondeu ao segundo gol colorado com a entrada de Lenílson, ofensivo meio-campista que substituiu Danilo. Logo depois, Júnior, primeiro dentro e depois fora da área, desperdiçou boas oportunidades. O que antes era uma goleada, consequentemente, voltou a tomar contornos de igualdade, afinal de contas, entusiasmada pela postura de seus atletas, a torcida do São Paulo passou a disputar o posto de local com a colorada.

Dentro de campo, a vantagem do Clube do Povo também conviveu com ameaços. Aos 21, por exemplo, Clemer operou grande milagre. Sedento por novo contra-ataque, o Inter deu o troco com Sobis. Após servir Alex, o camisa 11 viu Fernandão ser lançado na esquerda da grande área. Parcialmente cortado, o cruzamento rasteiro do camisa 9 voltou para o artilheiro da noite. De frente pra o gol, ele exagerou na força.

É preciso reconhecer a excelente atuação de Souza, o mais perigoso atleta do São Paulo. Aos 28, ele quase consagrou Júnior, mas o excelente cruzamento foi cortado por Wellington Monteiro. Cobrado o escanteio, o lance prosseguiu até Leandro receber bola na direita da intermediária e cruzar para Edcarlos, postado como um centroavante. Certeiro, o cabeceio morreu nas redes de Clemer. Jogo em aberto, mais uma vez.

No lugar do zagueiro artilheiro, que vinha jogando como atacante, entrou Aloísio, centroavante de origem. Ao mesmo tempo, o Inter contava com Índio, que substituíra, minutos antes do gol, Alex. Fechado com cinco atletas na primeira linha, o Clube do Povo ainda somava mais quatro no meio de campo, consequência da aplicação tática de Fernandão e Sobis, que revezavam no momento de recompor.

A consequência de toda a dedicação dos avantes colorados chegou aos 34, quando o até então incansável Rafael Sobis precisou sair. Exaurido após atuação do mais alto nível, deu lugar para Michel. Renovado, o talismã de Abel Braga dispensou os recuos de Fernandão, e exerceu, absoluto, a função de coringa entre meio e ataque.

“As dificuldades serão iguais ou maiores no próximo jogo. Conseguimos apenas uma pequena vantagem e vamos aproveitá-la da melhor maneira possível”

Abel após o jogo no Morumbi

Descansado na linha de frente, Fernandão criou, aos 36 minutos, oportunidade mágica para o Inter. Acionado por Tinga, prendeu dois marcadores, fez a parede e recomeçou com Jorge Wagner, que deixou de lado com Edinho. O volante disparou do círculo central e, mais uma vez imparável, só foi derrubado por carrinho violento de Fabão, já na meia-lua da grande área. Para o agressor, amarelo. Para o Clube do Povo, falta. Para Jorge, o lamento. A bola saiu alta demais.

Ricardo Oliveira, Lenílson, Richarlyson – alçado a campo na vaga de Leandro -, Souza e, inclusive, Bolívar, cortando cruzamento perigoso vindo da direita. Todos estes atentaram contra a meta colorada ao longo dos instantes que antecederam o apito final. Nenhum balançou as redes de Clemer. Aos 48, Jorge Larrionda encerrou jornada que até hoje segue interminável na nostálgica memória do povo do Inter. Em uma semana, conquistaríamos a América.

Heróis colorados comemoram muito a vantagem conquistada na partida de ida/Foto: Divulgação

Livres do fantasma paraguaio

Semifinal de Libertadores. O adversário? Forte equipe paraguaia, alvinegra e atual campeã nacional. Último obstáculo na luta por vaga na decisão continental, teria de ser superado no Beira-Rio, sede da batalha final de guerra iniciada no mítico Defensores del Chacho. O roteiro, sabíamos, era conhecido. Tornava-se necessário, portanto, revolucionar seu último capítulo. Há 14 anos, exorcizávamos o último fantasma na caminhada rumo ao topo da América.

Em breve retornaríamos, depois de 26 anos, à final da América/Foto: Jefferson Bernardes

Time embalado


A Libertadores de 2006 foi a primeira disputada pelo Inter em 13 anos. Afastado do torneio desde 1993, o Clube do Povo, gaúcho que desbravou o certame na década de 70, retornou à elite continental após anos de rápida e concreta reestruturação interna. Inicialmente, na abertura do século XXI, o Colorado lutou contra grandes equipes latinas na Sul-Americana, assim ganhando cancha em competições do exterior.

Colorado ascendeu rapidamente no cenário sul-americano/Foto: Marcelo Campos

Logo depois, o Inter fez por merecer o título do Brasileirão de 2005, conquista que consagraria forte elenco abrilhantado por nomes como Clemer, Ceará, Índio, Bolívar, Edinho, Tinga, Jorge Wagner, Alex, Rafael Sobis, Fernandão e muitos outros. Os escândalos extracampo, contudo, embora tenham retirado o troféu nacional das mãos alvirrubas, também serviram de motivação para o time, que ficou ainda mais sedento por taças, como provou na invicta campanha da fase de grupos da Libertadores.

Praticando um futebol extremamente ofensivo, o time de Abel Braga somou 14 pontos e avançou para as oitavas de final na liderança de seu grupo. Ao mesmo tempo, duro revés na finalíssima estadual suscitou mudanças na equipe, que passou a atuar de maneira mais equilibrada, mas igualmente propositiva. Foi assim que eliminamos o Nacional, antigo carrasco, nas oitavas, e também a LDU, em dramático duelo por classificação às semis. Para chegar a decisão, seria necessário superar mais um fantasma – este paraguaio.


Rival também fora de campo


A década de 80 não foi fácil para a torcida colorada. Habituado a dominar Rio Grande e Brasil, o povo vermelho precisou se acostumar ao insosso gosto da prata. Batemos, inúmeras vezes, na trave, alimentando grande sentimento de frustração nos arredores do Gigante. Dentre as derrotas mais doloridas, o revés diante do Olímpia, na semifinal da Libertadores de 1989, atinge notório destaque.

Treinado por Abel Braga, o Inter havia construído maiúscula caminhada continental. Nas oitavas, despachou o todo poderoso Peñarol através de incrível agregado de 8 a 3. Logo depois, o Bahia, atual campeão brasileiro em cima do próprio Colorado, sucumbiu à força do Gigante. Embalado, o Clube do Povo abriu fora de casa, contra a alvinegra equipe do Olímpia, a disputa por vaga na decisão.

O jovem Abel Braga, comandante do Inter no final da década de 80

No Defensores del Chaco, Luis Fernando Rosa Flores anotou, de bicicleta, um dos gols mais bonitos da história da Libertadores. Com ele, o Inter garantiu a vantagem mínima para o jogo da volta, duelo acompanhado, no Beira-Rio, por mais de 70 mil colorados e coloradas que encerrariam o dia atônitos. Ninguém imaginava, mas o Clube do Povo viveria uma das noites mais trágicas de sua história, sacramentada com eliminação após duas derrotas. A primeira, por 3 a 2, aconteceu no tempo normal. A segunda, na marca do cal. Desde então, jamais havíamos chegado tão longe na Libertadores. Até 2006. Até o retorno de Abel. Até novo confronto contra paraguaio, agora o Libertad.

Comandado por Gerardo ‘Tata’ Martino, técnico que chegaria, no futuro, ao comando da Seleção Argentina e também do Barcelona, o atual campeão do Paraguai contava com forte elenco. Entre as principais estrelas de geração que conquistaria o tricampeonato nacional estavam Édgar Balbuena, Víctor Cáceres, Martín Hidalgo, Cristian Riveros, Rodrigo López e, é claro, Pablo Horácio Guiñazú. Para avançar à final, o Inter teria, então, de superar grande adversário dentro de campo, e temido fantasma fora dele.


O jogo de ida


A classificação para a final não seria conquistada graças a alguma receita mágica, invenção de última hora ou coelho tirado da cartola. Se o Inter estava entre os quatro melhores do continente, era por merecimento e justiça. Abrir mão do fizera para chegar tão longe no torneio seria inconsequente. A despeito de qualquer má recordação, a partida contra o Libertad precisava ser encarada como todas as outras. Nosso capitão, como sempre genial, sabia disso.

“Se chegamos até esta fase da competição foi porque adquirimos uma maneira de jogar. Por isso, não podemos mudar nossa postura contra o Libertad. Vamos em busca da vitória, tendo consciência dos perigos que o adversário oferece”

Fernandão, projetando o duelo

Os maus agouros, inclusive, também encarariam adversário de peso nas arquibancadas do Defensores del Chaco. Contra o espírito das frustrações passadas, o Inter contaria com a vibração do mais inabalável povo, capaz de erguer um gigante sobre as águas de um rio. Torcida que sofrera no passado recente, e ansiava para retornar ao seu lugar de direito: o topo do pódio. Para tanto, os milhares que viajaram ao Paraguai apostavam em um comandante identificado com nossas cores.

“É muito bom saber que teremos este apoio maciço no Paraguai. O Inter é uma equipe de alma, de cor vermelha, de sangue. Contra o Libertad não vai ser diferente”

Abel Braga, antes do jogo

Desfalcado por Tinga, o Clube do Povo foi a campo com Clemer no gol, Índio, Bolívar e Eller na zaga; Ceará e Jorge Wagner nas respectivas alas direita e esquerda; Edinho, Fabinho e Alex no meio; Fernandão e Sobis no ataque. Vivendo noite inspirada, o jovem camisa 11 alvirrubro causou grandes problemas à zaga paraguaia, criando as principais oportunidades do começo de partida. De sua parte, o Libertad insistia em bolas alçadas na área, sempre contando com a vibração de Guiñazú para garantir o rebote. Os três zagueiros colorados, todavia, frustravam os planos mandantes.

Na etapa inicial, as melhores oportunidades de cada equipe foram criadas após os 30 minutos. Primeiro, Fernandão, como se fora um poço de tranquilidade em meio ao nervosismo clássico de um confronto eliminatório, recebeu passe forte de Ceará, na altura da intermediária, e, inteligente, deu um chapéu no marcador. Afobado, o adversário passou batido, enquanto o Eterno Capitão colorado dominava no peito, adiantando a posse. Com força, o camisa 9 mandou de direita, e a bola tirou tinta do travessão.

Pouco depois, Cholo Guiñazú conseguiu seu primeiro bom rebote no jogo e, de canhota, em cima da linha da grande área, finalizou no canto. A redonda explodiu no poste, cruzou em frente à meta vermelha, encontrou Riveros e, na segunda tentativa deste, foi cruzada para a confusão, onde López arrematou para defesa segura de Clemer. Por fim, aos 42, Ceará levantou bola fechada que foi direto na trave superior de Gonzalez. Dono da sobra, Sobis ajeitou para Jorge Wagner encher o pé. O arqueiro paraguaio promoveu um belíssimo milagre.

O panorama de igualdade foi mantido para a etapa final. Mortais como de costume, os entrosados Sobis e Fernandão cansaram a defesa paraguaia. À dupla, somavam-se os constantes avanços de Jorge Wagner, pela esquerda, e Ceará, na direita, além de Iarley, que substituiu Alex. O lance mais marcante do segundo tempo, contudo, foi da equipe da casa – mas, de certa forma, também do Inter. Após cruzamento de Romero, Eller afastou para a intermediária. Bem posicionado, Riveros pegou a sobra e, ignorando a longa distância, mandou de primeira.

Rasante, ela voou até o travessão de Clemer, bateu nas costas do goleiro e, mansa, teimosa, picando, saiu ao lado do poste direito. Há dois anos, na Bombonera, também em uma semifinal continental, o goleiro sofrera gol em lance muito parecido. Agora, a bola saía. Na luta entre a camisa colorada e o fantasma paraguaio, parecíamos levar a melhor. Nossa torcida, presente aos milhares no Defensores, certamente fazia por merecer desfecho mais alegre. Pouco depois do lance, o jogo foi encerrado, com o placar zerado. O duelo seguia em aberto.


Tensão gigante


Entre os confrontos de ida e volta das semifinais continentais, o Inter disputou, pelo Brasileirão, o Gre-Nal de número 366 na história. Com os reservas, o time de Abel Braga até criou as melhores chances, mas não conseguiu alterar o placar do duelo, que ficou marcado, muito mais do que por qualquer lance dentro de campo, pelo vexame histórico da torcida gremista, que provocou grande tumulto nas arquibancadas do Gigante, inclusive incendiando banheiros químicos. Dois dias depois, foi o povo vermelho quem deu exemplo – mas positivo. Na abertura do mês de agosto, o Inter atingiu a inédita marca de 40 mil sócios e sócias, feito que teve como consequência um Beira-Rio completamente lotado para o duelo diante do Libertad.

O Clube do Povo foi a campo, no dia 3 de agosto de 2006, escalado, a exemplo do que ocorrera na partida de ida, com três zagueiros. Bolívar era o responsável pelo lado direto da trinca, enquanto Eller ocupava a esquerda. Entre eles, estava Índio. À frente, cinco meio-campistas tratavam de gerar superioridade numérica na região mais crítica do campo. Donos de grande poder de contenção, mas também responsáveis por oferecer boa saída de bola, Fabinho e Edinho garantiam a liberdade necessária para Alex, extremamente entrosado com o ala-esquerda Jorge Wagner. Ceará, na direita, tinha como parceiro preferido o inquieto atacante Rafael Sobis, eterno par perfeito de Fernandão. No gol, é claro, o titular foi Clemer.

Os heróis responsáveis por devolver o Inter à decisão continental

Os primeiros movimentos da partida deram a entender que o fantasma paraguaio, incapaz de triunfar diante de cinco mil colorados em Assunção, não teria a menor chance contra as mais de 50 mil pessoas que fizeram trepidar o Beira-Rio. Logo aos 3, Edinho escapou em velocidade pelo meio e abriu com Fernandão. Invertendo posição com Sobis, o camisa 9, posicionado como um ponta-direita, cruzou rasteiro para o 11, que se atirou em preciso carrinho. Com os pés, Gonzalez salvou.

De garçom, Fernandão passou a artilheiro, e tentou, aos 14, completar cruzamento aberto de Jorge Wagner. Alta demais, a bola saiu em tiro de meta. Já aos 31, no último lance de perigo da etapa inicial, o Eterno Capitão alvirrubro recebeu grande passe em profundidade de Alex, assistência que não dominou por questão de centímetros, suficientes para o goleiro adversário fazer a defesa.

Embora de ampla supremacia colorada, a etapa inicial conviveu, também, com crescente ansiedade do povo vermelho. Contra o Olímpia, o Inter fora eliminado exatamente no segundo tempo, quando, inclusive, desperdiçou uma penalidade. A lição do passado, logo, era bastante clara: quem não faz, sofre. E o sofrimento deu as caras depois do intervalo. Cedo, o Libertad desperdiçou a primeira oportunidade, respondida rapidamente por Sobis, que teve boa chance. A partir dos 10 minutos, todavia, um verdadeiro filme de terror teve início.

O Inter viveu seis minutos de pura tensão, capaz de paralisar os atletas dentro de campo. Aos 11, Cáceres subiu livre após cobrança de escanteio e, respeitando o figurino, cabeceou para baixo. Clemer defendeu. Cerca de 40 segundos depois, López foi lançado na área e só não balançou as redes graças a desarme providencial de Bolívar. Na cobrança do córner, o mesmo atacante cabeceou bola que levou muito perigo ao gol alvirrubro. A torcida finalmente conseguia puxar o primeiro ar quando Riveros finalizou cruzado e Villareal, por detalhe, não completou de carrinho. Ato contínuo, quem arrematou para longe foi Gamarra. Abel, então, percebeu que a situação só tendia a piorar. Como respondeu? Mandando Rentería a campo, na vaga de Fabinho.

A troca foi ousada. A partir dela, Alex seria recuado à volância, e Fernandão, como um ponta-de-lança, estaria responsável por municiar Rentería e Sobis, a nova dupla de ataque. Necessária para um time que se via obrigado a marcar gols, a substituição também poderia oferecer ainda mais espaços para o Libertad, dentro de campo, e ao azar, fora dele. Felizmente, nenhum destes teve tempo para agir.

Aos 17, pouco mais de um minuto após a entrada de Rentería, Alex recebeu passe de Ceará. Recuado, o camisa 24 pôde visualizar o campo de frente e perceber que, ao mesmo tempo que seus companheiros mais adiantados estavam excessivamente marcados, existia espaço de sobra para progredir até as cercanias da grande área paraguaia. Assim fez e, após simples dois toques na bola, soltou um de seus marcantes canhotaços. Veloz, a esférica voou até as cercanias da pequena área, picou pela primeira vez, ganhou velocidade ainda maior e, sem oferecer chance alguma de defesa, bateu no poste para depois morrer nas redes. Inter na frente!

Ele sempre foi de bomba/Imagens: SporTV

A vantagem colorada nocauteou o Libertad. Antes confiantes em um gol que parecia iminente, os paraguaios ficaram visivelmente desorientados com o caldeirão da beira do Guaíba. Completamente zonzos devido à festa da torcida, chegaram a sentir náuseas quando, ao ritmo do povo vermelho, Sobis começou a dançar na ponta direita.

Primeiro, aos 21, o camisa 11 decidiu partir para dentro da marcação e só depois soltar a bola, cruzada na cabeça de Ceará, que parou no goleiro. No minuto seguinte, mudou de ideia e, ainda na intermediária, acionou Fernandão.

Vindo de trás como um meia, o capitão pôde dominar, fazer o giro, ajeitar e, a exemplo do que fizera Alex, soltar a canhota. Cruzado, o arremate dispensou o beijo no poste, mas também morreu no canto das redes alvinegras. Após abrir o placar graças a meio-campista recuado para a volância, o Inter chegava ao segundo através de um camisa 9 que ocupava a ponta-de-lança. Brilhante, Abel!

O 2 a 0 permitia ao Inter sofrer um gol e, mesmo assim, garantir vaga na decisão. A postura ofensiva, portanto, podia ser arrefecida. Assim, Abel mudou mais uma vez, colocando Wellington Monteiro na vaga de Índio. Deste momento em diante, o Clube do Povo esteve formado por duas linhas de quatro. Na primeira, estavam Ceará, Bolívar, Eller e Jorge Wagner. Logo na frente, Edinho, Alex, Wellington Monteiro e Fernandão.

Compacto, o Colorado seguiu se fechando bem, tocando a bola com segurança e transpirando disposição e garra. Ao mesmo tempo, a torcida, enlouquecida de felicidade, vaiava cada trama adversária com furor idêntico ao usado para incentivar o Alvirrubro. Nos acréscimos, Rentería ainda desperdiçaria boa chance, defendida pelo goleiro paraguaio.

Enfim, aos 48 minutos do segundo tempo, ecoou pelo Beira-Rio o último apito do árbitro Oscar Ruiz, oficializando o retorno do Inter, após 26 anos de espera, à final da Libertadores. Na força do Gigante, nos libertávamos do último fantasma continental. Livres, logo serviríamos de libertadores para os povos vizinhos. Que viesse o São Paulo!

Estávamos loucos por ti, América!/Foto: Jefferson Bernardes