#Gigante52Anos

Foi em 6 de abril de 1969 que o Gigante erguido sobre as águas com a força do Povo Colorado rugiu pela primeira vez! Uma nova era se iniciava para o Internacional, com gloriosos momentos eternizados à beira do Guaíba! Parabéns, Beira-Rio, templo do nosso amor! #Gigante52Anos

Iluminação do Gigante destaca o Purple Day

Gigante iluminado em homenagem ao Purple Day (Foto: Ricardo Duarte)

A iluminação da cobertura do Beira-Rio destaca o Purple Day na noite desta sexta-feira (26/03). A ação faz parte do Dia Mundial de Conscientização Sobre Epilepsia, uma condição que afeta cerca de 2,5 milhões de brasileiros.

Popularmente conhecido como Purple Day (Dia Roxo), o Dia Mundial de Conscientização Sobre Epilepsia já se propagou mundialmente. Aqueles que sofrem com a condição, enfrentam desafios constantes. O dia 26 de março serve para reforçar a conscientização e elucidar os principais aspectos da epilepsia, além de mostrar como os pacientes podem ter uma rotina com mais qualidade de vida.

O que é epilepsia?

É uma doença do sistema nervoso central que consiste em uma alteração cerebral temporária e reversível que pode durar alguns segundos ou minutos. Durante essa alteração, o cérebro emite sinais incorretos que podem se concentrar em uma só região ou se espalhar por todo cérebro. É isso que pode levar a pessoa a convulsionar.

O diagnóstico da epilepsia deve ser realizado por um neurologista, que irá avaliar quais são as melhores alternativas de tratamento, mas a patologia ainda não apresenta cura. As opções para controle de crises são medicamentosas e em alguns casos específicos cirúrgico.

Números

No mundo todo, são mais de 65 milhões de pessoas com epilepsia. No Brasil, o número gira em torno de 2,5 milhões de pessoas. 70% das pessoas afetadas podem ser tratadas com medicamentos. Apenas 10% dos casos requer, além de medicação, uma abordagem especializada com dieta ou cirurgia. Cerca de 20% dos casos complexos não respondem ao tratamento.

#DAleParaSempre: confira tudo que vivemos após o último apito deste sábado

Anote na agenda: o sábado 19 de dezembro de 2020 jamais será esquecido por todos que vivem e reverenciam a gigante história do Sport Club Internacional. Quando já se encaminhava para ser encerrada, a data teve o privilégio de receber a última partida de Andrés Nicolás D’Alessandro com a camisa colorada, disputada contra o Palmeiras e encerrada com vitória de 2 a 0 do Clube do Povo.

Assim que encerrado o duelo, El Cabezón foi prontamente saudado por seus companheiros de grupo, que após os devidos cumprimentos trataram de alçar o jogador às alturas. O festejo, inicialmente embalado pelo eterno grito de “Dale, D’Alessandro”, logo contou com vídeo especial formado por agradecimentos de ex-companheiros e amigos do argentino, grupo seleto que com suas palavras simbolizou os milhões de obrigados que foram ditos nesta noite por colorados e coloradas.

Encerrado o vídeo, D’Alessandro discursou no centro do campo. O ídolo tratou de comemorar a importante vitória conquistada neste sábado, agradecer seus atuais companheiros, destacar o papel ocupado pelas demais lideranças do grupo e elogiar Abel Braga, técnico que, desde 2014, também é amigo pessoal do gringo.

Jogador que torce, torcedor que joga, na saída de campo D’Ale viveu novo momento especial. Abraçado em sua esposa, Erica, e nos filhos Martina, Gonzalo e Santio, o camisa 10 atravessou um corredor formado pelos colegas de elenco, que mais uma vez aplaudiram um dos maiores craques do futebol sul-americano.

Antes de cruzar pela última vez o túnel dos vestiários do Gigante, D’Alessandro também recebeu uma faixa confeccionada em sua homenagem. O trapo eterniza Andrés em seu melhor estilo: sorridente e eufórico, carregando um bumbo nos braços, regendo a festa do povo que tantas fezes fez tremer as arquibancadas do Beira-Rio,

O relógio indicava 23h53 quando D’Ale desceu do campo, as derradeiras luzes do Beira-Rio foram apagadas e o último tango do gênio, infelizmente, findado. Equivocaram-se, porém, aqueles que julgaram como final o ponto escrito no gramado.

Na sala de coletivas do Beira-Rio, D10s concedeu entrevista para a imprensa e, com suas falas, voltou a trazer lágrimas para nossas faces. Confira as principais aspas de Andrés:

“Fico feliz pela entrega do time, pelo jogo que fez o grupo. Pessoalmente, sentimento de gratidão, agradecimento, por tudo que têm demonstrado os jogadores e funcionários do Clube nos últimos dias. Vai ser difícil quando cair a ficha. É uma situação de tristeza muito grande mas, quando olho para trás, uma felicidade muito grande também.”

D’Ale, sobre a partida

“Para a torcida, a palavra é de gratidão. Pelo apoio, pois me aguentaram em momentos que extrapolei, que cobrei e fui cobrado. É uma relação de empatia. Se poderia falar alguma coisa para o torcedor, é pedir desculpas. Gostaria de ter entregado mais. Sempre tentamos fazer o melhor, mas fica um gostinho porque não me conformo, não sou conformista.”

Humilde como os gigantes

“O Beira-Rio foi a minha casa por 12 anos. Tive o privilégio e a sorte de conhecer o antigo, vivi essa época e a época do novo Beira-Rio. Épocas totalmente diferentes. Gostaria que muitos jovens que estão hoje e que tiveram a chance de aparecer nas suas carreiras no novo, tivessem conhecido o antigo para poder ver como a gente se puxava, para conhecer os valores que a gente tinha lá atrás, quando tinha muito menos do que tem hoje.

A nostalgia dos tempos de chegada

“Sobre o legado, eu volto a repetir, o futebol é um esporte coletivo. O que eu conquistei, foi porque fui parte de grupos vencedores, com companheiros vitoriosos, que me ajudaram muito. Hoje eu saio com 13 títulos e com o carinho do torcedor, que para mim é importantíssimo, mas isso não quero deixar como legado. Isso é uma consequência do trabalho, do profissionalismo, que são o verdadeiro legado.”

O legado deixado por D10s

“Quero que meus companheiros me lembrem como uma pessoa do bem, maluco em alguns momentos, louco, chato, mas esse é o jeito de fazer as coisas andarem. Aprendi assim e irei até o último dia assim.”

Uma vez capitão, sempre capitão

Já vivíamos o infeliz domingo 20 de dezembro, dia um sem Andrés, quando o Clube aqueceu o coração de seu povo. No lugar das lágrimas, veio a ansiedade, pois no próximo 10 de janeiro, a única data possível, o Inter publicará, em seus canais oficiais, documentário especial sobre a trajetória do gigante D’Alessandro no Beira-Rio.

Clique aqui para saber mais sobre o documentário D’Ale para sempre

Embora tenha sido D’Alessandro o dono dos holofotes, o gringo não foi o único a falar depois do jogo. Alexandre Chaves Barcellos, segundo vice-presidente de Futebol, Abel Braga, técnico colorado, e Yuri Alberto, autor de pintura na noite deste sábado, também falaram ao público após o triunfo diante do Palmeiras. O assunto, é claro, foi a despedida de Cabezón. Confira as aspas:

“É muito, muito raro um jogador, durante 12 anos, conquistar a torcida, ter o respeito de todos, em um país que não é o dele. Ele foi muito bem recebido aqui no Inter, e soube retribuir todo esse carinho. Ele sabe o quanto admiro o lado profissional dele, o grande jogador que é e, acima de tudo, o grande caráter. Neste momento histórico, me sinto orgulhoso de ter participado mais uma vez.”

Abel Braga

“Essa noite teve uma simbologia muito especial para todos nós colorados. Agradecer por tudo que o D’Alessandro fez ao Internacional, são 12 anos de uma dedicação, de uma entrega, de uma liderança como eu nunca tinha visto de um atleta em relação a um clube. Acho que é algo que vai ser muito difícil que possamos repetir, provavelmente até mesmo na história do futebol brasileiro.”

Alexandre Chaves Barcellos

“Tenho pouco tempo de Clube,

mas aprendi muito

com ele”

Yuri Alberto

Fotos: Inter 2×1 Botafogo – Brasileirão/25ª rodada

Inter venceu o Botafogo de virada no Beira-Rio

Relacionamento Social preserva clima de jogo nas arquibancadas do Beira-Rio

Louco amor colorado está sempre presente no Beira-Rio

No lugar do imponente silêncio das arquibancadas, a reprodução do canto eufórico da torcida. Conquistada neste sábado (22/08), a vitória colorada sobre o Atlético-MG foi mais uma a contar com o apoio do povo vermelho, multidão que, mesmo de casa, esteve muito bem representado no Beira-Rio.

Nas últimas partidas disputadas pelo Inter como mandante, a vice-presidência de Relacionamento Social do Inter, através do departamento de Torcidas e Ambiente de Jogo, tem proporcionado aos consulados e às organizadas a possibilidade de estenderem suas faixas nas arquibancadas do Beira-Rio. Além de embelezar o Estádio, o gesto também corresponde à belíssima demonstração de amor ao Clube e de apoio ao time.

Para além do contato junto a consulados e torcidas organizadas, a equipe de Relacionamento Social também é responsável pelo Saci. Personificação da torcida nos jogos, representante também da responsabilidade social que o Inter carrega, o mascote do Clube do Povo continua levando, durante a pandemia, toda sua alegria, dedicação e comprometimento ao ambiente da partida. Desta forma o personagem transmite todo o sentimento enviado, de longe, pelos milhões de apaixonados colorados e coloradas.

Esta representatividade ameniza a saudade do futebol, sensação cada vez mais latente no coração da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, que desde março não pode ocupar, fisicamente, as arquibancadas do Beira-Rio. “O Relacionamento Social, mesmo sem poder ter a presença dos nossos consulados e da torcida nos jogos, sempre dá um jeito de, através dos panos das torcidas, das faixas dos consulados e da presença do Saci, levar o carinho do povo colorado para o Beira-Rio”, explica o vice-presidente de Relacionamento Social do Inter, Norberto Guimarães.

Para serem exibidas no Gigante, os representantes colorados podem enviar suas faixas para o Relacionamento Social até a data anterior à partida. O endereço para entrega é Avenida Padre Cacique, 891, Porto Alegre (CEP 90810240).

Livres do fantasma paraguaio

Semifinal de Libertadores. O adversário? Forte equipe paraguaia, alvinegra e atual campeã nacional. Último obstáculo na luta por vaga na decisão continental, teria de ser superado no Beira-Rio, sede da batalha final de guerra iniciada no mítico Defensores del Chacho. O roteiro, sabíamos, era conhecido. Tornava-se necessário, portanto, revolucionar seu último capítulo. Há 14 anos, exorcizávamos o último fantasma na caminhada rumo ao topo da América.

Em breve retornaríamos, depois de 26 anos, à final da América/Foto: Jefferson Bernardes

Time embalado


A Libertadores de 2006 foi a primeira disputada pelo Inter em 13 anos. Afastado do torneio desde 1993, o Clube do Povo, gaúcho que desbravou o certame na década de 70, retornou à elite continental após anos de rápida e concreta reestruturação interna. Inicialmente, na abertura do século XXI, o Colorado lutou contra grandes equipes latinas na Sul-Americana, assim ganhando cancha em competições do exterior.

Colorado ascendeu rapidamente no cenário sul-americano/Foto: Marcelo Campos

Logo depois, o Inter fez por merecer o título do Brasileirão de 2005, conquista que consagraria forte elenco abrilhantado por nomes como Clemer, Ceará, Índio, Bolívar, Edinho, Tinga, Jorge Wagner, Alex, Rafael Sobis, Fernandão e muitos outros. Os escândalos extracampo, contudo, embora tenham retirado o troféu nacional das mãos alvirrubas, também serviram de motivação para o time, que ficou ainda mais sedento por taças, como provou na invicta campanha da fase de grupos da Libertadores.

Praticando um futebol extremamente ofensivo, o time de Abel Braga somou 14 pontos e avançou para as oitavas de final na liderança de seu grupo. Ao mesmo tempo, duro revés na finalíssima estadual suscitou mudanças na equipe, que passou a atuar de maneira mais equilibrada, mas igualmente propositiva. Foi assim que eliminamos o Nacional, antigo carrasco, nas oitavas, e também a LDU, em dramático duelo por classificação às semis. Para chegar a decisão, seria necessário superar mais um fantasma – este paraguaio.


Rival também fora de campo


A década de 80 não foi fácil para a torcida colorada. Habituado a dominar Rio Grande e Brasil, o povo vermelho precisou se acostumar ao insosso gosto da prata. Batemos, inúmeras vezes, na trave, alimentando grande sentimento de frustração nos arredores do Gigante. Dentre as derrotas mais doloridas, o revés diante do Olímpia, na semifinal da Libertadores de 1989, atinge notório destaque.

Treinado por Abel Braga, o Inter havia construído maiúscula caminhada continental. Nas oitavas, despachou o todo poderoso Peñarol através de incrível agregado de 8 a 3. Logo depois, o Bahia, atual campeão brasileiro em cima do próprio Colorado, sucumbiu à força do Gigante. Embalado, o Clube do Povo abriu fora de casa, contra a alvinegra equipe do Olímpia, a disputa por vaga na decisão.

O jovem Abel Braga, comandante do Inter no final da década de 80

No Defensores del Chaco, Luis Fernando Rosa Flores anotou, de bicicleta, um dos gols mais bonitos da história da Libertadores. Com ele, o Inter garantiu a vantagem mínima para o jogo da volta, duelo acompanhado, no Beira-Rio, por mais de 70 mil colorados e coloradas que encerrariam o dia atônitos. Ninguém imaginava, mas o Clube do Povo viveria uma das noites mais trágicas de sua história, sacramentada com eliminação após duas derrotas. A primeira, por 3 a 2, aconteceu no tempo normal. A segunda, na marca do cal. Desde então, jamais havíamos chegado tão longe na Libertadores. Até 2006. Até o retorno de Abel. Até novo confronto contra paraguaio, agora o Libertad.

Comandado por Gerardo ‘Tata’ Martino, técnico que chegaria, no futuro, ao comando da Seleção Argentina e também do Barcelona, o atual campeão do Paraguai contava com forte elenco. Entre as principais estrelas de geração que conquistaria o tricampeonato nacional estavam Édgar Balbuena, Víctor Cáceres, Martín Hidalgo, Cristian Riveros, Rodrigo López e, é claro, Pablo Horácio Guiñazú. Para avançar à final, o Inter teria, então, de superar grande adversário dentro de campo, e temido fantasma fora dele.


O jogo de ida


A classificação para a final não seria conquistada graças a alguma receita mágica, invenção de última hora ou coelho tirado da cartola. Se o Inter estava entre os quatro melhores do continente, era por merecimento e justiça. Abrir mão do fizera para chegar tão longe no torneio seria inconsequente. A despeito de qualquer má recordação, a partida contra o Libertad precisava ser encarada como todas as outras. Nosso capitão, como sempre genial, sabia disso.

“Se chegamos até esta fase da competição foi porque adquirimos uma maneira de jogar. Por isso, não podemos mudar nossa postura contra o Libertad. Vamos em busca da vitória, tendo consciência dos perigos que o adversário oferece”

Fernandão, projetando o duelo

Os maus agouros, inclusive, também encarariam adversário de peso nas arquibancadas do Defensores del Chaco. Contra o espírito das frustrações passadas, o Inter contaria com a vibração do mais inabalável povo, capaz de erguer um gigante sobre as águas de um rio. Torcida que sofrera no passado recente, e ansiava para retornar ao seu lugar de direito: o topo do pódio. Para tanto, os milhares que viajaram ao Paraguai apostavam em um comandante identificado com nossas cores.

“É muito bom saber que teremos este apoio maciço no Paraguai. O Inter é uma equipe de alma, de cor vermelha, de sangue. Contra o Libertad não vai ser diferente”

Abel Braga, antes do jogo

Desfalcado por Tinga, o Clube do Povo foi a campo com Clemer no gol, Índio, Bolívar e Eller na zaga; Ceará e Jorge Wagner nas respectivas alas direita e esquerda; Edinho, Fabinho e Alex no meio; Fernandão e Sobis no ataque. Vivendo noite inspirada, o jovem camisa 11 alvirrubro causou grandes problemas à zaga paraguaia, criando as principais oportunidades do começo de partida. De sua parte, o Libertad insistia em bolas alçadas na área, sempre contando com a vibração de Guiñazú para garantir o rebote. Os três zagueiros colorados, todavia, frustravam os planos mandantes.

Na etapa inicial, as melhores oportunidades de cada equipe foram criadas após os 30 minutos. Primeiro, Fernandão, como se fora um poço de tranquilidade em meio ao nervosismo clássico de um confronto eliminatório, recebeu passe forte de Ceará, na altura da intermediária, e, inteligente, deu um chapéu no marcador. Afobado, o adversário passou batido, enquanto o Eterno Capitão colorado dominava no peito, adiantando a posse. Com força, o camisa 9 mandou de direita, e a bola tirou tinta do travessão.

Pouco depois, Cholo Guiñazú conseguiu seu primeiro bom rebote no jogo e, de canhota, em cima da linha da grande área, finalizou no canto. A redonda explodiu no poste, cruzou em frente à meta vermelha, encontrou Riveros e, na segunda tentativa deste, foi cruzada para a confusão, onde López arrematou para defesa segura de Clemer. Por fim, aos 42, Ceará levantou bola fechada que foi direto na trave superior de Gonzalez. Dono da sobra, Sobis ajeitou para Jorge Wagner encher o pé. O arqueiro paraguaio promoveu um belíssimo milagre.

O panorama de igualdade foi mantido para a etapa final. Mortais como de costume, os entrosados Sobis e Fernandão cansaram a defesa paraguaia. À dupla, somavam-se os constantes avanços de Jorge Wagner, pela esquerda, e Ceará, na direita, além de Iarley, que substituiu Alex. O lance mais marcante do segundo tempo, contudo, foi da equipe da casa – mas, de certa forma, também do Inter. Após cruzamento de Romero, Eller afastou para a intermediária. Bem posicionado, Riveros pegou a sobra e, ignorando a longa distância, mandou de primeira.

Rasante, ela voou até o travessão de Clemer, bateu nas costas do goleiro e, mansa, teimosa, picando, saiu ao lado do poste direito. Há dois anos, na Bombonera, também em uma semifinal continental, o goleiro sofrera gol em lance muito parecido. Agora, a bola saía. Na luta entre a camisa colorada e o fantasma paraguaio, parecíamos levar a melhor. Nossa torcida, presente aos milhares no Defensores, certamente fazia por merecer desfecho mais alegre. Pouco depois do lance, o jogo foi encerrado, com o placar zerado. O duelo seguia em aberto.


Tensão gigante


Entre os confrontos de ida e volta das semifinais continentais, o Inter disputou, pelo Brasileirão, o Gre-Nal de número 366 na história. Com os reservas, o time de Abel Braga até criou as melhores chances, mas não conseguiu alterar o placar do duelo, que ficou marcado, muito mais do que por qualquer lance dentro de campo, pelo vexame histórico da torcida gremista, que provocou grande tumulto nas arquibancadas do Gigante, inclusive incendiando banheiros químicos. Dois dias depois, foi o povo vermelho quem deu exemplo – mas positivo. Na abertura do mês de agosto, o Inter atingiu a inédita marca de 40 mil sócios e sócias, feito que teve como consequência um Beira-Rio completamente lotado para o duelo diante do Libertad.

O Clube do Povo foi a campo, no dia 3 de agosto de 2006, escalado, a exemplo do que ocorrera na partida de ida, com três zagueiros. Bolívar era o responsável pelo lado direto da trinca, enquanto Eller ocupava a esquerda. Entre eles, estava Índio. À frente, cinco meio-campistas tratavam de gerar superioridade numérica na região mais crítica do campo. Donos de grande poder de contenção, mas também responsáveis por oferecer boa saída de bola, Fabinho e Edinho garantiam a liberdade necessária para Alex, extremamente entrosado com o ala-esquerda Jorge Wagner. Ceará, na direita, tinha como parceiro preferido o inquieto atacante Rafael Sobis, eterno par perfeito de Fernandão. No gol, é claro, o titular foi Clemer.

Os heróis responsáveis por devolver o Inter à decisão continental

Os primeiros movimentos da partida deram a entender que o fantasma paraguaio, incapaz de triunfar diante de cinco mil colorados em Assunção, não teria a menor chance contra as mais de 50 mil pessoas que fizeram trepidar o Beira-Rio. Logo aos 3, Edinho escapou em velocidade pelo meio e abriu com Fernandão. Invertendo posição com Sobis, o camisa 9, posicionado como um ponta-direita, cruzou rasteiro para o 11, que se atirou em preciso carrinho. Com os pés, Gonzalez salvou.

De garçom, Fernandão passou a artilheiro, e tentou, aos 14, completar cruzamento aberto de Jorge Wagner. Alta demais, a bola saiu em tiro de meta. Já aos 31, no último lance de perigo da etapa inicial, o Eterno Capitão alvirrubro recebeu grande passe em profundidade de Alex, assistência que não dominou por questão de centímetros, suficientes para o goleiro adversário fazer a defesa.

Embora de ampla supremacia colorada, a etapa inicial conviveu, também, com crescente ansiedade do povo vermelho. Contra o Olímpia, o Inter fora eliminado exatamente no segundo tempo, quando, inclusive, desperdiçou uma penalidade. A lição do passado, logo, era bastante clara: quem não faz, sofre. E o sofrimento deu as caras depois do intervalo. Cedo, o Libertad desperdiçou a primeira oportunidade, respondida rapidamente por Sobis, que teve boa chance. A partir dos 10 minutos, todavia, um verdadeiro filme de terror teve início.

O Inter viveu seis minutos de pura tensão, capaz de paralisar os atletas dentro de campo. Aos 11, Cáceres subiu livre após cobrança de escanteio e, respeitando o figurino, cabeceou para baixo. Clemer defendeu. Cerca de 40 segundos depois, López foi lançado na área e só não balançou as redes graças a desarme providencial de Bolívar. Na cobrança do córner, o mesmo atacante cabeceou bola que levou muito perigo ao gol alvirrubro. A torcida finalmente conseguia puxar o primeiro ar quando Riveros finalizou cruzado e Villareal, por detalhe, não completou de carrinho. Ato contínuo, quem arrematou para longe foi Gamarra. Abel, então, percebeu que a situação só tendia a piorar. Como respondeu? Mandando Rentería a campo, na vaga de Fabinho.

A troca foi ousada. A partir dela, Alex seria recuado à volância, e Fernandão, como um ponta-de-lança, estaria responsável por municiar Rentería e Sobis, a nova dupla de ataque. Necessária para um time que se via obrigado a marcar gols, a substituição também poderia oferecer ainda mais espaços para o Libertad, dentro de campo, e ao azar, fora dele. Felizmente, nenhum destes teve tempo para agir.

Aos 17, pouco mais de um minuto após a entrada de Rentería, Alex recebeu passe de Ceará. Recuado, o camisa 24 pôde visualizar o campo de frente e perceber que, ao mesmo tempo que seus companheiros mais adiantados estavam excessivamente marcados, existia espaço de sobra para progredir até as cercanias da grande área paraguaia. Assim fez e, após simples dois toques na bola, soltou um de seus marcantes canhotaços. Veloz, a esférica voou até as cercanias da pequena área, picou pela primeira vez, ganhou velocidade ainda maior e, sem oferecer chance alguma de defesa, bateu no poste para depois morrer nas redes. Inter na frente!

Ele sempre foi de bomba/Imagens: SporTV

A vantagem colorada nocauteou o Libertad. Antes confiantes em um gol que parecia iminente, os paraguaios ficaram visivelmente desorientados com o caldeirão da beira do Guaíba. Completamente zonzos devido à festa da torcida, chegaram a sentir náuseas quando, ao ritmo do povo vermelho, Sobis começou a dançar na ponta direita.

Primeiro, aos 21, o camisa 11 decidiu partir para dentro da marcação e só depois soltar a bola, cruzada na cabeça de Ceará, que parou no goleiro. No minuto seguinte, mudou de ideia e, ainda na intermediária, acionou Fernandão.

Vindo de trás como um meia, o capitão pôde dominar, fazer o giro, ajeitar e, a exemplo do que fizera Alex, soltar a canhota. Cruzado, o arremate dispensou o beijo no poste, mas também morreu no canto das redes alvinegras. Após abrir o placar graças a meio-campista recuado para a volância, o Inter chegava ao segundo através de um camisa 9 que ocupava a ponta-de-lança. Brilhante, Abel!

O 2 a 0 permitia ao Inter sofrer um gol e, mesmo assim, garantir vaga na decisão. A postura ofensiva, portanto, podia ser arrefecida. Assim, Abel mudou mais uma vez, colocando Wellington Monteiro na vaga de Índio. Deste momento em diante, o Clube do Povo esteve formado por duas linhas de quatro. Na primeira, estavam Ceará, Bolívar, Eller e Jorge Wagner. Logo na frente, Edinho, Alex, Wellington Monteiro e Fernandão.

Compacto, o Colorado seguiu se fechando bem, tocando a bola com segurança e transpirando disposição e garra. Ao mesmo tempo, a torcida, enlouquecida de felicidade, vaiava cada trama adversária com furor idêntico ao usado para incentivar o Alvirrubro. Nos acréscimos, Rentería ainda desperdiçaria boa chance, defendida pelo goleiro paraguaio.

Enfim, aos 48 minutos do segundo tempo, ecoou pelo Beira-Rio o último apito do árbitro Oscar Ruiz, oficializando o retorno do Inter, após 26 anos de espera, à final da Libertadores. Na força do Gigante, nos libertávamos do último fantasma continental. Livres, logo serviríamos de libertadores para os povos vizinhos. Que viesse o São Paulo!

Estávamos loucos por ti, América!/Foto: Jefferson Bernardes

Agosto Dourado: luzes do Gigante homenageiam campanha nesta noite

Clube do Povo volta a lembrar a importância do tema

O Beira-Rio estará dourado na noite desta segunda-feira (03/08). A iluminação da cobertura do Estádio fará referência ao Agosto Dourado, que acontece em conjunto à Semana Mundial do Aleitamento Materno, de 1 a 7 de agosto, e visa promover maior conscientização da população em relação ao aleitamento materno, bem como o aumento dos índices de amamentação no Rio Grande do Sul.

O tema da campanha, neste ano, é Empoderar Mães e Pais e favorecer a amamentação, enfatizando a importância do envolvimento de todos os familiares próximos, e não apenas da mãe, para que seja possível o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida da criança e de forma complementar até os dois anos de idade, fator primordial para o desenvolvimento.

Fique por dentro:

A campanha tem como objetivo informar sobre os vínculos entre proteção social parental com igualdade de gênero e amamentação. Também, vincular iniciativas de apoio à maternidade/paternidade e normas/leis sociais com igualdade de gênero em todos os níveis para, assim, apoiar a amamentação, envolver-se com indivíduos e organizações resultando em um maior impacto. Além disso, mobilizar a sociedade para ampliar a proteção social parental com igualdade de gênero, apoiando e promovendo a amamentação.

O Gigante sempre faz a diferença

Foram quase cinco meses de espera. Distante do Beira-Rio desde o dia 8 de março, o Clube do Povo retornou, neste domingo (02/08), ao templo que tem o privilégio de chamar de casa. Extremamente à vontade no tapete verde do Gigante, a equipe de Eduardo Coudet goleou o Esportivo e avançou para a final do segundo turno estadual. Embora conquistada em um Estádio com portões fechados, a vitória passou, como sempre, pelo apoio da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, que teve sua paixão devidamente representada nas arquibancadas do número 891 da Padre Cacique.

O Inter prestou uma justa homenagem aos colorados e coloradas que, devido à pandemia, não puderam comparecer ao Beira-Rio. Simbolizando seus milhões de torcedores e milhares de associados, o Clube posicionou, na arquibancada inferior, um belíssimo mural de 140m de comprimento por 25m de altura com a imagem do povo vermelho. A ação integrou todo um conjunto de iniciativas organizado para dar o tradicional clima de caldeirão ao Beira-Rio.

No mesmo setor do Estádio, por exemplo, destacaram-se telões, que projetaram tanto vídeos da tradicional festa da torcida alvirrubra, quanto homenagens aos profissionais de saúde, acompanhadas de mensagens de conscientização para a sociedade gaúcha. Por fim, o sistema de som do Gigante reproduziu os cânticos que sempre embalam o Rolo Compressor, completando o clima de jogo reproduzido neste domingo.

A segurança, inclusive, foi outra característica que se sobressaiu no Gigante. Após promover intensa campanha de conscientização nos últimos dias, reforçando que a volta dos jogos ao Beira-Rio não significava o restabelecimento da normalidade em nosso país, que ainda sofre com a pandemia do novo coronavírus, o Clube do Povo adotou rígido protocolo de segurança para proteger os profissionais envolvidos no confronto.

A coroa continental completa 13 anos

Felizes somos por ter nossa biografia escrita em vermelho. Rubro tom usado pelos guerreiros antes de uma batalha, a cor se confunde à vida do Inter, legítimo combatente que jamais se permite iniciar um duelo derrotado. Gigante Colorado das glórias, cansou de reverter situações difíceis apostando no apoio da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, que é também a mais obstinada nação de nossas terras. Com esta persistência, por exemplo, conquistamos, no dia 07 de junho de 2007, a Recopa Sul-Americana.


Pré-jogo de mobilização

É fato: o século XXI alimentou nossa determinação em lutar até o último centímetro de grama. Por diversas vezes corremos a ponto de metamorfosear sangue e barro, meião e pele, chuteira e encouraçado da bola.

Cancheiro como poucos, o Clube do Povo encerrou os primeiros 90 minutos da decisão contra o Pachuca em dívida no escore. Havíamos marcado um, pelos pés de Pato, contra dois dos mexicanos, e a virada, portanto, convertia-se em uma indigesta obrigação. Por sorte, o Inter conta com o privilégio de ver sua mística, uma das maiores do continente, crescer ainda mais em partidas eliminatórias.

O gol de Pato/Imagem: SporTV

“Devemos isso à torcida,

que nos ajudou até o final.”

ALEXANDRE PATO, APÓS O JOGO

Sabendo que a soma de campo e cimento nos faz mais fortes, a torcida vermelha adotou postura exemplar já no desembarque do elenco, marcado por recepção calorosa no Aeroporto Salgado Filho. Poucos dias depois, o povo formou, assim que iniciada a comercialização de ingressos, filas quilométricas no pátio do Beira-Rio. Embora considerável, contudo, a multidão, formada pelos milhares que peregrinaram à Padre Cacique em busca de uma entrada, tornou-se pequena quando comparada à presente no Gigante na noite da finalíssima.

Verdadeiro caldeirão, mais apimentado do que qualquer chili mexicano, nosso templo esteve tomado das cadeiras à inferior, embebedado por atmosfera capaz de contagiar o elenco alvirrubro e engolir qualquer obstáculo. Caso conquistada, a taça continental se somaria aos troféus de Mundial e Liberdadores, consagrando a tão desejada Tríplice Coroa colorada.

Escalado por Gallo, o Inter foi a campo com Clemer no gol; Ceará, Índio, Sidnei e Rubens Cardoso na defesa; Edinho, Wellington Monteiro, Alex e Pinga no meio; Iarley e Pato no ataque. Desfalcado de seu capitão, mais do que um 12º jogador o Colorado buscava, nas arquibancadas do Gigante, um sinal de protagonismo, uma demonstração de que, a despeito do tempo em que a desvantagem resistisse no placar, teria a torcida ao seu lado. Conscientes de tamanha responsabilidade, os mais de 51 mil colorados e coloradas presentes no Beira-Rio fizeram questão de, no momento da entrada dos times em campo, liquidar todas as dúvidas.

Após convocar, nome a nome, cada um dos atletas, a multidão comprovou, da melhor maneira possível, que, naquela noite, Clube e Povo seriam campeões. Apitado o início do confronto, um ensurdecedor ‘Vamo, Vamo Inter’ tomou conta da capital gaúcha.


A tensa etapa inicial

Enquanto o Gigante balançava de maneira ininterrupta, as redes custavam a ser estufadas. Não por culpa do Inter, que antes dos 15 minutos já acumulava oportunidades desperdiçadas, e sim do irônico destino, que parecia interceder nos rumos da partida, reservando boas doses de tensão ao Clube do Povo. Como desdobramento, nosso primeiro respiro aliviado chegou apenas aos 29 minutos.

“Só com o sacrifício e com o apoio

é que se consegue conquistar!”

ALEX, NA FESTA DO TÍTULO

Após passar quase um quarto de hora sem conseguir furar a defesa visitante, o Colorado chegou ao ataque em rápida tabela de Iarley e Pato. Lançado pelo jovem, o camisa 10 do Mundial foi derrubado por Pinto. Falta, dentro da área, assinalada pela arbitragem.

Alex converteu pênalti que, ao mesmo tempo em que nos aproximava do título, em nada afugentou o risco de uma escapada rival. Coube, então, ao Gigante, que antes fora atacante, começar a defender, impossibilitando qualquer princípio de troca de passes mexicana.

A canhota de Alex que fez explodir o Beira-Rio/Imagem: SporTV

Uma atuação de Rei para garantir a coroa

Logo na volta do intervalo, Pinga serviu de gasolina ao incendiário Beira-Rio, acendendo não a torcida, já efervescente, mas o clima de carnaval, digno de um título continental conquistado por brasileiro. O meio-campista recebeu grande passe de Wellington Monteiro e, de primeira, finalizou cruzado, com efeito, direto na bocheca da rede mexicana.

Ao Pachuca, não restou alternativa senão abandonar a retranca e tentar encurralar o Inter. Não contavam os mexicanos, no entanto, que pouco mais de 10 minutos após o segundo, chegaria o terceiro. Lançado pela esquerda, Pato provou o quão embalado estava pela arquibancada e, de frente para a marcação, decidiu sambar. Pobre da coluna do adversário que, entortada, viu o Beira-Rio explodir e Alexandre, de frente para a torcida, reger a festa. Golaço da jovem promessa!

Já na reta final da partida, quem decidiu entrar na roda foi Mosquera. Representando toda a América, o zagueiro se curvou à euforia colorada e, ao desviar contra o próprio patrimônio cruzamento vindo de Pinga, salsou à brasileira. Quarto gol vermelho, e jogo encerrado.

Mosquera impediu o gol de Pato, mas não a goleada alvirrubra

“Três títulos importantes,

todos estão de parabéns!

A conquista é o fechamento de 2006!”

Fernandão, depois de levantar a taça

Contínuo ao apito final, teve início uma verdadeira apoteose no gramado do Beira-Rio, com direito a invasão de torcedores que puderam, aos abraços e reverências, festejar com os atletas colorados. O relógio já se aproximava da primeira meia hora do dia 8 quando, ladeado por Fernandão e Clemer, Iarley ergueu a taça continental. Inter, campeão da Recopa e dono não apenas do continente, mas também da Coroa. Tríplice.

É CAMPEÃO!

Beira-Rio iluminado em alusão ao Maio Roxo

A casa do Clube do Povo está com um colorido especial na noite desta terça-feira (19/05) para alertar a sociedade porto-alegrense sobre um importante tema. A cobertura do Gigante ganhou luzes em homenagem ao Maio Roxo, nesta data que marca a conscientização das doenças inflamatórias intestinais (DIIs) no mundo.

Contando com a participação ativa do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasi (GEDIIB) e da sociedade de pacientes com DII do Rio Grande do Sul (AGADII), a campanha tem como objetivo conscientizar a população sobre as doenças inflamatórias intestinais

Saiba mais sobre as DIIs

As DIIs são representadas principalmente por seus dois fenótipos, a retocolite ulcerativa (RCU) e a doença de Crohn (DC). São doenças imunomediadas que, principalmente, nos países ocidentais, tem mostrado um aumento na incidência e prevalência. O prognóstico de um paciente portador de DII está diretamente relacionado ao tempo que é dispensado para o seu diagnóstico e tratamento inicial. Existem trabalhos que evidenciam que a média que um paciente portador de DII leva para ter o seu diagnóstico confirmado e receber o seu tratamento inicial, na rede básica de saúde, é, em torno de 3 anos. Com isto, estes pacientes, perdem a “janela de oportunidade” para o melhor desfecho da sua patologia.

Acesse o site da GEDIIB para saber mais sobre o assunto.