Bastidores da última La Boba

Ao todo, foram 529 jogos, 13 títulos, 97 gols, 113 assistências e o coração da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. Se todo carnaval tem sim, com a La Boba não seria diferente. E que privilégio ter passado por esses 14 anos de pura magia ao teu lado, Cabezón. Os Bastidores da última partida da carreira de D’Alessandro já estão no ar. Emocione-se:

#AUltimaLaBoba: D’Alessandro teve despedida épica no Beira-Rio

Clube promoveu diversas ações para o adeus do ídolo (Fotos: Ricardo Duarte)

O dia 17 de abril de 2022 ficará marcado para sempre na memória de todos que apreciam a arte do futebol. No entanto, para compreender a relação de D’Alessandro e sua legião de fãs é necessária sensibilidade para enxergar além de um simples esporte com bola. É algo que transcende os 90 minutos de partida. Um jogador que se torna lenda ainda em atividade é especial – muito pela sinergia única criada naturalmente com a torcida. Sua despedida, com contornos de dramaticidade, ocorrida na noite deste domingo, seguiria o roteiro de um filme de ficção, caso não fosse a mais pura e imprevisível realidade.

Contexto e jogo

Na ocasião, o Inter teve um duro confronto com o Fortaleza, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Diante de um adversário qualificado e questionáveis critérios da arbitragem, o Colorado teve dois pênaltis marcados contra a sua meta e precisou se reinventar na partida. Aos 41 anos de idade, D’Alessandro seria opção para o segundo tempo, caso os desfalques da equipe não o colocassem entre os 11 iniciais.

Atrás no placar, nos acréscimos do primeiro tempo, o camisa 10 recebeu em curto espaço dentro da área e sacou uma caneta da cartola, riscando a marcação de seu caminho. Na sequência, um chute forte, seco, com toda força do Beira-Rio potencializando sua abençoada perna esquerda. No estufar das redes, o Gigante rugiu como se fora, de fato, a última vez. Ao ser subtituído na segunda etapa, já exausto, todos se renderam à figura de D’Ale, legítmo ídolo aplaudido por companheiros, adversários e até pela arbitragem. Para fechar com chave de ouro, Alemão, jogador recentemente contratado e com infância ligada ao Internacional, selou a virada aos 44 minutos do segundo tempo, decretando a catarse no Beira-Rio.

Último ato do ídolo teve direito a golaço

Casa cheia para despedida

Para dar o adeus dos gramados ao eterno ídolo, o Clube tratou de criar a atmosfera que ele mais gosta: a de casa cheia. Assim, sócios e sócias de todas as modalidades tiveram acesso gratuito nas áreas livres Beira-Rio, liberado mediante realização de Check-In ou aquisição do ingresso com custo zero (de acordo com modalidade). Demais torcedores e torcedoras puderam comprar entradas para o setor por um valor 50% inferior ao praticado. Nas cadeiras centrais, associados(as) ‘Campeão do Mundo’ e ‘Nada Vai nos Separar’ contaram com a recentemente anunciada condição especial de 60% e 20% de desconto, respectivamente.

Aquecimento na tela

Ainda na véspera da partida, uma entrevista exclusiva com o ídolo foi divulgada nas redes sociais do Clube e publicada no Canal do Inter, no YouTube. Gravado no Museu do Inter e com imagens inéditas do craque, o material contou um pouco sobre o retorno do camisa 10, a expectativa pela despedida e a relação do ídolo com a torcida.

Cinema Gigante

Logo após o apito final da partida, já com os três pontos garantidos, uma série de homenagens voltaram a serem feitas para o ídolo. Braçadeiras de capitão, escolhidas em votação pela torcida em ação junto com a socios.com, foram distribuídas para os demais jogadores. No telão, uma contagem regressiva levou ao último grito uníssono do nome de D’Alessandro. Em campo, a presença de amigos e familiares, que tanto apoiaram o ídolo durante a sua carreira, ainda entregaram uma camisa personalizada com o número 529 às costas – total de vezes que entrou em campo pelo Inter.

D’Alessandro e sua família ficaram emocionados com homenagem

Na sequência, um vídeo especial, com texto e voz de Fabricio Carpinejar, foi exibido no telão, mostrando imagens icônicas da carreira de Andrés. A emoção tomou conta de vez, levando o ídolo e sua família às lágrimas novamente. Instantes depois, o mesmo vídeo foi disponibilizado nas redes sociais do Clube. Confira abaixo:

A repercussão da despedida do craque e das ações promovidas pelo Clube foi enorme e alcançou seu país de origem. O site do Olé, tradicional veículo argentino, contou em detalhes tudo aconteceu (clique aqui), incluindo conteúdos produzidos pelo marketing do Internacional, assim como a ESPN latina, que destacou as reações nas redes sociais.

“Eu amo esse Clube!” D’Ale se despede do futebol com festa e vitória

D’Ale foi Inter até o fim/Foto: Ricardo Duarte

Quando chegou a Porto Alegre para iniciar sua terceira passagem pelo Inter, D’Alessandro deixou claro que desejava se despedir do futebol ao lado do povo colorado, mas nem seus sonhos mais otimistas poderiam imaginar as emoções que estavam guardadas para o último jogo de sua carreira. Diante do Fortaleza, neste domingo de páscoa (17/04), o gringo chorou, sorriu, vibrou, reclamou, cantou e, o mais importante, venceu – como o protagonista de sempre.

Autor de um golaço, o de número 97 que marcou com a camisa do Inter, D’Alessandro desfilou à vontade ao longo dos quase 80 minutos em que permaneceu no gramado que lhe consagrou maestro. Depois, do reservado viveu sua primeira experiência na nova posição que ocupa, a de torcedor, com o gol de Alemão, que garantiu os três pontos para o Clube do Povo quando o relógio já se aproximava dos acréscimos da etapa final. Por fim, após o último apito, o ídolo foi tanto apaixonado quanto apaixonante para reger a festa das mais de 36 mil pessoas que não aceitavam a ideia de arredar o pé do Beira-Rio.

O primeiro ato do pós-carreira de D’Ale foi um emocionado abraço no parceiro Taison. Desfalque na segunda rodada do Brasileirão devido a edema muscular, o irmão e aprendiz do gringo apareceu no gramado tão logo o jogo foi encerrado, e fez questão de carregar, em seus braços, a estrela da noite até o centro do campo, onde Andrés recebeu não apenas o delirante sentimento do público, mas também o carinho de seus companheiros, que aos gritos festejaram a vitoriosa carreira do amigo e capitão.

Ensurdecedor, o rugir do Beira-Rio foi silenciado apenas sob às ordens do próprio estádio, que conclamou o povo a assistir uma linda homenagem veiculada em seus telões para o ídolo. Poético e nostálgico, o vídeo de agradecimento apresentado ao público presente no Gigante foi logo sucedido por mais cantoria, que embalou os últimos passos de D’Alessandro no número 891 da Padre Cacique. Diante de um corredor de aplausos, o gringo, acompanhado de seus familiares, ainda confraternizou com amigos e ex-companheiros antes de, enfim, tomar o rumo do túnel de vestiários.

Das chuteiras para os microfones, D’Ale encontrou tempo para conceder sua última entrevista coletiva como jogador de futebol. Irreverente e bem-humorado, o gringo travou mais um inesquecível encontro com a imprensa, ao longo do qual falou a respeito da história que construiu com a camisa colorada, analisou o legado que deixou no Clube do Povo, projetou os próximos passos de sua vida, desabafou sobre a emocionante despedida e, é claro, se declarou ao Inter, paixão que aprendeu a nutrir desde os primeiros dias que passou em Porto Alegre. Confira as principais aspas do ídolo:

Foto: Ricardo Duarte

“Eu nunca achei que era mais do que eu sou. Eu trabalhei para merecer o que aconteceu hoje. Sou mais um em uma história enorme, enorme, de atletas que ganharam muito mais do que eu, de atletas com uma identificação muito maior do que a minha. Mas isso não tira o que eu fiz.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

“A partir de amanhã, eu começo a mandar currículo (risos). Brincadeiras à parte, eu tenho uma dívida muito grande com o Inter. Quem me conhece, sabe o que o Inter representa na minha casa. Representa muito. Muito. Não só para mim, mas para a minha família. Do futuro, ninguém sabe, mas eu sinto que minha história com o Clube não fechou.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

“Legado a gente vai construindo. Tem uma palavra, para mim, que é fundamental: comprometimento. Por mais que tu tenha vontade, se tu não está comprometido com a causa, com a história do clube, com a camisa, não adianta. Tentei fazer tudo pelo lado do exemplo. Nunca cheguei tarde em um treinamento. Comprometido com o horário, com o pessoal que trabalha no Clube. Isso é o mínimo.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

“Para mim, não foi difícil gostar do Inter. Lá atrás, os presidentes, companheiros, colegas, funcionários, treinadores, me ensinaram a gostar do Clube. Eu amo esse Clube. Estou no lugar que eu quero. Na minha vida, River e Inter, em diferentes fases da minha carreira, me ajudaram muito, mas o tempo que eu fiquei aqui é incrível. Fez com que o Inter vire o Clube em que eu queria me aposentar.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

Ninguém é maior que o Clube. O tempo e a história dizem isso. Sempre falo do Índio, por exemplo. O maior vencedor da história do Inter, não é? Passou. O Bolívar passou. Hoje, eu estou passando. Passaram muitos. Muitos que ganharam mais do que eu.”

D’Alessandro
Foto: Ricardo Duarte

“O que aconteceu é incrível. Não sei o que falar. Eu sonhava, primeiro, com a vitória. Falei para o grupo, esqueçam da minha despedida. Nós precisávamos ganhar. E, depois, o gol fechou toda uma história que foi perfeita. Sinceramente, a ficha ainda não caiu. Estou meio no ar. Mas tu viu como eu comemorei. Os caras se jogavam em cima de mim, e eu dizia pra ter calma, porque tinha o VAR. Não sabia como comemorar, saí correndo. Graças a Deus foi gol, e a história fechou como eu imaginava.”

D’Alessandro

Inesquecível: assim foi a última La Boba do nosso maestro, que além de despedida, também serviu de recomeço. Nesta segunda-feira (18/04), todos amanheceremos de cabeça erguida, com o ânimo renovado de quem veste uma camisa que não é vermelha por mero acaso. Nossas cores, afinal, são encarnadas. Vibrantes, como D’Alessandro foi até o fim. E como seguirá sendo. Porque D’Ale é Inter. E Inter sempre será D’Ale.

Raio-X: na despedida de D’Alessandro, Inter encara o Fortaleza pelo Brasileirão

Diante do Fortaleza, D’Ale se despedirá dos gramados/Foto: Ricardo Duarte

Dia 17 de abril de 2022. Domingo de páscoa. Domingo de Inter em campo no Beira-Rio. Domingo que, desde já, está eternizado na história do Sport Club Internacional. A partir das 18h, Clube do Povo e Fortaleza duelarão pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro de 2022. Importante para as pretensões coloradas no Nacional, a partida também marcará a despedida de Andrés Nicolás D’Alessandro dos gramados. A seguir, você encontra todas as informações sobre o confronto.

Transmissão;
Ingressos;
Pré-jogo com Churrasco especial;
Preparação do Inter;
Relacionados colorados;
Arbitragem;
De olho no rival;
Duelo mais recente entre as equipes;
Histórico do confronto;


Transmissão 📻

A programação da emissora oficial do Clube do Povo estará no ar a partir das 16h30 deste domingo, horário em que a Rádio Colorada apresentará a última entrevista de D’Alessandro como atleta alvirrubro. Na sequência, às 17h10, começará o pré-jogo Portões Abertos, e, com ele, a jornada mais vermelha do planeta bola. O relato minuto a minuto das redes sociais do Inter (TwitterInstagram e Facebook) também acompanhará, com imagens dos principais lances da noite, o duelo válido pela segunda rodada do Brasileirão, que ainda contará com transmissão do Premiere. Torça com a gente!

ProgramaçãoPlataforma
20h30Portões AbertosSite e APP do Inter
21h30Jornada EsportivaSite e APP do Inter
23h30Vestiário VermelhoSite e APP do Inter

Dia de lotar o Gigante para D’Ale 🏟️

Segundo jogador com mais partidas disputadas com a camisa colorada, D’Alessandro é, como nós, um apaixonado pelo Inter. Devoto às cores vermelha e branca, o argentino, multicampeão ao longo dos 14 anos que defendeu o Clube do Povo, fez questão de retornar a Porto Alegre para os últimos meses de sua carreira, decidido a se despedir do futebol no gigante palco do qual eternamente será maestro. Agora, a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande conta com condições especiais para dar adeus ao ídolo, já que sócios(as) de todas as modalidades terão acesso liberado às áreas livres do Beira-Rio neste domingo, necessitando apenas realizar o Check-In ou a simbólica compra de ingresso gratuito.

O Gigante, e D’Ale, te esperam!/Foto: Ricardo Duarte

A parcela da torcida que não é sócia também conta com preço diferenciado para confirmar presença no jogo contra o Fortaleza, uma vez que, nas áreas livres do Gigante, a entrada, que tradicionalmente custa R$ 100,00, está sendo comercializada por metade do preço. Clique aqui para acessar o serviço de jogo e conferir mais informações sobre ingressos! Neste domingo, todos os caminhos levam ao Beira-Rio, onde passado e presente se encontrarão para saudar um gigante e lutar por três pontos no principal campeonato do país. Contamos com o teu apoio!


Vem pro Churrasco do Povo Colorado! 🇦🇹

O tradicional Churrasco do Povo Colorado é a melhor pedida para o pré-jogo diante do Fortaleza! A partir das 10h, a torcida vermelha está convocada a tomar o Parque Marinha do Brasil, nas cercanias do Gigantinho, para celebrar o aniversário de 113 anos do Inter, comemorado no último dia quatro. Aberta a todos os alvirrubros e alvirrubras, a festa será embalada por shows musicais realizados a partir de trio elétrico, e contará com quiosque para associações, banheiros químicos disponibilizados pelo Clube e espaço para fotos com os troféus do Mundial e da Libertadores.


Preparação concluída

Sob novas ordens, o elenco se preparou para encarar o Fortaleza ao longo da última sexta-feira e do sábado de véspera da partida (16/04). Auxiliar da comissão técnica colorada, Cauan de Almeida assumiu interinamente a casamata do Clube do Povo diante da saída de Alexander Medina, ocorrida depois do empate de 1 a 1 do Inter com o Guaireña, na última quinta-feira (14/04), e comandou os trabalhos prévios à segunda rodada do Brasileirão.

Grupo que participou do último treino da carreira de D’Alessandro/Foto: Ricardo Duarte

O primeiro dia de treinos no CT Parque Gigante contou o com elenco dividido, na medida em que os atletas que enfrentaram a equipe paraguaia realizaram atividades regenerativas na academia. O restante do grupo trabalhou com bola, iniciando os exercícios que foram completados, desta vez por todos os jogadores, na tarde de sábado, quando Cauan organizou dinâmicas táticas que encaminharam a escalação que será titular contra o Leão.

Aos 33 anos, Cauan chegou ao chegou ao Beira-Rio no início de 2022. Instrutor nos cursos da CBF Academy, o profissional conta com licença C da UEFA, e já trabalhou no futebol de Portugal, no América-MG, onde foi tanto técnico de categorias de base, entre 2017 e 2019, quanto auxiliar do time profissional, de 2019 a 2021, e no Vasco. Almeida ainda participou da preparação da Seleção Brasileira Sub-17 para a Copa do Mundo de 2019, conquistada pela Canarinho.

Cauan de Almeida comandará o Inter neste domingo/Foto: Ricardo Duarte

Novidades em campo e nos bastidores 👀

Contratado pelo Inter na última semana, o lateral-esquerdo Renê é a grande novidade na lista de jogadores relacionados para a segunda rodada do Brasileirão. Oriundo do Flamengo, o defensor, que também já vestiu as cores do Sport, poderá fazer sua estreia como jogador colorado. Já Alan Patrick e Pedro Henrique, dupla de reforços que também foi anunciada nos últimos dias, ainda não têm condições de atuar, embora já treinem no CT Parque Gigante. Os dois, vale lembrar, vieram do futebol europeu.

Renê pode fazer sua estreia pelo Inter/Foto: Ricardo Duarte

Se por um lado contará com novidade na defesa, Cauan de Almeida tem, por outro, baixas consideráveis para superar no meio de campo de sua equipe. Com edema ósseo no joelho esquerdo, que inclusive o tirou do gramado ainda no primeiro tempo da mais recente partida disputada pelo Inter, Edenilson é desfalque para o jogo deste domingo, e passará por reavaliação na semana que vem para ter decidida sua condição de atuar nos próximos confrontos. A situação é a mesma de Taison, que estará ausente do embate contra o Fortaleza por conta de edema muscular. Confira a lista de relacionados para o último jogo da carreira de D’Alessandro:

Outra cara nova na rotina colorada, e que já marcou presença nas atividades realizadas neste sábado, é William Thomas. O profissional, que soma mais de 20 anos de atuação no futebol, chega ao Inter para assumir o cargo de Diretor Executivo, e carrega como credenciais a trajetória que construiu no Athletico-PR, onde ajudou a implementar o Departamento de Informação do Futebol, espécie de central de planejamento estratégico do projeto esportivo do Furacão, e os trabalhos que realizou no Santos, entre 2019 e 2020, e no Avaí.

William Thomas já conheceu o CT Parque Gigante/Foto: Ricardo Duarte

Arbitragem 👨‍⚖️

Flávio Rodrigues de Souza apita, auxiliado por Daniel Luis Marques e Evandro de Melo Lima. Trio da Federação Paulista de Futebol, assim como Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral, responsável pelo VAR. Quarto árbitro: Rafael Rodrigo Klein, da Federação Gaúcha de Futebol.


Rival 🆚

Rival visitou o River Plate na quarta-feira passada/Foto: Felipe Cruz/Fortaleza

Sensação do Campeonato Brasileiro de 2021, que encerrou na quarta colocação, inclusive emplacando Yago Pikachu como melhor lateral-direito em seleção organizada pela CBF, o Fortaleza abriu 2022 com taça. Finalista do Cearense, que terá sua decisão jogada na próxima semana, o Leão do Pici venceu de forma invicta, no domingo retrasado (03/04), a segunda Copa do Nordeste de sua história. O triunfo que valeu título, porém, foi o último conquistado pelo time de Vojvoda, que estreou no Nacional com derrota de 1 a 0 para o Cuiabá, dentro de casa, e já soma dois reveses na Libertadores, para Colo-Colo (2 a 1) e River Plate (2 a 0).

Vojvoda caminha para completar um ano à frente do Leão/Foto: Mateus Lotif/Fortaleza

Ao longo dos primeiros meses de 2022, o Fortaleza contratou reforços para todos os setores do time. No gol, Fernando Miguel chegou com status de titular, mas logo sofreu entorse no joelho esquerdo. Para a zaga, vieram Brayan Ceballos, do Deportes Quindío-COL, e Landázuri, ex-Independiente del Valle-EQU, ao passo que Benevenuto, que jogava por empréstimo na temporada passada, foi adquirido em definitivo. Volante, Zé Welison foi outra novidade, enquanto o meia Lucas Lima voltou a ser emprestado pelo Palmeiras. Por fim, o ataque recebeu os acréscimos de Renato Kayser, Moisés e Silvio Romero, este oriundo do Independiente-ARG.

As contratações encorpam um elenco que manteve boa parte dos jogadores-chave da temporada passada. Dos titulares absolutos de 2021, as principais baixas do Tricolor foram o volante Éderson, negociado pelo Corinthians, clube que detinha seu passe, com a Salernitana-ITA, e o atacante David, hoje jogador do Inter. Por outro lado, nomes como Tinga, Titi, Yago Pikachu, Lucas Crispim e Robson seguem no Fortaleza, que hoje tem em duas duplas, a de volantes e a de atacantes, suas principais interrogações do time titular.

Na frente, os móveis Robson e Moisés disputam vaga com os centroavantes Kayzer e Romero. No meio, Felipe tenta recuperar espaço em um setor que conta com o prestigiado Zé Welison, o promissor Hércules e o seguro Matheus Jussa. Já nomes como Landázuri e Capixaba, titulares nas últimas partidas, devem retornar naturalmente ao banco de reservas a partir das respectivas recuperações de Tinga e Lucas Crispim, que sofreram com lesões ao longo da recente maratona de jogos do Fortaleza, que foi a campo sete vezes nos últimos 27 dias.

Crispim deve ser titular contra o Inter/Foto: Mateus Lotif/Fortaleza

Diante do Inter, Vojvoda deve escalar o Leão com Max Walef no gol; Tinga, Benevenuto e Titi no trio de zaga; Yago Pikachu e Lucas Crispim nas respectivas alas direita e esquerda; Zé Welison e Jussa como volantes; Lucas Lima na armação; e Moisés e Robson no ataque. O uso de força máxima, apesar da existência de duelo eliminatório no próximo meio de semana, quando o Fortaleza enfrentará, pela Copa do Brasil, o Vitória, encontra justificativa no jejum de triunfos da equipe cearense, que vem ao Beira-Rio com sede de três pontos.


Último encontro 🔙

Internacional e Fortaleza não se enfrentam desde o último dia 19 de setembro, quando o Beira-Rio sediou duelo das duas equipes válido pela 21ª rodada do Brasileirão. Dono das melhores chances no primeiro tempo, o time visitante não aproveitou as oportunidades que criou, e viu o Clube do Povo crescer ao longo da etapa final. No apagar das luzes, quando tudo indicava um empate sem gols no Gigante, Edenilson recebeu passe de Yuri Alberto, invadiu a área a dribles e, pela direita, cara a cara com Felipe Alves, mandou para as redes.


Retrospecto do confronto 📊

A partida deste domingo será a 21ª disputada enter Inter e Fortaleza na história. Até aqui, o Colorado soma 10 vitórias sobre o Leão do Pici, ao passo que os cearenses já superaram o Clube do Povo em seis ocasiões. Ocorreram, ainda, quatro empates no retrospecto, construído através de 25 gols alvirrubros e 21 tentos tricolores.

Yuri Alberto marcou em cima do Fortaleza no início de 2021/Foto: Ricardo Duarte

Magrão lembra dos vitoriosos anos que passou no Inter

Alguns jogadores carregam a capacidade ímpar de simbolizar a torcida do clube que defendem. Magrão, porém, ia muito além disso. De certa forma, o camisa 11 transcendia a mera representação da garra vermelha dentro de campo para, sabe-se lá como, converter-se, a cada partida, em evidente personificação da vibrante, popular, sanguínea e peleadora história do Internacional. Por isso, e muito mais, o ídolo foi entrevistado nesta segunda-feira (04/04) de aniversário do Internacional. Confira o papo, que foi ao ar na Rádio Colorada!

“A partir daquele gol, tive um divisor de águas”, comenta Nei sobre a pintura marcada na estreia da Libertadores de 2010

Nei comemora gol contra o Emelec

Noticiário esportivo da Rádio Colorada, o Programa do Inter desta quarta-feira (23/02) entrevistou o ídolo Nei, que há 12 anos marcou o primeiro gol do Clube do Povo na campanha que seria campeã da Libertadores de 2010. Confira a íntegra do papo!

Prestes a disputar o torneio pela sétima vez em sua história, o Inter já era campeão e bifinalista da Libertadores. Mesmo assim, um pequeno tabu persistia incômodo à torcida nas vésperas da primeira rodada da edição de 2010. Até então, afinal, o Colorado jamais estreara com vitória no principal torneio de clubes do continente. Muito por isso, as 40 mil pessoas que lotaram o Beira-Rio na noite do dia 23 de fevereiro reconheceram fantasmas do passado quando Quiroz, no início da etapa final, abriu o placar para o Emelec do técnico Jorge Sampaoli. Felizmente, foi nessa hora que Nei apareceu.

“Era um jogo difícil, contra uma equipe de muita força. O Sampaoli é um excelente treinador, já mostrava isso. E a nossa equipe vinha desacreditada. Ninguém esconde que, naquela época, todo mundo achava que o Inter não faria uma boa Libertadores. No intervalo, teve uma conversa, pois o campo estava molhado, e lembro que o Fossati pediu para chutarmos mais, para arriscar. E eu tive a felicidade de acertar um bom chute para empatar naquele momento e respirar um pouco.”

Nei
Torcida lotou o Gigante na estreia da Libertadores de 2010

O Inter que iniciou 2010 sob o comando de Jorge Fossati jogava de maneira bastante diferente daquele que conquistaria a América no mês de agosto. Com o uruguaio na casamata, o Colorado tinha preferência por atuar com três zagueiros, oferecendo maior liberdade para os alas, mecânica que justifica o porquê de o herói improvável ter investido contra a defesa rival diante da desvantagem no placar.

“Nunca escondi que meu estilo de jogo sempre foi muito aguerrido, de muita força. Eu arrastava, era um atleta que tinha a leitura tática muito boa. Nunca fui um cara habilidoso, que estava dentro da área o tempo todo. Mas, naquela época, a gente jogava com três zagueiros, e o Fossati liberava bastante. E eu vivia o que o treinador pedia.”

Nei

Nei marcou seu gol aos sete minutos do segundo tempo. Aberto na intermediária direita de ataque do Inter, o ala recebeu passe de Sandro e, ao perceber que seu marcador armava o bote, fez o drible. Depois da finta, o pé direito do camisa 15 primeiro beijou a bola, engatilhando o arremate, para na sequência acertar chute que figura entre os mais bonitos da história do Beira-Rio. Menos de um mês depois de estrear como atleta colorado, o lateral-direito oferecia um cartão de visitas perfeito para o povo vermelho.

“Aquele gol foi especial porque foi a abertura da Libertadores, foi a minha estreia na Libertadores, e com uma equipe sensacional, como o Inter. Até então, o Nei era desconhecido e desacreditado. A partir daquele gol, tive um divisor de águas. Os olhares ficaram diferentes. E foi meu primeiro gol pelo Inter.”

Nei

O empate, contudo, não dava fim ao jejum colorado em estreias continentais. Para quebrar o tabu, o Inter contou não apenas com a qualidade de seus jogadores, mas também com o som do Gigante, que mesmo com a chuva de verão oferecida pelo clima de Porto Alegre à orla do Guaíba, esteve incendiado por uma multidão pulsante. Como recompensa ao apoio da torcida, o gol da virada, teimoso, saiu aos 41, instante em que Alecsandro finalizou linda jogada de Andrezinho e Walter. Assim, o Beira-Rio, da mesma forma que Nei, oferecia seu cartão de visitas para a Libertadores 2010.

O fator predominante para nós ganharmos a Libertadores de 2010 foi o Beira-Rio. Não perdemos um jogo em casa, ganhamos todos, e a torcida tem 80% de parcela nisso. Vibravam o tempo todo. Quando eu entrava no estádio, brincava que não ía cansar. E isso porque a torcida corria comigo. A torcida do Inter é diferente. As Ruas de Fogo… isso é muito marcante, e você leva para o campo. É um diferencial absurdo. Não tem como você descrever o quanto te ajuda.”

Nei
Alecsandro garantiu a alegria no Beira-Rio

Hoje treinador, Nei revelou, no papo com a Colorada, que ainda leva consigo muitos dos aprendizados que ganhou nos tempos de Inter. Pilar de um sistema defensivo que marcou época, o ex-lateral não poupa elogios a companheiros como Bolívar e Kleber, junto dos quais revela ter atingido entrosamento sem igual na carreira, fato que comprova o encaixe sobrenatural das peças que levaram o Clube do Povo ao Bi da América.

“A liderança que eu tenho hoje, digo que aprendi 80% com o Bolívar. Me ensinou muito. Por sermos amigos, fizemos uma parceria que dava muita confiança. No chão, a bola era minha. No alto, eu não me preocupava. Em todas, ele chegava. Ele era muito firme, o Índio era muito firme. E o Kleber era muito firme. Sobre ele, digo que tive a oportunidade de jogar com meu ídolo e ainda me tornar amigo. Era sensacional, cruzava com a mão, jogava de terno. O melhor lateral-esquerdo com quem eu joguei.”

Campeão da Libertadores e da Recopa com a camisa do Inter, Nei também conquistou dois Gauchões durante os anos que vestiu vermelho. Profundo conhecedor das particularidades do futebol gaúcho, o lateral não deixou passar batida a primeira Semana Gre-Nal de 2022. Forjado nas dificuldades, o ídolo lembrou com carinho dos clássicos que disputou, comentando detalhes da rotina que antecedia cada partida contra o maior rival colorado.

“O Gre-Nal é muito diferente. Só entende quem viveu e quem vive. É um campeonato à parte. Esquece quem está bem ou mal: você tem que ganhar. A cobrança é muito grande, e existem jogadores que vestem a camisa de uma forma que acabam incorporando o torcedor dentro de campo. É uma semana especial, que eu amava, porque sou um cara que gosta de desafios, que me cobrem. Era muito bom, um jogo que durava a semana inteira. Você ía no mercado e o gremista já não olhava na minha cara. Isso é o que o Gre-Nal faz com as pessoas.”

Nei
Nei lembrou dos tempos de protagonismo na rivalidade Gre-Nal

Luto: Inter se despede do eterno Lula, ponta-esquerda bicampeão brasileiro e tri do Rio Grande

Lula, ídolo eterno do Internacional

Ídolo, decisivo, craque e campeão. Hoje, a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande se despede de um atleta que foi tudo isso – e muito mais. Luís Ribeiro Pinto Neto, o Lula, fez história com a camisa 11 colorada. Ponta-esquerda eternizado na biografia do Clube do Povo, o pernambucano de Arco Verde faleceu nesta sexta-feira (11/02), aos 75 anos, em decorrência de uma parada cardíaca.

Craque atuou no Inter entre 1974 e 1977

A genialidade de Lula, que se diga, não foi privilégio testemunhado exclusivamente por colorados e coloradas. Quando contratado pelo Inter, em 1974, o veloz atacante já ostentava currículo gabaritado, que contava com passagens por ABC-RN, Ferroviário-RN, Palmeiras e Fluminense. Estrela no Rio, o atleta desembarcou na capital gaúcha com a responsabilidade de elevar o patamar do elenco vermelho, expectativa nutrida não somente pela torcida, mas também por Rubens Minelli, comandante que chegara ao Inter poucos dias antes do ponta-esquerda.

“Quando eu fui conversar com o presidente (Eraldo) Herrmann, eu falei ‘olha, eu vou ser sincero, nós precisamos de reforços. Agora, entenda bem: eu não quero novidades, eu quero reforços. Você tira um titular de outro time, na posição que eu quero, e me traga. O reserva dele não serve pra mim. Eu quero um titular.’ Aí foi quando nós trouxemos o Lula, e depois o Flávio.”

Rubens Minelli
Manchete do Jornal dos Sports (RJ) anuncia a contratação de Lula pelo Inter

Os valores envolvidos na transferência de Lula reforçavam a fé depositada pela diretoria colorada no futebol do ponta-esquerda. Ao Fluminense, que detinha seus direitos, o Clube do Povo ofereceu 1 milhão de cruzeiros, enquanto o atleta aceitou salário na casa dos 18 mil mensais. A partir da estreia do camisa 11, contudo, todos perceberam que o preço era até baixo para um jogador com tamanha capacidade de decisão nas quatro linhas. Logo na primeira partida de vermelho, o craque participou ativamente de vitória de 2 a 1 do Inter, até então Penta do Rio Grande, em cima do Grêmio.

Golaço de Lula contra o Vasco, em 1974

O correr das primeiras semanas que sucederam a estreia de Lula deixou claro que, com a chegada do camisa 11, o Inter passava a exibir maior equilíbrio pelos lados do campo. Já nas graças do povo vermelho, Valdomiro era o patrão do corredor direito, mas carecia, até então, de companheiro dono de futebol à altura do seu. Ofensivo pelas pontas, o Inter encerrou o primeiro semestre como quarto colocado no Brasileirão, torneio conquistado pelo Vasco.

Já no fim do ano, o time de Minelli conquistou o sexto Gauchão consecutivo, este erguido com incríveis 100% de aproveitamento. Protagonista, Lula brilhou nas duas campanhas. A nacional, o atleta encerrou com golaço em cima do futuro campeão, enquanto a caminhada estadual contou com participação decisiva do camisa 11 na jogada do gol do título, marcado por Valdomiro em cima do Grêmio.

O gol do título gaúcho de 1974

Chegava 1975 e, com ele, mudanças no calendário do futebol brasileiro. O Campeonato Nacional, a partir de então, seria jogado no segundo semestre, com a disputa dos Estaduais abrindo o ano. A novidade permitiu que o Inter, já famoso por seu futebol envolvente, realizasse um excursão pela Europa, fundamental para reforçar o entrosamento do time. De volta ao Beira-Rio, o Clube do Povo logo se sagrou Hepta do Gauchão, título que passou, é claro, diretamente pelo futebol técnico, irriquieto e impetuoso do sangue quente camisa 11 alvirrubro.

Torcida fez a festa com o Hepta

Por falar em sangue quente, Lula também fez fama pela vida ativa fora dos gramados. Atleta rebelde, o camisa 11 causava dores de cabeça em diretoria e comissão técnica, mas apenas durante a semana. Nos domingos, como confidenciara em icônica frase o presidente Frederico Arnaldo Ballvé, o ponta-esquerda tratava de incomodar os adversários. E isso ele fazia com poucos, graças à imparável velocidade e aos dribles desconcertantes.

Verso final da poética escalação que conquistou o Brasil no dia 14 de dezembro de 1975, Lula foi um dos grandes destaques do desbravador Inter que trouxe a primeira taça nacional para o Sul do país. Na primeira fase do Brasileiro, o camisa 11 brilhou com dois gols na importante vitória de 5 a 0 do Clube do Povo sobre o Vitória, na segunda rodada, e também marcou pela primeira vez em Gre-Nais, anotando o tento alvirrubro em empate de 1 a 1.

Lula estreou como artilheiro em Gre-Nais no ano de 1975/Foto: DVG

Lesionado em parte da segunda fase, Lula foi importante na terceira, compreendida por octogonal que antecedia as semifinais. Classificado para as eliminatórias graças aos critérios, que também foram benéficos ao Santa Cruz, e prejudiciais ao Flamengo, o Inter conquistou vitória fundamental na antepenúltima rodada da chave, quando visitou o Náutico. O triunfo, por 1 a 0, foi conquistado com gol do camisa 11.

Na semifinal, o ponta-esquerda brilhou justamente contra seu ex-clube. Dono da badalada Máquina Tricolor, o Fluminense de Felix, Marco Antônio, Rivellino, Paulo Cezar Caju, Gil e companhia não foi páreo ao Clube do Povo, que silenciou mais de 100 mil pessoas a partir do minuto 33 do primeiro tempo, instante em que Lula recebeu lindo passe de Falcão, invadiu a área rival e, mesmo sem ângulo, finalizou com força e estilo, sem chances para Félix. Golaço, que seria acompanhado, na etapa final, por outro de Carpegiani. Inter 2 a 0 no Maracanã!

Quando acordaram,

já não dava mais.

Quase levaram o terceiro!

Lula

Lula passou a semana de véspera da finalíssima lesionado. Com o joelho inchado, era dúvida para o confronto diante do Cruzeiro, interrogação que persistiu até a entrada dos times em campo, quando, conduzido pelo capitão Figueroa, o Internacional despontou diante de grande festa no gramado do Beira-Rio. Cronometrado, o destino tratou de postergar o mistério até o revelador dissipar da neblina dos foguetes. Neste instante, sorrisos na Padre Cacique: ele estava no gramado. O camisa 11 era titular!

“Não vou ficar fora
desta decisão
de jeito nenhum!”

Lula
Lula, agachado à esquerda, com os campeões de 1975

O Brasileirão de 1975 encerrou um ano mágico para o Inter na mesma medida em que inaugurou outra temporada inesquecível. Pela primeira vez na história, uma equipe gaúcha disputaria a Libertadores, torneio iniciado, de parte do Colorado, no dia sete de março de 1976, data de uma das melhores partidas de futebol no século XX. No Mineirão, Clube do Povo e Cruzeiro travaram embate espetacular, encerrado em 5 a 4 para os locais. Responsável por abrir o escore vermelho, Lula inaugurou, a partir de lindo canhotaço, a lista de goleadores alvirrubros no principal campeonato do continente.

O primeiro gol do Inter em Libertadores

No Gauchão de 1976, Lula viveu uma nova experiência com a camisa vermelha; a de artilheiro de título. Diante de dezenas de milhares de colorados e coloradas, o ponta-esquerda marcou o primeiro gol do Inter na finalíssima estadual, partida disputada, no Beira-Rio, diante do Grêmio. Dario também balançaria as redes tricolores na ocasião, garantindo o inédito e jamais igualado Octa do Rio Grande do Sul.

No Nacional, Lula seguiu algoz do rival, marcando duas vezes na vitória de 3 a 1 conquistada pelo Inter na segunda rodada do torneio. Titular ao longo de toda a campanha, o ponta-esquerda foi, como de costume, uma das estrelas na campanha campeã, caminhada esta que se mantém, até hoje, como a melhor da história do Brasileirão, e que consagrou o Inter vencedor, após triunfo de 2 a 0 sobre o Corinthians, com incríveis 84% de aproveitamento.

Lula fez dois em Gre-Nal do Brasileirão de 1976

O Internacional lamenta a partida de um dos grandes ídolos de sua história, e se solidariza com a dor de amigos e familiares. No Clube do Povo, Lula será sempre lembrado como o eterno proprietário do corredor esquerdo de ataque do Beira-Rio, setor de campo que desbravou com a maestria e agressividade que lhe eram costumeiras. Obrigado por tudo, ídolo!

D’Ale está de volta! Ídolo é apresentado para o último tango em Porto Alegre

Camisa 10 voltou para casa (Fotos: Ricardo Duarte)

Mais de 12 temporadas defendendo a mesma camisa. Um total de 517 jogos, 95 gols e 113 assistências. 13 títulos, entre eles Copa Libertadores e Sul-Americana. O terceiro jogador que mais vestiu a camisa do Inter, mesmo vindo de fora do país. O ídolo Andrés Nicolás D’Alessandro está de volta ao Clube do Povo para escrever seu capítulo derradeiro como jogador de futebol. O último tango do argentino mais brasileiro do mundo já começou!

Esta quinta-feira, dia 13 de janeiro, entra de imediato para a história colorada. Data que marca o retorno oficial do ídolo, apresentado pela diretoria no Beira-Rio. Ao lado do presidente Alessandro Barcellos, do vice-presidente de futebol Emílio Papaléo Zin e do diretor executivo Paulo Bracks, D’Ale recebeu de volta a sua camisa 10, cedida pelo amigo Taison, que voltou a usar a 7.

Em entrevista coletiva emocionante, o ídolo falou sobre diversos assuntos, esclareceu dúvidas e projetou seus últimos quatro meses como jogador de futebol. Confira abaixo os principais trechos.

Palavra da diretoria

D’Ale é apresentado por Bracks (E), Barcellos (C) e Papaléo (D)

Alessandro Barcellos:
“É um cara irresignado com derrota, gosta de vitória, gosta de título e tem os valores do Internacional no seu dia a dia. Isso é fundamental, com a entrega que ele tem, para um dos grupos mais jovens do Inter nos últimos anos. A presença do D’Alessandro dentro do vestiário vai nos ajudar muito nesse aspecto.”

Emílio Papaléo Zin:
“É muito bom ver o D’Alessandro vestindo novamente a camisa do Internacional. É um craque dentro e fora de campo. Neste começo de ano no Campeonato Gaúcho, que ele participou de sete conquistas, vai nos ajudar muito. Com sua experiência, sua liderança e seu talento, certamente terá uma participação decisiva neste início de temporada onde o Inter está formando seu elenco.”

Paulo Bracks:
“Quando penso no D’Alessandro, penso nele com a camisa do Internacional. Vai ser um orgulho muito grande tê-lo como colega de trabalho e nós contamos muito com ele dentro e fora de campo.”

D’Alessandro

Entrevista longa e emocionante marcou retorno do camisa 10

Volta para casa
“Estou muito orgulhoso e feliz de o Inter ter me aberto as portas novamente. Era um possibilidade que, quando sai no ano passado, pensava, mas não era uma realidade. Em conversa com a diretoria e o presidente a gente conseguiu e hoje estamos aqui. Estou muito feliz de voltar para minha casa.”

Disposição de sobra
“Se o treinador precisar de mim dois minutos, estarei à disposição. Se precisar em 20 minutos, estarei à disposição. Se não precisar de mim dentro, mas fora de campo, também estarei à disposição.”

Como se fosse a primeira vez
“Eu não voltei ao Inter pelo que eu ganhei. Voltei porque a diretoria, o treinador e o grupo estão convencidos de que eu posso contribuir com eles de alguma maneira, seja fora ou dentro. Para mim, vai ser como o primeiro Gauchão que joguei lá em 2009, que vencemos de forma invicta, junto com o Taison.”

Intensidade do novo treinador
“Temos um treinador com ideias novas, com uma característica diferente dos treinador anteriores. Um treinador que gosta de trabalhar, é intenso e não gosta de brincar, já mostrou isso nos primeiros treinos. Não tem outro jeito a não ser trabalhar. Já não se ganha mais no futebol só com a bola no pé, se ganha com intensidade, se doando, tendo comprometimento, esforço e dedicação. É preciso viver para o futebol 24 horas por dia.”

Recado aos críticos
“Existe uma minoria que achava que não poderia treinar e não teria forças. Uma minoria que se incomoda com a minha presença novamente em Porto Alegre. Uma minoria que talvez vista outra cor. Estou aqui muito vivo, com muita força e muito feliz. Ninguém conseguiu ganhar tudo, mas quando falam do D’Alessandro mudam o pensamento e a cobrança. Mas eu sempre matei no peito e, dessa vez, não vai ser diferente. Estou mais forte, estou que nem o vinho. Pode continuar batendo que não tem problema.”

Fim da linha
“É difícil cravar, mas a minha carreira vai terminar. Vou jogar quatro meses, ajudar no que eu puder até 30 de abril, farei 41 anos no dia 15 de abril. Depois disso, vou para a minha casa, descansar, sair de férias. Continuarei ajudando o Inter, comparecendo nos jogos, porque me tornarei torcedor. Já sou um torcedor, mas um atleta torcedor que continua trabalhando no clube.”

Volta à cidade
“Eu tinha muita vontade de voltar a morar em Porto Alegre. Não deixei de morar e voltar aqui como cidadão. Mas queria retornar para ficar e me despedir do futebol. Acho que posso dizer que é justo, eu sinto isso, é o que o torcedor e o clube me passam. É justo eu me despedir com a camisa do Internacional. Não poderia me despedir do futebol e encerrar minha carreira com outra camisa.”

Despedida do torcedor
“Eu preciso do torcedor. O clube precisa do torcedor. Agora vou ser um pouquinho egoísta, preciso me despedir do torcedor. Seja em Bagé, Erechim, Ijuí, ou na cidade que a gente for, mesmo se eu não for jogar, pedirei para viajar e acompanhar o grupo. Eu necessito me despedir do torcedor, ter contato com eles.”

Aposentadoria
“Preparado a gente nunca está. Eu vou pensando no dia a dia que termina uma coisa que é difícil assimilar. O atleta de futebol tem duas vidas dentro de uma. A vida de atleta e depois tem mais 40 ou 50 anos pra viver. Tenho que me preparar para isso.”

Amizade com Taison
“Taison é um amigo. Como atleta, dispensa comentário. Mas, como pessoa, dispensa mais ainda. A gente tem uma amizade muito grande. Ele vai ter que me ajudar, já ajudei muito ele. A gente vai trabalhar junto. Nunca é fácil pra quem sai do Inter e fica longe um tempo. O Inter mexe muito com o sentimento das pessoas, pelo menos a gente que tem um carinho e amor enorme pelo clube. Mexe demais. Quando a gente está longe, quer voltar a ficar aqui.”

Orgulho em vestir o manto
“Ser o terceiro jogador com mais jogos no clube é um orgulho. Hoje em dia, é muito difícil encontrar atletas que fiquem tanto tempo em um clube. Não é um objetivo ser o segundo. Se acontecer, ficarei muito feliz. Mas se não acontecer, posso jogar apenas alguns jogos. Depende de como o treinador quiser me utilizar. Tenho bem claro na minha mente, eu voltei para ficar à disposição, cumprir como um atleta profissional o dia a dia e minhas obrigações com o que o treinador precisar. Seja um minuto, sejam dois. De repente, faço uma ou duas partidas em quatro meses. Isso não vai tirar a minha felicidade por ter voltado, por estar com o grupo, voltar a Porto Alegre, por vestir esse manto colorado, que não é pouca coisa.”


> Assista à entrevista coletiva na íntegra!

Tesourinha, uma centenária lenda colorada

Ídolo (C) marca, no Eucaliptos, um de seus 178 gols pelo Inter

Se você é hoje torcedor colorado e herdou esta paixão centenária, muito se deve a um sujeito chamado Osmar Fortes Barcelos, o lendário Tesourinha. Um legítimo craque, revelado no Celeiro de Ases, que ajudou a catapultar a fama do Rolo Compressor e o nome do Sport Club Internacional pelo Brasil afora. Mais do que isso, um atleta nascido para jogar no Clube do Povo.

No Dia do Torcedor Colorado, celebrado neste 17 de dezembro, vamos relembrar a trajetória do histórico ponta-direita que completaria um século de vida em 2021, mas que permanece eternizado na raiz de cada alvirrubro.

Imagem: Revista Panorama Esportivo

O primeiro capítulo da história entre Inter e Tesourinha foi escrito ainda no nascimento do ídolo, em 3 de outubro de 1921. Osmar Fortes Barcellos viveu sua infância na Ilhota, primeira grande favela de Porto Alegre, marcada pela mistura de futebol e samba, que em 1909 também serviu de berço colorado.

Seu apelido veio de um bloco carnavalesco, chamado ‘Os Tesouras’, do qual ele e familiares faziam parte. Mas poderia também ser referência à maneira como cortava os adversários, em dribles desconcertantes, muito comparado aos de Garrincha.

Bem-humorado, o ídolo divertia-se ao explicar o motivo do apelido: “Por causa de um bloco chamado Os Tesouras, que no final da década de 30 fez misérias na Cidade Baixa (bairro de Porto Alegre). Diziam que eu fazia misérias com os adversários, daí o apelido”.

Tesourinha infernizava os adversários pela ponta-direita

Quando de fato chegou ao Inter, em 1939, ainda era franzino e muito pobre. Assim, ganhou do Clube a autorização especial para pegar diariamente dois litros de leite nos armazéns próximos ao Estádio dos Eucaliptos.

Sua chegada ao Inter culminou com a formação do famoso Rolo Compressor, com o qual foi octacampeão citadino e gaúcho, tornando-se o quinto maior artilheiro da história colorada, com 178 gols. Formou, junto de Carlitos, Adãozinho e Villalba, um dos principais ataques da história do futebol brasileiro. Ajudou o Clube do Povo a se consolidar como maior time do Rio Grande do Sul, além de garantir a vigente supremacia no clássico Gre-Nal, obtida em 1945.


Atingiu feito raro entre os gaúchos na sua época ao ser convocado para a Seleção Brasileira – o primeiro atuando no Inter. Superou a desconfiança da imprensa do eixo Rio-São Paulo e foi igualmente brilhante, sendo eleito por duas vezes o melhor jogador do continente. Entre seus títulos com a Seleção, conquistou a Copa América de 1949 e a Copa Roca, em 1945. Era nome certo para a Copa do Mundo de 1950, no Brasil, mas acabou cortado pelo técnico Flávio Costa por causa de uma grave lesão no joelho.


Na despedida do Estádio dos Eucaliptos, em 1969 – vitória por 4 a 1 sobre o Rio Grande -, foi homenageado ao ingressar em campo no segundo tempo para receber um último aplauso da nação colorada. Como merecida recordação, levou para casa as redes da goleira, tanta vezes balançadas por ele, retirada com uma tesoura – emblemática.

Um século de Carlitos, o maior goleador da história colorada

Ídolo colorado (D) marcou época no Rolo Compressor

Este poderia ser apenas mais um sábado qualquer. Entretanto, para os colorados, tem um sabor especial. Há cem anos, nascia o nosso maior goleador de todos os tempos. Alberto Zolim Filho, popularmente conhecido como Carlitos, é definitivamente um personagem lendário na história do Clube do Povo, com lugar especial reservado na galeria de maiores ídolos. Nada mais justo para quem marcou quase 500 gols defendendo, por toda vida, uma única camisa – a colorada.

Ícone do Rolo Compressor, Carlitos aterrorizou as defesas adversárias por nada menos que 14 temporadas vestindo vermelho e branco, de 1938 a 1951. Com ele em campo, o Inter alcançou a sua primeira era dourada, dominando completamente o futebol do sul do Brasil e alcançando a supremacia, ainda vigente, no clássico Gre-Nal.

Falecido em 2001, aos 79 anos de idade, Carlitos completaria 100 anos neste sábado (27/11), mas suas histórias ficaram eternizadas nas páginas gloriosas do Clube do Povo.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Criado no bairro Tristeza, na zona sul de Porto Alegre, desde cedo o menino ainda franzino empolgava os moradores da região com seu faro de gol e dribles desconcertantes. Com menos de 17 anos, foi levado para o Inter. Inicialmente, em função da forte linha ofensiva colorada formada por nomes como Sylvio Pirillo, Acácio e Castilhos, seria aproveitado como zagueiro. Porém, após alguns treinamentos, conquistou seu espaço na ponta-esquerda, posição de origem do futuro craque.

Com efeito imediato na equipe, não demorou para ser convocado para a Seleção Gaúcha, ainda no mesmo ano. Feito que revelaria ser uma das maiores honras da sua carreira, assim como poder atuar ao lado de ídolos como Risada, Levi, Motorzinho e Osvaldo Brandão no Clube do Povo. Pouco a pouco, o promissor goleador ia se tornando crucial no time do seu coração.


‘La Mano de Dios’ – Carlitos também marcou um icônico gol com a mão. Ao invés dos ingleses, as vítimas foram os catarinenses, quando o ídolo atuava pela Seleção Gaúcha.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Com forte apoio popular, o Clube do Povo crescia a passos largos nesta época. Jovens como ele vinham da várzea e ligas humildes, como a da Canela Preta, para formar um time que marcaria época na década seguinte. Começava a surgir o mítico Rolo Compressor – e aquele guri da zona sul de Porto Alegre seria fundamental.

Ao lado de Tesourinha, Nena, Adãozinho e outros craques, levou o Inter à hegemonia, ainda vigente, no Gre-Nal e no Gauchão – título que conquistou nada menos que 10 vezes. Se tornou ícone de um time lendário que redefiniu o futebol do Sul do Brasil.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Goleador implacável, tornou-se o maior artilheiro do Inter, do Gre-Nal e do futebol gaúcho em todos os tempos – recordes que perduram até hoje. Entre seus 485 gols, reservou 42 deles somente para o clássico, seu jogo preferido. Frio e calculista, jamais desperdiçou um único pênalti em toda sua carreira.

Não faltavam recursos para o artilheiro. Em um clássico com o Cruzeiro-POA, em 1945, o atacante balançou as redes de forma inusitada, no famoso ‘Gol do Plano Inclinado’, desafiando a física e deixando adversários incrédulos. Na ocasião, quando avançava para finalizar, o ídolo acabou passando da bola e, na fome pelo gol, deu um salto para trás, alinhando seu corpo ao horizonte. Praticamente deitado no ar, Carlitos conseguiu o cabeceio consagrador.

Carlitos e o ‘Gol do Plano Inclinado’, retratado em obra de arte

Por vezes, encarnava o próprio Saci. Especialista na arte de provocar defensores e criar armadilhas para os goleiros, Carlitos aprontava as suas peripécias pelo bosque dos Eucaliptos. Em um clássico, antes de um escanteio ser batido, prendeu o calção do desavisado goleiro gremista Júlio em um prego da trave. Quando o arqueiro saltou na direção da bola, a peça do uniforme não o acompanhou, permanecendo pendurada e rasgada na goleira.


Eterno romântico, dedicou uma vida ao Colorado e jamais trocou de time. Seu amor chegou ao ponto de batizar três filhos com a letra inicial do Inter: Ivan, Iran e Irany, o trio da imagem.

Foto: Revista Colorada / Julho 1958 – Disponível para consulta na Biblioteca Zeferino Brazil /FECI

Herói e protagonista de um romance sem fim. Homem que viveu um amor autêntico e correspondido, com aroma de Eucaliptos e sabor de gols. Muitos gols. Eterno Carlitos!

“Aos novos que vestem a camiseta do nosso glorioso clube, gostaria de dizer que façam como os de antigamente: o coração rubro em primeiro lugar, amor à camiseta.”

Carlitos