Inter e adidas apresentam camisa comemorativa aos 30 anos da primeira Copa do Mundo Feminina

Roseli de Belo (E) e Mileninha (D)

Há 30 anos, em 1991, era disputada a primeira Copa feminina de futebol. Para celebrar este marco histórico para as mulheres no esporte, o Clube do Povo e a adidas se unem para apresentar uma camisa especial que reafirma todas as conquistas do futebol feminino. Disponível na cor cinza, o manto conta com o escudo do Internacional no lado esquerdo do peito, e com as três listras no direito.

O lançamento também lembra a força e a garra das mulheres que ajudaram e ajudam a ampliar e pavimentar o caminho no esporte, quebrando estigmas e preconceitos em um meio ainda tão machista quanto o do futebol. O manto traz essa força através de detalhes como um badge especial que leva o número 30 e uma mulher com a bola no pé, demonstrando todo o seu poder.

Ex-atleta da Seleção e jogadora das Gurias estrelam a campanha

Uma história de resistência

Homenagear a data é dar o devido reconhecimento e visibilidade à trajetória do futebol feminino no Brasil e no mundo. Por aqui, a modalidade ganhou o coração e os pés de mulheres que jogavam em áreas periféricas e escondidas dos grandes centros urbanos, mas que, logo em 1941, foram proibidas por decreto federal. A resistência ocorreu por meio de treinos e partidas clandestinas até a liberação total, quase 40 anos depois, em 1979.

Um primeiro torneio experimental reuniu seleções de 12 países em 1988, com o time brasileiro entrando em campo com as roupas que sobravam dos elencos masculinos. Em 1991, a primeira Copa do Mundo finalmente aconteceu. De lá para cá, o futebol feminino derrubou tabus e preconceitos, formou referências e ganhou mais estrutura. Até hoje, porém, a modalidade esbarra em percalços comuns a todas as mulheres – tanto em suas vidas pessoais quanto profissionais.

O machismo do meio futebolístico ainda parece ser o principal obstáculo para a equiparação da modalidade feminina. Não importa a qualidade dos times ou seus esforços para abrirem mais caminhos e espaços diante da grandeza do seu esporte, equidade e reconhecimento seguem em falta. É por isso que comemorar essas três décadas significa fortalecer cada vez mais a luta por maior visibilidade para elas no futuro.

Garanta o seu manto

A coleção vai proporcionar uma experiência única para quem é parte do Creators Club – as três primeiras compradoras do manto garantirão um talk único e exclusivo com craques do futebol feminino parceiras da adidas. Os uniformes já estão disponíveis na loja da adidas e nas lojas físicas do Inter, por R$ 299,99.

Há 102 anos, Inter se tornava o primeiro clube do Brasil a ter uma sócia

Nascido com a intenção de abraçar a todos, o Sport Club Internacional deu uma valiosa demonstração de sua essência plural e popular no dia 2 de abril de 1918. Foi nesta data, ocorrida há exatos 102 anos, que Maria Von Ockel se associou ao Clube do Povo, assim se tornando a primeira sócia da história de um time brasileiro.

Apresentada ao coselho do Clube pelo ex-presidente Heitor Carneiro, a associação não foi um marco isolado na história alvirrubra de então. Um ano depois, o Inter determinou a construção de um pavilhão que atendesse às necessidades das ‘senhoras e senhoritas’ que, à época, frequentavam a Chácara dos Eucaliptos, casa colorada, para praticar tênis. Maria era uma delas e, como revelou sua filha Lu Serenita em entrevista para a Mídia do Inter em 2017, vivenciava com grande satisfação a rotina da instituição. “Ela sentia muito orgulho em poder participar deste Clube. A associação foi um evento muito bom e marcante na vida dela, tanto que sempre contava e recontava essa história para todos. E não imagino que ela pensasse, em algum momento, que essa atitude fosse repercutir, criando tantas oportunidades maravilhosas.”

Entrevista de Lu Serenita na íntegra

Em uma época na qual praticamente todos os direitos das mulheres eram cerceados, Maria teve de receber um salvo-conduto de seu cunhado para ter a associação validada. Em 1918, por exemplo, o voto feminino ainda não era garantido na constituição brasileira – apenas seria no início da década de 30. Um panorama que mostra o quanto já evoluímos na luta contra o machismo, preconceito que, infelizemnte, segue longe de estar erradicado na sociedade brasileira.

Detalhe da histórica Ata

Em média, na década passada nosso país foi palco de 4 mil assassinatos de mulheres por ano. Em 2019, de acordo com levantamento do Ministério da Sáude, a cada 4 minutos uma mulher era agredida por um homem. Consciente da responsabilidade social do futebol e da importância de carregar a alcunha de ‘Clube do Povo’, o Internacional vem lutado para consolidar o Beira-Rio em um ambiente cada vez mais democrático e diverso, confortável para toda a torcida colorada. O Estaremos Contigo, canal de denúncias de possíveis atos discriminatórios e preconceituosos vivenciados em dias de jogos no Gigante, comprova.

Assim, dentro do Colorado prometemos lutar para que cada vez mais histórias como a de Maria sejam escritas. Fora, nos comprometemos em abraçar o papel social que é cobrado de uma instituição gigante e mais do que centenária. Aqui, no Clube do Povo, todas as vozes têm importância. Queremos ouvi-las. E, podem ter certeza, a partir dessas iremos agir!