Luto pela morte de Maradona

O futebol está de luto. Um dos maiores jogadores da história do esporte, ídolo máximo do povo argentino e reverenciado aos quatro cantos, Diego Armando Maradona faleceu nesta quarta-feira (25/11), aos 60 anos de idade. O Pibe de Ouro, como era carinhosamente chamado em sua terra natal, estava dentro de casa, em Tigre, quando sofreu uma parada cardíaca. O mais humano dos deuses, assim definido por Eduardo Galeano, deixa um rico legado para a maior paixão mundial, história recheada de títulos e genialidade, e que conta, inclusive, com um breve encontro com a trajetória do Internacional.

Revelado pelo Argentinos Juniors, camisa que defendeu entre 1976 e 1981, Maradona dá nome o Estádio do clube, instituição apelidada como ‘Semillero del Mundo’ por sua tradição em revelar grandes craques. Dos colorados de Buenos Aires seguiu para o Boca, com quem conquistou o Nacional de 1981, à época chamado de Torneio Metropolitano.

No ano passado, Inter visitou as dependências do Estádio Diego Armando Maradona

A estadia em La Bombonera durou pouco, uma vez que em 1982, pouco antes da Copa do Mundo da Espanha – a primeira que disputaria -, foi negociado com o Barcelona. Sua estreia pelo gigante catalão ocorreu no Torneio Joan Gamper, tradicional competição amistosa realizada no Camp Nou com o objetivo de apresentar o elenco blaugrana à torcida culé. O adversário da ocasião? Exatamente o Clube do Povo.

Panfleto de divulgação do Torneio Joan Gamper de 1982/Foto: Divulgação

O debut de Dom Diego ocorreu no dia 24 de agosto de 1982, em partida das semifinais do torneio amistoso. Diante de quase 120 mil pessoas, o Barcelona enfrentou um estrelado Inter, escalado pelo técnico Ernesto Guedes com Benítez no gol; Edevaldo, Mauro Pastor, André Luís e Beretta, depois Müller, na zaga; Ademir, Cléo, depois Sílvio, Mauro Galvão e Rubén Paz no meio; Paulo César e Silvinho, depois Andrezinho, no ataque. Definida como a melhor geração blaugrana em 20 anos, a escalação dos donos da casa não conseguiu vencer a segurança colorada.

Maradona sofreu com marcação implacável de Beretta

Mantida a igualdade sem gols até o apito final, a decisão foi para as penalidades. Do lado gaúcho, Ruben Paz, André Luís, Ademir e Andrezinho marcaram. Para os catalães, apenas Maradona converteu. Por 4 a 1, o Clube do Povo venceu e seguiu rumo à decisão, onde superaria, por 3 a 1, os ingleses do Manchester City. Confira especial de 2017 sobre os 35 anos da conquista:

No Barcelona, Maradona alternaria entre altos, quando chegou a ser aplaudido de pé pela torcida do Real Madrid em pleno Bernabéu, e baixos. Campeão da Copa do Rei, seguiu para o Napoli, onde escreveria novo capítulo como divindade. Já amado pelo povo argentino, viraria autoridade máxima no sul da Itália por conquistar dois Campeonatos Italianos, uma Copa da Uefa, uma Copa da Itália e uma Supercopa da Itália.

Maradona (E) e Falcão (D) foram rivais na Itália

Durante os anos que viveu em Nápoles, Maradona também conquistou, como protagonista, a Copa do Mundo de 1986. Escolhido o melhor jogador da competição, reluziu como nunca nas quartas de final, quando através de um gol de mão – a famosa Mano de Dios – e outra pintura, deixando diversos adversários no chão, garantiu o triunfo hermano por 2 a 1 sobre a Inglaterra, vingando, para o povo argentino, a recente derrota na Guerra das Malvinas.

Maradona ainda disputaria as Copas de 1990 e 1994, além de vestir as camisas de Sevilla, Newell’s Old Boys e, uma vez mais, Boca Juniors, clube pelo qual se aposentou dos gramados. Em sua despedida, realizada em 2001, o gênio reconheceu seus erros, simbolizados nas punições por uso de drogas, em frase tão icônica quantos os dribles que aprontava dentro de campo. “Errei e paguei, mas o que fiz em campo não se apagou”.

“Si yo fuera Maradona

Viviría como él

Porque el mundo es una bola

Que se vive a flor de piel”

Manu Chao, músico francês

No ano de 2005, Dom Diego participou de partida preliminar ao duelo de volta das quartas de final da Sul-Americana, disputada entre Boca e Inter, na Bombonera. Aos 45 anos de idade, marcou um gol na vitória xeneize por 6 a 0 sobre o Racing. Em respeito à gigante trajetória construída pelo ídolo mundial, a bandeira do Beira-Rio foi posicionada a meio mastro na tarde desta quarta-feira (25/11). Os duelos entre Inter e Boca, válidos pelas oitavas da Libertadores 2020, foram, pelo mesmo motivo, adiados pela Conmebol. Gracias por todo, Pibe!

Maradona exibia rara simbiose quando vestindo azul y oro/Foto: Twitter Boca Juniors, DVG

Especial Ibsen Pinheiro, advogado, político e colorado: o dirigente que dividiu o amor pelo Inter com a vida política

Histórico colorado, Ibsen Pinheiro nos deixou na última sexta-feira (24/01), aos 84 anos. Advogado, político e jornalista, ocupava, atualmente, uma cadeira no Conselho do Clube, apenas um dos muitos postos nos quais atuou dentro do Inter. Torcedor fervoroso, construiu biografia intimimamente ligada a de seu time de coração, iniciada ainda na década de 60, quando integrou o grupo dos chamados ‘Mandarins’.

Maestro no duro desafio de dividir sua paixão pelo Inter com intensa atuação no cenário político nacional, deixa legado grandioso dentro do Clube do Povo, assim como um vazio à altura de sua importância para a história alvirrubra. Para saber mais sobre o lendário dirigente, nosso companheiro de arquibancadas, confira o especial sobre a vida de Ibsen, produzido pela Rádio Colorada:

Ibsen Pinheiro: lendário dirigente morre aos 84 anos

Ibsen Pinheiro dividiu com maestria sua paixão pelo Inter com uma intensa vida política no cenário nacional

Uma das figuras históricas mais importantes do Sport Club Internacional nos deixou na noite desta sexta-feira, 24. Ibsen Pinheiro faleceu aos 84 anos, em Porto Alegre. Advogado, jornalista e político, Ibsen ocupava atualmente uma cadeira no Conselho do Clube.

Sua história sempre esteve intimamente ligada à do Inter. Com uma longa trajetória de contribuições, ajudou a elevar o patamar do Clube do Povo. Entre as décadas de 60 e 70, como parte dos chamados “Mandarins”, uniu-se aos colorados Cláudio Cabral, Paulo Portanova e Hugo Amorim – protagonistas em um momento de domínio colorado no cenário esportivo nacional. Na década de 1990, voltou a ocupar o cargo de Vice-Presidente de Futebol, assim como em 2002, quando ajudou o time a escapar do rebaixamento.

Como presidente do Conselho Deliberativo, uniu movimentos políticos

Sua contribuição também era fundamental em períodos difíceis. Em 2013, após quase dez anos afastado da vida do Clube, Ibsen foi aclamado presidente do Conselho Deliberativo com a missão de apaziguar os ânimos e estabelecer uma união entre os movimentos políticos. Novamente em 2016, foi convocado a assumir a posição de diretor de Futebol em um momento delicado do time. “Um convite do Inter é uma convocação”, afirmou à época.

Ibsen Pinheiro (São Borja, 1935 – Porto Alegre, 2020)
Vice-Presidente de Futebol do Sport Club Internacional (1969-1971, 1996-1997, 2002)

Atuação política:

Vereador: 1977-1979, 2005-2006
Deputado estadual: 1979-1983
Deputado federal: 1983-1987, 1987-1991, 1991-1994, 2007-2011
Presidente da Câmara dos Deputados – 1991-1992