Gurias fazem história, superam São Paulo por 3 a 1 e avançam para as semifinais do Brasileirão A1

Gurias fizeram história no Morumbi/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

É NOSSA! A VAGA É NOSSA! A VAGA É DO CLUBE DO POVO! De virada, as Gurias Coloradas superaram o São Paulo por 3 a 1, na manhã deste domingo (22/08), e se classificaram para as semifinais do Brasileirão A1. Fabi Simões, Ari e Shashá marcaram no Morumbi, as últimas duas já depois dos 40 minutos da etapa final, e garantiram a vaga no tempo normal do confronto.

Na luta por vaga na decisão, o Inter enfrentará o Palmeiras, que eliminou o Grêmio, também neste domingo, após vitória de 4 a 1 no Allianz Parque. Semifinalista, a campanha de 2021 já é a melhor da história das Gurias no Brasileirão A1, e contará com, no mínimo, mais 180 minutos de feitos relevantes.

Festa das semifinalistas/Foto: João Callegari

Sem ceder às injustiças

A classificação não veio por acaso, há de se registrar. Após derrota de 2 a 1 na partida de ida, o cenário do Morumbi podia soar adverso, mas plenamente reversível. Em busca do resultado, as Gurias iniciaram a partida martelando o rival e empilhando oportunidades, deixando clara nossa ambição por protagonismo em nível nacional.

As 11 titulares de uma manhã inesquecível/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

O ditado, infeliz e teimoso, reforça, há anos, que chances desperdiçadas são punidas. E se as Gurias não fizeram, elas sofreram. Fortuito, o gol tricolor saiu aos 21, após cobrança de falta que explodiu no poste e retornou na cabeça de Gislaine. Abatimento, porém, não faz parte do dicionário do Inter, que logo empatou.

Corriam 34 minutos quando Fabi recebeu bom passe de Djeni e ganhou na briga e na vontade da marcadora. Artilheira das Gurias no Brasileirão, a camisa sete cortou ângulo para a perna direita e chutou no canto oposto, sem chances de defesa para Carla, que certamente ouviu a bola explodir no poste antes de estufar as redes tricolores. O placar de 1 a 1 finalizava o primeiro tempo!

Fabi comemora o empate colorado/Foto: Livia Villas Boas/CBF

PARA A HISTÓRIA!

Assim como nos instantes de abertura do jogo, o reinício do duelo presenciou importante volume ofensivo das Gurias, constantemente em busca de gol que, pelo menos, levaria a decisão para as penalidades. A pressão, porém, também significou considerável desgaste, consequência do intenso calor registrado na capital paulista. Superada a casa dos 15 minutos, o São Paulo começou a somar maior posse de bola.

Segundo tempo foi truncado para as Gurias/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

O segundo terço da etapa final tornou pessimistas os que não conhecem a história do Clube do Povo. Da casamata, Maurício promovia mudanças que deixavam o time mais ofensivo e com maior fôlego, mas a bola insistia em procurar os pés paulistas, que se adonavam do meio de campo. Pelo terceiro ano consecutivo, as Gurias deixavam o Brasileirão A1 nas quartas. Mas, em 2021, estávamos no Morumbi – no mês de agosto.

Proprietária das bolas paradas, Djeni Becker ajeitou com carinho, aos 40 minutos, antes de cobrar falta na intermediária direita de ataque. Com açúcar, a camisa oito levantou em conformidade ao manual, na altura da marca do pênalti. Por ali, a predestinada Ari apareceu livre para desviar à queima-roupa. Os pênaltis estavam garantidos, mas não satisfaziam a ambição das guerreiras vermelhas.

Predestinada, Ari!/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

Desesperado, o São Paulo partiu para o ataque. Se a vaga ainda não estava perdida, o anímico para as penalidades ficava destroçado. Um gol, portanto, parecia imperativo para a equipe paulista disputar sua segunda semifinal nacional consecutiva. Ofensivo demais, entretanto, o rival esqueceu de Shashá. Velocista atacante que defende o Inter desde 2018, a camisa 33 recebeu de Wendy, aos 47, e teve caminho para avançar.

Gol no Beira-Rio, assistências no Morumbi: Djeni Becker/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

Mais do que metros, Shshá percorreu, até a área paulista, anos – em específico, quatro, de história das Gurias. De frente para a goleira, a atacante finalizou com precisão. Em se tratando de Inter, contudo, o gol não poderia vir apenas na qualidade. Por isso, quando a bola explodiu no poste e voltou para a 33, ela apostou na raça. De carrinho, o gol saía. A vaga era nossa. Ninguém mais tirava. Coloradas? Também, mas classificadas!

Na raça, para a história, Shashá marcou/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

Primeiro tempo

1min – Boa trama! Inter avança em velocidade pela esquerda do campo e Shashá tenta o cruzamento rasteiro. Antes de Fabi Simões, a zaga corta o perigo.

5min – UH! Ari finaliza de longe, com força. Bola sai por cima.

8min – Gurias seguem na pressão! Fabi recebe de Mari Pires, corta para dentro e finaliza. Com desvio, ela quase engana Carla, mas a goleira defende.

11min – Encaixa, Vivi! Yayá finaliza de longe, e goleira do Inter defende sem problemas.

Goleira ajudou Inter a conquistar a vaga/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

13min – PRA FOOORA! Djeni e Shashá tabelam na intermediária de ataque. Camisa 33 recebe na entrada da área e solta a bomba, que sai em tiro de meta para o São Paulo.

21min – Micaelly cobra falta fechada, na direção da área colorada. Cobrança explode no poste e, no rebote, Gislaine manda para as redes.

24min – SAAAAAALVA, CARLA! Ariane corta a marcação e, pela intermediária esquerda de ataque, solta a bomba. Goleira defende, e manda em escanteio.

26min – VIVIIIIII! Após bate-rebate na área colorada, goleira opera um milagre em arremate de Dani.

34min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! É GOOOOOOOOOOOOOOL! É GOOOOOOOOOOOL! É DO IIIIIIINTER! É DAS GURIAS COLORAADAS! É DA MINHA ARTILHEIRA, DA MINHA SETE, É DE FABI SIMÕES! Djeni Becker serve linda bola para Fabi, que invade a área paulista pela direita e, mesmo com o desvio da zaga, consegue o domínio e finaliza com curva. A bola explode no poste e morre nas redes paulistas. Tudo igual no Morumbi!

Comemore o gol de Fabi com a narração da Rádio Colorada

44min – Duda recebe de Micaelly e, na área colorada, pela direita, finaliza rasteiro. Sem direção, ela sai em tiro de meta.

45min – Mais três. Vamos a 48.

46min – Duda amarelada. Chegou atrasada na Isa.

48min – Encerrado o primeiro tempo.

Fabi empatou na reta final do primeiro tempo/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

Segundo tempo

0min – Gurias voltam com mudança. Mari Pires sai, Wendy entra.

3min – UUUUUUUUUH! Shashá recupera a posse na saída paulista, avança até a meia-lua da grande área e manda uma bomba. Carla, espetacular, espalma.

9min – PRESSÃO! Fabi recupera na saída de bola, toma ela de Gislaine e, dentro da área, pela direita, cruza rasteiro. Antes de Djeni, defesa tira.

10min – POR CIIIIIIIIIMA! Fabi faz boa jogada pela direita e cruza rasteiro. Djeni ajeita para Leidi, que solta uma bomba. A bola assovia no poste superior.

Grupo unido em busca do resultado/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

11min – QUASE! Wendy invade a área colorada pela direita, supera duas marcadoras mas, na dividida com a terceira, a bola espirra e vai até Carla.

13min – Dani invade a área colorada pela esquerda e cruza. Na pequena área, Jaqueline fura o cabeceio. Tiro de meta.

17min – Troca o Clube do Povo. Vem Mileninha, vai Rafa Travalão.

18min – Naná é novidade no São Paulo. Duda deixa o campo.

21min – QUE CHEGADA! Fabi enfileira duas e serve Shashá, que escapa com campo aberto pela frente, invade a área e manda rasteiro. Carla defende em dois tempos.

Shashá brilhou no Morumbi/Foto: Luiza Moraes/Staff Images Woman/CBF

23min – Micaelly faz grande jogada, supera duas zagueiras do Inter e entra na área vermelha. Poderia passar, mas escolheu o chute e mandou por cima.

26min – Mai escolhida por Maurício. Entra no lugar de Leidi.

27min – Carol é novidade no time da casa. Glaucia sai.

35min – Vivi! Em contra-ataque rápido, Micaelly corta para a canhota e, próxima da pequena área, chuta rasteiro. Goleira do Inter defende.

36min – Fabi arrisca da intermediária ofensiva e a bola sai por cima.

40min – É NOOOOOOOOOOOOOOSSO! É GOL! É GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! É GOOOOOOOOOOOOOOOL! É GOOOOOOOOOL! É DAS GURIAS COLORADAS! É DO CLUBE DO POVO! É DA ACADEMIA FEMININA ALVIRRUBRA! É DA NOSSA PAIXÃO! ARI! ARI! ARI! Pela direita da intermediária de ataque, Djeni levanta na área paulista. Ari se projeta em frente à zaga rival e desvia, indefensável, para as redes. Viramos no Morumbi, empatamos no agregado!

A mais vermelha das narrações para o gol de Ari!

45min – Quatro de acréscimos. Vamos a 49.

47min – A VAGA É NOOOOOOOOOOOOOOOOSA! A VAGA É VERMELHAAAAAAAA! A VAGA É DAS GURIAS! A VAGA É NOSSA! É GOL! É GOL! É GOL! É GOL! É GOL! É GOOOOOOOOOOOOOL! É GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! É CONTRA-ATAQUE DE ALMANAQUE! É DE SHASHÁ! É DE SHASHÁ! É DE SHASHÁ! É GOL! É GOL DA VITÓRIA! É GOL DA VAGA! Após escanteio pela direita, Isa serve Wendy no corredor direito. Ela tem espaço, ela tem vazio, e percebe Shashá nas costas da zaga. Da uruguaia para a camisa 33, que invade a área e chuta rasteiro. A bola explode no poste e volta para a atacante, que manda para dentro. De carrinho, para as redes. É GOL!

Se emocione com a narração da emissora oficial do Clube do Povo

49min – ACABOOOOOOOOOOOU! ACABOOOOOOOOOOOU! É NOSSA! A HISTÓRIA SEGUE SENDO ESCRITA! É NOSSA! É NOSSA A VAGA!


Ficha técnica:

São Paulo (1): Carla; Giovana, Lauren, Gislaine e Dani; Maressa, Yayá, Jaqueline e Micaelly; Duda (Naná) e Glaucia (Carol). Técnico: Lucas Piccinato.

Internacional (3): Vivi; Leidi (Maiara), Bruna Benites, Sorriso e Ari; Mariana Pires (Wendy), Isa Haas, Djeni e Shashá; Fabi Simões e Rafa Travalão (Mileninha). Técnico: Maurício Salgado.

Gols: Gislaine, aos 21’/1ºT (S). Fabi Simões, aos 34’/1ºT, Ari, aos 40’/2ºT, e Shashá, aos 47’/2ºT (I).

Cartão amarelo: Duda (I).

Arbitragem: Adriano de Assis Miranda, auxiliado por Alberto Poletto Masseira e Diego Morelli de Oliveira. Quarta árbitra: Marianna Nanni Batalha.

Estádio: Morumbi-SP.

Raio-X: Gurias visitam o São Paulo na partida de volta das quartas do Brasileirão A1

Coloradas e tricolores lutam por vaga nas semis do país/Foto: Ricardo Duarte

É dia de decisão no Morumbi! As Gurias Coloradas visitam o São Paulo neste domingo (22/08), a partir das 11h, na partida de volta das quartas de final do Brasileirão A1. Superadas por 2 a 1 na ida, disputada no Beira-Rio, as comandadas de Maurício Salgado buscam fazer história com uma inédita classificação para as semis do país. Abaixo, fique por dentro de tudo sobre o grande confronto.


Transmissão 📻

Domingo de jornada dupla na Colorada/Foto: João Callegari

Faça chuva ou faça sol, a Rádio Colorada está sempre ao lado das Gurias Coloradas. Emissora oficial do Clube do Povo, a Mais Vermelha estará ao vivo a partir das 10h30 deste domingo, com reportagens direto do Morumbi, para apresentar o clássico do futebol feminino brasileiro. Confira a programação, que pode ser acompanhada via Site e APP do Inter:

AtraçãoPlataforma
10h30Portões Abertos
(São Paulo x Gurias Coloradas –
Quartas de final/Brasileirão A1)
Internet e App do Inter
11hJornada Esportiva
(São Paulo x Gurias Coloradas –
Quartas de final/Brasileirão A1)
Internet e App do Inter
13hVestiário Vermelho
(São Paulo x Gurias Coloradas –
Quartas de final/Brasileirão A1)
Internet e App do Inter
13h30Programação musicalInternet e App do Inter
17hRaio-X
(Santos x Internacional –
17ª rodada/Brasileirão)
Internet e App do Inter
17h30Portões Abertos
(Santos x Internacional –
17ª rodada/Brasileirão)
Internet e App do Inter
18h15Jornada Esportiva
(Santos x Internacional –
17ª rodada/Brasileirão)
Internet e App do Inter
20h15Vestiário Vermelho
(Santos x Internacional –
17ª rodada/Brasileirão)
Internet e App do Inter
21h30Programação musicalInternet e App do Inter

Com imagens, o Sportv e o TikTok do Brasileirão Feminino anunciam transmissão. As redes sociais das Gurias Coloradas (@guriascoloradasoficial no Instagram, @GuriasColoradas no Facebook e @ColoradasGurias no Twitter) também acompanharão o duelo, apresentando o tradicional minuto a minuto enriquecido por imagens dos principais lances da partida.


Pra cima, Gurias! 💪

Semana foi de trabalhos fortes no Sesc/Foto: João Callegari

As Gurias contaram com semana livre para se preparar para o duelo deste domingo. Após receberem o São Paulo na última segunda-feira (16/08), as atletas do Clube do Povo iniciaram na última quarta (18/08) os trabalhos prévios à partida do Morumbi. Realizados com enfoque na preparação física e na simulação de situações de jogo, os exercícios dominaram a rotina do Sesc Protásio Alves até a última sexta (22/08), quando o elenco embarcou para a capital paulista.

Em São Paulo, as Gurias encerraram a preparação para a partida do Morumbi com atividades na academia do hotel em que estão concentradas. Organizados por Douglas Libonorio, preparador físico da comissão técnica comandada por Maurício Salgado, os exercícios foram realizados no turno da manhã, que também contou com a realização dos testes para Covid-19, em conformidade ao protocolo da competição.

Trabalhos na academia encerraram preparativos/Foto: João Callegari

Retomado em 2017, o futebol feminino do Clube do Povo construiu rápida caminhada até a elite nacional. Integrante do Brasileirão A1 desde 2019, o Inter avançou para as quartas de final em todas as edições que disputou. Superadas por Flamengo, no ano de estreia na primeira divisão, e Avaí/Kindermann, na temporada passada, as Gurias têm a chance de, em caso de classificação sobre o São Paulo, escrever um novo e marcante capítulo na história da modalidade alvirrubra.

Em busca da vaga, o técnico Maurício Salgado conta com o excelente desempenho construído por suas comandadas fora de casa em 2021. Até aqui, as Gurias venceram cinco das sete partidas disputadas longe do Beira-Rio, superando Bahia, Flamengo, Napoli, Botafogo e São José. As esperanças coloradas passam também pelo bom ano das jogadoras de frente do Clube do Povo, fato comprovado nos seis gols já marcados por Fabi Simões e pelos cinco anotados por Mileninha.

Mileninha (17) e Fabi comemoram vitória em cima do Botafogo/Foto: Mariana Capra

Para avançar 📊

A fase de mata-matas do Brasileirão A1 não conta com saldo qualificado por gol marcado fora de casa como critério de desempate. Assim, qualquer vitória das Gurias por um gol de diferença levará a decisão da vaga nas semifinais para os pênaltis. Triunfo alvirrubro por maior vantagem garante classificação do Inter, enquanto os demais resultados interessam ao São Paulo.

Gurias vão em busca da vitória no Morumbi/Foto: Ricardo Duarte

Chaveamento 📖

O caminho até a final já é conhecido por todas equipes que disputam as quartas do Brasileirão A1. Se eliminar o São Paulo, o Inter enfrentará, nas semis, o classificado de duelo entre Palmeiras e Grêmio, confronto que teve seus primeiros 90 minutos disputados no último sábado (21/08), em Gravataí, e encerrados com placar de 2 a 1 para as gaúchas.

Inter já conhece caminho a ser percorrido em caso de classificação/Foto: Ricardo Duarte

Do outro lado da chave, Ferroviária ou Santos duelarão com o vencedor de embate entre Corinthians e Avaí/Kindermann. Enquanto as Guerreiras Grená superaram as Sereias, em Araraquara, por 3 a 2, o Timão ostenta larga vantagem após golear as catarinenses, na Ressacada, por 4 a 1. Vale lembrar que todos os confrontos eliminatórios serão disputados em partidas de ida e volta.

Segunda fase segue afunilando equipes do Nacional/Foto: Ricardo Duarte

Arbitragem 👨‍⚖️

Adriano de Asses Miranda apita, auxiliado por Alberto Poletto Masseira e Diego Morelli de Oliveira. Quarta árbitra: Marianna Nanni Batalha.


Rival 🆚

Rival defende vantagem na partida deste domingo/Foto: DVG/São Paulo

Se a semana colorada ficou marcada pela ausência de jogos, o que permitiu a promoção de trabalhos intensos por parte da comissão técnica alvirrubra, a rotina do São Paulo foi um pouco diferente nos últimos dias. Na quinta-feira passada (19/08), o Tricolor perdeu por 2 a 1 para o Corinthians, na Fazendinha, em partida da segunda rodada do Paulistão, disputada por praticamente todas as titulares do time de Lucas Piccinato.

Apenas Lauren, Yayá e Micaelly, em relação aos 11 nomes que atuaram como titulares diante do Inter, não iniciaram o Majestoso de quinta-feira. Em seus lugares, Thais Regina, Cris e Jaqueline foram as respectivas escolhidas. O trio de novidades, todavia, é formado por atletas que também enfrentaram as Gurias, mas oriundas do banco de reservas. Das preservadas, somente a primeira não foi a campo durante o jogo contra o Corinthians.

Meio de semana tricolor contou com visita ao Corinthians/Foto: DVG/São Paulo

Grande destaque da temporada tricolor, a meio-campista Duda é a principal arma do São Paulo no Brasileiro A1. Dona de 10 gols no Nacional, a camisa 10, vice-artilheira da competição, serviu assistência para o tento de desconto marcado por Giovana no clássico passado. Para este domingo, quem pode aparecer como novidade ao lado dela é a ponta-direita Carol, disponível após cumprir suspensão na última rodada. Veloz, a atleta já balançou as redes em quatro ocasiões nesta temporada.


Palco 🏟️

Morumbi recebe partida desta manhã de domingo/Foto: DVG/São Paulo

Parcialmente inaugurado em 1960 e inteiramente entregue já em 1970, o Morumbi é a casa do São Paulo. Maior estádio particular do Brasil, o palco do duelo deste domingo conta com capacidade para 66.795 pessoas, além de campo oficial com dimensões de 105m de comprimento por 68m de largura.


Confronto de ida ⏱️

Djeni marcou para o Inter na última segunda-feira/Foto: Ricardo Duarte

O São Paulo levou a melhor no movimentado duelo disputado pelas duas equipes na semana passada. Após primeira etapa dividida em dois momentos, cada um com predomínio de um dos lados, os visitantes abriram o placar ainda no terço de abertura do tempo final, graças a penalidade convertida por Glaucia. Já no ocaso da partida, Duda ampliou para as paulistas, mas Djeni, nos acréscimos, descontou para o Inter e emparelhou o cenário para o embate deste domingo.

Gol deixa Gurias a uma vitória simples de igualar o agregado/Foto: Ricardo Duarte

Bastidores da goleada no Morumbi

Uma vitória antológica que nos alçou à liderança do Brasileirão! Assista aos bastidores da goleada no Morumbi, exclusivamente no Canal do Inter!

Pós-jogo: colorados repercutem grande vitória no Morumbi

O Inter conquistou grande vitória na 31ª rodada do Brasileirão. Por 5 a 1, com três gols de Yuri Alberto, um de Caio e outro de Cuesta, o Clube do Povo derrotou o São Paulo, no Morumbi, e reassumiu a liderança do Campeonato. Encerrada a partida, diversos representantes colorados repercutiram o importante triunfo conquistado na capital bandeirante. Confira as principais aspas:

“O Abel tem me dado muita confiança. Seja jogando de centroavante, seja jogando de ponta. Ele me passa uma confiança muito grande, me deixa jogando muito leve, e essa vitória foi muito importante para nós pegarmos uma confiança. Agora, é descansar que domingo a gente tem um grande jogo, e vamos em busca de mais três pontos.”

Yuri Alberto

“Nós nos colocamos no bolo, na confusão. Uma coisa é certa: foi uma atuação inteligente. Jogamos muito com a cabeça. A tomada de decisão, em quase todos os lances, foi muito boa. Eu acredito que não é uma atuação de campeão, mas estamos tendo sorte, o que normalmente um campeão tem.”

Abel Braga

Ainda na beira do gramado, Victor Cuesta conversou de maneira exclusiva com a Mídia do Inter. Autor do primeiro gol da noite, o patrão da defesa colorada, acompanhado de Lomba, comemorou a vitória e mandou caloroso abraço para Rodrigo Moledo.

Os guris do Celeiro estão sempre juntos! Na hora de dar entrevista, não poderia ser diferente. Praxedes e Peglow, dupla de grande atuação na noite desta quarta (20/01), analisaram a goleada alvirrubra no Morumbi, resultado construído também por seus pés, como comprova a açucarada assistência de João para Yuri marcar o quarto do Clube do Povo.

Fotos: São Paulo 1×5 Inter – Brasileirão/31ª rodada

Inter viveu noite épica no Morumbi

Inter dá show no Morumbi e assume a liderança do Brasileirão

Histórico! Em uma atuação de luxo dos comandados de Abel Braga, o Clube do Povo goleou o São Paulo, no Morumbi e conquistou a sétima vitória consecutiva no Brasileirão. Iniciado às 21h30, o clássico nacional, válido pela 31ª rodada do Campeonato, teve como placar final o 5 a 1 colorado, construído através dos gols de Cuesta, Caio e Yuri, este três vezes.

+ Confira as aspas do pós-jogo

+ Assista aos Bastidores da partida

O triunfo leva o Inter à liderança do campeonato com 59 pontos, dois a mais do que o São Paulo. Na próxima rodada, o Clube do Povo volta a campo às 16h de domingo (24/01), no Beira-Rio, para enfrentar o Grêmio no Gre-Nal 429.


Exibição de almanaque

O Internacional construiu primeiro tempo de almanaque no gramado do Morumbi. Com linhas adiantadas, o time de Abel Braga encaixotou os locais e, transcorridos cinco minutos, já somava duas grandes oportunidades. Aos sete, a recompensa para tamanha ousadia chegou: gol de Cuesta após cruzamento de Moisés.

A vantagem permitiu ao Clube do Povo postura mais reservada, mas nem por isso vazia de compromisso. Dono do jogo, o Inter seguiu acumulando oportunidades, especialmente através da inteligentíssima movimentação de Yuri Alberto, sempre à procura das costas da zaga adversária. Aos 24, o camisa 11 recebeu livre e, garçom, acionou Caio, que finalizou com muita tranquilidade para ampliar.

Antes do intervalo, Luciano descontou para os locais. Nem o tento, contudo, alterou o cenário do confronto. Embora dono de maior posse de bola, o São Paulo seguiu preso à defesa colorada, enquanto o Inter, na frente, voltou a criar oportunidades. O placar, porém, seguiu indicando 2 a 1 até o apito final do primeiro tempo.


Para a história

Se o primeiro tempo beirou a perfeição, a etapa final atingiu o feito com maestria. Desesperado para conquistar a igualdade, o São Paulo retornou dos vestiários com postura excessivamente ofensiva. Nos 10 minutos iniciais, até pressionou, mas não levou grande perigo. Logo depois, a maturidade do Inter foi novamente comprovada.

O Clube do Povo adiantou suas linhas e assustou com escapada de Peglow. Tiago Volpi encaixou firme o cruzamento da jovem promessa colorada, mas não contava com a subida das linhas alvirrubras. Na saída de jogo rival, Dourado interceptou e Yuri, frio, começou o show. Inter 3 a 1!

Baqueado, o São Paulo foi às cordas com o tento. O time de Abel Braga percebeu. Lançado por Peglow após grande tabela deste com Edenilson e Praxedes, Yuri saiu de cara com Volpi, driblou o goleiro e, sem olhar, mandou para as redes. Quarto colorado, saiu aos 20.

Dois minutos depois, veio o quinto. Mais uma vez, o dono da 11 foi lançado nas costas da zaga, desta vez por Patrick. Do campo de defesa, o goleador partiu e, já na grande área, mandou cruzado. Volpi resvalou, mas não afetou o rumo da esférica. Inter 5 a 1, três pontos na conta, hat-trick de Yuri e liderança assegurada!


Melhores momentos – primeiro tempo

1min – UH! Inter pressiona no campo ofensivo. Patrick recupera a posse e serve Yuri, que ajeita para a direita e finaliza forte, colocado. Volpi salva.

4min – PRA FOOOOOORA! Jogada ensaiada do Clube do Povo! Praxedes levanta na segunda trave e, pela esquerda da grande área, Dourado escora para Cuesta. O zagueiro chega batendo. Com desvio, ela sai tirando tinta do poste superior.

7min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL DO INTERNACIONAL! É DO CLUBE DO POVO! É COLORADO! É DO COLORADO ALEGRIA DOS NOSSOS CORAÇÕES! CUESTA! CUESTA! CUESTA! Moisés cobra falta pela esquerda da intermediária ofensiva na medida para Victor Cuesta. El Patrón, dono da grande área rival, antecipa-se à zaga e manda um testaço, indefensável para Volpi. Inter em vantagem no Morumbi! Inter jogando muito no Morumbi!

O gol de Cuesta na narração da Rádio Colorada

13min – POR DETALHE! Edenilson vai ao fundo pela direita e cruza rasteira. Caio domina e finaliza mascado. Na sobra, Patrick quase consegue completar para as redes pela esquerda, mas Bruno Alves corta preciso.

15min – PRA FOOOOOOORA! Patrick seve Yuri, que invade a área tricolor pela esquerda e finaliza com o pé direito. Desviada, a bola sai tirando tinta do poste direito de Volpi.

18min – UH! Praxedes faz grande jogada pelo corredor esquerdo, vai ao fundo e cruza rasteiro. Na entrada da área, Yuri domina e solta a canhota. Por cima, por pouco.

23min – Luciano costura da direita para o centro e finaliza rasteiro. Em dois tempos, Lomba salva.

24min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOL! CAIO, CAIO, CAIO, CAIO VIDAL! Inter sai em bola afastada do campo de defesa. Patrick escora de cabeça, Yuri costura para o centro e aciona Caio, que invade a área e, com a perna direita, manda cruzado. Na saída do goleiro, ela morre nas redes. O Inter abre vantagem!

Na voz da emissora do Clube do Povo, o gol de Caio Vidal

28min – AMARELADOS! Caio impede contra-ataque de Brenner com falta. Recebe amarelo, mas o rival, irritado, acerta a cria do Celeiro sem bola e também é advertido com cartão.

31min – PRA FORA! Yuri, de novo lançado pela esquerda, invade a grande área e corta para a direita. Reta, ele finaliza rasteiro e leva perigo.

34min – Escanteio cobrado pela direita recebe escorada na primeira trave e, debaixo da meta, Luciano desconta para o São Paulo.

40min – PRA FOOOORA! Inter escapa em rápido contra-ataque. Praxedes, de carrinho, acha Caio na profundidade. O garoto invade a área, vai ao fundo e cruza buscando Yuri. Volpi corta, mas o rebote é de Patrick, que enche o pé. Tiro de meta para os locais.

43min – SAAAAAALVA, LÉO! Patrick dá grande passe para Yuri, que invade a área, sai de frente com Volpi e finaliza truncado. Que chance teve o Clube do Povo!

45min – Mais três. Vamos a 48.

48min – Encerrada a etapa inicial.


Segundo tempo

0min – Equipes voltam a campo com mudanças. No Inter, entra Peglow na vaga de Caio, que deixa o campo com dores. De parte do São Paulo, Igor Gomes e Vitor Bueno entram, Gabriel Sara e Léo saem.

7min – RODINEI! Vitor Bueno, pela esquerda da grande área, pega a sobra de cruzamento que atravessou o retângulo colorado e enche o pé. Ela explode nas costas do lateral-direito do Clube do Povo.

14min – GOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOL! YURI! YURI! YURI ALBERTO FAZ A FESTA DA TORCIDA COLORADA! Dourado e Peglow dobram a pressão na saída de bola paulista, o meia-atacante bloqueia a saída de jogo rival e a bola sobra limpa com Yuri. De frente para Volpi, o camisa 11 esbanja toda a tranquilidade do mundo para enviar às redes. É O TERCEIRO DO CLUBE DO POVO!

Como a Colorada narrou o primeiro gol de Yuri

17min – Muda o São Paulo. Sai Juanfran, entra Paulinho Bóia.

20min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOOOL DO INTERNACIONAL! É DO CLUBE DO POVO! É GOLEADA! É MAIS UM DE YURI! É MAIS UM COLORADO! É MAIS UM PRA FESTA DA MAIOR E MELHOR TORCIDA DO RIO GRANDE! Edenilson recebe de Praxedes e deixa com Peglow, que vê Yuri nas costas de Luan. O camisa 31 serve o artilheiro, que dribla Volpi e, sem olhar, amplia.

O 4 a 1 pela Mais Vermelha

21min – Muda Abel. Praxedes dá lugar a Lindoso!

22min – Bruno Alves recebe o amarelo por caçar Peglow.

22min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOOOOOL! É DO CLUBE DO POVO, É DA ACADEMIA DO POVO, É DO ROLO COMPRESSOR, É DO COLORADO ALEGRIA DOS NOSSOS CORAÇÕES! HOJE ELE PEDE MÚSICA! HOJE ELE É O NOME DO JOGO. HOJE ELE É O HERÓI! YURI! YURI! YURI! Patrick intercepta passe de Tchê Tchê e lança Yuri. Desde o campo de defesa o jovem parte, invade a grande área pela esquerda e finaliza forte. Volpi desvia nela, mas não defende. INTER TEM 5!

A narração do quinto gol, na voz da Rádio Colorada

23min – SAAAAAAAAAAAALVA, VOLPI! Peglow escapa pela direita, invade a área, corta para dentro e finaliza com a canhota. Goleiro tricolor salva.

25min – Dupla troca no Clube do Povo. Entram Johnny e Zé Gabriel, saem Dourado e Cuesta.

29min – Yuri Alberto sai, Leandro Fernández entra. Feitas as cinco trocas no Clube do Povo.

35min – Muda o São Paulo. Tchê Tchê sai, Diego Costa entra.

45min – FIM DE JOGO! GOLEADA COLORADA!


Ficha técnica:

São Paulo (1): Tiago Volpi; Juanfran (Paulinho Bóia), Bruno Alves, Léo (Igor Gomes) e Reinaldo; Luan, Daniel Alves, Tchê Tchê (Diego Costa) e Gabriel Sara (Vitor Bueno); Luciano e Brenner. Técnico: Fernando Diniz.

Internacional (5): Marcelo Lomba; Rodinei, Lucas Ribeiro, Victor Cuesta (Zé Gabriel) e Moisés; Rodrigo Dourado (Johnny) e Edenilson; Caio Vidal (Peglow), Praxedes (Rodrigo Lindoso) e Patrick; Yuri Alberto (Leandro Fernández). Técnico: Abel Braga.

Gols: Victor Cuesta, aos sete, Caio, aos 24 minutos do primeiro tempo, e Yuri Alberto, aos 14, 20 e 22 minutos do segundo tempo (I). Luciano, aos 34 minutos do primeiro tempo (S).

Cartões amarelos: Brenner e Bruno Alves (S). Caio Vidal (I).

Arbitragem: Marcelo de Lima Henrique, auxiliado por Rodrigo Figueiredo Correa e Michael Correia. VAR: Rodrigo Nunes de Sá.

Estádio: Beira-Rio.

Raio-X: tudo sobre a visita colorada ao Morumbi

Dia de Inter no Morumbi! O Clube do Povo visita o São Paulo, às 21h30 desta quarta-feira (20/01), em partida da 31ª rodada do Brasileirão. Confronto de líderes do Campeonato, define quem assumirá a ponta até o próximo final de semana. Confira, abaixo, tudo sobre o duelo decisivo!


Transmissão


A cobertura da Rádio Colorada terá início às 20h desta quarta (20/01), com a apresentação do Portões Abertos. A atração contará com entrevista de Jorge Avancini, vice-presidente de Marketing e Mídia do Internacional. Na sequência, a Jornada Esportiva começa às 21h15, e se estende até o encerramento da partida, quando começa o Vestiário Vermelho, pós-jogo que repercute, através de entrevistas exclusivas e também coletivas, todos os detalhes do confronto. Acompanhe a emissora oficial do Clube do Povo no FM 95,5 ou via Site e App do Inter!

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As redes sociais (@scinternacional no TwitterInstagram Facebook) do Clube do Povo apresentarão o mais completou minuto a minuto da internet, recheado de imagens compartilhadas de maneira instantânea. Na TV, a Rede Globo e o Premiere anunciam transmissão.


Vamo, Colorado!


O Clube do Povo já está em São Paulo! Após breves dois dias de preparação para o embate em território paulista, o elenco colorado embarcou para a capital bandeirante no início da tarde desta terça-feira (19/01), horas depois da realização de treino no CT Parque Gigante.

Diante do Tricolor, Abel não conta com nenhum novo desfalque. Seguem fora os atletas lesionados há mais tempo: Galhardo, Moledo, Guerrero, Saravia e Boschilia. Pendurados, chegam para a partida os defensores Victor Cuesta e Matheus Jussa, os meio-campistas Rodrigo Lindoso, Rodrigo Dourado e Marcos Guilherme, além de Boschilia, e os atacantes Caio Vidal, Abel Hernández e Leandro Fernández.

Meio-campista destaque na recente fase colorada, Patrick concedeu entrevista coletiva, na última segunda-feira (18/01), projetando o clássico contra o São Paulo. O Pantera destacou a importância do confronto, mas reforçou que o embate será mais um na sequência de decisões que se avizinham para o Clube do Povo. Confira:

Já na véspera da partida, quem falou foi Lucas Ribeiro. Aniversariante de terça-feira, quando completou 22 anos de idade, o zagueiro, titular a partir da lesão de Rodrigo Moledo, lamentou a injúria do companheiro, mas destacou a vontade de dar continuidade às atuações de alto nível que o camisa quatro vinha somando. Assista:


Arbitragem


Marcelo de Lima Henrique apita, auxiliado por Rodrigo Figueiredo Correa e Michael Correia. VAR: Rodrigo Nunes de Sá. Quarteto do Rio de Janeiro.


O Rival


São Paulo chega mobilizada para o duelo desta quarta/Foto: Rubens Chiri, SPFC.net

Embora líder do Brasileirão, o São Paulo não vive seu melhor momento no Campeonato. Após tropeços nas três últimas rodadas, o Tricolor chega relativamente pressionado para o embate diante do Clube do Povo. Recente, a oscilação dos paulistas encontra justificativa, também, por desfalque de peso na linha de frente.

Tricolor tropeçou nas últimas partidas que disputou/Foto: Rubens Chiri, SPFC.net

Quarto na lista de goleadores do Brasileirão, o atacante Luciano já soma quatro partidas distante dos gramados. Peça fundamental no esquema de Fernando Diniz, o atacante sofre com uma inflamação em um Cisto de Baker, e tem sua ausência sentida pelos companheiros de equipe. Entrevistado pela Rádio Colorada para projetar o duelo desta quarta, Giovanni Chacon, setorista do São Paulo pela Rádio Jovem Pan, explica os motivos que fizeram do atleta peça fundamental na escalação paulista.

“Taticamente, e eu acho que isso é importante de ressaltar, o Luciano tem uma função muito mais de voltar, quando a bola está no campo defensivo, para iniciar a jogada. Você vê ele fazendo uma função de segundo volante, de começar a distribuição no meio de campo. Sem ele, o Brenner fica muito perdido, pois o melhor casamento entre duplas de atacantes foi Luciano e Brenner.”

Chacon sobre a ausência de Luciano

> Confira a íntegra do papo com Giovanni:

Sport Club Internacional · Rádio Colorada | Raio-X do confronto: São Paulo x Internacional | 20\01\2020
Luciano é o segundo garçom tricolor no Brasileiro, com três assistências/Foto: Rubens Chiri, SPFC.net

Autor de 12 gols na atual edição do Campeonato Brasileiro, o atacante segue com presença incerta no duelo desta quarta. Nas palavras de Chacon, o clube paulista trata com otimismo as chances de contar com Luciano, mas não oficializa o retorno, sabedor da delicada situação que o atleta passa. Desde o afastamento do companheiro, Brenner, que já balançou as redes 11 vezes no Nacional, não conseguiu vazar mais nenhuma defesa.

Fernando Diniz comanda o São Paulo desde setembro de 2019/Foto: Rubens Chiri, SPFC.net

Responsável por solucionar os problemas tricolores, Fernando Diniz tem no conhecimento do grupo de atletas um grande trunfo. Segundo técnico com trabalho mais longevo do país, ele também precisará lidar com desfalque importante no sistema defensivo. Suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Arboleda é baixa, e pode ser substituído tanto por Diego Costa quanto por Léo Pelé, informa Chacon.

“O Arboleda é um zagueiro muito seguro na questão defensiva, e não tão bom no quesito saída de bola. Diego ou Léo, pra mim, são a mesma coisa em questão de qualidade. Se eu fosse apostar, diria que a dupla contará com Bruno Alves e Diego.”

Giovanni Chacon
Arboleda é desfalque para o Tricolor/Foto: Rubens Chiri, SPFC.net

Quem tem presença garantida contra o Inter é Daniel Alves. Melhor jogador da Copa América de 2019, o jogador exibe, aos 36 anos, forma física invejável. Presente em 46 dos 57 jogos do São Paulo na temporada, em todos como titular, o atleta foi substituído apenas em duas ocasiões. Suas recentes exibições, porém, suscitaram críticas junto à torcida tricolor, reclamações que, embora compreensíveis, não afetam a titularidade do ídolo de Sevilla e Barcelona. Pelo menos, é assim que pensa Giovanni.

“Ele (Daniel) não cansa. Tem um baita preparo físico. Mas, quanto à questão de atuação, ele tem umas partidas que não vai bem. Até mesmo contra o Athletico-PR (rodada passada), ele foi abaixo do que pode apresentar. Mas continua como titular. É uma liderança, com experiência, e que tem recurso.”

Giovanni Chacon
Daniel Alves veste a 10 tricolor/Foto: Rubens Chiri, SPFC.net

Para Chacon, o provável time do São Paulo para esta quarta-feira conta com Tiago Volpi; Juanfran, Diego Costa, Bruno Alves e Reinaldo; Luan, Daniel Alves, Igor Gomes e Gabriel Sara; Luciano e Brenner. Caso Luciano não tenha condições de jogo, Tchê Tchê deve entrar em sua vaga, encorpando o meio de campo. Ainda, além da incerteza quanto a Diego, que pode ser preterido por Léo, Juanfran também tem chances de ser preservado. Caso o espanhol não atue, Igor Vinícius deve ser o escolhido para a lateral-direita.

Juanfran sentiu dores na última rodada/Foto: Rubens Chiri, SPFC.net

Situação de tabela


É duelo decisivo! Quem vencer no Morumbi, encerra a partida na liderança do Brasileiro. Segundo colocado com 56 pontos, o Clube do Povo soma um a menos do que o São Paulo, atual líder. Assim, se triunfar nesta quarta, o Inter coloca dois pontos de vantagem sobre o Tricolor.

Em caso de empate, a distância de um ponto em relação ao topo será mantida, bem como a vice-liderança do Brasileirão. A única equipe capaz de ultrapassar o Clube do Povo nesta rodada é o Atlético-MG, que precisaria derrotar o Grêmio, na Arena, em partida marcada para as 19h15 desta quarta, e torcer por derrota colorada no Morumbi. Confira os primeiros oito classificados do Campeonato:

PJVEDGPGCSG
1 – São Paulo57301695502822
2 – Internacional56301686482820
3 – Atlético-MG53291658513714
4 – Flamengo52291577503911
5 – Palmeiras51291496432617
6 – Grêmio502912143382414
7 – Fluminense46301371040373
8 – Santos4529129841365

Estatísticas


Não é por acaso que Inter e São Paulo ocupam o topo do Brasileirão. Equipes que dividem o posto de terceira defesa menos vazada do Campeonato, respectivos terceiro e segundo melhor ataque do torneio, Clube do Povo e Tricolor Paulista somam o mesmo número de vitórias na competição: 16 para cada lado.

No contexto do duelo desta quarta, o equilíbrio também é mantido. De acordo com números do ge.com, enquanto o São Paulo é o terceiro melhor mandante, aproveitamento de 74%, o Colorado ocupa o posto de quarto melhor visitante, dono de seis vitórias, quatro empates e cinco derrotas fora do Beira-Rio.

Defesa menos vazada quando local, apenas sete vezes em 14 jogos, o Tricolor terá pela frente o quarto ataque e a terceira retaguarda entre times que atuam longe de casa. Ao todo, o Inter já marcou 19 gols em 15 partidas disputadas fora de seus domínios, e teve suas redes balançadas em 15 ocasiões.

A grande diferença entre as equipes está justamente naquela que Chacon aponta como principal debilidade do atual São Paulo. Oitavo ataque mandante, com 23 gols em 14 jogos, o Tricolor sofre para vazar defesas bem postadas.

“O São Paulo tem muitas dificuldades para enfrentar equipes mais fechadas. Claro que o Diniz tem trabalhado para conseguir furar defesas mais bem postadas, mas acho que o caminho para vencer o São Paulo é jogar de maneira um pouco mais reativa.”

Giovanni Chacon

O desempenho do São Paulo em 2021 corrobora com a afirmação de Giovanni. Em três partidas disputadas, a equipe marcou apenas três gols. Sofridos, foram seis. Destes, dois saíram após desarmes sofridos pelo Tricolor no seu campo de defesa, enquanto outros três foram consequência de contra-ataques, números que comprovam relativa inquietude da equipe quando encara escassez de espaços.


Palco


Maior estádio particular do Brasil, o Cícero Pompeu de Toledo foi inaugurado, parcialmente, no dia 02 de outubro de 1960. Entregue completo apenas em 1970, 18 anos após o início de suas obras, o Morumbi contava, à época, com capacidade para 149.408 pessoas. Atualmente, o palco, cujo campo tem 105m x 68m de dimensões, comporta públicos de até 66.795.

A imponência do histórico Morumbi/Foto: Igor Amorim, SPFC.net

Retrospecto


Dois gigantes do futebol brasileiro, Inter e São Paulo constroem confronto dono de histórico extremamente equilibrado. O Clube do Povo já venceu o Tricolor em 26 ocasiões, enquanto sofreu 28 reveses. Igualdades, até hoje, foram 25, em duelo que já presenciou 88 gols colorados e 97 tentos paulistas.

Fernandão (E), Índio (C) e Dagoberto (D) durante confronto no Brasileirão de 2010

Epopeias no Morumbi


Palco que remete memórias de grandes triunfos à torcida colorada, o Morumbi sediou pela primeira vez uma vitória do Inter em 1968, quando o Clube do Povo superou o São Paulo por 1 a 0, gol de Bráulio. Nos anos 70, partidas marcantes contra Santos, em 1976, e principalmente Palmeiras, nas semifinais do Nacional de 79, marcadas por brilho de Falcão, ampliaram a narrativa vermelha no palco da Zona Sul da capital bandeirante.

Falcão e Pedrinho antes do duelo semifinal do Brasil, 1979

O maior dos triunfos, contudo, chegou em 2006, quando o Clube do Povo abriu a decisão da Libertadores na casa do São Paulo. Sob o comando de Abel Braga, o Inter construiu atuação praticamente impecável, coroada com dois gols de Rafael Sobis, principal protagonista de histórico triunfo por 2 a 1 que abriu caminho para o primeiro título da América.

Pula que é gol do Sobis!

Veias libertas da América Latina

Morumbi lotado. Cerca de 70 mil pessoas apoiando o time da casa, atual campeão do mundo, e que sonhava com o bicampeonato consecutivo da América. Duelo de duas das melhores campanhas da Libertadores. Confronto dos atuais líderes do Brasileirão. Os ingredientes, não se pode questionar, estavam postos para uma noite memorável. Tolos? Somente os que esperavam cozinhar o Inter no caldeirão paulista. Há 14 anos, vivíamos uma das maiores noites de nossa história.

Pula que é gol do Sobis, só pode ser o Sobis/Foto: Jefferson Bernardes


Duelo grandioso


De fato, o adversário exigia respeito. Tricampeão da Libertadores, em 2006 o São Paulo fechou a primeira fase com a quarta melhor campanha do torneio. Nas oitavas, superou o Palmeiras com o agregado de 3 a 2. Logo em seguida, eliminou, no Morumbi, os argentinos do Estudiantes. A classificação para as semis veio nas cobranças de pênaltis, após vitória por 1 a 0 no tempo normal.

Para chegar à finalíssima, o Tricolor, que contava com a estrelada geração de Rogério Ceni, Lugano, Josué, Mineiro, Aloísio e Ricardo Oliveira, ainda bateu o Chivas de Guadalajara. Na casamata, a equipe paulista tinha o comando de Muricy Ramalho, técnico colorado na temporada anterior e, portanto, grande conhecedor do elenco alvirrubro.

Em dezembro, São Paulo conquistaria o Brasil/Foto: Site São Paulo

“Com todo o respeito ao São Paulo, o Inter também é uma grande equipe!”

Bolívar, classificado para a final

O reconhecimento ao bom momento rival, todavia, não significava pessimismo. Muito menos covardia. Dono da segunda melhor campanha da fase de grupos da Libertadores, o Clube do Povo construiu caminhada maiúscula no torneio continental, à altura do que cobra o manto vermelho. Diante do Nacional-URU, equipe que derrotara o Inter na decisão do campeonato em 1980, o Colorado exorcizou seu primeiro fantasma na escalada rumo ao título.

Após eliminar os uruguaios do Parque Central em confronto marcado por pintura inesquecível de Rentería, o Inter encarou, nas quartas de final, duplo desafio. Dentro de campo, a LDU, base da Seleção do Equador, buscava fazer história a nível continental. Fora das quatro linhas, a ansiedade tirava o sono do povo colorado. Entre a partida de ida, vencida pelos locais, em Quito, e o duelo de volta, disputado no Beira-Rio, mais de dois meses, e uma Copa do Mundo, foram vividos. Obstáculos grandiosos, mas inferiores ao Gigante, que garantiu a classificação para as semis. O último rival no caminho até a decisão foi o Libertad, derrotado, depois de empate sem gols no Paraguai, por 2 a 0 no templo da Padre Cacique.

“A história não está feita ainda. Temos que buscar o título”

Fernandão após vitória sobre o Libertad

Pré-jogo de mistério


O Colorado embarcou para São Paulo no sábado 5 de agosto, véspera de confronto contra o Santos, válido pela 15ª rodada do Brasileirão. Disputada apenas quatro dias após o Inter garantir vaga na final da Libertadores, a jornada em terras paulistas contou com uma escalação alternativa do Clube do Povo, que abriu o placar com Iarley, mas sofreu a virada, apesar de boa atuação, nos instantes finais do segundo tempo. O grande ponto positivo do embate foi o retorno de Tinga, recuperado de lesão sofrida no dia 19 de julho, data do duelo de volta contra a LDU. O meio-campista, inclusive, criou a jogada do tento vermelho.

“A gente foi minado com muitas faltas na frente da área, mas não quero me apegar nisso, porque temos uma situação muito importante na quarta-feira. Fico triste pela derrota, mas feliz porque consegui me movimentar bem e posso jogar na quarta-feira.”

Tinga após o duelo contra o Santos

A Baixada Santista seguiu como casa do Colorado nos dias seguintes ao duelo. No CT do Santos, Abel Braga comandou duas atividades fechadas para a imprensa, rodeada de mistérios. Se o retorno de Tinga era provável, por outro lado Alex, com dores no púbis, era dúvida. Autor do primeiro gol marcado pelo Inter na partida decisiva contra o Libertad, o camisa 24 desempenhava papel fundamental no time alvirrubro, alternando com Jorge Wagner entre a ala-esquerda e a armação. Élder Granja, com lesão muscular, também integrava a delegação, mas sua presença dentro de campo era tida como ainda mais complicada.

Eram muitas, assim, as dúvidas que rodeavam a nominata alvirrubra. Na direita, Ceará, que já vinha atuando no lugar de Granja, correspondia à maior certeza. Alex, ao mesmo tempo, passava longe de ter substituto definido. Caso Abel optasse por formação mais conservadora, poderia escolher Índio para o lugar do meio-campista, armando a equipe com três zagueiros e oferecendo maior liberdade a Tinga.

Inter, de Sobis, ajeitou os últimos detalhes no CT do Santos/Foto: Jefferson Bernardes

Outra alternativa residia em Iarley, camisa 10 que vinha somando grandes exibições no Brasileirão. A vocação ofensiva do comandante vermelho também suscitava expectativas acerca da escalação de Michel ou Rentería, avantes que poderiam formar o ataque com Sobis, passando Fernandão para o meio. Com a cabeça repleta de pequenas interrogações, ínfimas se comparadas à enorme motivação que carregavam, cerca de 3,5 mil colorados e coloradas encararam os 1109 quilômetros que separam as capitais de Rio Grande e São Paulo.

Era hora de fazer história. Era hora de soltar o libertador grito que estava preso há 97 anos em nossas gargantas.

Uh, Fernandão!/Foto: Jefferson Bernardes


Nenhum gol, duas expulsões


Entender as escalações que representaram Inter e São Paulo no Morumbi exige voltar mais quatro anos no tempo. Pentacampeão mundial em 2002, o Brasil do técnico Felipão surpreendeu a crítica esportiva, que muito desacreditava a Seleção Brasileira, na Copa do Mundo disputada em Japão e Coréia do Sul.

Armada no esquema 3-5-2, a Canarinho contava com os recuos dos alas Cafu e Roberto Carlos para ter segurança defensiva e máximo apoio pelos flancos. A formação marcou época e, como de costume em Copas do Mundo, ditou novas regras para o futebol. A decisão da Libertadores, é claro, comprova.

A seleção do Penta/Foto: Wilson Carvalho, CBF

Muricy escalou Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos; Souza, Mineiro, Josué, Danilo e Júnior; Leandro e Ricardo Oliveira. O desenho, é claro, reproduzia o 3-5-2. Contra o escrete paulista, Abel apostou no 4-4-2. Clemer, há quatro jogos sem sofrer gols na Libertadores, defendia a meta alvirrubra. Na defesa estiveram, Ceará, na direita, Bolívar e Fabiano Eller, na zaga, e Jorge Wagner, na esquerda. À frente, Tinga e Alex armavam. Fabinho e Edinho, também – mas ainda somavam obrigações defensivas. Completando a nominata, Sobis e Fernandão reeditavam, uma vez mais, poética dupla que marcou época no ataque colorado.

O clima no luxuoso bairro paulista era de festa. Com foguetes, sinalizadores e bandeiras, a torcida da casa empurrou o São Paulo nos instantes iniciais, apostando que um precoce gol poderia bagunçar a estratégia de Abel. Logo no primeiro minuto, Leandro foi lançado na área colorada e chutou cruzado. Mascada pela zaga, a bola morreu segura nas mãos de Clemer. O Inter respondeu pouco depois com Ceará. Aos 3, o lateral escapou em velocidade pela direita e cruzou fechado buscando Sobis. Antes dele, Ceni cortou em escanteio. O camisa 11 colorado teve boa chance na continuidade do lance, partindo, sobre a linha da grande área, da esquerda para o centro. Cruzado, o arremate explodiu na rede, por fora.

Sobis era, de fato, o mais insinuante colorado em campo. Estonteante nas cercanias da grande área, não hesitava em buscar jogo no campo defensivo, irritando a selecionável dupla de volantes paulistas. Josué, estressado, descontou sua indignação muito cedo, e acertou cotovelaço no jovem atacante alvirrubro. Com 9 minutos de partida, o São Paulo já tinha um a menos.

Numérica, a superioridade colorada também foi vista nas ações do campo. Entregue a escassos contra-ataques, o São Paulo apostava o pouco que tinha em Souza, ala-direita. Esperto, Abel respondeu dando liberdade para Jorge Wagner, que muito se somou a Alex na construção de jogadas pelo flanco canhoto. Livre, o lateral-esquerdo colorado recebeu passe milimétrico de Edinho, que tabelara com Sobis, e, de cara com Rogério, finalizou rasteiro. O relógio marcava 17 minutos, e o Inter tinha a primeira grande chance da noite!

Cedo na partida, Jorge Wagner assustou os paulistas/Foto: Divulgação

A resposta tricolor chegou aos 23. Ricardo Oliveira interceptou troca de passes do Inter na intermediária ofensiva colorada e escapou em velocidade. Pela esquerda, colocou na frente e, antes do bote de Bolívar, cruzou com curva. Pouco depois da marca do pênalti, Leandro dominou, deixou correr e, quando Clemer já caía no chão, finalizou. Fabinho, salvador, travou em carrinho milimétrico. Que início de final!

Dono da posse de bola, o Inter voltou a assustar aos 34. Da mesma posição que partira para marcar o primeiro contra o Libertad, Alex recebeu passe de Bolívar. Com espaço, colocou na frente e dispensou a necessidade de um segundo toque na bola. Viva, com efeito, a finalização de canhota levou muito perigo. Três minutos depois, Fabinho acertou Souza por cima e também recebeu o vermelho.

Dono dos holofotes, o camisa 21 do Tricolor teve boa chance após cavar a expulsão do volante alvirrubro, mas esbarrou em Clemer. Por fim, Jorge Wagner encerrou os melhores momentos de uma agitada etapa inicial aos 44, quando cobrou falta por cima do gol de Ceni. O branco do placar, embora não refletisse o ritmo intenso do primeiro tempo, era bem recebido pelo time de Abel Braga, confiante na possibilidade de, no jogo de volta, exercer a tradicional força colorada no Beira-Rio.


Para a história


Até 2006, a maioria dos colorados e coloradas lembrava do Morumbi como palco da maior exibição da história do Inter como visitante. Abrindo a disputa da semifinal do Brasileirão de 1979, o Clube do Povo esteve perfeito para atropelar o Palmeiras e, através de vitória por 3 a 2, trazer a vantagem para o Beira-Rio. Na ocasião, Falcão, cabeludo craque revelado pelo Celeiro de Ases, brilhou balançando as redes paulistas em duas ocasiões. Passados 27 anos, o povo vermelho seria brindado com nova exibição impecável no gigante templo do São Paulo Futebol Clube.

A tranquilidade exibida pela equipe colorada na noite de 9 de agosto de 2006 contrastava com o turbilhão de emoções encarado pelos presentes no Morumbi. Seguro, o time de Abel jogava empurrado por rica biografia, e já construía, durante o zero a zero, atuação que despertava orgulho no povo vermelho. Seguindo à rica este roteiro, o Clube do Povo saiu de trás com tranquilidade aos 8 minutos da etapa final, quando Bolívar acionou Edinho.

Cabeça erguida, o volante progrediu firme para invadir a intermediária rival. Com passadas largas, venceu os dois primeiros marcadores na velocidade. Livre, lançou Sobis quando sentiu a aproximação de Lugano, descontrolado. Ingênuo, o uruguaio deixou espaço na retaguarda tricolor, já esvaziada graças à genialidade de Fernandão. Aberto na direita, o camisa 9 prendeu Edcarlos e criou espaço para a infiltração de seu parceiro de ataque. Como uma orquestra afinada, tudo corria bem na escapada colorada.

Cabeludo craque revelado pelo Celeiro de Ases (um salve às coincidências), Sobis partiu para o mano a mano contra Fabão. Em velocidade, dominou com a direita e, usando da mesma perna, conduziu em linha reta. Para a esquerda, gingou o corpo, levando junto o zagueiro. Ganhava, então, ainda mais espaço para sua melhor perna.

O drible custou o equilíbrio do atacante, que por pouco não caiu. Genial, todavia, ele, que acabara de costurar no gramado as veias do continente que estava prestes a libertar, manteve-se de pé para invadir a área. Dentro dela, finalizou cruzado. Rasteiro. Para a eternidade. Inter na frente, e o setor visitante do Morumbi conhecia o DNA carnavalesco do povo colorado.

Gaúcho e colorado, colorado e gaúcho/Imagens: Rede Globo

Logo depois do gol, Abel mandou Wellington Monteiro a campo, sacando Ceará. Mantido o desenho, a troca deu ainda mais liberdade para a infernal dupla Alex e Jorge Wagner, uma vez que o substituto pela direita, habituado a atuar também como volante, tinha no comportamento defensivo um de seus melhores valores. Em dívida no marcador, o São Paulo precisaria se jogar ainda mais para o campo ofensivo, e estava claro qual corredor ofereceria ao Inter seus melhores contra-ataques.

Infiltrando pela esquerda, Tinga recebeu ótimo passe de Alex que, posicionado pela direita, cobria o avanço do companheiro. Livre, o camisa 7 dominou no momento do pique, mas Rogério, inteligente, deixou o gol para ficar com ela antes do cabeceio do meia colorado. Chance perdida para alguns, caminho indicado para outros. Três minutos depois, Eller desarmou Ricardo Oliveira e deixou ela com Jorge Wagner, que escapou em velocidade.

O camisa 23 cruzou a linha do centro do campo e acionou Fernandão. Posicionado como um volante após ter empreendido intensa perseguição a Ricardo Oliveira, o Eterno Capitão colorado esperou o aproximação de Mineiro e devolveu em Jorge. Fazendo as vezes de meio-campista, ele deixou, em profundidade, para Alex, então exercendo a função de ala.

Alex cruzou linda bola na segunda trave, com efeito, direcionada à nuca de Fernandão, que infiltrou em velocidade. Nas costas da marcação, o camisa 9 colorado testou para a frente, onde estava Tinga, pisando na pequena área. O meio-campista mandou, também de cabeça, arremate certeiro e forte, que explodiu no travessão. Exatamente em cima da marca do pênalti, Rafael Sobis impediu o picar da bola no rebote e finalizou colocado em direção às redes abertas. Pobre Ceni, bem que tentou, mas a noite não era dele. Era de Sobis, que marcava o segundo do Inter.

O segundo do menino de Erechim/Imagens: Rede Globo

Os dois gols de vantagem conquistados em 16 minutos de etapa final criaram um portal na cidade de São Paulo. A partida, antes disputada no Morumbi, passou a ocorrer no gramado do Beira-Rio. O som ambiente não deixava dúvidas.

Tomado pelo povo vermelho, o estádio via ecoar estridente “Vamo, Vamo Inter”. Dona dos mais altos decibéis, a torcida colorada construiu festa poucas vezes vista no sudeste brasileiro. A noite, indubitavelmente, entrava para a história.

Festa da torcida colorada/Foto: Divulgação

Os elogios tecidos ao São Paulo no alvorecer desta matéria não se fizeram presentes por acaso. Treinado por um gênio, o time da casa respondeu ao segundo gol colorado com a entrada de Lenílson, ofensivo meio-campista que substituiu Danilo. Logo depois, Júnior, primeiro dentro e depois fora da área, desperdiçou boas oportunidades. O que antes era uma goleada, consequentemente, voltou a tomar contornos de igualdade, afinal de contas, entusiasmada pela postura de seus atletas, a torcida do São Paulo passou a disputar o posto de local com a colorada.

Dentro de campo, a vantagem do Clube do Povo também conviveu com ameaços. Aos 21, por exemplo, Clemer operou grande milagre. Sedento por novo contra-ataque, o Inter deu o troco com Sobis. Após servir Alex, o camisa 11 viu Fernandão ser lançado na esquerda da grande área. Parcialmente cortado, o cruzamento rasteiro do camisa 9 voltou para o artilheiro da noite. De frente pra o gol, ele exagerou na força.

É preciso reconhecer a excelente atuação de Souza, o mais perigoso atleta do São Paulo. Aos 28, ele quase consagrou Júnior, mas o excelente cruzamento foi cortado por Wellington Monteiro. Cobrado o escanteio, o lance prosseguiu até Leandro receber bola na direita da intermediária e cruzar para Edcarlos, postado como um centroavante. Certeiro, o cabeceio morreu nas redes de Clemer. Jogo em aberto, mais uma vez.

No lugar do zagueiro artilheiro, que vinha jogando como atacante, entrou Aloísio, centroavante de origem. Ao mesmo tempo, o Inter contava com Índio, que substituíra, minutos antes do gol, Alex. Fechado com cinco atletas na primeira linha, o Clube do Povo ainda somava mais quatro no meio de campo, consequência da aplicação tática de Fernandão e Sobis, que revezavam no momento de recompor.

A consequência de toda a dedicação dos avantes colorados chegou aos 34, quando o até então incansável Rafael Sobis precisou sair. Exaurido após atuação do mais alto nível, deu lugar para Michel. Renovado, o talismã de Abel Braga dispensou os recuos de Fernandão, e exerceu, absoluto, a função de coringa entre meio e ataque.

“As dificuldades serão iguais ou maiores no próximo jogo. Conseguimos apenas uma pequena vantagem e vamos aproveitá-la da melhor maneira possível”

Abel após o jogo no Morumbi

Descansado na linha de frente, Fernandão criou, aos 36 minutos, oportunidade mágica para o Inter. Acionado por Tinga, prendeu dois marcadores, fez a parede e recomeçou com Jorge Wagner, que deixou de lado com Edinho. O volante disparou do círculo central e, mais uma vez imparável, só foi derrubado por carrinho violento de Fabão, já na meia-lua da grande área. Para o agressor, amarelo. Para o Clube do Povo, falta. Para Jorge, o lamento. A bola saiu alta demais.

Ricardo Oliveira, Lenílson, Richarlyson – alçado a campo na vaga de Leandro -, Souza e, inclusive, Bolívar, cortando cruzamento perigoso vindo da direita. Todos estes atentaram contra a meta colorada ao longo dos instantes que antecederam o apito final. Nenhum balançou as redes de Clemer. Aos 48, Jorge Larrionda encerrou jornada que até hoje segue interminável na nostálgica memória do povo do Inter. Em uma semana, conquistaríamos a América.

Heróis colorados comemoram muito a vantagem conquistada na partida de ida/Foto: Divulgação

A segunda epopeia continental no Morumbi

O Inter é um gigante do futebol brasileiro. Como tal, exibe rica história em diversos estádios míticos de nosso país, não restringindo sua magnificência ao Gigante, templo que há 51 anos serve de casa ao Clube do Povo. Dentre os muitos palcos que já testemunharam epopeias coloradas, provavelmente o Cícero Pompeu de Toledo seja o mais habituado a reverenciar esquadrões alvirrubros. O apelido da cancha, que muitas vezes já virou Beira-Rio? Morumbi.

Em 1979, por exemplo, Falcão comandou atuação magistral do Time que Nunca Perdeu e, com dois gols, garantiu vitória de 3 a 2 na partida de ida das semifinais nacionais. Já no século XXI, o primeiro a brilhar Sobis, outra cria do Celeiro, responsável por costurar, no gramado paulista, as veias abertas do continente que estava prestes a libertar. Quatro anos depois, no mesmo endereço, o Inter viveu novo capítulo marcante de uma biografia bicampeã da América. No dia 5 de agosto de 2010, o Clube do Povo eliminava o São Paulo e avançava à decisão da Libertadores.


As vantagens coloradas


O Clube do Povo partiu para São Paulo em vantagem na briga por vaga na decisão da Libertadores. No dia 28 de julho, diante de um Beira-Rio lotado, o Colorado superara os visitantes por 1 a 0, gol de Giuliano. Embora positivo, o resultado não deixou de ser lamentado por parte da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. Afinal de contas, o Inter, dono do jogo, fizera por merecer escore ainda mais folgado.

De todo modo, a exemplo do que ocorrera na fase de quartas de final, diante do Estudiantes, o elenco alvirrubro partia para os últimos 90 minutos com a possibilidade de jogar pelo empate. Desta vez, esperava-se, apenas o sofrimento poderia ser menor. Contra os argentinos, o gol da classificação saiu aos 43 da etapa final, quando a torcida da casa já comemorava vitória por 2 a 0 e consequente classificação.

Entre os duelos de ida e volta contra o São Paulo, o Clube do Povo disputou, no Beira-Rio, Gre-Nal válido pelo Campeonato Brasileiro. Se a torcida já demonstrava grande simpatia pela superstição de, uma vez mais, encarar o tricolor paulista na caminhada rumo ao topo do continente, enfrentar o maior rival em meio a uma semifinal de Libertadores apenas aumentava a lista de coincidências entre a campanha de 2010 e a campeã em 2006.

Antes de encarar os últimos 90 minutos de duelo contra o Libertad, o Inter também havia enfrentado, há quatro anos, no Beira-Rio, seu maior rival. Igualmente válido pelo Nacional, o clássico, marcado por vexatório tumulto da torcida visitante, fora encerrado sem gols. Em 2010, o roteiro, dentro de campo, foi idêntico.

Encerrando os encontros de passado com presente, o povo colorado recebeu maravilhosa notícia no segundo dia do mês de agosto. Após uma verdadeira corrida contra o tempo, simbolizada em dias de intenso trabalho, o ídolo Tinga, completamente recuperado de edema na coxa direita, voltou aos treinamentos. À disposição, o meio-campista poderia reencontrar a vítima de seu único gol na Libertadores de 2006, tento que valeu o título para o Inter. Repatriado ainda no mês de maio, o agora camisa 16 havia esperado quase dois meses para ter sua situação regularizada e, assim, reestrear com o manto vermelho. Fulminante, logo construiu atuações de alto nível, suficientes para rapidamente torná-lo titular. Na última partida antes do confronto de ida da semifinal, contudo, sofreu a lesão. Sedento, ao retornar credenciava-se ao posto de arma secreta de Celso Roth.

“Sempre vão ter as comparações com 2006, mas a gente que está envolvido sabe que são situações diferentes. Agora é semifinal. Mudam os jogadores, e, também, as situações.”


Injusta etapa inicial


Foto: Mauro Horita/Site São Paulo

O Clube do Povo não alimentou mistério algum para o duelo frente aos paulistas. A escalação para o Morumbi, era certo, praticamente replicaria o escrete que atuou no Beira-Rio. A única mudança, é claro, ficava por conta de Tinga, titular na vaga de Andrezinho. O camisa 16 ocuparia a faixa central da trinca de meio-campistas que formavam o 4-2-3-1 colorado. Pela direita, teria a companhia de D’Ale. Na esquerda, Taison. O comando de ataque, uma vez mais, ficaria a cargo de Alecsandro, enquanto Sandro e Guiñazú garantiriam segurança na volância. Na retaguarda, o goleiro Renan contaria com a proteção dos laterais Nei e Kleber e dos zagueiros Índio e Bolívar.

A ausência de incertezas quanto à formação vermelha, todavia, passava longe de significar desmobilização para o duelo decisivo. Horas antes do confronto, que tinha início previsto para as 21h50, a logística colorada já marcava presença no vestiário paulista. Desta forma, quando os jogadores desembarcassem, encontrariam toda a parte de rouparia, massagem e relaxamento muscular a postos. Entre os responsáveis por preparar a estrutura estava o histórico roupeiro Gentil Passos, aniversariante do dia, que sonhava com uma vitória de presente.

“Nem vou ver o jogo, nunca saio do vestiário. Vou tentar sintonizar no radinho. Em 2006, olhei pela janelinha e só consegui ver a rede balançando no gol do Sobis!”

Foto: Divulgação

As mudanças verdadeiramente intensas aconteceram no time de Ricardo Gomes. Em um Morumbi lotado, o São Paulo foi a campo com Rogério Ceni; Jean, Alex Silva, Miranda e Júnior César; Rodrigo Souto, Cléber Santana, Hernanes e Fernandão; Dagoberto e Ricardo Oliveira. No lugar do 3-5-2 da partida de ida, esquema que facilmente se convertia em um compacto 5-4-1, o tricolor paulista apostava num losango de meio-campistas. Fernandão, ídolo colorado, ocupava o vértice superior, encostando na forte dupla de ataque.

Foto: Jefferson Bernardes

O confronto, vale destacar, carregava um incremento especial. Além de garantir vaga na decisão da Libertadores, quem avançasse entre Inter e São Paulo estaria, também, assegurado no Mundial de Clubes da FIFA. Isto porque o Chivas, já finalista, não poderia, enquanto time mexicano, representar a CONMEBOL no torneio. A vitória, portanto, tornava-se ainda mais cobiçada pelo time da casa, que tentou pressionar desde o primeiro apito. A principal aposta dos paulistas, como não poderia deixar de ser, residia nos lançamentos para Ricardo Oliveira e Fernandão, acreditando no pivô destes para a velocidade de Dagoberto, geralmente presente no corredor esquerdo.

Pressionar o Inter não era tarefa simples. Bem postado na defesa, o Colorado contava com um trio de grande estatura para lutar nas bolas alçadas. Índio, Bolívar e Sandro dominaram o jogo, garantindo segurança para a retaguarda vermelha. Com a bola no pé, D’Alessandro iniciou a partida extremamente tranquilo, e muito se aproximou de Tinga para garantir o maior tempo possível de posse de bola. A maturidade visitante irritou o São Paulo, que cometeu faltas em excesso ao longo dos minutos de abertura do confronto. A mais perigosa delas, aos oito, foi cobrada com veneno pelo camisa 10 alvirrubro, exigindo, de Ceni, a primeira defesa da noite.

Camisa 9 autor de gols fundamentais para o Inter ao longo da campanha, Alecsandro deu as caras pouco depois. Aos 14 minutos, o centroavante, posicionado na intermediária, ficou com a segunda bola de disputa entre Tinga e Miranda. Habilidoso, dominou com a parte externa do pé direito, de chaleira, ajeitou na coxa e, quando sentiu a aproximação de Cléber Santana, aplicou um chapéu. Livre, dominou adiantando a esférica e, apesar da distância, arriscou. Chute forte, no ângulo, foi defendido, em dois tempos, por Rogério.

O São Paulo chegou pela primeira vez aos 15, com Hernanes. Aberto na direita, o camisa 10 recebeu bom passe de Cléber Santana e, aproveitando o ângulo favorável ao chute de direita, testou. Sem direção, a bola saiu em tiro de meta para Renan. A resposta do Inter veio seis minutos depois, com Taison. O camisa 7 foi servido por linda escorada de Tinga, que tabelara com D’Alessandro, e, em velocidade, cortou da esquerda para o centro antes de finalizar forte, rasteiro. Ceni, mais uma vez, salvou, agora espalmando para o lado.

Com o passar do tempo, no duelo da imposição física paulista com o equilíbrio técnico e emocional colorado, o lado gaúcho começava a se sobressair. Aos 24, o nervosismo mandante afetou o próprio goleiro da casa, até então principal nome do duelo, que errou na saída de bola e ofereceu boa oportunidade para Tinga. A recuperação do arqueiro veio com novo milagre providencial. Recém-recuperado de lesão, o camisa 16 alvirrubro atuava, sem a bola, como um segundo atacante, enquanto D’Ale, em melhores condições físicas, era o responsável por fechar o corredor direito e estruturar duas linhas de quatro. Lotado, o Morumbi, quatro anos depois, voltava a silenciar diante da festa do povo vermelho.

De fato, o futebol é uma caixinha de surpresas. Ineficaz em suas repetitivas bolas alçadas para a área, o São Paulo parecia entregue na partida. Apenas um lance isolado poderia alterar o panorama do confronto. E ele aconteceu aos 30. De muito longe, Hernanes cobrou falta com força, nas mãos de Renan.

O goleiro colorado, que vinha construindo atuação segura no confronto, não conseguiu encaixar. A bola, então, espirrou para trás e sobrou, açucarada, com o zagueiro Alex Silva, que somente cabeceou em direção às desprotegidas redes do Inter. Por ora, o duelo seguiria aos pênaltis.


Reinício quase perfeito


Fora de campo, o gol tricolor alterou o som ambiente do Morumbi, que voltou a conviver com a cantoria paulista. Dentro das quatro linhas, porém, a fatalidade não abalou a excelente exibição do Clube do Povo, que quase empatou aos 40, em falta muito bem cobrada por D’Alessandro. O lance foi o último de perigo ocorrido na etapa inicial, encerrada com o 1 a 0 no placar. Breve foi o intervalo, sucedido por fulminante segundo tempo.

Foto: Jefferson Bernardes

Taison surgiu para o futebol carregando o DNA do Celeiro de Ases nas velozes pernas. Talhado para encarar momentos de pura tensão com a típica leveza dos craques, irritava marcadores inocentes que incompreendiam a hierarquia exercida pelo jovem camisa 7 dentro de campo. Como você dominaria, por exemplo, sob intensa vaia de 60 mil gargantas paulistas, lançamento espirrado pela defesa adversária? O pelotense colorado apostou na mesma inteligência que demonstrava nos gramados de sua cidade natal. Marcado pelo selecionável Miranda, chamou o beque para dançar. Primeiro, escapou conduzindo da perna direita para a esquerda. Ainda perseguido, girou para fora. Estonteado, o zagueiro atropelou o inquieto malabarista da bola. Falta boa, ainda melhor para um time que conta com Andrés Nicolás D’Alessandro.

“Na primeira falta que cobrei na partida, vi que o Rogério Ceni se movimentou para o lado antes de eu bater. Na segunda vez, resolvi chutar onde ele estava, para ver se o enganava. Mas é claro que o toque do Alecsandro foi fundamental

Existiam bons metros de distância entre D’Ale e o gol. A barreira, para se ter ideia, estava posicionada na altura da meia-lua, levemente deslocada para a esquerda. Dentro da área, quatro jogadores colorados e cinco paulistas atrapalhavam a visão de Ceni. Inteligente, o camisa 10 cobrou, com força, exatamente na direção deste bolo de atletas.

Intocável em sua trajetória até a marca do pênalti, a bola encontrou o artilheiro calcanhar do iluminado camisa 9 colorado. Em um ato de puro reflexo, mas também genialidade, Alecsandro desviou a trajetória da esférica, que fugiu do desesperado braço de Rogério Ceni. Desonesta, ela voou até a bochecha direita da meta tricolor. Tudo igual no Morumbi. Para perder a vaga, o Inter precisaria sofrer mais dois gols. Tranquilidade? Não na campanha da Libertadores de 2010.

Foto: Jefferson Bernardes

O empate do Clube do Povo saiu aos 6. Dois minutos depois, Ricardo Oliveira marcou o segundo dos paulistas. A vaga ainda era do Inter. O difícil? Aguentar mais 40 minutos abraçado a ela. Era hora de fazer história, e o Clube do Povo partiu rumo à eternidade com os pontas invertidos. Na esquerda, passou a atuar D’Ale. Em velocidade, quem atacava a direita era Taison. Pelo meio, Sandro, Guiña e Tinga não deixavam o São Paulo criar expectativas. Os minutos que sucederam o tento dos donos da casa, inclusive, comprovam.


Teste para cardíaco


Aos 18, D’Alessandro lançou magistralmente Sandro. Dentro da área, o camisa 8 rolou para trás e encontrou Tinga, de frente para o gol aberto. Entre ele e as redes, apenas Jean. Com a canhota, o camisa 16 carimbou a mão do rival. Que chance desperdiçada; que pênalti ignorado! No minuto seguinte, Hernanes foi acionado por Dagoberto, cortou para a esquerda, dela para a direita e soltou o canudo. Por cima, por pouco. A cada volta do cronômetro, a tensão aumentava. Os erros, também. Quando o relógio marcava 32 minutos, Fernandão recebeu cruzamento milimétrico, mas falhou na hora de executar o testaço. De leve, triscou na bola e viu ela atravessar toda a extensão da meta alvirrubra sem encontrar desvio em mais ninguém. Logo depois, Tinga derrubou Júnior César e recebeu o amarelo, seu segundo no jogo. Era expulso, como em 2006. Incrédulo, apenas pediu desculpas para a torcida, que apoiou o ídolo, mais uma vez injustiçado diante de paulistas.

Apesar da expulsão, Roth não mudou o time. O comandante, que acabara de alçar Giuliano no lugar de D’Ale, conseguiu organizar a equipe sem promover nova alteração. A segunda linha de quatro, formada pelos meio-campistas, agora contava com o talismã camisa 11 pela esquerda e o incansável Taison na direita. Internamente, Sandro seguia equiparando o vigor físico de Fernandão e Ricardo Oliveira, enquanto Guiñazú converteu-se em um leão. O gringo, habituado a correr por dois, aumentou ainda mais de intensidade. Rei nos desarmes, não hesitou em compensar a ausência de Tinga ocupando espaço no campo ofensivo. Com a bola, construiu importantes tabelas junto de Alecsandro, que cavava faltas preciosas para o Inter e irritantes ao São Paulo.

A segunda troca no Inter ocorreu apenas aos 44 minutos. Segundos antes, Fernandinho havia cruzado perigosa bola rasteira que Ricardo Oliveira desviou, na pequena área, de letra. O lance, bloqueado por Índio, cobrou reação do técnico vermelho, que colocou Wilson Mathias na vaga de Taison. Àquela altura, o São Paulo já contava com Marlos, Marcelinho Paraíba e Fernandinho, novidades que substituíram, respectivamente, Cléber Santana, Rodrigo Souto e Dagoberto.

Foto: Jefferson Bernardes

Experiente, o camisa 7 colorado deixou o campo abraçado em Carlos Amarilla, árbitro que até tentou apressar o jovem atacante, mas acabou cedendo à simpatia do craque. A última chance paulista aconteceu já nos acréscimos, quase aos 47. Neste instante, Hernanes cruzou para corte difícil de Renan, que mandou pela linha de fundo. Na cobrança do escanteio, Rogério Ceni cometeu falta no arqueiro vermelho. Finalmente, a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande respirava. Cobrada a irregularidade, o jogo estava encerrado.

“É muito empolgante! Todos aqui merecem, essa equipe batalhou muito durante o primeiro semestre. Perdemos o estadual, mas sabíamos que esse título é o importante. Rumo ao México, rumo ao título. Este é o nosso grande objetivo.

Encerrada a partida, a festa, iniciada no campo e na arquibancada, prosseguiu nos vestiários do Morumbi. Classificado para o Mundial, o Inter estava a duas partidas de reconquistar a América. Em 14 dias poderíamos colorir, uma vez mais, o continente com a cor que melhor lhe veste. Faltava pouco para um elenco calejado em superação e sofrimento ser campeão. Eram vários os heróis que mereciam a taça. Naquele dia 5 de agosto, contudo, o principal nome da noite não havia entrado em campo.

O grupo colorado dedicou a vitória, de maneira unânime, para um ídolo dos bastidores alvirrubros. Completando 54 anos de vida na data, dos quais 36 haviam sido dedicados ao Clube do Povo, Gentil Passos foi o homenageado pelos atletas. Arremessado para o alto, teve seu nome ovacionado por toda a delegação vermelha e, assim, pôde comemorar os últimos segundos de seu dia como o herói que é para todos que vivem o Inter. Há 10 anos, o aniversariante digeria, como toda a torcida, a mais doce de nossas derrotas. Há 10 anos, seguíamos caminhando rumo ao título.

Vantagem de fogo: com show da torcida, há 10 anos Inter vencia o São Paulo nas semis da Libertadores

Dono de um elenco formado por jogadores selecionáveis e abrilhantado por nosso Eterno Capitão, o adversário era tido como favorito. Responsável por construir a segunda melhor campanha da fase de grupos, ele teria a vantagem de decidir em seus domínios a vaga para a final. Cenário, para muitos, completamente adverso. Para o Inter, motivador. Apostando na força de nossa casa, explorando a qualidade de um grupo sedento pela América e abusando das superstições, largamos na frente no caminho rumo à decisão. Há 10 anos, Clube do Povo e São Paulo abriam as semifinais da Libertadores!


A Campanha colorada


O Colorado construiu campanha segura nos grupos da América. Invicto, conquistou três vitórias sob o comando de Jorge Fossati, além de empatar as rodadas que disputou fora de casa. Com 12 pontos, avançou para as oitavas, quando sofreu o primeiro baque – duro.

O Inter abriu a fase eliminatória encarando o Banfield, fora de casa. No alçapão Florencio Sola, os mandantes, beneficiados por seguidos erros de arbitragem, marcaram três vezes, mas Kleber, que depois seria injustamente expulso, anotou valioso gol para o Colorado. Assim, embora retornasse a Porto Alegre na obrigação de triunfar, o Clube do Povo poderia garantir a vaga com uma nem tão improvável vitória por 2 a 0 – exatamente o que aconteceu. Regido por D’Alessandro, o Beira-Rio explodiu com Alecsandro, no primeiro tempo, e Walter, no início da etapa final, para comemorar, em êxtase, a classificação para as quartas.

A luta por vaga entre as quatro melhores equipes do continente foi aberta no Beira-Rio. De um lado, o Inter, embalado pela recente classificação. Do outro, o Estudiantes, atual campeão da América. Reedição da final da Sul-Americana de 2008, torneio vencido pelo Clube do Povo, o confronto foi encerrado, em seus 90 primeiros minutos, com triunfo alvirrubro. Já nos instantes finais, Sorondo marcou, de cabeça, o único gol da noite gaúcha.

Na semana seguinte, o Estádio Centenário, em Quilmes, recebeu a partida de volta. Incendiado por sua torcida, o Estudiantes adotou postura agressiva desde o apito inicial e, liderado por Verón, conseguiu abrir 2 a 0 antes dos 25 minutos de jogo. O resultado foi mantido, mais uma vez, até os últimos instantes, iludindo a torcida da casa, que com sinalizadores festejava a iminente classificação. Para a infelicidade destes, porém, Walter, após dominar lançamento de Abbondanzieri, aguardou a chegada de um segundo marcador para lançar Andrezinho. Inteligente, o meia se livrou de adversário e ganhou espaço para pensar, ao mesmo tempo em que Giuliano se projetou sobre a retaguarda rival. Percebido, o talismã recebeu a assistência e, no meio da neblina de fogos de artifício, iluminou o caminho colorado rumo ao topo da América. Gol do Inter, vaga também!


Novo semestre, velhos conhecidos


Em virtude da disputa da Copa do Mundo da África do Sul, a Libertadores foi paralisada após o encerramento da fase de quartas de final, ocorrido ainda em maio. A retomada da competição, principal do continente, levaria mais de dois meses para acontecer. Antes do Mundial, cinco rodadas do Brasileirão ainda seriam jogadas, sequência que, nos arredores do Beira-Rio, era tida como fundamental para dar continuidade ao embalo do elenco alvirrubro. As expectativas, todavia, foram frustradas e, como consequência, Jorge Fossatti deixou o comando do Clube do Povo. Em seu lugar, assumiria Celso Roth.

O novo comandante foi oficialmente anunciado em 12 de junho, apenas seis dias após a disputa da rodada anterior à Copa do Mundo. Pouco depois, no dia 18, o elenco colorado se reapresentou para dar início à intertemporada. Entre os atletas, três reforços chamavam a atenção: Oscar, promessa vinda do São Paulo, e os velhos conhecidos Renan, goleiro, e Tinga, meio-campista. Oxigenado, o grupo ainda receberia, no mês de julho, outro jogador que já ostentava linda história no Clube do Povo. Rafael Sobis, grande herói da vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, na abertura da decisão da Libertadores de 2006, retornou ao Inter ansioso para conquistar o Bicampeonato.

Encorpado por Sobis e Tinga, o Inter passava a contar com praticamente todos os atletas que haviam marcado na decisão de quatro anos antes. Restava “apenas” Fernandão, atacante que também iria a campo nas semifinais continentais. Desta vez, para enfrentar o Colorado, integrando o poderoso elenco do São Paulo. Ao seu lado estavam nomes como Dagoberto, Marlos, Hernanes, Richarlyson, Miranda, Cicinho, Rogério Ceni, Alex Silva, Jorge Wagner e Ricardo Oliveira.

O Tricolor paulista gozava de grande prestígio junto à crítica nacional. Após encerrar a fase de grupos com a segunda melhor campanha da Libertadores, somando 13 pontos de 18 possíveis, a equipe do Morumbi eliminou, nas oitavas, o Universitário-PER, embate decidido nas penalidades. A vítima seguinte foi o Cruzeiro, que sucumbiu tanto no Mineirão, quanto na capital paulista, ambos confrontos finalizados em 2 a 0 para o São Paulo. Um grande duelo, portanto, despontava no horizonte.


Julho otimista


O Inter voltou aos gramados em grande estilo. Antes de entrar em campo pela Libertadores, o Clube do Povo, que durante a intertemporada conquistara, sobre o Peñarol, a Taça Fronteira da Paz, encarrilhou quatro vitórias consecutivas no Campeonato Nacional. A primeira vítima foi o Guarani, seguido por Ceará, Atlético Mineiro e, enfim, Flamengo. Dos triunfos, dois aconteceram no Beira-Rio, enquanto Galo e Bugre foram derrotados em seus domínios.

Os resultados positivos consagraram as alterações realizadas na equipe titular, motivando os jogadores a acreditarem no novo trabalho. A variação de esquemas, por exemplo, antes regra, foi abandonada. No lugar da alternância entre três zagueiros, fora de casa, e duas linhas de quatro, no Beira-Rio, o Inter se aproximou de uma grande tendência que começava a surgir no futebol do início dos anos 2010: o 4-2-3-1. Taison, que após um 2009 de altíssimo nível vinha figurando no banco de reservas, ganhou nova chance entre os 11 iniciais, agora atuando pela esquerda. Na função, foi eleito o melhor jogador contra Guarani e Flamengo, partidas nas quais também balançou as redes.

Tinga também ganhou minutos na região central, valiosos para estabelecer entrosamento com D’Alessandro, o maestro do time, encarregado de circular entre o meio e, principalmente, a direita, seu corredor preferido. Na frente, Alecsandro foi mantido, enquanto Índio, na zaga, ganhou, em definitivo, o lugar de Sorondo, lesionado. Por fim, Renan garantiu, no final de semana anterior à jornada continental, a titularidade da meta colorada.

Tradicionais na história alvirrubra, as peças pregadas pelo destino se fizeram presentes antes da abertura das semifinais da América. Arrasador, Tinga parecia ser o titular necessário para o Clube do Povo encarar o São Paulo. A 10 minutos do fim do duelo contra o Flamengo, contudo, o meio-campista precisou ser substituído com dores na perna direita. Constatado edema na coxa, virou desfalque para o embate continental. As atenções, assim, voltavam-se ao trio Giuliano, Wilson Mathias e Andrezinho. Afinal de contas, quem iniciaria a jornada diante dos paulistas?


As Ruas de Fogo


Porto Alegre jamais havia presenciado festa igual à organizada pela torcida colorada naquele mágico 28 de julho. Decidido a jogar com o Inter desde muito antes do primeiro apito, o povo vermelho queria fazer a diferença. Durante os 90 minutos, sabia-se, gramado e cimento teriam de estar perfeitamente sincronizados, em matrimônio. Nada melhor, portanto, do que selar a união ainda no asfalto da Padre Cacique.

Quem pôde, abriu mão de viver naquela tarde de quarta-feira. Toda ela foi encarada como prólogo de uma épica batalha, que teria seu primeiro capítulo disputado em gigante templo. Nos arredores do Estádio, muito mais intenso do que o passar dos minutos era o caminhar da multidão, que não parava de crescer. Praticamente todo colorado e toda colorada partiram para o Beira-Rio vestindo vermelho, carregando uma bandeira e munidos de sinalizadores.

Nos dias que antecederam a partida, a torcida se programara para recepcionar de maneira inédita o ônibus colorado, criando o evento ‘Ruas de Fogo’. A partir dele, seria organizado, da entrada do pátio do Beira-Rio até a porta dos vestiários, um túnel vermelho, de artefatos pirotécnicos e fogos de artifício, responsável por acender o caldeirão alvirrubro. Em chamas nossa casa abraçaria seus heróis, aquecendo cada um dos escalados para o duelo da noite.

Por mais audaciosos que fossem, os planos do povo alvirrubro se provaram humildes quando comparados ao ambiente criado para o desembarque da delegação do Inter. A partir da chegada do ônibus ao pátio do Gigante, nada mais pôde ser visto. Incendiária, a Avenida Padre Cacique se converteu em um portal, transportando atletas e torcedores para um ambiente sagrado. Da cidade, partiram em direção a um verdadeiro um oásis, que de miragem não tinha nada. Nos braços de sua gente, o Colorado foi conduzido até os portões do paraíso. Faltava pouco para adentrarem, juntos, na eternidade.

Na 12, Bandeirão desfraldado. O mais afinado sopro de metais soando na Fico. Rubros sinalizadores emoldurando a Nação, e bandeiradas incessantes da Força Feminina. Na curva do sul da Popular, delírio total. Em cada canto ocupado pelas 48.166 pessoas presentes no estádio, euforia. Sem parar de cantar, o Beira-Rio viveu a entrada do Clube do Povo, seu melhor amigo, em campo. Fora das quatro linhas, a vantagem era grande, e vinha sendo honrada há algumas horas. Agora, chegava o momento de ser presenciada também no gramado verde do Gigante. Era noite de Libertadores, de semifinal de Copa. Era noite de Inter. Dale, Colorado!


Atuação de gala


Renan; Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Sandro, Guiñazú, Andrezinho, D’Alessandro e Taison; Alecsandro. Estes foram os 11 escolhidos por Celso Roth para representar o sonho de milhões de colorados e coloradas espalhados pelo planeta. Um a um, tiveram seus nomes ovacionados pelo Estádio, que trepidou com especial sinergia durante os inesquecíveis cantos de Guiñazú e D’Alessandro. Do outro lado, Ricardo Gomes escalou Ceni; Alex Silva, Miranda e Richarlyson; Jean, Rodrigo Souto, Hernanes, Marlos e Júnior César; Dagoberto e Fernandão.

Confira especial da Rádio Colorada sobre a partida:

Empurrado por sua gente, que implorava pelo Campeonato e por ele afirmava estar disposta a dar a vida, o Inter tentou encurralar os paulistas desde cedo. Para tanto, contava com a agressividade de Taison, pela esquerda, e a genialidade de D’Alessandro, aberto na direita. No meio, Andrezinho percorria toda a intermediária, ajudando na transição ofensiva.

De modo a confundir a defesa adversária, André e D’Ale, sempre próximos na região central, trocavam constantemente de posição. Acompanhando a dupla estava, de longe, Nei, encarregado de oferecer amplitude, permanecendo em cima da linha lateral. Na esquerda, era Taison quem jogava aberto, explorando o flanco como um legítimo ponteiro, enquanto Kleber tinha liberdade para se aproximar dos armadores e apoiar na construção de jogadas.

Por sua vez, o São Paulo, completamente retraído no campo de defesa, variava, a partir dos recuos de Jean e Júnior, da ala para a lateral, e de Dagoberto para a meia-direita, do 3-5-2 para o 5-4-1. Na frente, um isolado Fernandão era constantemente acionado a cada falta, lateral ou mesmo tiro de meta, mas sofria para fazer o pivô em meio aos amigos Bolívar e Índio, conhecedores da genialidade do atacante.

O jogo de ataque contra defesa funcionou para os visitantes ao longo do primeiro terço de partida. Embora inexistente no campo ofensivo, o São Paulo dificultou as tramas da linha de frente colorada, colhendo frutos com seu ferrolho. Madura, porém, a equipe alvirrubra soube se adaptar às circunstâncias do embate, e passou a apostar em cruzamentos e arremates de longa distância, armas que garantiram as primeiras boas chegadas do Inter. Das arquibancadas, simultaneamente, a torcida fazia questão de tranquilizar seus atletas, afirmando que, haja o que houver, seguiria fiel no apoio, independente do que passasse.

Toda a imprevisibilidade que faltara ao Inter nos instantes de abertura da partida, e que começara a surgir a partir dos 15 minutos, aflorou na segunda metade da primeira etapa. O responsável, como não poderia deixar de ser, foi o grande craque daquela Libertadores: Andrés Nicolás D’Alessandro. Gênio, ídolo, amor ou divindade, trate-o como quiser, o argentino, um dos maiores de nossa história, assumiu o papel de protagonista que dele se esperava. Travesso, convidou os marcadores para o dramático bailar do tango, e passou a percorrer toda a extensão do campo, causando um alvoroço nos desorientados beques que, atordoados, deram espaços aos outros craques vermelhos.

Consicente da necessidade da vitória, o Clube do Povo seguiu martelando até o apito final, que encerrou um primeiro tempo de placar em branco no Beira-Rio. Resultado que passava longe do ideal, o empate não conseguiu retratar, na frieza de seus números, a superioridade alvirrubra, mas nem por isso foi lamentado.

O Colorado partiu para os vestiários ainda mais preparado para buscar o triunfo, como comprovou o primeiro minuto sucessor ao intervalo. Embalado por estridente ‘Vamo, Vamo, Inter’, Andrezinho pegou a sobra de tabela entre Taison e Kleber e, da esquerda, bateu colocado, com curva, exigindo milagre de Ceni.

Torcida deu espetáculo nas arquibancadas do Beira-Rio/Foto: Divulgação

Definitivamente, Taison viveu uma noite inspirada contra os paulistas. O camisa 7, que seria escolhido pela torcida o melhor em campo, não se satisfez com a boa exibição que construira na etapa inicial e retornou a campo ainda mais inquieto. Aos cinco, o atacante serviu Kleber, que invadiu a área e finalizou abafado por Rogério, grande nome dos visitantes. No lance seguinte, Alex Silva pareceu se inspirar no arqueiro e bloqueou, com a mão, cabeceio de Bolívar. Pênalti claro, ignorado pela arbitragem. O erro colocou ainda mais pólvora no caldeirão da beira do Guaíba, que pedia, uníssono, por uma vitória capaz de honrar a briosa tradição do Rio Grande, e também nosso louco amor colorado.

Tentando oferecer ao flanco direito fôlego equiparável ao visto no corredor oposto, Roth sacou, aos 18 do segundo tempo, Andrezinho. Aplaudido, o meio-campista deu lugar a Giuliano, grande herói da classificação colorada às semifinais. Com o talismã, esperava-se, D’Alessandro voltaria a construir grandes combinações no lado que sempre lhe serviu de melhor morada – e assim aconteceu.

Cheio de gás e iluminado pela mítica camisa 11 que levava às costas, Giuliano conseguiu, logo de cara, injetar novo ânimo na armação colorada. Buscando a bola entre os zagueiros, passou a abrir espaços na zona central de um paredão tricolor que, apostando em encaixes individuais, mostrava-se hesitante para acompanhar a movimentação do substituto. Aos 22, a consequência das dúvidas paulistas foi fatal. Após receber bom passe vertical de Bolívar, o meio-campista abriu o jogo com Nei e fingiu disparar para a ponta. Segundos depois, esbanjou grande agilidade para fintar com o corpo e retornar em direção à intermediária, livre. Novamente acionado, costurou para o meio e tentou servir Sandro. Rebatida pela marcação, a bola sobrou para D’Ale.

El Cabezón é um jogador diferente, não se pode questionar. Capaz de antever inúmeras situações, raramente recebe a bola sem ter certeza de seu próximo movimento. O camisa 10 é um daqueles atletas que transforma segundos em eternidade, centímetros em hectare. Sagaz, o argentino sequer dominou a espirrada sobra da defesa são-paulina e, com a canhota, serviu Alecsandro. Centroavante clássico, especialista no jogo aéreo e dono de grande pivô, o 9 alvirrubro superou a marcação com o corpo, deixando para Giuliano. Como um segundo atacante, o camisa 11 lembrou Sobis para entortar o zagueiro. Perdido no giro do jovem colorado, Miranda por pouco não assistiu, deitado, ao arremate do artilheiro, que, milésimos depois de dominar, soltou a bomba de pé direito. Cruzada, a finalização primeiro beijou o poste de Ceni para, enfim, morrer nas redes paulistas. Inter na frente!

Talismã Giuliano/Imagens: Rede Globo

Em dívida no escore, o São Paulo precisou mudar – e o fez em dobro. Na vaga de Richarlyson, entrou Cleber Santana, reestruturando a equipe em duas linhas de quatro. Já na frente, Dagoberto deu lugar a Ricardo Oliveira. As alterações na nominata, contudo, em nada afetaram o roteiro da partida. Aos 27, D’Alessandro, gozando da mesma liberdade que tivera em seus melhores momentos na etapa inicial, caiu pela ponta-esquerda e aplicou La Boba perfeito para superar a marcação, inclusive colocando a bola entre as pernas de Rodrigo Souto. Com espaço, cruzou forte, fechado. Rogério espalmou, e a sobra foi de Kleber que, embora diante do gol aberto, precisou arrematar com a direita, tirando tinta do travessão. (D’ALE 2)

Como joga, D’Alessandro, por favor!/Imagens: Rede Globo

Embebedada de alegria, a torcida colorada rememorava os inesquecíveis dias vividos ao lado do Inter quando, aos 33, Renan fez sua primeira defesa no jogo, impedindo que chute de Ricardo Oliveira, travado por Bolívar, saísse em escanteio. Minutos depois, com o Gigante em festa e o povo completamente ‘doidão’, Taison desconcertou Alex Silva, invadiu a área e, a centímetros do pequeno retângulo, chutou de direita. Com o pé, Ceni operou mais uma defesa salvadora.

Muito mais do que um vício ou amor, o Rolo Compressor seguiu alucinante. D’Ale aprontou nova La Boba aos 38, desta vez pela direita, e cruzou, de imediatado, buscando a segunda trave. Soberano, Alecsandro subiu muito mais do que Jean e, pisando na pequena área, testou forte, por cima. Logo depois, Fernandinho entrou no lugar de Marlos, enquanto Rafael Sobis, extremamente festejado pelo público que lotava as arquibancadas do Beira-Rio, veio a campo no lugar de Taison. Exaurido, o camisa 7 deixou o gramado de maca, e também recebeu o devido reconhecimento. Já nos acréscimos, Hernanes desferiu o primeiro chute a gol do São Paulo no jogo, seguramente defendido por Renan. Os paulistas ainda desperdiçaram, antes dos 48, instante do apito final, um escanteio, igualmente encaixado pelo goleiro alvirrubro.

Barato para os vistantes, surpreendente para os críticos e festejado pela torcida, o 1 a 0 garantiu importante vantagem para o jogo de volta. É bem verdade que a atuação magistral, somada ao apoio do povo vermelho, mereciam mais, mas a vitória, sem nenhum gol sofrido, mantinha muito vivo o sonho da reconquista continental. No Morumbi, caberia ao Inter fazer, mais uma vez, história contra 70 mil. Felizmente, não existe time mais lapidado para encarar caldeirões do que o Clube do Povo, dono do temido Gigante da Beira-Rio.