Ex-lateral Rubens Cardoso recorda 2006 e 2007

Campeão da Tríplice Coroa Internacional. Isto ilustra a vitoriosa conexão que tem o ex-lateral-esquerdo Rubens Cardoso com o Internacional. Ele chegou ao Inter no início de 2006 e foi peça importante das três conquistas obtidas em sequência: Copa Libertadores da América, Campeonato Mundial de Clubes da FIFA e Recopa Sul-Americana.

Rubens Cardoso (E) e Adriano Gabiru (D) em campo pelo Inter contra o Nacional no Uruguai, em 2006

Sobre isto e outros assuntos mais, Rubens Cardoso concedeu entrevista ao programa Velhas Súmulas, da rádio Colorada, para a edição deste sábado (27/02).

A conversa sobre as temporadas 2006 e 2007 e acerca da trajetória do ex-lateral-esquerdo pode ser conferida no player abaixo:

Sport Club Internacional · Rádio Colorada | Entrevista com o ex-lateral Rubens Cardoso | 27/02/2021

A conversa com ex-lateral-esquerdo Rubens Cardoso também pode ser acessada no Spotify do Inter.

O programa Velhas Súmulas vai ao ar aos sábados na rádio Colorada geralmente das 14h às 15h30 – neste sábado, excepcionalmente, ele foi veiculado às 12h. Durante 90 minutos, entrevistas com personagens da história do Inter, detalhamento de fatos importantes da trajetória do Clube do Povo, reportagens especiais, além de leituras de trechos de livros, crônicas e textos sobre futebol preenchem as tardes de sábado da emissora oficial do Internacional.

Aos domingos também, quando o programa é reproduzido como reprise. Neste final de semana, a veiculação vai ao ar às 14h.

Acompanhe ainda a programação da emissora oficial do Inter durante a semana: de segunda a sexta-feira, o Programa do Inter, o noticiário colorado mais completo do rádio, vai ao ar a partir das 18h via internet e FM 95.5 da rádio Sara Brasil.

Além do site do Inter, a emissora oficial do Clube do Povo pode ser escutada via aplicativo.

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Bravo, Iarley!

A carreira de Iarley merece aplausos. Por onde passou, o cearense conquistou títulos e respeito. No Inter, foi notável. Apesar da pouca estatura, o atacante se tornava um verdadeiro gigante quando vestia o manto colorado, que honrou durante toda a passagem pelo Clube, compreendida entre os anos de 2005 e 2008.

Camisa 10 foi um dos grandes nomes da decisão do Mundial de Clubes/Foto: Ricardo Duarte

Sua trajetória atingiu o ápice no Japão, onde o então camisa 10 foi peça fundamental na inesquecível vitória sobre o Barcelona, que deu ao Inter o título do Mundial, o segundo na conta pessoal do atleta. Já aposentado, o herói, que atualmente trabalha com as categorias de base alvirrubras, sabe que viverá eternamente na memória da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. No dia em que comemoramos 15 anos da apresentação do ídolo como reforço do Clube do Povo, relembre sua passagem no Beira-Rio!


Contratação badalada

Pedro Iarley já ostentava um currículo invejável quando desembarcou, no dia 17 de junho de 2005, no Aeroporto Salgado Filho. Seu passaporte somava carimbos que iam do argentino, onde conquistou, com o Boca Juniors, seu primeiro Mundial, ao espanhol, registro da época em que defendeu o Real Madrid B ao lado de jovens como Raúl, Eto’o, Cambiasso e Casillas. Mais do que atuar por grandes clubes, entretanto, o atacante tambem figurava na história de muitos destes.

Em território hermano, por exemplo, após marcar o gol que garantiu a conquista do Torneio Apertura de 2003, Iarley virou ídolo vestindo a mítica camisa 10 xeneize. No mesmo ano, participara da belíssima campanha do Paysandu na Libertadores, inclusive sendo o artilheiro da vitória por 1 a 0 do time brasileiro sobre o Boca Juniors, em plena Bombonera – feito que motivou o clube de Buenos Aires a contratá-lo.

À época de sua contratação, o Inter estava absolutamente faminto por títulos. Após passar um período na fila, o Clube do Povo se reestruturava e trabalhava duro para retomar o caminho das glórias. Iarley, neste cenário, chegava como a cereja do bolo de uma equipe já encorpada, capaz de empolgar a torcida a ponto de, no momento do desembarque do atacante na capital gaúcha, um grupo de alvirrubros pedir ao novo reforço que ajudasse o Colorado a conquistar uma Libertadores da América, título até então inédito na galeria de troféus do Beira-Rio.

“É um atleta experiente, mas que está

sem jogar há algum tempo.

Precisamos ver como será o rendimento

nos treinos da semana.”

Muricy, após o anúncio de iarley

Sofrendo com o desfalque de Rafael Sobis, convocado para a disputa da Copa do Mundo Sub-20, Muricy Ramalho, técnico colorado, ainda perdeu, na semana seguinte ao desembarque do atacante cearense, o centroavante Gustavo, lesionado. Desta forma, não restou alternativa ao comandante se não escalar o recém-chegado para a partida contra o São Paulo, no Morumbi, válida pela 14ª rodada do Brasileirão.


Como uma luva

É inegável: o início da caminhada de Iarley com a camisa vermelha esteve à altura das expectativas. Formando, com Fernandão, a dupla de ataque colorada, o cearense abriu o placar no Morumbi aos 30 do primeiro tempo, esbanjando qualidade para dominar, com a canhota, rebote de dividida do capitão com a defesa paulista, girar o corpo e, de direita, mandar chute preciso no ângulo de Ceni. Pouco depois, Souza até empatou para os locais, mas Fernandão, de pênalti, e Tinga, nos minutos finais, confirmaram o trunfo alvirrubro por 3 a 1. Envolvido, ainda, nos dois tentos marcados pelo Clube do Povo no segundo tempo, o estreante foi escolhido o melhor jogador da partida em enquete realizada no site do Inter.

O golaço do estreante

“A bola vai entrar a partir de agora.

Eu trabalho para fazer gols!”

Iarley, em entrevista na semana seguinte à estreia

Exuberante, a atuação diante do São Paulo garantiu a Iarley vaga no time titular, mantida para a rodada de número 15 apesar dos retornos de Gustavo e Michel, atacante que também estava entregue aos cuidados do Departamento Médico. À oportunidade, o atacante respondeu mantendo o ritmo elevado, fundamental para o triunfo colorado, por 2 a 1, sobre o São Caetano, no Beira-Rio. Na ocasião, mesmo debaixo de intensa chuva, quase 20 mil pessoas tomaram as arquibancadas do Gigante para apoiar o Inter, que abriu o placar aos 27.

Fernandão lançou Alex, que surpreendeu a marcação caindo pela direita. O jovem foi até o fundo, em velocidade, e cruzou, com o pé ruim, na medida para curioso cabeceio de Iarley, que mandou para as redes, marcando seu primeiro gol no Beira-Rio, segundo pelo Inter. Menos de cinco minutos depois, Granja serviu Tinga, que de canhota marcou o segundo do Clube do Povo. Dimba, para os visitante, até descontou na etapa final, mas nada que ameaçasse o triunfo alvirrubro, capaz de alçar o Colorado à terceira posição no Nacional.

O primeiro tento no Beira-Rio

Também escolhido o craque em sua partida de estreia no Beira-Rio, Iarley foi mantido entre os 11 iniciais para o duelo contra o Vasco, no Rio de Janeiro. Aparentemente esperada, a titularidade comprovou a grande fase do atacante, que deixou Rafael Sobis, de volta após conquistar a medalha de bronze com o Brasil na Copa do Mudo Sub-20, no banco.

Vitorioso em São Januário por 4 a 2, o Clube do Povo se manteve na terceira colocação, a apenas um ponto dos líderes Ponte Preta e Fluminense. A vice-liderança chegou na partida seguinte, encerrada com goleada de 5 a 2 sobre o Juventude, no Gigante. Ao lado de Sobis, Iarley formou dupla de ataque municiada por Fernandão, e abriu o placar, logo aos 10, em um golaço de perna direita.

Pintura para abrir o placar contra o rival gaúcho

Terceiro do atacante em quatro partidas, o tento diante do Juventude foi acompanhado, três dias depois, pelo quarto em sua trajetória no Inter, este marcado sobre o Goiás. De peixinho, contudo, o gol não impediu a derrota, por 3 a 2, no Beira-Rio. Pior ainda, Iarley precisou deixar o duelo mais cedo, consequência de luxação no ombro esquerdo. Incialmente, a injúria afastou o atleta dos gramados por quatro jornadas, mas, após sentir dores nos dois jogos seguintes que disputou, o cearense teve de ser submetido a cirurgia, que estendeu o tempo de afastamento.

“Os médicos disseram que

a operação foi um sucesso.

Agora, é repouso absoluto e, depois,

volto com tudo para retornar ainda

no Brasileirão.”

Iarley, após a cirúrgia

Contrariando a previsão dos médicos, que estipulavam o tempo de parada do atleta entre três e quatro meses, Iarley voltou aos gramados durante partida da 35ª rodada do Brasileirão, disputada em 31 de outubro, pouco mais de 60 dias após a cirurgia. Fora da lista de inscritos do Clube do Povo na Sul-Americana, não pôde disputar o confronto de volta das quartas continentais, contra o Boca, na Bombonera. No Nacional, seguiu como peça frequente no ataque alvirrubro, e teve o alto nível de suas atuações recompensado, já em 2006, com a renovação de contrato até o final de 2008.


2006 de brilho fora…

Titular no início da temporada de 2006, autor de quatro gols no Gauchão, Iarley seguiu conquistando, no novo ano, o respeito de todos no Beira-Rio. Naturalmente, o atacante se tornou uma das principais referências do time, chegando a formar, junto de Clemer e Fernandão, o trio de líderes do vestiário colorado. Em entrevista concedida para a Mídia do Inter em 2014, o ídolo, inclusive, comentou o perfil da trinca, destacando as diferentes características de cada um.

Nosso capitão, o cara que liderava mesmo, até pela inteligência que tinha, era o Fernandão. O Clemer era mais explosivo, até na hora de tomar à frente, dar uma dura. Eu, mais tranquilo, apaziguador, ia lá e analisava a situação, dava opinião, contornava.

Simbolizando o protagonismo que exercera nos meses inaugurais de 2006, Iarley teve o privilégio de ser inscrito na Libertadores da América com a mítica camisa de número 10 do Internacional. Capitão nos primeiros cinco jogos do Clube do Povo na competição, demonstrou o porquê de ser uma das lideranças do grupo quando, com os retornos de Rafael Sobis e Jorge Wagner aos gramados, recuperados de lesão, foi para o banco de reservas.

Iarley não apenas aceitou a condição, como se tornou um verdadeiro assistente do técnico Abel Braga, ajudando o comandante a gerir o elenco do Inter ao longo da fase eliminatória. Para além do papel fundamental que desempenhou no vestiário, o atacante também foi a campo oito vezes na campanha do título, oferecendo, ainda, duas assistências, umas delas na histórica virada sobre o Pumas, no Beira-Rio.


… e dentro de campo!

Após as saídas da dupla Sobis e Jorge Wagner para o futebol espanhol, sacramentadas poucos dias após a conquista da América, Iarley, que já vinha se destacando na formação que construía grande campanha para o Inter no Brasileirão, assumiu com maestria a lacuna deixada no ataque titular do Colorado. Ao lado de Fernandão, alcançou grande entrosamento, e encerrou o Nacional como um dos destaques do Clube do Povo vice-campeão, marcando 10 gols na competição.

Atuações maiúsculas como no Gre-Nal do Olímpico, quando marcou o gol da vitória, e no triunfo sobre o Fluminense, por 2 a 0, no Beira-Rio, além de golaços a exemplo da inesquecível bicicleta contra o Vasco, ou da letra diante do São Caetano, ambas no Gigante, valeram ao atacante uma merecida indicação ao prêmio Craque do Brasileirão. Curiosamente, Iarley acabou preterido na premiação, que não foi a única a injustiçá-lo em dezembro de 2006.


Um gigante no caminho do Barcelona

A delegação do Inter chegou ao Japão para a disputa do Mundial no dia 7 de dezembro de 2006. Antes disso, ainda no trajeto, Iarley já havia demonstrado a importância que sua liderança exerceria na caminhada rumo ao maior título de clubes do planeta.

Quando um contratempo em São Paulo atrasou o voo colorado, fazendo com que o grupo perdesse a conexão entre Paris e Tóquio, assim precisando passar uma tarde em hotel da capital francesa, foi o ídolo quem, em atitude extremamente solidária, dispôs-se a permanecer na sala de embarque do aeroporto parisiense junto dos companheiros Vargas e Hidalgo, os quais não tinham visto para entrar no país. Ali ficaram os três, conversando e descansando enquanto esperavam pelo prosseguimento da viagem.

Esse tá bonito, mas vamos colocar outro,

ainda maior, no lugar, escrito

Campeão do Mundo!

Iarley, ao se deparar com painel do time campeão da américa

Uma vez em terras nipônicas, Iarley, como sempre vestindo a 10, teve atuação segura na semifinal, contra os egípcios do Al-Ahly. Foi na decisão do Mundial, porém, que a estrela do ídolo reluziu como nunca.


No maior dos jogos, a melhor atuação

Os campeões do mundo/Foto: Jefferson Bernardes

A missão era espinhosa. No jogo mais importante da história do Inter, superar o poderoso e badalado Barcelona, de Ronaldinho Gaúcho, Deco, Iniesta, Xavi e companhia. Para isso, é claro, foi preciso traçar uma estratégia especial.

Foto: Ricardo Duarte

A gente sabia que o Barcelona viria com tudo pra cima, e começamos a visualizar o contra-ataque. Mentalizei que poderíamos ganhar o jogo assim, porque era isso ou os pênaltis. Tanto que, quando eu pego a bola na jogada do gol, já estava preparado para aquele momento!

Extremamente disputada, com boas chances para os dois lados, a finalíssima do Mundial de Clubes impôs duro baque à Maior e Melhor Torcida do Rio Grande quando, aos 30 da segunda etapa, Fernandão, extenuado e com cãibras, precisou ser substituído. Com o coração na mão, milhões de colorados e coloradas responderam à alteração depositando boa parte de suas esperanças em Iarley, que assumiu a braçadeira após a saída de nosso capitão, responsabilidade que assumiu com tranquilidade, atestada seis minutos depois.

Foto: Ricardo Duarte

Na hora, só tinha o Luiz Adriano. Esperei pra ver se ele se movimentava, porque estava muito aberto. Dali, só conseguiria um cruzamento ou chute cruzado. Fiquei observando o Puyol. Depois do corte, ele ficou me dando um lado. Segurei e vi um vulto de branco passando. Era o Gabiru. Consegui fazer um passe pressão, milimétrico!

Esbanjando frieza, o ídolo recebeu escorada de Luiz Adriano para, primeiro com o pé direito, dominar a bola. Sagaz, no toque seguinte colocou a redonda entre as pernas de Puyol. O restante da jogada, é claro, todos lembram. Iluminado, Gabiru, substituto de Fernandão, desferiu o mais preciso dos arremates, matando o goleiro Victor Valdez e fazendo o planeta, cada vez mais vermelho, tremer com a festa da torcida colorada.

Olhugol, olhugol, olhugol!

Apesar da empolgação com a vitória parcial, ainda faltavam 10 minutos para o jogo acabar. Mais do que isso, pela frente restava um Barcelona cada vez mais ofensivo em busca do empate. Foi então que Iarley levou seu 1,70 m de altura a atingir a estatura do Beira-Rio quando, junto de Rubens Cardoso, prendeu a bola na ponta esquerda do ataque colorado por praticamente três minutos. Três minutos ao longo dos quais uma história quase centenária passou diante dos olhos do povo alvirrubro, e que serviram para esfriar a pressão dos espanhóis, tranquilizando o time gaúcho.

Foto: Ricardo Duarte

Minha base foi no futsal, eu era pivô. Quando a gente precisava segurar um resultado, eu já fazia isso. Então, naquele momento do jogo, depois do nosso gol, quando o Barcelona veio com tudo pra cima, eu senti que precisava dar uma esfriada, deixar o tempo passar.

Gigantes, Iarley e Rubens Cardoso acumularam faltas, escanteios e laterais

O atacante cearense somente parou de lutar quando o árbitro marcou falta sua, a pouco mais de um minuto do final do jogo. Neste curto intervalo de tempo, todavia, nem mesmo a genialidade de Ronaldinho foi suficiente para segurar o Inter. Exatos 70 segundos após assinalar irregularidade de Iarley, o árbitro Carlos Batres voltou a levar o apito à boca. Desta vez, para encerrar a partida e oficializar que o mundo, finalmente, era vermelho.

Inter, és campeão mundial…/Foto: Jefferson Bernardes

Após o jogo, Iarley recebeu, erroneamente, a Bola de Prata, distinção oferecida ao segundo melhor jogador do Mundial. Premiação, é claro, injusta, pois a colocação não condizia com o nível das atuações do atacante, mas corrigida, dois dias depois, na chegada do time campeão a Porto Alegre.

Mais de 500 mil colorados e coloradas receberam, no dia 19 de dezembro, a delegação campeã mundial. Entre os atletas, Iarley foi, com justiça, um dos mais festejados pela multidão. Em meio ao mar vermelho que coloriu a Região Metropolitana de nossa capital, alguns apaixonados chegavam a bradar que o camisa dez merecia “metade da taça”, como dissera Galvão Bueno na narração do gol do título. Poucos sabiam, contudo, que o título tinha um gosto especial para o ídolo, que, com a taça, cumpria previsão que fizera ao se deparar, ainda em agosto, no vestiário do Inter, com um painel do time vencedor da Libertadores.

Assim, Iarley terminou 2006 atendendo não somente ao pedido do grupo de torcedores que o recebera quando de seu desembarque em Porto Alegre, como também cumprindo promessa feita dentro do sagrado vestiário do Beira-Rio e, é claro, consagrado no seleto rol de ídolos eternos alvirrubros. Uma temporada, definitivamente, irretocável.


A coroa americana

O início da temporada de 2007 não afetou a titularidade de Iarley. No primeiro semestre do ano, o ídolo seguiu formando, com Pato e Fernandão, o trio de ataque colorado, sempre municiado por um Alex cada vez mais regular e participativo na região central do campo. Após insucessos em Libertadores e Gauchão, o Clube do Povo conquistou, no dia 7 de junho, a Recopa Sul-Americana, taça que garantiu a Tríplice Coroa. Capitão na finalíssima, o camisa 10 levantou a taça junto das outras duas lideranças do grupo, Clemer e Fernandão.

Nos meses de encerramento do ano, atacante foi importante para a conquista de vaga na Sul-Americana de 2008. Marcada por grande reformulação no elenco, a temporada de 2007 chegou ao fim com Iarley, Fernandão e Nilmar, repatriado, formando um novo poderoso trio ofensivo para o Inter.

Ao mesmo tempo, Alex seguia brilhando na região central, agora apoiado pelos recém-chegados Guiñazú e Magrão. Na defesa, nomes como Marcão, Sorondo e Orozco foram contratados, trio que, junto do jovem Sidnei e do experiente Índio, renovava as esperanças do povo vermelho. Exatos 12 meses após chegar ao auge, portanto, o Inter demonstrava estar pronto para retornar ao topo, e contava com seu camisa 10 para isso.


Um campeão, até o fim

Titular ao lado de Alex e Fernandão em novo trio de ataque estrelado que formou ao longo de sua passagem pelo Inter, Iarley viveu momento goleador no Gauchão de 2008. Ao todo, balançou as redes em sete ocasiões, ocupando a vice-artilharia colorada na competição, atrás apenas de Alex. A partir das quartas de final, com o retorno de Nilmar, até então lesionado, o camisa 10 passou a revezar a titularidade com o veloz companheiro, assim diminuindo sua frequência dentro de campo.

Na finalíssima do torneio, contra o Juventude, coube a Iarley, junto de Clemer e Fernandão, como ocorrera na Recopa de 2007, erguer o troféu de campeão gaúcho. Primeiro estadual que venceu pelo Inter, 38º da história do Clube do Povo, o título foi, também, o segundo do Colorado no ano, sucedendo, em poucos meses, a conquista da Copa Dubai, ocorrida durante a pré-temporada.

“Achei que eu era forte,

mas mal consigo falar agora.”

IARLEY, em sua entrevista de DESPEDIDA

No dia 5 de junho, após selar transferência para o Goiás, Iarley deixou o Inter. Tomado pela emoção, o atacante praticamente não conseguiu conceder sua coletiva de despedida, admitindo não ter forças para falar. As lágrimas que corriam de seus olhos, obviamente, também tomaram as faces dos colorados e coloradas espalhados pelo mundo, multidão que ainda hoje procura por palavras capazes de agradecer ao gigante camisa 10 por todos os feitos que conquistou vestindo alvirrubro. Viva, I-AR-LEY!

No clima do Mundial: entrevista com ex-zagueiro Ediglê

Ex-zagueiro colorado, campeão da Libertadores e do Mundial em 2006, o defensor Ediglê concedeu, na início da noite da última sexta-feira (05/06), entrevista exclusiva para o Programa do Inter, da Rádio Colorada. A íntegra da conversa, que revelou diversos bastidores de uma das maiores gerações da história do Internacional, pode ser conferida tanto abaixo quanto nos perfis do Clube do Povo em Soundcloud e Spotify!

Sport Club Internacional · Rádio Colorada | Entrevista com ex-zagueiro Ediglê

De segunda a sexta, a partir das 18h, a Rádio Colorada apresenta o ‘Programa do Inter’, exibição que traz todas as atualizações sobre o dia a dia do Clube do Povo. Feito de torcedor(a) para torcedor(a), o Programa pode ser acompanhado através do APP oficial do Clube do Povo.

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Entrevista com Michel, campeão de Mundial e Libertadores

Atleta que marcou época com a camisa colorada na segunda metade da primeira década do Século XXI, Michel Neves, ex-atacante do Clube do Povo, concedeu entrevista para o Programa do Inter, da Rádio Colorada, no final da tarde desta quarta-feira (03/06). Artilheiro do Clube do Povo nos grupos da Libertadores de 2006, fase na qual anotou três gols, todos no Beira-Rio, o jogador revelou grandes bastidores da equipe que conquistou o mundo, incluindo história inédita a respeito da chuteira usada por Gabiru contra o Barcelona, e destacou todo o seu carinho pela Maior e Melhor Torcida do Rio Grande. Confira a íntegra!

Sport Club Internacional · Rádio Colorada: Entrevista exclusiva com Michel Neves, ex-atacante do Clube do Povo – 03/06/2020

De segunda a sexta, a partir das 18h, a Rádio Colorada apresenta o ‘Programa do Inter’, exibição que traz todas as atualizações sobre o dia a dia do Clube do Povo. Feito de torcedor(a) para torcedor(a), o Programa pode ser acompanhado através do APP oficial do Clube do Povo.

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Inter, o melhor do mundo!

O beijo da taça no capitão que melhor lhe tratou na história/Foto: Jefferson Bernardes

É CAMPEÃO DO MUNDO!!! O planeta passou a ter uma nova cor neste domingo (17/12). Histórico, o Inter venceu o Barcelona, na grande final do Mundial de Clubes da Fifa, e assim coloriu a Terra em vermelho e branco. Disputada na japonesa cidade de Yokohama, a inesquecível decisão foi encerrada com triunfo por 1 a 0 do Clube do Povo, gol de Adriano Gabiru. Predestinado, o artilheiro responsável por colocar o Colorado no seleto grupo de donos do planeta estufou as redes catalãs aos 36 minutos do segundo tempo, pouco depois de entrar em campo no lugar de Fernandão.


O pré-jogo

Sem Hidalgo, machucado, o técnico Abel Braga escolheu Rubens Cardoso para a lateral-esquerda. Nas demais posições, o time colorado repetiu a formação que derrotara o Al-Ahly nas semifinais, assim subindo a campo, vestindo branco, com Clemer no gol; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens, na defesa; Edinho, Wellington Monteiro, Alex e Fernandão no meio; Pato e Iarley na frente.

Os 11 iniciais/Foto: Jefferson Bernardes

Do outro lado, o Barcelona de Frank Rijkaard esteve escalado com Victor Valdes no gol; Zambrotta, lateral campeão do mundo com a Itália no último mês de julho, Rafa Marquéz, Puyol e Van Bronckhorst, na defesa; Thiago Motta, Iniesta e Deco, no meio; e Ronaldinho, o atual melhor jogador do mundo, Gudjohnsen e Giuly, no ataque. A equipe foi a mesma que, no último dia 14, goleou o América-MEX na semifinal do Mundial.

Lotado por mais de 70 mil pessoas, o Estádio Internacional de Yokohama demonstrou, ao longo de toda a noite, grande simpatia pela equipe europeia, com especial destaque para os craques Ronaldinho e Deco, constantemente ovacinados pelo público. O ambiente hostil, contudo, em nada intimidou as centenas de colorados e coloradas que, localizados principalmente atrás da goleira esquerda, cantaram e apoiaram o Inter durante os 90 minutos, decorando as arquibancadas nipônicas com bandeiras e faixas do Clube do Povo.

Após bonito espetáculo protagonizado por jovens crianças e embalado por um grupo de música pop japonesa, as equipes entraram em campo perfiladas, respeitando o tradicional protocolo da FIFA. Considerado visitante, o Inter teve seus atletas completamente fardados de branco, com a maioria vestindo mangas longas devido ao intenso frio nipônico.


Primeira etapa movimentada

Palco da decisão da Copa do Mundo de 2002, o Estádio Internacional de Yokohama assistiu à partida que esteve, desde seus primeiros movimentos, à altura da mística de suas arquibancadas. Vivendo grande momento, o Barcelona bem que tentou impor seu ritmo desde o minuto inicial, mas esbarrou no grande entrosamento da retaguarda colorada. Como se fora um meio-campista, Fernandão não oferecia respiro a Motta, perturbando a tradicionalmente qualificada saída de bola catalã. Diante do cenário positivo, o Clube do Povo começou a se soltar, criando boas oportunidades com Fernandão, Rubens Cardoso, Iarley e Pato.

A resposta dos europeus, tidos por quase toda a crônica esportiva como favoritos, chegou aos 18 minutos, em chute forte de Van Bronckhorst. O holandês botou bastante curva na bola, exigindo grande reflexo de Clemer, que espalmou para a direita. Ronaldinho aproveitou o rebote e mandou de primeira, mas direto pela linha de fundo. Deste momento em diante, a partida ficou mais concentrada entre as duas intermediárias, com o Barcelona apostando em bolas alçadas para Gudjohnsen e forçando faltas, enquanto o Inter tentava encaixar um rápido contra-ataque que poderia ser fatal. Como elemento surpresa, Índio, aos 37, teve a última boa oportunidade da etapa inicial, finalizando por cima jogada tramada com Wellington Monteiro.


O mais internacional dos tempos

Os 20 minutos iniciais da última etapa repetiram o cenário de abertura do primeiro tempo. Presente no campo ofensivo, o Inter levava perigo aos espanhóis ao mesmo tempo em que, no campo de defesa, contava com maiúscula atuação do sistema para segurar o ímpeto catalão. O cenário foi radicalmente revolucionado, todavia, aos 23, quando Fernandão sentiu cãibra após disputar bola por cima.

Após receber rápida massagem na panturrilha, o capitão retornou a campo e tentou, por quase cinco minutos, permanecer na partida, até não resistir às dores. Abel, então, chamou Gabiru, mas, no instante em que a troca seria feita, um novo problema surgiu: o nariz de Índio, que não parava de sangrar. O defensor precisou sair de campo em busca de uma nova camisa limpa. Ao mesmo tempo, recebia atendimento que impedia o comandante colorado de realizar a prevista substituição, que seria a terceira. Assim, o Inter permaneceu, durante intermináveis minutos, com um (e meio) a menos no gramado, até Índio retornar e Adriano entrar, aos 30.

Guerreiro, Índio!/Foto: Ricardo Duarte

Se no papel foi Adriano quem substituiu Fernandão, animicamente coube a Iarley ocupar o espaço de liderança deixado pelo capitão. Chamando a responsabilidade para si e importunando a defesa rival, o camisa 10 encontrou seu momento de maior brilhantura na partida aos 36, curiosamete em combinação com Gabiru, certamente abençoado por Fernando, que tudo assistiu da beira do campo.

Em velocidade, o quixeramobinense recebeu escorada de Luiz Adriano e, da altura do meio de campo, partiu em velocidade após aplicar caneta desconcertante em Puyol. Exatos cinco segundos após o corte, serviu açucarada assitência para Gabiru, que não perdoou. Gol. O mais importante de nossa história, o único da partida, apesar dos esforços de Deco, parado por Clemer, Ronaldinho, condenado pelo destino, e companhia. Faltando um segundo para os 48, Carlos Batres apitou pela última vez na partida e oficializou a conquista alvirrubra.


O Japão tremeu

O MUNDO É NOSSO/Foto: Jefferson Bernardes

Uma vez encerrado o confronto, a distância de 20 mil quilômetros entre Japão e Rio Grande do Sul foi encurtada a ponto de habitantes de uma terra confirmarem ser possível ouvir os festejos promovidos noutra. Goethe e Yokohama viraram um só ambiente, ou melhor, passarela, sobre a qual desfilou o popular bloco colorado.

Comemora o povo alvirrubro/Foto: Ricardo Duarte

Mais do que no momento do apito final, verdade seja dita, foi pontualmente às 21h38min do Japão, 10h38min do Brasil, que a euforia foi, enfim, iniciada. Neste instante, poucos minutos depois de Iarley ser premiado como o segundo melhor atleta da competição, Fernandão ergueu a taça do Mundial, colorindo, de vez, o mundo em alvirrubro. Depois disso, os jogadores deram a tradicional volta olímpica e partiram para a festa que não tem dia, hora ou lugar pra acabar. Comemore, povo colorado. O mundo é nosso!


Os principais lances da partida:

Primeiro tempo

Segundo Tempo


Ficha técnica

Internacional (1): Clemer; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Alex (Vargas) e Fernandão (Adriano); Alexandre Pato (Luiz Adriano) e Iarley. Técnico: Abel Braga.

Barcelona (0): Valdes; Zambrotta (Beletti), Márquez, Puyol e Van Bronckhorst; Motta (Xavi), Iniesta e Deco; Giuly, Gudjohnsen (Ezquerro) e Ronaldinho. Técnico: Frank Rijkaard.

Gol: Adriano (I), aos 36min do segundo tempo.

Cartões amarelos: Índio, Iarley e Adriano (I); Motta (B).

Público: 67.128.

Arbitragem: Carlos Batres (Guatemala), auxiliado por Carlos Pastrana (Honduras) e Leonel Leal (Costa Rica).

Local: Estádio Internacional de Yokohama, no Japão.