Primeira organização torcedora do sul, DCP completa 81 anos

No dia 14 de junho de 1940 era criado o Departamento de Cooperação e Propaganda (DCP), primeira organização torcedora do sul do país. Diferente das organizações contemporâneas do centro do país, foi muito mais do que a festa nas arquibancadas.

O DCP tinha como objetivos incentivar o time, disciplinar a torcida colorada através de sua estreita ligação com a direção do clube, e apoiar todas as iniciativas do Internacional. Além disso, criava um “bureau de propaganda”, ação pioneira em clubes de futebol naquele período.

Um dos objetivos da parte de propaganda era o crescimento da torcida colorada e a neutralização das torcidas adversárias, o que era feito através de panfletos e charges distribuídos nos locais de encontro dos aficionados por futebol na Porto Alegre, como a Confeitaria Rocco, por exemplo.

Sua faceta mais conhecida, contudo, era como a torcida que fazia um carnaval nas arquibancadas. Vicente Rao inseriu música, fogos e serpentina naquele ambiente para incentivar o time. Aliás, ter um torcedor-símbolo é um dos elementos que aproxima o DCP das demais torcidas da época.

É inegável a contribuição do DCP e de Vicente Rao para a popularização do Internacional, que tanto se orgulha de sua história de inclusão e diversidade.

Texto e imagens: Museu do Inter

81 anos da estreia de Tesourinha

Ídolo multicampeão, um dos maiores pontas do futebol brasileiro, quinto artilheiro da história colorada, atleta dono de DNA alvirrubro como poucos. Sobram predicados para definir a grandeza de Tesourinha na biografia do Clube do Povo, ídolo que há 81 anos disputava sua primeira partida com a camisa do Inter. Ocasião festiva, surge como motivo perfeito para relembrar a trajetória do craque vestindo vermelho.

Da direita, Tesourinha finaliza cruzado e marca para o Inter!

O primeiro capítulo da história entre Inter e Tesourinha foi escrito ainda no nascimento do ídolo. Osmar Fortes Barcellos viveu sua infância na Ilhota, bairro periférico marcado pela mistura de futebol e samba, que em 1909 serviu de berço colorado. Há 81 anos, portanto, o que teve início foi o matrimônio entre Clube e craque.

Ativo no bloco de carnaval dos ‘Tesouras’, razão de seu icônico apelido, o ponta-direita estreou pelo Alvirrubro no dia 22 de outubro de 1939. A partir de então, sua biografia ficava ainda mais atrelada à do Internacional, clube de cores definidas por outro bloco, o dos Venezianos, e de essência voltada para o povo.

Cruzado e indefensável, mais um arremate de Tesourinha morre nas redes adversárias

De acordo com registros do acervo histórico do Clube, a primeira jornada de Tesourinha vestindo vermelho ocorreu em partida disputada diante do Cruzeiro-POA, válida pelo Campeonato Citadino daquele ano. Na ocasião, Osmar substituiu simplesmente Carlitos, ponta-esquerda que viria a se tornar o maior artilheiro da história colorada. Tesourinha, inclusive, atuava no mesmo setor do goleador máximo do Internacional, mas precisou se adaptar ao flanco direito pois, como o passar dos anos mostraria, conceber o Inter sem um dos integrantes da letal dupla de ataque não seria possível.

É bem verdade que Tesourinha não balançou as redes em sua primeira partida pelo Inter. Felizmente, contudo, seus tentos não foram necessários, e o Clube do Povo deixou o campo vencedor por 2 a 1. Quem marcou os gols vermelhos foi Brandão, em partida que viu o Colorado escalado com Júlio no gol, Alfeu e Risada na defesa, Nenê, depois Celso, Magno e Levy no meio, além de Rui, Russinho, Brandão, Moacir e Carlitos, depois Osmar Barcellos, no ataque.

Deste triunfo em diante, vieram mais centenas na história do ídolo no Inter, que resultaram em oito conquistas estaduais, outras oito municipais, e a consagração do ponteiro como eterno na biografia alvirrubra. Integrante do Rolo Compressor, Tesourinha formou, junto de Carlitos, Adãozinho e Villalba, um dos principais ataques da história do futebol brasileiro. Também ao lado do Rolo consolidou o Clube do Povo como maior time do Rio Grande do Sul, além de garantir ao Colorado a jamais tomada supremacia no histórico do clássico Gre-Nal.

Tamanha magnificência nos gramados gaúchos garantiu a Tesourinha feito raro para os atletas gaúchos de então: ser convocado para a Seleção Brasileira. Genial como sempre, superou qualquer desconfiança que o bairrismo imperante no selecionado poderia impôr a um forasteiro do eixo Rio-São Paulo e foi notório. Pela Canarinho, conquistou a Copa Roca, em 1945, a Copa Rio Branco, em 1947 e 1950, a Taça Oswaldo Cruz, também em 1950, além, é claro, da Copa América de 1949. Individualmente, ainda foi eleito o melhor ponta-direita da América nos anos de 1945 e 1946.

Tesourinha, o sétimo da esquerda para a direita

A história entre Tesourinha e Inter durou uma década inteira, esgotando-se apenas nos últimos meses de 1949, quando o atacante foi contratado pelo Vasco, que por seus dribles carnavalescos e gols implacáveis pagou uma fortuna. Emocionante, sua despedida em nada afetou o carinho da torcida pelo eterno ídolo, provavelmente o maior ponta-direita de nosso futebol ao lado de Garrincha. Perpétuo no Panteão vermelho, Osmar faleceu em 1979, aos 57 anos, mas seu legado segue vivo até hoje, manifestado sempre que um jovem colorado domina a bola pela ponta e é visto um fintando um zagueiro.

Tesourinha foi um dos primeiros homens Gre-Nal

Jornalista Kenny Braga relembra façanhas do Rolo Compressor

O jornalista e escritor colorado Kenny Braga concedeu entrevista à rádio Colorada neste sábado (03/10) para recordar a década mágica dos anos 1940 para o Internacional. O “Rolo Compressor”, como ficou conhecida equipe colorada daquele período pela forma ofensiva de jogar e por ter sido extremamente vencedora, foi um dos principais assuntos da conversa (que pode ser escutada no player abaixo) ocorrida durante o programa Velhas Súmulas, que aborda trechos da história alvirrubra durante 90 minutos nas tardes sábado.

Sport Club Internacional · Rádio Colorada | Entrevista com o jornalista Kenny Braga | 03/10/2020

O material também pode ser acessado no Spotify do Inter.

O programa Velhas Súmulas vai ao ar aos sábados na rádio Colorada das 14 horas às 15 horas e 30 minutos. Entrevistas com personagens da história do Inter, detalhamento de fatos importantes da trajetória do Clube do Povo, reportagens especiais, além de leituras de trechos de livros, crônicas e textos sobre futebol preenchem as tardes de sábado da emissora oficial do Internacional. Aos domingos também, quando o programa é reproduzido como reprise às 14 horas.

Acompanhe ainda a programação da emissora oficial do Inter durante a semana: de segunda a sexta-feira, o Programa do Inter, o noticiário colorado mais completo do rádio, vai ao ar a partir das 18 horas via internet e no FM 95.5 da rádio Sara Brasil.

Além do site do Inter, a emissora oficial do Clube do Povo pode ser escutada via aplicativo.

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A estreia de uma lenda: há 82 anos surgia Carlitos

Há 82 anos iniciava uma das mais belas histórias de amor do futebol gaúcho. Pela primeira vez, a lenda Carlitos entrava em campo pelo Clube do Povo. Simplesmente o maior artilheiro colorado de todos os tempos e, também, do Rio Grande do Sul, fez sua estreia no dia 22 de maio de 1938, iniciando uma saga que marcaria o futebol gaúcho para sempre.

Seria apenas mais um amistoso, caso não fosse a estreia de uma das maiores lendas coloradas. Em partida disputada no Campo da Montanha, onde hoje está o Hospital Militar, no alto da Avenida Cristóvão Colombo, bairro Floresta, o Inter goleou o São José-POA por 4 a 0 – gols de Levi, Sylvio Pirillo e Miguel (2x).

O técnico Abrahão Fernandes Bouças mandou a campo uma equipe com Júlio Petersen; Pércio e Risada; Giordani, Osvaldo Brandão e Levi; Benjamin, Rui Motorzinho, Sylvio Pirillo, Miguel e Castillo. No segundo tempo, ingressaram Plass, Quaixa, Acácio e ele, Carlitos. O jovem porto-alegrense vivia o sonho de estrear pelo time do seu coração.

Com forte apoio popular, o Clube do Povo crescia a passos largos nesta época. Jovens como ele vinham da várzea e ligas humildes, como a da Canela Preta, para formar um time que faria história na década seguinte. Começava a surgir o mítico Rolo Compressor! E aquele guri da zona sul seria decisivo.

Goleador implacável, tornou-se o maior artilheiro do Inter, do Gre-Nal e do futebol gaúcho de todos os tempos – recorde que perdura até hoje. Entre seus 485 gols, reservou 42 deles só para o clássico, seu jogo preferido. Frio e calculista, marcou 101 gols a mais do que o número de jogos que disputou e jamais desperdiçou um único pênalti.

Ao lado de Tesourinha, Nena, Adãozinho e outros craques, levou o Inter à hegemonia, ainda vigente, no Gre-Nal e no Gauchão – título que conquistou nada menos que 10 vezes. Se tornou ícone de um time lendário que redefiniu o futebol do Sul do Brasil: o famoso Rolo Compressor.

Eterno romântico, dedicou uma vida ao Colorado e jamais trocou de time, se mantendo no Clube do Povo do começo ao fim de sua carreira. Seu amor chegou ao ponto de batizar três filhos com a letra inicial do Inter: Ivan, Iran e Irany. Ao mesmo tempo, foi um especialista na arte de provocar defensores e armadilhas para os goleiros adversários.

Herói e protagonista de um romance sem fim. Homem que viveu um amor autêntico e correspondido, com aroma de Eucaliptos e sabor de gol. Muitos gols. Carlitos, o ‘Homem-Goal’, terá seu lugar eternamente marcado na história colorada.