Inter vence primeiro Gre-Nal da década e segue na liderança

ESSA TERRA TEM PATRÃO! Após sofrer gol aos 30 do segundo tempo, o Clube do Povo lutou até o final e, com gols de Abel Hernández, aos 44, e Edenilson, aos 52, venceu o Gre-Nal 429, no Beira-Rio. Oitava vitória consecutiva do time de Abel Braga no Brasileirão, conquistada em partida da 32ª rodada nacional, disputada a partir das 16h deste domingo (24/01), isola o Inter na liderança do país!

+ Confira as aspas do pós-jogo

+ Assista aos Bastidores da partida

No topo do Brasileirão com 62 pontos, o Clube do Povo volta a campo no próximo domingo (31/01), às 18h15. No Beira-Rio, o adversário será o Bragantino, em partida da 33ª rodada do Brasileirão.


No calor, Inter começou melhor

Disputado sob intenso calor, que superou a casa dos 30ºC de temperatura, o primeiro tempo transcorreu em ritmo relativamente cadenciado. Dispensando marcação intensa no campo de defesa adversário, as duas equipes encontraram maior distinção entre suas atuações na postura adotada quando com a bola. Enquanto o Grêmio trocou passes excessivos para o lado, o Inter soube escolher os melhores instantes para acelerar.

Vertical, o Clube do Povo assustou logo aos dois, com Praxedes. Dono das melhores oportunidades, o time de Abel Braga criou a principal delas aos 34, quando Yuri venceu no corpo e soltou o pé. Vanderlei resvalou e a bola explodiu no poste superior, mandando por escanteio a última grande chance da etapa inicial.


ETAPA FINAL PARA A HISTÓRIA

O Inter retornou para o segundo tempo decidido a vencer o clássico. Nos primeiros 10 minutos, Peglow, Praxedes, Patrick e Edenilson colocaram a zaga rival para trabalhar, mas esbarraram na injusta teimosia do placar. A partir dos 15, o Grêmio cresceu na partida e, sentindo o cansaço do time de Abel Braga, acumulou suas oportunidades.

Perigoso, o visitante somou escapadas até os 30, quando abriu o placar com Jean Pyerre. À vantagem rival, Abel Braga respondeu com a tradicional estrela de sempre, adotando postura ainda mais ofensiva. Na frente, Abel Hernández entrou. Na ponta, Marcos Guilherme. No meio, Nonato, e na lateral, Uendel. Do ânimo renovado, aos 44 saiu, em lindo testaço do centroavante uruguaio, o empate do Clube do Povo.

O empate diminuía a injustiça, mas não satisfazia os interesses do Internacional. Aos 48, Marcos Guilherme tentou partir para cima de Victor Ferraz e foi derrubado. Falta, cobrada da esquerda e por Edenilson escorada. Kannemann colocou a mão, e o árbitro viu. Pênalti, que os visitantes tentaram contestar, mas nada conseguiram. SuperEd bateu com perfeição e garantiu a virada história de um Inter que segue firme para as próximas seis decisões do Brasileirão.


Melhores momentos – primeiro tempo

2min – UHHH! Rodinei cobra, da direita, lateral na grande área visitante. Dourado e Yuri brigam, e a sobra é de Praxedes, que solta a bomba. Vanderlei espalma e salva o Grêmio.

16min – BLITZ! Inter escapa pela esquerda com Praxedes, que serve Patrick. O Pantera escapa de Geromel, vai ao fundo e rola para Edenilson, que tenta o chute, mas perde ângulo. Na sequência, o camisa oito serve Yuri, mas Diogo Barbosa afasta definitivamente.

24min – Vanderlei! Peglow serve bonita enfiada para Yuri, que escapa nas costas de Kannemann. Antes do camisa 11 colorado, goleiro rival encaixa.

25min – Parada técnica para reidratação.

26min – Reiniciada a partida.

28min – POR CIIIIIMA! Peglow serve passe maravilhoso para Edenilson, que dispara pelo corredor direito e cruza rasteiro. Yuri domina, faz o giro e finaliza. Geromel desvia em carrinho salvador, e ela sai em escanteio.

29min – UUUUUUUUH! Pressão colorada após escanteio cobrado da direita. A bola respinga na área rival, Cuesta devolve pela esquerda, Vanderlei dá o tapa e, depois de muita confusão, zaga rival corta. Pressiona o Inter!

34min – NO TRAVESSÃÃÃÃO! Yuri pega a sobra de grande jogada de Praxedes, faz o giro e solta a bomba. Vanderlei resvala e a bola explode no poste superior. Quase, quase o gol do Inter!

36min – POR CIMA! Praxedes solta o canhotaço, e ela pega força demais.

40min – Geromel sofre torção e deixa o campo. Entra Rodrigues.

42min – ELE SEGUE TENTANDO! Yuri recebe de Praxedes, faz o giro e, de fora da área, finaliza rasteiro. Vanderlei encaixa.

45min – Mais quatro. Vamos a 49.

49min – Encerrado o primeiro tempo.


Segundo tempo

2min – Inter volta a campo pressionando. Patrick recebe na grande área, puxa para a canhota e finaliza forte. Ela tinha endereço, mas explodiu na marcação.

5min – UH! Praxedes toma a carteira de Matheus Henrique, dispara pelo centro e finaliza. A bola sai tirando tinta do poste superior.

7min – POR CIIIMA! Moisés cobra lateral na área gremista. Yuri domina, faz o giro em cima de Rodrigues e bota para a pequena área, onde Peglow chega finalizando. Por pouco, por cima!7

9min – ESCANTEIO! Edenilson recebe na intermediária, percebe espaço e finaliza. Com desvio, ela sai pela linha de fundo.

11min – Lucas Silva finaliza pela esquerda. Pela linha de fundo!

12min – Muda o Inter! Vem Mauricio, sai Peglow.

15min – LOMBA! Jean Pyerre corta da esquerda para o centro e finaliza colocado. Goleiro colorado encaixa.

18min – Pepê serve Diego Souza, que finaliza forte. Lomba espalma e ela sai pela lateral.

21min – Parada para reidratação.

24min – Moisés recebe o primeiro amarelo do jogo.

26min – Diego Souza invade a área colorada e finaliza de canhota. Para fora.

26min – Muda o Grêmio. Entra Maicon, Luiz Fernando e Ferreira, saem Alisson, Pepê e Lucas Silva.

29min – Diego Souza sobe na segunda trave e escora ao lado do poste colorado.

30min – Jean Pyerre marca para o Grêmio.

32min – Duas trocas no Inter. Abel por Patrick, Praxedes por Marcos Guilherme.

38min – Abel completa as cinco trocas. Uendel por Moisés, Nonato por Rodrigo Dourado.

39min – No Grêmio, entra Pinares. Sai Jean Pyerre.

40min – UH! Edenilson é lançado na área rival e quase consegue o domínio. Vanderlei encaixa.

41min – POR CIIIIMA! Abel Hernández pega a sobra de rebote da zaga rival e manda forte. A bola supera o travessão gremista.

44min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOL! É DO INTERNACIONAL! É DO CLUBE DO POVO! É DO COLORADO ALEGRIA DOS NOSSOS CORAÇÕES! ABEL, ABEL, ABEL HERNÁNDEZ! Cuesta recebe pela esquerda da intermediária e suspende na segunda trave. Centroavante uruguaio cabeceia com precisão para empatar o jogo no Beira-Rio.

O gol de Abel Hernández na voz da Rádio Colorada

45min – Mais cinco. Vamos a 50!

46min – Cartão amarelo para Rodinei.

47min – Finalmente saiu cartão para o Grêmio. Victor Ferraz acerta carrinho em Marcos Guilherme.

49min – PÊNALTI PARA O INTER!

50min – Diego Souza recebe o amarelo por reclamação.

52min – GOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOL! EDENILSON! EDENILSON! EDENILSON! SUPERED! GOOOOOOOOOL! GOOOOL! GOOOOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOL! GOOOOOOOOOOOL! Vanderlei caiu para um lado, Edenilson mandou no outro! O INTER VIRA! O PATRÃO DO SUL VENCE! O CLUBE DO POVO DISPARA NO TOPO!

O gol de Edenilson na narração da Rádio Colorada

53min – ACABOU! ACABOU! ACABOU! VITÓRIA COLORADA!


Ficha técnica:

Internacional (2): Marcelo Lomba; Rodinei, Lucas Ribeiro, Victor Cuesta e Moisés (Uendel); Rodrigo Dourado (Nonato) e Edenilson; João Peglow (Mauricio), Bruno Praxedes (Marcos Guilherme) e Patrick (Abel Hernández); Yuri Alberto. Técnico: Abel Braga.

Grêmio (1): Vanderlei; Victor Ferraz, Pedro Geromel (Rodrigues), Walter Kannemann e Diogo Barbosa; Lucas Silva (Maicon) e Matheus Henrique; Alisson (Ferreira), Jean Pyerre (César Pinares) e Pepê (Luiz Fernando); Diego Souza. Técnico: Renato Portaluppi.

Gols: Jean Pyerre, aos 30 minutos do segundo tempo (G). Abel Hernández, aos 44, e Edenilson, aos 52 minutos do segundo tempo (I).

Cartões amarelos: Moisés e Rodinei (I). Victor Ferraz e Diego Souza (G).

Arbitragem: Luiz Flávio de Oliveira, auxiliado por Danilo Ricardo Simon Manis e Miguel Cataneo da Costa. VAR: Wagner Reway.

Estádio: Beira-Rio.

Clube do Povo derrota o Botafogo no Beira-Rio

O Inter voltou a vencer no Brasileirão! Disputado a partir das 19h deste sábado (12/12) no Beira-Rio, o confronto entre Colorado e Botafogo, integrante da 25ª rodada do Nacional, foi encerrado com triunfo por 2 a 1 do Clube do Povo, de virada. Patrick e Yuri Alberto marcaram os gols alvirrubros e garantiram três pontos importantes, que levam os comandados de Abel Braga aos 41 no torneio.

+ Confira as aspas do pós-jogo

O Colorado volta a campo no próximo final de semana, também no Beira-Rio. Às 21h de sábado (19/12), o Clube do Povo recebe o Palmeiras, atual quarto colocado com o mesmo número de pontos que o time de Abel. Vamos, Inter!


Primeira etapa truncada

Disposto no esquema 4-2-3-1, o Clube do Povo começou a partida com Patrick aberto pela esquerda, Marcos Guilherme na direita e, centralizado nas costas do atacante Yuri Alberto, Thiago Galhardo. A disposição, que ainda contava com Lindoso e Edenilson em frente à zaga, esbarrou nas duas linhas de quatro alvinegras, que tinham José Welison posicionado entre defensores e meio-campistas. Como consequência aos espaços reduzidos, os passes errados ocorreram em abundância – e dos dois lados.

Como pelo centro o jogo não fluía, os times decidiram apostar nos lados. Foi desta forma que, aos 27, Pedro Raul recebeu cruzamento de José Welison para abrir o placar. Dois minutos depois, Moisés foi ao fundo pela esquerda, a bola resvalou em Yuri e, do outro lado da área, Edenilson mandou na trave. Aos 35, quem disparou foi Rodinei. Rasteira, a assistência do lateral-direito encontrou o esquerdo do Clube do Povo, que mandou uma bomba no poste. No rebote, porém, Patrick não perdoou. Um gol para cada lado, e intervalo iniciado.


Vitória no faro artilheiro

O Inter seguiu apostando nos cruzamentos a partir do reinício do confronto. Dono de ânimo renovado a partir das entradas de Heitor e Caio, o corredor direito passou a oferecer importantes oportunidades para o Colorado, como comprovaram os 17 minutos, insatnte em que Heitor serviu e Yuri, por detalhe, não virou a partida. Ligado no jogo, o camisa 11 não desperdiçou a segunda chance que teve.

Aos 21 minutos, Kevin tentou cobrar falta rápida, mas seus companheiros de zaga não entenderam. Em meio à hesitação botafoguense, Yuri brilhou, recuperando a posse e, de frente para Cavalieri, finalizando tranquilo. Após cinco minutos de ansiedade, que contaram com consulta à cabine do VAR, o árbitro Caio Max Vieira validou o tento e oficializou a virada, mantida até o último instante do duelo. Três pontos na conta, e reencontro com as vitórias garantido!


Melhores momentos – primeiro tempo

2min – Caio Alexandre faz boa jogada pela esquerda e serve Pedro Raul. O camisa 9 alvinegro finaliza cruzado, a bola passa de Lomba, mas Lindoso corta na entrada da pequena área.

9min – UH! Thiago Galhardo intercepta a saída de jogo alvinegra e recupera a posse para o Inter já nas cercanias da grande área adversária. O camisa 17 serve Patrick, que finaliza mascado. Dono da sobra, Yuri Alberto briga com a marcação e finaliza de direita. Passou perto!

19min – CAVALIERI! Lindoso cruza rasteira da esquerda. Na meia-lua, Galhardo domina e manda chute forte. Goleiro rival defende em dois tempos. Patrick pisava na área com perigo, e o rebote quase foi dele!

21min – LOMBA! À direita da grande área, Bruno Nazário cobra falta fechada. Ela passa por todo mundo e cai na frente do goleiro colorado, que espalma com segurança.

27min – Pedro Raul abre o placar para os visitantes.

29min – NA TRAAAAAVE! Moisés faz grande jogada pela esquerda e cruza na primeira trave. Yuri desvia e, entrando na área, Edenilson emenda de primeira, com estilo. A bola explode no poste esquerdo e bate em Cavalieri antes de ser afastada em escanteio.

32min – Rodinei recebe o amarelo por falta em Warley.

35min – GOOOOOOOOOL DO INTERNACIONAL! É DO CLUBE DO POVO! É DO COLORADO ALEGRIA DOS NOSSOS CORAÇÕES! PATRICK, PATRICK, PATRICK, PATRIIIIICK! Após grande jogada pela direita, Rodinei cruza e ela atravessa toda a extensão da área. Patrick domina pela esquerda e finaliza travado, mas a sobra é de Moisés, que solta uma bomba. A bola explode no poste, resvala nas costas de Cavalieri e sobra limpa para o Pantera, que manda para o gol. A zaga até corta, mas depois da linha fatal. Tudo igual no Gigante!

38min – Diego Cavalieri e Rhuan, do Botafogo, são amarelados por reclamação.

42min – UH! Moisés cruza da esquerda na cabeça de Patrick. Forte, a bola sai alta demais e supera a meta de Cavalieri.

45min – Mais três. Vamos a 48!

47min – GRANDE, RODINEI! Bruno Nazário cai da direita para o centro e dá um gancho para Honda, que infiltra no vazio. Japonês tenta a assistência para Warley mas, antes dele, providencial, Rodinei corta em escanteio. Providencial!

47min – Após bate-rebate na grande área colorada, Helerson fica com a sobra e, com espaço aberto até Lomba, solta o canudo. Por cima.

48min – Encerrada a primeira etapa.


Segundo tempo

0min – Inter volta com mudanças. Dourado entra no lugar de Lindoso, e Heitor substitui Rodinei.

9min – Edenilson recebe o amarelo.

11min – Bruno Nazário amarelado por falta em Edenilson.

13min – Caio Vidal entra, Marcos Guilherme sai. Mudança no Clube do Povo.

17min – PRA FOOOOORA! Heitor recebe de Caio Vidal e, da intermediária, cruza. Na primeira trave, Yuri Alberto desvia. A bola sai tirando tinta da trave direita do Botafogo.

16min – Sai Bruno Nazário no Botafogo. Quem entra é Éber Bessa.

21min – COMO NÃO VALEU? Kevin cobra falta rápida para o Botafogo. A zaga bate cabeça e ela sobra com Yuri Alberto, que completa para as redes. Árbitro não sabe como reagir…

23min – Árbitro dá o amarelo para Kanu e parte para a cabine do VAR.

25min – GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL! GOL VALIDADO! O INTER VIRA! VIRADA NO GIGANTE! YURI, YURI, YURI ALBERTO MARCA PARA O CLUBE DO POVO! Árbitro marcou falta de Moisés em Kanu. Enquanto os atletas colorados questionavam a decisão, duvidosa, Kevin tenta cobrar a falta em velocidade, mas não se entende com os companheiros de zaga. Quem entende todo o lance é Yuri Alberto, que domina a bola de frente para a meta do Botafogo e manda para as redes.

27min – Muda o Inter. D’Alessandro entra, Patrick sai.

31min – Duas alterações no Botafogo. José Welison dá lugar a Matheus Babi, e Rhuan entra na vaga de Warley.

33min – Victor Luis recebe o amarelo por reclamação.

38min – Cartão amarelo para Caio, falta em Kevin.

40min – Abel promove a quinta e última mudança no Colorado. Vem Peglow, sai Yuri.

44min – Dourado leva o amarelo por falta na intermediária do campo.

45min – Mais sete. Vamos a 42.

52min – PARTIDA ENCERRADA! INTER VENCE NO BEIRA-RIO!


Ficha técnica:

Internacional (2): Marcelo Lomba; Rodinei (Heitor), Rodrigo Moledo, Victor Cuesta e Moisés; Rodrigo Lindoso (Rodrigo Dourado), Edenilson e Patrick (D’Alessandro); Marcos Guilherme (Caio Vidal), Thiago Galhardo e Yuri Alberto (Peglow). Técnico: Abel Braga.

Botafogo (1): Diego Cavalieiri; Kevin, Kanu, Helerson e Victor Luis; Zé Welison (Matheus Babi), Caio Alexandre e Honda; Bruno Nazário (Éber Bessa), Pedro Raul e Warley (Rhuan). Técnico: Eduardo Barroca.

Gols: Pedro Raul, aos 27 minutos do primeiro tempo (B). Patrick, aos 35 minutos do primeiro tempo, e Yuri Alberto, aos 25 minutos do segundo tempo (I).

Cartões amarelos: Edenilson, Caio Vidal, Rodrigo Dourado e Rodinei (I). Cavalieri, Victor Luis, Bruno Nazário, Kanu e Rhuan (B).

Arbitragem: Caio Max Augusto Vieira, auxiliado por Jean Marcio dos Santos e Vinicius Melo de Lima. VAR: Igor Junio Benevenuto de Oliveira.

Estádio: Beira-Rio.

Gurias Coloradas batem Ferroviária por 2 a 1

Fotos: Jonatan Dutra/Ferroviária

Pelo Brasileirão A1, as Gurias Coloradas voltaram a campo na tarde deste domingo (30), às 15h, para enfrentar a Ferroviária, atual campeã da competição. A partida foi válida pela sexta rodada e ocorreu na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, interior de São Paulo. Com alta intensidade e criação de jogadas perigosas, de virada em jogo emocionante, Gurias Coloradas batem as Guerreiras Grenás por 2 a 1. 

Com o resultado as Gurias Coloradas mantêm a invencibilidade na competição e  fecham a sexta rodada na sétima colocação, com doze pontos, sendo duas vitórias e quatro empates. Corinthians e Flamengo se enfrentam às 19h e a tabela ainda pode sofrer alterações.

RESUMO DO JOGO

As Gurias Coloradas começaram pressionando as adversárias e fizeram a manutenção da posse de bola no campo ofensivo. A equipe dificultou a saída de bola da Ferroviária, não deixando espaços. As adversárias conseguiram encontrar chances e avançaram para o ataque, criando mais a partir da metade do primeiro tempo. Jogo passou a ser equilibrado, com boas chances para ambas equipes. Inter cresceu de novo nos últimos quinze minutos, criando muitas jogadas perigosas. 

Na segunda etapa, as Gurias Coloradas começaram com alta intensidade e criaram boa chance antes mesmo do primeiro minuto da etapa complementar. A Ferroviária cresceu no jogo e, mesmo com o Inter melhor, encontrou um gol aos doze minutos com Aline Milene. Maurício Salgado colocou Isa Haas e Jheniffer na partida. A Ferroviária também trocou e passou a segurar o resultado, estabilizando jogo. O Inter cresceu novamente na reta final da partida e, com jogada de Rafa Travalão, Shashá pegou o rebote para marcar o gol de empate para as Gurias Coloradas. Já nos acréscimos, Shashá chutou cruzado, a bola explodiu na trave, bateu na goleira Luciana e entrou. Virada das Gurias Coloradas nos minutos finais da partida!

MELHORES MOMENTOS

Primeiro tempo:

2′ DEFENDE LUCIANA! Em bola alçada na área por Rafa Travalão, que construía jogada pelo lado esquerdo, bola fica com a goleira grená.
8′ IMPEDIDA! Shashá cria boa jogada pelo meio, deixa Byanca Brasil cara a cara com a goleira, mas a assistente assinala o impedimento.
9′ PERIGOSO! Rafa Travalão avança pela direita, vê a goleira Luciana adiantada e faz o chute de longa distância. Bola passa acima da meta.
14′ SALVA A GOLEIRA! Cruzamento pela direita, Bruna Benites sobe mais alto que todo mundo para cabecear, mas Luciana faz a defesa.
26′ QUE BOLA! Linda jogada de Fabi Simões, passando no meio de duas, para Byanca Brasil, que trabalha a bola pela esquerda e devolve para Fabi Simões. Corta a zaga na entrada da pequena área.
28′ LUCIANA!!! Ferroviária sai errado, Byanca Brasil rouba a bola e faz o lançamento para Rafa Travalão, que chuta pelo lado direito. Salva a goleira!
37′ PRA CIMA! Na sobra do escanteio, Shashá dá passe nas costas da zaga da Ferroviária para Rafa Travalão, que tenta o drible, mas para na goleira grená.
46′ JOGA MUITO! Byanca Brasil recebe na frente, faz linda jogada e conclui no gol. Luciana salva a Ferroviária mais uma vez.
48′ Fim da etapa inicial.

Segundo tempo:

1′ CHEGADA PERIGOSA! Inter avança em velocidade, de pé em pé, a bola chega para Shashá, que entra na área e arrisca o chute, levando perigo para o gol adversário.
9′ UHHH! Chega com perigo o Inter. Fabi abre pela direita, volta com Leidi, que chuta cruzado e manda uma bomba para o gol. Bola passa raspando a trave direita.
12′ Ferroviária abre o placar com Aline Milene.
18′ Troca o Inter. Entram Isa Haas e Jheniffer. Saem Leidi e Byanca Brasil.
33′ Mais uma troca no Colorado. Sai sorriso, entra Mariana Pires.
38′ SHASHÁ! Atacante cria boa jogada em velocidade, invade a área, mas zaga corta e garante escanteio colorado.
41′ GOOOOOOOOOL!!! Inter chega em velocidade, Rafa Travalão bate cruzado, goleira dá o rebote e Shashá manda para o fundo das redes! Tudo igual no placar!
45′ Inter chega forte de novo com Shashá, que aparece livre na área, mas chuta em cima da goleira Luciana.
46′ ISA HAAAAS! Linda jogada em velocidade da volante colorada, que tabela na entrada da área e recebe novamente, para finalizar com um lindo chute. Grande defesa das adversárias.
47′ GOOOOOOOOL!!! Virada colorada! Chutaço de Shashá, bola explode na trave e bate na goleira antes de entrar. Virada das Gurias Coloradas!

Ficha técnica:

Internacional (2): Mayara; Leidi (Isa Haas), Bruna Benites, Sorriso (Mariana Pires) e Belinha; Juliana, Djeni e Rafa Travalão; Shashá, Fabi Simões e Byanca Brasil (Jheniffer). Técnico: Maurício Salgado.

Ferroviária (1): Luciana; Monalisa, Luana, Gessica e Barrinha; Daiane (Carol Tavares), Rafa Andrade, Sâmia (Rafa Mineira) e Aline Milene; Ludmila (Patrícia Schor) e Chu (Nenê). Técnica: Tatiele Silveira.

Gols: Aline Milene (12′ 2T), Shashá (41’2T e 47’2T).

Cartões amarelos: Luana e Rafa Andrade (F).

Arbitragem: Fernanda Ignácio de Souza, auxiliada por Marcela de Almeida Silva e Leonardo Tadeu Pedro.

Estádio: Arena Fonte Luminosa (Araraquara-SP).

A virada da arquibancada: há 14 anos, Inter avançava para as semifinais da América

Tarefa ingrata resumir a gigante história do Inter na Libertadores. Primeira equipe da região sul do país a participar do torneio e disputar uma final, o Clube do Povo abriu o século XXI encarando indigesto histórico de recentes desencontros com a maior competição das Américas. Ao todo, o Colorado viveu um hiato de 13 anos distante do principal certame de nosso continente. O retorno, rodeado de grandes expectativas por um final feliz, aconteceu em 2006, e teve um de seus maiores capítulos vivenciados há exatos 14 anos.

Rafael Sobis e torcida: os destaques da vitória sobre a LDU


O caminho até as quartas


Credenciado após dois anos seguidos de boas campanhas na Sul-Americana, o Inter encarou com autoridade a pressão da reestreia na Libertadores. Contra o Maracaibo-VEN, fora de casa, Ceará abriu o placar aos três minutos do segundo tempo. Disputada no dia 16 de fevereiro, a jornada contou com infeliz gol dos donos da casa aos 43, igualando o marcador. Uma semana depois, o Beira-Rio lotado comemorou os 3 a 0 do Clube do Povo sobre o Nacional-URU. No mês seguinte, o Colorado conquistou duas grandes viradas sobre o Pumas-MEX, a segunda por 3 a 2, em Porto Alegre, e chegou aos 10 pontos. Novo empate, este no Uruguai, somado a triunfo de 4 a 0 sobre os venezuelanos, já em abril, encerrou a campanha alvirrubra, segunda melhor entre os participantes, na fase de grupos do torneio.

De maneira simultânea à boa fase continental, no Gauchão o Inter também avançou líder para as eliminatórias. Na final, entretanto, dois empates contra o maior rival deixaram o Clube do Povo com o vice-campeonato. O resultado serviu de alerta para Abel Braga, que promoveu mudanças na escalação, reconduzindo Rafael Sobis, que sofrera com lesões no primeiro semestre, ao time titular, assim como Jorge Wagner. No encerramento dos grupos da Libertadores, a lesão de Tinga resultou em nova alteração nos onze iniciais. Assim, com um meio de campo formado por Edinho, Fabinho, Alex e Gabiru, o Colorado chegou para a disputa das oitavas, que promoveram novo encontro com os uruguaios do Nacional.

O Inter exorcizou seu primeiro fantasma logo na partida de ida, disputada no Parque Central. Jorge Wagner, em um golaço de falta, empatou para o Inter na etapa inicial, mas a grande pintura da noite ainda estava por vir. Aos 18 do segundo tempo, Rentería, o mais colombiano dos sacis, aplicou um lençol no zagueiro Pallas e, sem deixar a bola cair, pegou na veia. Vitória por 2 a 1 que, somada a empate sem gols do Beira-Rio, classificaria o Inter para as quartas.


A tensão pelo jogo de volta


O adversário nas quartas de final foi a LDU. Equipe dona da segunda melhor campanha entre os segundo colocados da primeira fase, superou, nas oitavas, o Atlético Nacional, da Colômbia, com o agregado de 5 a 0. Extremamente forte em seus domínios, o time equatoriano sabia explorar a altitude de Quito, localizada cerca de 3.000 metros acima do nível do mar, para encurralar adversários. Abusando deste recurso, largou em vantagem na luta por vaga nas semis continentais. Jorge Wagner, vivendo fase artilheira com sua sempre afiada perna canhota, até abriu o placar para o Inter no primeiro tempo, mas o ar rarefeito fez a diferença na etapa final, permitindo aos donos da casa o triunfo por 2 a 1.

O revés marcou o fim de uma invencibilidade de 27 jogos. Para piorar, o confronto de volta, tradicionalmente disputado sete dias após o primeiro duelo, levaria meses até ser realizado. Paralisada por conta da disputa da Copa do Mundo da Alemanha, a Libertadores seria retomada apenas em julho. Assim, ao longo de mais de sessenta dias a torcida precisaria conter a ansiedade e, ao mesmo tempo, seguir esperançosa. Missão difícil? Não para o povo colorado.

A Maior e Melhor Torcida do Rio Grande não somente continuou fiel, como criou uma corrente de energias positivas poucas vezes vista na história. Foram semanas marcadas por recordes de associação, liquidação de cadeiras disponíveis nos setores locados e peregrinação ao Beira-Rio para comprar camisas, acompanhar treinos ou simplesmente fazer alguma reza, depositando sua fé no número 891 da Avenida Padre Cacique. Enquanto o restante do país estava imbuído de forte espírito nacionalista, o povo alvirrubro deixava os jogos da Seleção Brasileira em segundo plano, permanecendo ansioso não para as esperadas exibições de Dida, Ronaldinho, Kaká, Robinho, Ronaldo e Adriano, mas sim para ver em campo Clemer, Tinga, Alex, Rafael Sobis, Fernandão e companhia.

Duas semanas depois da partida do Equador, o Inter anunciou que 400 novas cadeiras locadas seriam colocadas à disposição, visando a suprir a demanda crescente dos associados e torcedores colorados. O bom momento vermelho, que após campanha histórica no Campeonato Brasileiro do ano anterior conseguia conciliar as diferentes disputas de 2006, seguindo vivo na Libertadores e ocupando as primeiras posições do torneio nacional, orgulhava a torcida. Faltava, porém, conquistar um título que estivesse à altura da grande fase.

Todos no Beira-Rio encaravam o confronto que se avizinhava como o jogo do ano. O Inter, por exemplo, tratou de aprimorar a estrutura do Gigante, realizando reformas nas cadeiras locadas, preparando o setor para a noite de 19 de julho, quando centenas de novos frequentadores eram esperados no local. A Central de Atendimento ao Sócio (CAS) também se adaptava, fazendo plantões em série, muitas vezes trabalhando noite adentro. Nem mesmo a derrota para o Juventude, na última partida do Nacional antes da decisão pela Libertadores, arrefeceu o ânimo da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande.


O Gigante jogou junto


Passados mais de dois meses e uma Copa do Mundo, enfim o apito inicial estava próximo. Cerca de 40 mil colorados e coloradas tomaram as arquibancadas do Beira-Rio, ignorando o horário da partida, marcada para as 19h15, que complicava a rotina de todos que trabalharam naquela quarta-feira. Dentro do Gigante, todavia, nada mais parecia importar. Para a multidão ensandecida, apenas o estádio existia. Com bandeirões, faixas, cantoria, sinalizadores e instrumentos, o povo transformou o templo da Padre Cacique em um caldeirão, pronto para cozinhar o adversário desde a entrada das equipes em campo.

Iniciado o confronto, o Inter estava escalado com Clemer no gol; Elder Granja, Bolívar, Fabiano Eller e Jorge Wagner na defesa; Fabinho, Edinho, Tinga, recuperado de lesão, e Alex no meio; Rafael Sobis e Fernandão no ataque. Do outro lado, sete atletas que integraram a delegação equatoriana na Copa da Alemanha impunham respeito. Armada no esquema 4-5-1, com três volantes, a LDU tinha como claro objetivo anular o ataque colorado – e abria mão de quaisquer princípios por isso. Logo no primeiro minuto, Sobis cruzou da esquerda buscando Fernandão. O Capitão quase chegou na bola, dividindo com o goleiro Mora, que fez a defesa e, de imediato, aproveitou a oportunidade para ganhar alguns segundos na primeira cera visitante.

Resumido a esparsos cruzamentos na direção da área rival, o Clube do Povo sofreu para criar oportunidades na primeira meia hora de partida. Na reta final da etapa, Fernandão, Sobis e Granja, em arremates de fora da área, conseguiram esboçar uma pressão colorada, incapaz de balançar as redes equatorianas, mas suficiente para reascender o pavio do Gigante. Chegado o intervalo, da inferior às cadeiras o povo compartilhava da mesma certeza: se quarenta e cinco minutos eram pouco comparados às semanas de mobilização entre uma partida e outra, imagine, então, em relação a 97 anos de história.


Etapa final para a história


A sinergia entre time e estádio resultou em pressão arrasadora dos comandados de Abel Braga na volta do intervalo. Como um rolo compressor, o Inter encurralou os visitantes, e passou a empilhar grandes chances. Aos dois minutos, Sobis costurou do meio para a esquerda e deixou com Jorge Wagner, que cruzou rasteiro. A bola passou do goleiro e encontrou, praticamente debaixo das traves, o pé de Tinga. Desequilibrado por um marcador, o camisa 7 colorado finalizou com muita força, caindo, e mandou por cima da goleira. Segundos depois, Alex descolou lindo lançamento para Fernandão. Entre a dupla de zaga rival, o camisa 9 dominou no peito e, de canhota, finalizou cruzado, tirando tinta da trave de Mora. O gol era iminente.

A dobradinha Sobis e Fernandão fez história com a camisa colorada. Explosivo, o garoto de Erechim sabia explorar espaços como poucos. Surgiu para o futebol seguindo à risca a cartilha de um segundo atacante, genial para estabelecer combinações com seu parceiro ofensivo. Ao mesmo tempo, nosso Eterno Capitão sempre demonstrou inteligência acima da média. Apesar do que a estatura e o número que vestia podem sugerir, não era um centroavante clássico. Habituado a ocupar a ponta-de-lança, gostava de circular fora da área, criando vazios na defesa adversária. Exatamente desta forma, após lançamento de Jorge Wagner, nosso camisa 9, caindo pela esquerda, escorou de cabeça para Rafael.

Pula que é gol do Sobis, só pode ser o Sobis!/Imagens: Rede Globo

Sobis partiu no mano a mano com o zagueiro Espinoza. Inteligente, retardou ao máximo seu primeiro toque na bola, deixando a redonda seguir a trajetória proposta por Fernandão. Já próximo da área adversária, começou a cortar para a direita, entortando as costas do defensor rival. Ao pisar na meia-lua, percebeu que tinha visão aberta para a goleira, e soltou a bomba. Inter na frente!

Nos minutos que se seguiram, o Inter acumulou chances desperdiçadas. Pouco depois, Tinga sentiu lesão e deixou o campo para a entrada de Adriano Gabiru. Os milhares presentes no estádio, que tanto esperaram pelo jogo, agora torciam para que o confronto chegasse ao fim o quanto antes. Depois de 17 anos, o Colorado gaúcho poderia retornar, pela quarta vez em sua história, às semifinais da Libertadores.

Desesperada, a LDU passou a ocupar o campo de ataque, construindo pressão nos minutos finais. Bem postado, contudo, o Colorado impediu a criação de chances equatorianas. Mais do que isso, soube esperar por um contra-ataque fatal. Desgastado, Sobis deixou o campo para a entrada de Rentería, que precisou de menos de três minutos para aprontar. Após cruzamento perigoso da equipe visitante, Jorge Wagner ficou com a sobra pela esquerda e lançou o colombiano, nas costas da marcação. Em velocidade, o Saci chegou antes de Mora e tocou por cobertura. Golaço, comemorado com cachimbo e touca pelo artilheiro talismã.

Rentería, é nós! Tipo Colômbia!/Imagens: Rede Globo

Se antes os visitantes buscavam o gol que seria da classificação, o revés por 2 a 0 cobrava que balançassem as redes coloradas para, pelo menos, postergarem a decisão da vaga para além dos 90 minutos. Nos acréscimos, o incômodo destino obrigou o povo alvirrubro a flertar com a decepção. A centímetros da grande área, Candelário, tentando tirar proveito da encoberta visão de Clemer, que tinha todos os jogadores das duas equipes postados na sua frente, cobrou falta rasteira. Habituado a crescer nos grandes momentos, o goleiro do Inter voou no canto esquerdo, espalmando para escanteio e garantindo a classificação para as semifinais.

Assim, graças aos pés de Sobis, a genialidade de Rentería e as mãos de Clemer, o Inter seguiu escrevendo um belíssimo e vitorioso ano de 2006 na sua história na Libertadores. Ainda mais importante do que o brilho dos jogadores, entretanto, foi o apoio da torcida, que consagrou nosso amor. Com ele, já encaramos tudo – e vencemos. Sempre foi assim em nossa biografia – e sempre será. Afinal de contas, nós não somos DO Internacional, e sim O Internacional. Somos o povo que nunca deixa de acreditar, porque nada, nunca, vai nos separar! Associe-se aqui!

Rumo ao Bi, há 10 anos virávamos sobre o Banfield

A Libertadores tem um ritmo diferente. Soa, aos ouvidos do apaixonado por futebol, como a mais harmônica mistura da cumbia com o tango, passando pelo samba e o reggaeton. Envolvente disputa, consegue impor a uma equipe, durante breves 90 minutos, emoções que variam da alegria ao drama, do sofrimento à explosão. Aquele que deseja a Copa deve superar, com maestria, um caminho feito para lhe causar percalços. A melhor maneira ser bem-sucedido na empreitada? Contando com a força de uma casa que esteja à altura da mística do torneio.

Em 2010 tropeçamos, é inegável. Não por fraqueza, e sim devido às armadilhas que visitaram nossa campanha. Diante de acanhado alçapão hermano, enfrentando hostil arbitragem charrua, com direito a pênalti sonegado e expulsão polêmica forçada, sucumbimos para o Banfield, apesar da belíssima pintura de nosso lateral – pouco depois sacado de campo pelo homem do apito.

Golaço de Kleber acabou se provando fundamental para o Inter. Imagens: SporTV

Para avançar às quartas, portanto, o Inter dependia de vitória por placar superior aos de vantagem mínima. A alternativa, única, residia em fazer a diferença no Beira-Rio. Afinal de contas, por mais que a esperança parecesse dançar na corda bamba de sombrinha, em nossa casa não seria justo que nos machucássemos.

“A energia que vem da

arquibancada faz a diferença.

Ela contamina todo

mundo em campo.”

GUIÑAZÚ – semana anterior ao confronto

O crepúsculo da quinta-feira 6 de maio foi mais rubro do que de costume. Mobilizados para o duelo das 19h30, 35 mil colorados e coloradas migraram cegamente à Padre Cacique, certos de que, naquela data, apenas para o Gigante os caminhos poderiam convergir. Iniciado o confronto, se é verdade que as arquibancadas ainda não estavam tomadas, fruto do caótico trânsito de final da tarde na capital gaúcha, já eram numerosos os que cantavam nas arquibancadas do Beira-Rio.

Tão intenso quanto o movimento de chegada ao Estádio, por óbvio, era a cantoria que dele emanava. Irretocável no Beira-Rio até então, acumulando três vitórias no torneio continental, o Inter pisou em campo sabendo que, por mais dura que fosse, a missão nada tinha de impossível. Ideia comprada pela torcida, convencida pelos comentários do gigante Guiñazú.

Em perfeita sintonia, grama e cimento sufocaram os argentinos, não permitindo um mísero segundo de descanso. Conduzidos – time e torcida – por um endemoniado D’Alessandro, os colorados lamentaram chances perdidas por Andrezinho e Walter, criadas pelo camisa 10, e também finalização do argentino que explodira no travessão. Conforme a chegada do intervalo se aproximava, o medo começava a crescer entre os mais pessimistas. Neste instante, contudo, o regente Andrés voltou a dar as caras.

Com passe milimétrico, D’Alessandro deixou Andrezinho de frente para o goleiro. Genial, o anjo das cobranças de falta serviu Alecsandro que, com a meta aberta, teve o simples trabalho de completar. Agora, faltava um.

Abençoado momento dos vestiários, permitiu ao Gigante descansar. Pulsando intensamente, o quarentão Beira-Rio precisava de um respiro. Breve, é claro, pois poucas são as construções tão habituadas ao delírio das massas quanto o templo colorado. A importância do quarto de hora de relaxamento foi comprovada logo cedo, com D’Alessandro, mais uma vez ele, lançando Eller.

Imagens: SporTV
Imagens: SporTV

Cobrindo a lateral-esquerda, o zagueiro vencedor de América e mundo em 2006 avançou e suspendeu. Na cabeça de Walter. Testaço para as redes! Virávamos. Juntos.

Encaminhada a vaga, o escrete colorado não cessou. Como poderia, se finalmente percebia os primeiros ares de classificação despontando no horizonte? As chances perdidas até motivaram um suspiro ou outro de nervosismo, mas a expulsão de James Rodríguez, jovem craque do rival, e o sucessor apito final libertaram, de uma vez por todas, o otimismo alvirrubro. Estávamos nas oitavas, graças à determinação de um Estádio que não cansou de jogar.

Há 12 anos, time e torcida jogaram juntos para virar na Copa do Brasil

Não é de hoje que a sintonia entre time e torcida faz a diferença dentro de campo. Também pudera, a casa do povo colorado não ficou conhecida como Gigante à toa. À altura de sua imponência, está também a história de um estádio descrente na existência do impossível. Erguido sobre as águas de um rio por uma torcida apaixonada, o número 891 da Padre Cacique se distingue das demais canchas espalhadas pelo planeta. Sua tradição, somada às vozes de dezenas de milhares de alvirrubros, resultam em sinergia capaz de intimidar qualquer adversário. Foi assim que, em 2008, eliminamos o Paraná e avançamos às quartas no principal torneio eliminatório do Brasil.

“Da maneira como

eles vieram hoje…

realmente deixa qualquer um louco!”

FernaNdão

O Colorado gaúcho chegou às oitavas da Copa do Brasil credenciado por campanha irretocável. Na fase inicial da competição, eliminou o Nacional, da Paraíba, após triunfo por 4 a 0, fora de casa. Na sequência, diante da Chapecoense, Alex e Adriano construíram o 2 a 0 que garantiu a vaga entre as 16 melhores equipes. Superados os catarinenses, foi a vez de enfrentar a equipe curitibana, que venceu o primeiro confronto, disputado no estádio Durival de Brito, por 2 a 0, gols de Ângelo e Fábio Luis.

Com o revés, teve início semana de intensa concentração, que passou, também, pela classificação alvirrubra à decisão do Gauchão, após triunfo sobre o Caxias nas semifinais do Estadual. Dias antes do confronto de volta contra o Paraná, ingressos de vários setores já estavam esgotados, mobilização refletida em um Gigante lotado por mais de 40 mil pessoas na noite de 23 de abril, data do jogo.

Desfalcado por Alex e Guiñazú, o Inter sabia que, para avançar, precisaria de estímulos que transcendessem as quatro linhas. Enquanto a torcida fazia sua parte, cantando uníssona, o Clube do Povo tratava de atrair bons ventos para a beira do rio vestindo o mesmo branco que conquistara o mundo em 2006. No momento da subida ao gramado, o entrevistado Magrão deixou claro que o uniforme era reflexo de como o elenco encarava a partida, tida como uma decisão, para a qual Abel Braga escalou Clemer, Índio, Orozco e Marcão; Bustos, Jonas, Magrão, Andrezinho e Ji-Paraná; Nilmar e Fernandão.

“Num Beira-Rio lotado desses, não se pode esquecer de jogar com o coração.

Essa camisa já diz tudo, né? Pra nós, é final. É decisão.”

magrão

Toda euforia que antecedeu o primeiro apito, entretanto, foi ameaçada logo aos 15 segundos, quando Índio e Jonas esbarraram em disputa de bola pelo alto. O jovem levou a pior, caindo de mal jeito, batendo a nuca no chão, e não conseguiu permanecer em campo, dando lugar a Sidnei. O quadro ficou ainda mais dramático aos 3 minutos, instante em que Ângelo cruzou, Giuliano, futuro atleta colorado, escorou, e Fábio Luis completou para o gol, inaugurando o marcador.

A tragédia parecia anunciada. A classificação, praticamente impossível. Os jogadores da equipe paranaense comemoravam abraçados o tento que soava ser decisivo. O destino, no entanto, aparentemente traçado, esqueceu de avisar o povo colorado de sua inevitável chegada. Tão logo Clemer foi vencido e a rede balançou, a multidão que abarrotava as arquibancadas, sociais e cadeiras do Gigante se ergueu para empurrar o Internacional com o tradicional canto “Vamo, Vamo Inter!”. Sinta o clima:

Embalado por esta trilha sonora, Andrezinho acionou Bustos, aberto na direita. O lateral partiu para o fundo, cortou para a esquerda e suspendeu na área, devolvendo na medida para o camisa 10 colorado que, antes do relógio acusar 5 minutos, também de peito dominou e, de bate pronto, emendou bonito, rasteiro, para empatar. A torcida, que já estava em rotação elevada, entrou em polvorosa. O ritmo subiu ainda mais aos 20, quando Ângelo foi expulso após entrada violenta em Andrezinho. Pouco depois, aos 31, graças a Índio, o estádio quase explodiu.

Marcão lançou na entrada da área para Fernandão, que matou no peito e deixou atrás com Orozco. O zagueiro, por sua vez, abriu em Bustos, que com a direita levantou no pé do xerifão colorado. Forte, o arremate morreu no canto do goleiro. O Inter virava: 2 a 1. Por ter sofrido um gol como mandante, todavia, o Clube do Povo precisava marcar mais duas vezes para ficar com a vaga. Exatamente por isso, a pressão não apenas foi mantida, como elevada, assim como a tensão, capaz de, aos 34, causar espinhoso desentendimento entre Sidnei e Joélson, encerrado com os dois avermelhados.

O embate de 9 contra 10 abriu ainda mais espaços no gramado, que foram devidamente aproveitados pelo Inter. Tanto que, transcorridos 38 minutos, Nilmar invadiu a área a dribles e só foi parado após pênalti absurdamente ignorado pela arbitragem. Um minuto depois, Fernandão deixou Orozco na cara do gol, mas o goleiro Fabiano Heves conseguiu salvar chute forte do zagueiro. Passados alguns segundos, a jogada se repetiu, com o capitão alvirrubro recebendo lançamento preciso e e oferecendo assistência ainda mais açucarada para um companheiro livre. O agraciado da vez foi Andrezinho, que, vivendo noite mágica, colocou com precisão, permitindo ao Colorado descer para os vestiários a um tento da vaga às quartas.

Reiniciado o confronto, o Inter seguiu apresentando a mesma postura ofensiva dos 45 minutos iniciais. O passar do tempo, ressalte-se, até deu espaço para os primeiros sinais de nervosismo, insuficientes para abalar a moral de um grupo liderado por nosso Eterno Capitão, agraciado com noite inspirada de Andrezinho e impulsionado pelas vozes de seu povo. Aos 18, Fernandão recebeu lateral de Bustos e, de cabeça, alçou na confusão. A zaga afastou mal, nos pés do craque da noite, que teve liberdade para pensar.

Vivendo uma de suas jornadas mais iluminadas com a camisa colorada, Andrezinho honrou a 10 alvirrubra com passe milimétrico. Sem sequer dominar, colocou a redonda no peito de Magrão, que ajeitou com estilo inferior somente à finalização que logo armou de primeira, sem deixar cair, de voleio. Gol! Tremores na beira do Guaíba, que viu suas próprias águas se curvarem ao sobrenatural poder emanado da união de um povo com seu clube.

Com a classificação encaminhada, o Inter se permitiu correr menos riscos, diminuindo o ritmo alucinante que imprimira ao longo de mais de 60 minutos de confronto. Coube então à torcida, antes fundamental no ataque, vaiar cada ataque paranaense, tornando insuportável aos oponentes o som ambiente, postando-se como a mais fiel zagueira.

Maravilhosa essa torcida! O grupo se doando!

Têm três, quatro jogadores aí, com dor na perna.

ANDREZINHO

Desconfortáveis, os visitantes pouco criaram, oferecendo, em contrapartida, espaço para os contra-ataques colorados, perigo supostamente impensável para quem enfrenta o imperdoável Nilmar. Em uma de suas escapadas, o camisa 7 recebeu balão da zaga, avançou para cima da defesa, entortou a marcação e só foi parado com falta. Dentro da área. Assinalada pelo árbitro.

O cronômetro indicava exatos e pontuais 48 minutos quando Fernandão deu início à caminhada na direção da marca do cal. Tranquilo, exibindo sangue frio contrastante ao delírio da torcida, apenas deslocou o arqueiro para confirmar a vaga colorada entre as oito melhores equipes do país. Com o tento, o Inter tinha cinco. O Paraná, um. O Beira-Rio ainda celebrava quando a partida foi encerrada, abrindo espaço para as emocionadas entrevistas pós-jogo, antecedidas pela festa dos atletas com seu povo. A vaga era nossa!

FICHA TÉCNICA:

Internacional (5): Clemer; Bustos, Índio (Titi), Orozco e Marcão; Jonas (Sidnei), Magrão, Ji-Paraná (Adriano) e Andrezinho; Fernandão e Nilmar. Técnico: Abel Braga.

Paraná (1): Fabiano Heves; Daniel Marques, Luiz Henrique e João Paulo; Ângelo, Jumar (Cristian), Léo, Giuliano (Clênio), Everton e Joélson; Fábio Luiz (Goiano). Técnico: Paulo Bonamigo.

Gols: Fábio Luiz (P), aos 3’/1º T. Andrezinho, aos 4’/1ºT, Índio, aos 31’/1º T, Andrezinho, aos 41’/1º T, Magrão, aos 18’/2º T, e Fernandão, aos 48’2º T (I).

Cartões amarelos: Bustos e Marcão (I). Léo, Daniel Marques, Éverton (P). 

Expulsões: Ângelo e Joélson (P). Sidnei (I). 

Renda: R$ 361.091,00. 

Público: 41.837 (38.263 pagantes). 

Arbitragem: Wagner Tardelli Azevedo (SC), auxiliado por Dibert Pedrosa Moisés (RJ) e Claudemir Mafessoni (SC). 

Local: Beira-Rio.